SONDAGEM
Norte-americanos contra política de Bush no Iraque
Uma sondagem revela que 55 por cento dos norte-americanos não aprovam a política de George W. Bush para o Iraque. Destes, 64 por cento entende ainda que a crise no país se está a agravar e que as tropas dos EUA enfrentam uma espiral de violência.
23:39
28 de Abril 04
O estudo do Instituto «Harris Interactive» mostra que 55 por cento dos inquiridos entende que a Casa Branca geriu mal a situação iraquiana ao longo dos últimos meses, enquanto que 43 por cento das respostas aprovam as opções da administração Bush.
Há 49 por cento de inquiridos que afirmam que a acção militar «foi numa boa decisão» e 42 por cento entendem que as perdas dos Estados Unidos têm sido «infelizes, mas aceitáveis», contra 51 por cento que dizem que estas perdas são inaceitáveis.
Esta sondagem foi efectuada entre os dias 13 e 18 de Abril, junto de 2.415 cidadãos norte-americanos adultos.
Uma outra sondagem do mesmo instituto revelava ainda que 52 por cento nos norte-americanos pensava que a ofensiva no Iraque «não tinha contribuído para a segurança dos Estados Unidos» e mais de dois terços afirma que «ocupar o Iraque levará mais terroristas islamitas a atacar interesses norte-americanos.
Este segundo estudo foi elaborado através de 979 entrevistas telefónicas, de 8 a 15 de Abril.
http://tsf.sapo.pt/online/internacional/interior.asp?id_artigo=TSF146702
IRAQUE
Kofi Annan critica combates
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, mostrou-se hoje preocupado com a situação no Iraque, sublinhando que os combates estão a piorar «o martírio».
18:13
28 de Abril 04
Kofi Annan afirmou, esta quarta-feira, que os combates só têm vindo a piorar a situação no Iraque, criticando abertamente a actuação das forças da coligação.
«Acções militares violentas de forças ocupantes contra cidadãos de um país ocupado só pioram o martírio», afirmou o secretário-geral das Nações Unidas.
«É altura para quem prefere o diálogo se fazer ouvir. Não há nada de cobarde nesta abordagem. Aqueles que lutam pela paz em terrenos violentos são tão importantes como os soldados, tal como nós nas Nações Unidas aprendemos de forma dolorosa o ano passado», recordou.
http://tsf.sapo.pt/online/internacional/interior.asp?id_artigo=TSF146675
IRAQUE
Seis militares dos EUA acusados de maltratar prisioneiros
Na sequência de um inquérito sobre alegados abusos contra prisioneiros no Iraque, seis militares da coligação foram acusados de maltratar iraquianos, disse o general norte-americano Mark Kimmit, chefe-adjunto das operações.
20:37
28 de Abril 04
A nacionalidade dos militares em causa não foi divulgada. O general Mark Kimmit, adiantou em conferência de imprensa, que existem imagens de alegados abusos que vão ser mostrados esta noite na cadeia de televisão norte-americana CBS.
O programa «60 Minutos II» pretende exibir fotografias de soldados norte-americanos a maltratar prisioneiros iraquianos. As imagens, descobertas há algumas semanas pelo exército norte-americano, são do interior da prisão de Abu Gharib, perto de Bagdad.
«Depois da investigação, seis militares da coligação foram acusados de crimes», confirmou Kimmit.
A CBS avançou que estão envolvidos neste caso desde o general responsável pelo estabelecimento prisional até à polícia militar encarregue da vigilância dos prisioneiros.
Uma das fotografias mostra um prisioneiro encapuçado e de mãos atadas obrigado a equilibrar-se sobre um caixote sob ameaça de ser electrocutado em caso de queda. Noutra há prisioneiros uns sobre os outros e no corpo de um deles podem ler-se palavrões escritos em inglês.
http://tsf.sapo.pt/online/internacional/interior.asp?id_artigo=TSF146691
Bombas americanas massacram Fallujah
“Marines” tentam esmagar rebelião sunita recorrendo a ataques maciços. Maus tratos a prisioneiros iraquianos incomodam telespectadores nos EUA
Jorge Monteiro Alves
A guerra do Iraque desenrola-se, cada vez mais, em duas frentes: no Golfo, onde os americanos se lançaram em força contra as praças-fortes dos rebeldes, e nos Estados Unidos, onde os candidatos à Presidência - Bush e Kerry - esgrimem argumentos e contam espingardas, socorrendo-se dos media e tendo Bagdade como pano de fundo.
Na primeira das duas frentes, a ordem do dia é marcada pela contagem dos corpos em Fallujah. Quantos iraquianos morreram sob o tapete de bombas despejado pelos americanos na praça-forte dos rebeldes sunitas? Ontem, segundo dia de bombardeamentos aéreos maciços e intenso fogo de tanques, o vaivém das ambulâncias arrastou-se durante horas, depois da pior batalha ali travada desde que, há três semanas, um primeiro ataque dos EUA fez centenas de vítimas.
Para os comandantes americanos no terreno, a dimensão da tragédia em Fallujah (cujos contornos ainda se desconhecem) não é da sua responsabilidade: os culpados foram os rebeldes, que não obedeceram ao ultimato que lhes fora lançado para entregarem as armas.
Explicação semelhante serve também para justificar o sucedido em Najaf, a cidade santa xiita onde os americanos pediram ajuda à Força Aérea para eliminar um núcleo de resistência. Ali a contagem de corpos já está feita: 60 mortos.
Os americanos continuam a sustentar que a prioridade é obter uma trégua e acabar com os ataques às cidades que permanecem em mãos rebeldes. Porém, tal como afirmou o general Mark Kimmit, chefe adjunto das operações militares no Iraque, "não há qualquer problema que não possamos resolver pela força".
Para os Estados Unidos, os maiores dissabores de ontem verificaram-se a sul, onde os rebeldes xiitas afectos a Moqtada al-Sadr fizeram mais três mortos entre as fileiras americanas. Outros três soldados engrossaram a lista dos feridos com direito a regressar a casa mais cedo, embora com marcas que começam a incomodar a opinião pública.
Depois do "Seattle Times" ter feito capa com uma fotografia onde se viam caixões de soldados americanos e de o jornalista Bob Woodward, do "Washington Post", ter dado à estampa "Plano de Ataque", livro onde sustenta que Bush ordenou a Rumsfeld que preparasse um ataque ao Iraque logo após o 11 de Setembro - episódios que geraram mal-estar no eleitorado -, os Estados Unidos preparam-se para mais um choque: a influente rede televisiva "ABC" vai dedicar a edição de amanhã do programa "Nightline" aos mortos em combate.
O título do programa promete incomodar a Casa Branca - "Os Caídos". Bush não deixará de sentir um grande desconforto quando o autor do programa, Ted Koppel, desfiar os nomes dos mais de 500 homens e mulheres que tombaram no Iraque. Pior: Koppel vai mostrar as fotografias de todos. "Nightline" transformar-se-á, na íntegra, num imenso memorial.
"Esta é nossa forma de lembrar aos telespectadores - concordem ou não com a guerra - que aqueles que caíram em combate têm nomes e faces", afirma Leroy Sievers, produtor executivo de "Nightline".
Para o presidente dos EUA, o programa nada indicia de bom. Apenas o reforço do cepticismo da opinião pública quanto à permanência no Golfo. E em mais votos para John Kerry, que apesar de assegurar que nunca equacionará um regresso dos soldados a casa não deixa de capitalizar pontos com os sucessivos erros de Bush no Iraque.
Longe parecem ir os tempos em que, em nome do 11 de Setembro, era considerado antipatriótico pôr em causa a política externa da Casa Branca. Não será só a ABC a incomodar Bush - ontem, a CBS já passou imagens de prisioneiros iraquianos a serem maltratados por soldados americanos. Má propaganda para o Pentágono e, por arrastamento, para George W. Bush.
"Nem sunitas nem xiitas, mas iraquianos", afirmavam ontem em uníssono jovens universitários durante uma contestação aos ataques norte-americanos a Najaf e Falluja realizada em Mossul, no Iraque, ao mesmo tempo que em Falluja elementos do Corpo de Defesa Civil Iraquiana (a polícia que deveria ajudar a coligação a pacificar as hostes) depunham as armas e conviviam cordialmente com os insurrectos, segundo a AFP. A unidade nacional pretendida pelos EUA parece assim estar a ser conseguida pela pior via: Washington representa o inimigo comum que é preciso combater e expulsar, prevendo uma espiral de violência que poderá inviabilizar os planos do enviado espcial da ONU para o Iraque - solicitado pelos EUA, na tentativa de conseguir concertar pela via multilateral os erros cometidos unilateralmente - Lakhdar Brahimi, aprovados pelo Conselho de Segurança, embora com cepticismo (Paul Bremer, administrador civil dos EUA no Iraque, admitiu a semana passada que os iraquianos não seriam capazes de se governar sozinhos). O plano de Brahimi prevê que o actual Conselho Governativo Provisório dê lugar a um Governo Interino, mais alargado que o actual, até final de Maio, que receberá o poder a 30 de Junho - constituído por "um grupo de pessoas respeitáveis e aceitáveis aos olhos dos iraquianos", com um primeiro-ministro, um presidente e dois vice-presidentes a designar -, encarregado de gerir os destinos do país dia a dia por falta de legitimidade sufragada, mantendo-se em funções até Janeiro de 2005, altura em que serão realizadas eleições parlamentares.
Para tanto, é necessária segurança, que só poderá ser promovida por um exército iraquiano, conforme sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita. Nesse intuito, Bremer, que promoveu a destituição de membros do partido Baas, sustentáculo de Saddam, em Agosto de 2003, reuniu ontem com generais e outros graduados do antigo exército de Saddam para comandarem o futuro exército de 40 mil homens, tentando reparar o erro cometido.
http://jn.sapo.pt/textos/textho1.asp
vBulletin® v3.8.4, Copyright ©2000-2012, Jelsoft Enterprises Ltd.