View Full Version : 1 de Abril
Mohandas
02-04-2004, 17:41
Intervenção de abertura do debate
Francisco Louçã
Há cerca de um ano, na Cimeira dos Açores, quatro governantes – George W. Bush, Tony Blair, Durão Barroso e o saudoso José Maria Aznar – anunciaram ao mundo que iria começar uma nova guerra. Dois dias depois, iniciou-se a ocupação do Iraque, que se prolonga até agora. O que está aqui em debate com o primeiro-ministro é o balanço deste ano.
Quando confrontado com esta interpelação, o governo sugeriu que a única data possível para responder sobre o que fez durante todo este ano seria o dia de hoje, 1 de Abril. Quero começar por homenagear esta escolha do super-ministro Marques Mendes, que é uma atitude de comovente honestidade política, uma tocante homenagem do vício à virtude: pois se durante um ano inteiro o governo mentiu, o único dia em que o dr. Durão Barroso poderia falar verdade é mesmo hoje, dia 1 de Abril. Esperemos que hoje, finalmente, nos digam algumas verdades sobre uma grande mentira.
E é por isso, senhor Primeiro-Ministro, que é a si que competiria explicar o que disse e o que fez, e é indelicado e desagradável abandonar a ministra dos Negócios Estrangeiros, que não tinha funções governativas no momento em que a mentira começou. Mas o primeiro-ministro sairá dentro em pouco, com uma conveniente vénia à Assembleia, como é do protocolo estabelecido já pelo seu antecessor, mesmo que, neste caso, seja a sua honradez e seriedade política que está a ser discutida. O senhor primeiro-ministro, em matéria que lhe diz directamente respeito, prefere deixar a ministra sozinha. Nós vamos aqui mostrar como o senhor primeiro-ministro mentiu. O senhor primeiro-ministro vai obrigar outro a justificar as suas mentiras.
Por isso lhe peço, senhora ministra dos negócios estrangeiros, que transmita ao primeiro-ministro a nossa condenação por um ano de mentira. Durante um ano, a política externa do governo contribuiu para a guerra, para agravar a crise do Médio Oriente, para a divisão da Europa. Ao fazer parte do eixo da mentira, seguiu a palavra e as ordens do único governo de extrema-direita do ocidente, como lhe chamou Freitas do Amaral. Aboliu o direito internacional declarando a guerra preventiva como regra, arrogando-se o império do poder de atacar quem quisesse, quando quisesse e como quisesse. Permitiu, contra todas as promessas, a construção do Muro da Vergonha para roubar os direitos dos palestinianos à sua terra e à sua independência. E os resultados, senhor primeiro-ministro, são lamentáveis: nem democracia nem justiça, nem paz nem combate ao terrorismo.
Pelo contrário. O governo português contribuiu e contribui para a mentira que reforça a desordem internacional, contribuiu e contribui para a pilhagem do Médio Oriente e, pior do que tudo, contribuiu e contribui para reforçar a principal central do terrorismo à escala internacional.
Comecemos pela mentira.
A guerra só tinha um pretexto: era preciso derrubar Saddam Hussein porque as suas armas de destruição massiça constituíam um perigo para o mundo. Foi isso que o primeiro-ministro repetiu sem cessar.
No comunicado do governo português, duas horas depois de Colin Powell ter apresentado o seu caso na ONU, dizia-se que “se registam especialmente as gravações e fotos que indiciam a manutenção pelo Iraque de armas de destruição massiça, nomeadamente químicas e biológicas”.
Na Carta dos Oito, escrevia-se que “Enviamos uma mensagem clara de que livraríamos o mundo do perigo trazido pelas armas de destruição massiça de Saddam Hussein”.
No comunicado da Cimeira dos Açores, afirmava-se que “qualquer presença militar será temporária e com o objectivo de promover a segurança e eliminação das armas de destruição massiça”.
No Parlamento, o primeiro-ministro repetiu a 18 Março que “foi esse o objectivo que o governo sempre prosseguiu. Primeiro: defesa intransigente do desarmamento do Iraque”.
No dia seguinte, insistiu que “a ditadura iraquiana é uma ameaça à paz. Desarmar o Iraque é um objectivo essencial”.
Agora sabemos que as armas eram mentira e que o pretexto era mentira. Aliás, conhecemos a origem da mentira. O primeiro-ministro tinha a certeza que havia no Iraque armas químicas e biológicas, porque tinha recebido um relatório dos serviços secretos britânicos nesse sentido. O relatório é uma falsificação grotesca, e ficou famoso por ter levado Blair a garantir no parlamento britânico que essas armas estariam prontas para uso em 45 minutos (pg 5 do relatório).
Todo o relatório é uma confabulação sinistra. Tudo é falso. David Kay, o chefe da CIA que foi o responsável pela operação dos 1200 agentes que durante um ano procuraram as armas, demitiu-se há dois meses e pediu um inquérito sobre a razão da mentira. Não há armas de destruição massiça. Hans Blix, chefe dos inspectores da ONU, explicou que quem queria encontrar bruxas na Idade Média conseguia sempre – mas as armas são piores do que as bruxas, desaparecem misteriosamente.
Colin Powell sabia onde estavam 20 instalações e descreveu-as na ONU. Mentira.
Rumsfeld sabia de todas as localizações. Mentira.
Durão Barroso sabia tudo o que os outros sabiam. Mentira. Havia armas, mas as únicas que foram encontradas foram as que vários governos venderam, como aquele de que Durão Barroso fazia parte entre 1985 e 1990.
É certo que, apanhado na teia da mentira, o primeiro-ministro tem vindo dizer que, quando disse que a prioridade eram as armas de destruição massiça, queria dizer outra coisa. E os dois argumentos para apoiar e participar nesta guerra de ocupação passaram a ser o respeito pelos aliados e a imposição da democracia nos territórios ocupados. É isso que o governo e a maioria vão repetir hoje, 1 de Abril.
Mas esses argumentos são ainda mais graves do que a mentira, porque já não têm sequer a desculpa de terem resultado de um engano provocado por um relatório fantasioso dos serviços secretos britânicos. Nesta matéria, estamos no coração da estratégia da política externa. As decisões de escolha dos aliados são tomadas com pleno conhecimento de causa.
No dia 1 de Fevereiro de 2003, Durão Barroso disse neste Parlamento que “sou contra todas as ditaduras e penso que é bom para a Humanidade o dia em que elas caem; sou contra todos os regimes que por exemplo tratam as mulheres como seres de 2ª classe e revolta-me que tal aconteça”. Poucos meses depois, enviou o seu ministro da Defesa à Arábia Saudita para fazer um contrato militar.
Falemos deste seu aliado, senhor primeiro-ministro. Na Arábia Saudita não há parlamento, não há constituição, não há partidos
políticos, não há imprensa livre. É um regime de fascismo teocrático, onde as mulheres não têm direitos, não podem viajar, não podem mostrar o rosto, não podem conduzir um carro, e onde a polícia religiosa, a Mutawa’een, tem tribunais e prisões próprios, onde se amputam, chicoteiam ou matam as presas e presos por delito religioso.
O ministro Paulo Portas não foi a 3 e 4 de Junho explicar aos dirigentes sauditas como o seu primeiro-ministro anseia pelo dia em que a ditadura caia e como se revolta pelo tratamento dado às mulheres. Foi reunir-se com o Príncipe Abdel Aziz, para negociar contratos para a reparação de material aeronáutico saudita e para abrir as academias militares portuguesas a oficiais sauditas. Foi fazer negócios.
Ora, é na Arábia Saudita que está o centro do terrorismo mundial. Uma política externa dedicada a combater o terrorismo saberia que a pista saudita está por detrás do gigantesco financiamento dado aos 300 mil mujahedines, que hoje chamam talibãs, e que acolheram trinta mil guerrilheiros como um tal Osama bin Laden. Saberia que a pista saudita está por detrás da guerrilha fundamentalista do UÇK no Kosovo. Saberia que, em ambos os casos, a Casa Branca apoiou, financiou e armou estes grupos.
O negócio que o governo está a fazer com a Arábia Saudita, senhor primeiro-ministro, é uma vergonha que demonstra o cinismo absoluto. Aqui promete-nos democracia e respeito pelos direitos das mulheres, mas está disposto a vender armas, tecnologia e conhecimentos a fascistas e fundamentalistas. Isso é falta de princípios democráticos e de seriedade. É uma política externa obediente aos aliados, mas os aliados foram e são cúmplices do terror. O seu governo, senhor primeiro-ministro, tem a obsessão de vender armas à escumalha da política internacional.
Naturalmente, esta aliança tem um preço. O preço é a mentira, já não sobre outras armas, mas a pior mentira de todas, sobre a democracia.
Patacôncio
02-04-2004, 20:01
Então não é que este gajo diz o que eu penso, embora eu seja mais corrosivo e mais alerta? :D :D :D
Quem tiver dois dedos de testa repara que o BE é um partido comunista ou socialista, como queiram chamar e que advoga a "revolução socialista". Se possível à estalada! :D :D :D
Por trás da defesa dos gays, dos drogaditos e das mulheres que aspiram a fazer o aborto de um modo mais livre, está um socialismo que odeia o capitalismo, a democracia liberal e a Liberdade.
A maioria dos líderes do BE são funcionários públicos e "intelectuais". Basta atentar aos candidatos nas autárquicas , onde proliferam professores, escritores, pequenos burgueses, jovens radicais.
A própria forma como os bloquistas atacam os seus adversários demonstram o seu profundo ódio a todos aqueles que não comungam das suas ideias. Eles não acreditam verdadeiramente na Democracia, pois como se julgam os "génios", eles não admitem que as teses adversárias vençam nos tradicionais jogos democráticos. Como acontece em qualquer sociedade aberta.
Repare-se que é caso raro onde o BE publique textos programáticos sobre cconomia, Direitos Fundamentais, sistema político e por aí fora. Os seus texctos são quase sempre do mesmo: protesto radical. Porque se começassemos a saber o que desejam para o mundo...
A própria coreografia propagandística é retirada do pior que havia no nazismo, outro socialismo fascista.
Mas enfim...
Caviar chique? (http://jornal.publico.pt/2004/04/02/EspacoPublico/OEDIT.html)
O Que Se Esconde por Detrás do Bloco
Por JOSÉ MANUEL FERNANDES
Sexta-feira, 02 de Abril de 2004
O Bloco está a dar. É chique. É moderno. Respira e transpira o "ar do tempo". Beneficia da graça de ser a menos criticada organização política e muitos vêem-no mesmo como uma organização por onde passará inevitavelmente o futuro da esquerda.
Só agora, quando começaram a aparecer os cartazes para a festa que hoje se inicia, é que se ouviram algumas vozes de incomodidade: aquela de terem usado a umagem de um bebé a dormir com o punho fechado era de indiscutível mau gosto. Os rapazes, comentava-se com um sorriso, tinham-se "passado". Poucos, ou nenhuns, repararam no entanto que, por baixo da inocente criancinha, estava a frase-chave: "A revolução ainda é uma criança".
A revolução? Que revolução? A democrática está feita e comemora 30 anos, pelo que só pode ser aquela de que não se fala, mas que inspira os partidos do Bloco: a revolução socialista. Tal programa nunca o vemos explicitado nos discursos delicodoces e "modernos" dos deputados bloquistas, mas encontramo-lo facilmente ao consultar os sites da UDP e do PSR. O primeiro destes partidos é apenas outro nome de uma organização que o cidadão comum desconhece, o PC(R), acrónimo de Partido Comunista (Reconstruído) - e reconstruído porque o PCP é tido como um partido reformista, revisionista, não suficientemente radical e revolucionário. O segundo é membro da IV Internacional, a federação mundial de partidos que se inspiram no legado de Trostky.
Nesses sites escreve-se, por exemplo, que "a revolução socialista é a saída para o desenvolvimento social da humanidade" (UDP) ou que "o eixo deste partido [PSR] é um programa alternativo para a sociedade: a revolução socialista como ruptura política (...) que instaure uma democracia assente em mecanismos de participação e representatividades directa e indirecta". Mais: um dos objectivos do próximo acampamento de juventude da IV Internacional é responder à pergunta "porque somos revolucionários?" Uma pergunta a que certamente muitos dos participantes talvez ainda não saibam responder porque, como se reconhece nas teses do último Congresso da UDP, "falar hoje em Revolução Socialista é quase um tabu, tal o domínio do capital e a fraqueza das forças revolucionárias".
O BE surge pois como um biombo atrás do qual se resguardam os que defendem a revolução proletária, de inspiração marxista e capaz de recuperar o "espírito original da Revolução de Outubro", a mesma instaurou a ditadura comunista na extinta União Soviética. Isso chega mesmo é assumido nos documentos que temos vindo a citar. O PSR de Francisco Louçã designa o Bloco como uma "estratégia transitória" enquanto a UDP de Luís Fazenda parte da constatação que "o BE é o terceiro partido em voto e simpatia na juventude urbana" para considerar que "esse é o capital de modernidade que estimula os revolucionários".
Só que não há nenhuma modernidade: os jovens vêm ao engano iludidos pelos temas "fracturantes" enquanto os "revolucionários" mantém o seu programa de sempre, bem visível nos documentos que temos vindo a citar, todos eles recheados de citações de heróis de sempre, com destaque para Lenine.
Porém, a falta de memória e cultura política permite que o Bloco passe pelo que não é, por uma "nova" esquerda quando é a mais velha das esquerdas, a que ainda lamenta o "surto revisionista" na URSS ou ter assistido "ao último acto da tragédia do 'socialismo real', assassinado pelo encenador Gorbachov".
Mas não se pense que o Bloco consegue disfarçar o seu comunismo encapotado. Reparem que na festa do bloco, quem os gajos convidara para a sua festa e para um acto político sobre a europa?
Nada mais que o Fausto Bertinotti (líder da Refundação Comunista italiana).
Palvras, mais para quê? O costume.
O pior é que anda muita gentinha enganadinha. Mas, a História ensina-nos, o próprio nazismo enganou muita gente, sobretudo na Alemanha. Se um dia eles chegassem ao poder em maioria... Eu já sei qual seria o meu destino... :confused: :confused: :confused:
http://www.bloco.org/images/stories/culpados1.jpg
PS Repare-se na imagem anterior. Tudo aquilo que o nazismo foi pródigo. Palavras como "culpa", "criminosos", "traição" fazem parte do seu léxico fasciista. Tal como o nazismo na década de 20 e 30. Pena é que poucos se interessem por esse período conturbado do século XX.
Patacôncio
02-04-2004, 20:16
Nada como ler alguns textos dos "inspiradores" de muitos bloquistas:
O movimento na Alemanha é análogo em maior medida com o caso italiano. É um movimento de massas, com os seus dirigentes a recorrerem a umha grande demagogia socialista. Isto é-lhes necessário para a criaçom do movimento de massas.
A genuína base (para o fascismo) é a pequena burguesia. Na Itália, é umha muito ampla base –a pequena burguesia das cidades e as vilas, e os camponeses. Na Alemanha, igualmente, há umha ampla base para o fascismo...
Deve ser dito, e isto é verdade até certo ponto, que a nova classe média, os funcionários do Estado, os administradores privados, etc., podem constituir tal base. Mas esta é umha nova questom que deve ser analisada...
Com o intuito de ter previsom no que di respeito ao fascismo, cumpre formular umha definiçom dessa ideia. O quê é o fascismo? Qual é a sua base, a sua forma, e as suas características? Como terá lugar o seu desenvolvimento? É necessário procedermos com um método científico e marxiano.
http://www.pieroruzzante.net/rassegna/articoli/ottobre2003/8ottobre2003.jpg
PS Mais. Reparem que os bloquistas, sobretudo um tal Filipe Moura, advogou mesmo que antes a morte dos judeus que combatermos o terrorismo internaiconal e radical islámico.
O antisemitismo está de tal ordem a crescer entre eles que nos preocupa. Porque, para eles, a morte de um israelita civil não vale o mesmo que o de um palestiniano.
Repare-se nesta preciosidade. Sharon poderá ser acusado pelos tribunais israelitas, demonstrando que Israel é mais uma normal democracia, apesar das suas especifidades. Logo, os "jornalistas palestinianos" fizeram propganda contra ele até à exaustão.
Esta semana um relatório da UE acusou Arafat de desviar os dinheiros das ajudas comunitárias para financiar o terrorismo.
Alguém ouviu a notícia?
E a morte de um milhão de pessoas no Ruanda? Por causa do pacifismo cobarde do Clinton?
Pois.
O fascismo não reconhece a todos os seres humanos os mesmos direitos...
http://193.70.162.67/anpiroma/nazismo/PosterSA.jpg
E a manifestão organizada pelos bloquistas contra um Tribunal, um Orgão de Soberania? Ao mesmo estilo nazi e fascista?
Só mesmo em Portugal estas coisas se passam e se fecham os olhos...
Mohandas
02-04-2004, 20:22
Eheheh... vai estrebuchando enquanto podes. Já estás na minha lista negra... :cool:
Mohandas
02-04-2004, 20:24
A arma agora da direita fascista e reaccionária é toda igual. Rotular os adversários de tudo e mais alguma coisa para desviar as atenções deles próprios. Não faz mal, a gente aguenta. :o
Mohandas
02-04-2004, 20:34
Vais ficar a falar sozinho que eu vou ter com a Inês e com a mãe...
Tchau. :rolleyes:
Patacôncio
02-04-2004, 20:49
(Nem respondo ao nosso Moh. Afinal eles diz que a "direita fascista e reaccionária" costuma rotular.
De facto, quem critica o BE é que é logo rotulado. Neste caso de "direita fascista e reaccionária". :D :D :D
Mas o nosso Mohandas é especial. Embora caia nestas contradições. Como caiem muitos como ele. ehehehhhehh )
Mais uns dados para meditar.
Hoje a sociedade liberal e democrática é muito diferente daquela que se vivia na década de 20 e 30. Mas mesmo assim, Trotsky, um dos pais fundadores da 4ª Internacional Comunista, aquela que o PSR (partido da coligação BE) representa em Portugal, já previa essas modificações na própria sociedade. Como qualquer sociólogo que se baseie no materialismo para analisar a sociedade política.
Repare-se nestas palavras proféticas:
(...) Deve ser dito, e isto é verdade até certo ponto, que a nova classe média, os funcionários do Estado, os administradores privados, etc., podem constituir tal base. Mas esta é umha nova questom que deve ser analisada.(...)
Ou seja, a base eleitoral e popular para o fascismo, que ele, Trotsky, é claro e taxativo:
(...) É um movimento de massas, com os seus dirigentes a recorrerem a umha grande demagogia socialista. (...)
Que é o que se passa com o actual BE.
Nas listas ao PE, o BE aprsenta 25 candidatos. Reparem quais as suas origens profissionais e materiais (perspectiva marxiana de análise sociológica).
Vejam aqui: (http://www.bloco.org/index.php?option=news&task=viewarticle&sid=1009)
Dos 25 candidatos,
12 são funcionários públicos.
1 Operário, membro de uma comissão de trabalhadores;
3 sindicalistas, mas quadro técnicos (pequena burguesia);
1 Realizador de cinema;
1 jornalista.
1 estudante;
1 cantora;
1 activista Gay;
1 activista estudantil;
1 Publicitário;
Numa análise sociológica com base nas origens sociais (ao estilo marxiano. Não marxista, pois isso seria outra história ) repara-se perfeitamente que estes candidatos caiem muito bem na definição de Trotsky:
(...) Deve ser dito, e isto é verdade até certo ponto, que a nova classe média, os funcionários do Estado, os administradores privados, etc., podem constituir tal base. Mas esta é umha nova questom que deve ser analisada... (...)
Agora estudemos a sua linguagem política, a sua "agenda escondida", o seu populismo demagógico socialista e o sonho da Utopia, que é, no curto prazo: a Revolução Socialista!
http://www.bloco.org/images/M_images/web_links.jpg
Muito iremos discutir sobre este perigoso assunto.
Relembre-se que o nazismo tem origens na demagogia populista e fascista de alguns "revolucionários".
Deixemos o tempo correr, para demonstrar a nossa razão.
Mohandas
03-04-2004, 14:50
Eheheh... esqueceste-te de dizer que, dos 24, 13 são mulheres e 13 são independentes... também entram nessa perspectiva "trotskyana"?
Sempre julguei que o fascismo era conotado com a direita, estou agora a aprender que afinal é coma esquerda. :rolleyes:
É como aquele que se considerava baralhado, pois toda a vida lhe tinham dito que os comunistas comiam criancinhas, afinal, segundo o que se está a passar agora, parece que são os socialistas... :rolleyes:
É a vida...
BE: (como não gosto do PS, o meu post scriptum será assim) Gosto especialmente do modo como fazes contas, e cito, dos 25 candidatos, engano teu, são 24. Perdemos o 25 nestas eleições para o novo parlamento europeu... e continuas a fazer "bem" contas, enumeras as profissões e só sabes as de 23. Será que o outro é desempregado?
Patacôncio
03-04-2004, 15:34
Ó Mohandas, eu não meti o Portas, pois o gajo é demagógico profissional.
O gajo já pôs os filhos a estudar nas escolas públicas? Ou continua a advogar as escolas públicas... Mas para os filhos dos outros! :D :D :D
Quanto ao activista, o gajo é mesmo profissional da coisa. Que poderia dizer?
"Independentes"??? :D :D :D
Quanto ao fascismo, foi uma forma dos radicais socialistas se distinguirem um dos outros, mas com pouca capacidade em o demonstrar.
Senão, faço-te como costumo fazer aos comunistas e aos outros fascistas-socialistas: Diz uma definição de extrema-direita.
Se o conseguires fazer... :D :D :D
Olha para esta imagem: troca o machado pelo vossa "ovelhinha". :D :D :D
http://www.pieroruzzante.net/rassegna/articoli/ottobre2003/8ottobre2003.jpg
Não são os bloquistas que negam ser comunas mas que também não aderem ao capitalismo? Então...
SOCIALIZZACIONE! :D :D :D
Pois. A vossa "ravolução socialista ainda é uma criança". hohohooohoohoohooho
Mohandas
03-04-2004, 15:56
Movimentos neonazis e de extrema-direita
Movimentos Europeus
British National Party Home Page
O British National Party luta pela pureza e pelos direitos da raça branca. Organização de extrema-direita, apoia formalmente Haider e condena a União Europeia. Outro dos slogans, bem mais prosaico, clama "Buy Brithish Beef!".
Front National
Site oficial da Frente Nacional Francesa, o partido de Jean-Marie LePen. "Uma França francesa, numa Europa Europeia".
Vlaams Blok
Movimento ultra-nacionalista Flamento, luta pelos direitos dos nacionalistas flamengos, contra a hegemonia dos valões (belgas de língua francesa) na política belga. Site em flamengo.
Alleanza Nazionale
Site da Aliança Nacional Italiana, movimento de extrema-direita, liderado por Gianfranco Fini.
Partidos e organizações neonazis
American Nazi Parti
Partido Nazi Americano. Anti-semita, luta pela supremacia da raça branca numa América pura e ariana. Simbologia assumidamente nazi.
Final Conflict
Fanzine fascista e neo-nazi . Contem uma entrevista com os LUSITANOI, banda "skin" portuguesa.
Nacional Socialist Movement
Movimento Nacional Socialista Americano (nazi). Luta por uma nova Ordem Mundial e pela supremacia da raça ariana. Declara que a integração racial é "ilegal". Luta pela "separação racial imediata".
New Order
Luta pela instituição de uma Nova Ordem Mundial, que acabe com a miscegenação racial, as drogas, as SIDA, a poluição e o caos e corrupção em dominam a Velha Ordem. Vagamente messiânico.
Movimentos segregacionistas pro-arianos
Aryan Nations
Movimento americano que luta pela pureza da raça branca. A linguagem bíblica é utilizada para provar a supremacia da raça ariana (eleita por Deus)face a todas as outras.
White Church of The Creator
Esta organização americana invoca a Guerra Santa contra os negros, os judeus e os mestiços, em nome da "herança biológica e cultural" da raça ariana.
I Love White Folks
O nome diz tudo ...
Anti-Semitas
JewWatch
A JewWatch tem como objectivo monitorizar as actividades das comunidades judaicas e sionistas em todo o mundo. "Com um sorriso satânico no seu rosto, o jovem judeu de cabelo escuro espera no escuro pela rapariga incauta para a macular com o seu sangue e assim a afastar do seu povo", afirma a JewWatch, citando Adolf Hitler no Mein Kampf.
Nation of Europa
Movimento que luta pela "pureza racial" da Nação Europeia.
Peoples Resistance Movement-The Christian Alternative
Movimento anti-semita determinado a levar a cabo uma guerra santa cristã contra os judeus e a sua conspiração mundial para instaurar uma ordem "satânica".
Radio Islam
Movimento americano pro-islâmico que auto-proclama a luta contra o "racismo judeu" e a "propaganda sionista".
Nation of Islam
Movimento islâmico que acredita na existência de uma conspiração sionista internacional para tomar conta de economia americana e mundial.
Ku Klux Klan
KKK.com
O KKK.com, é um dos muitos sites "oficiais" do Klan. Autodenomina-se um "museu virtual" para todos os que querem manter puras e não-adulteradas as tradições e a ideologia do Império Invisível. Traça a história do movimento desde a sua fundação por Nathan Bedford Forrest, general confederado, no final da Guerra Civil Americana. Contém um FAQ, e diversos links para delegações do Klan, e organizações supremacistas brancas.
White Camelia Knights of the Ku Klux Klan
Site oficial dos White Camelia Knights of the Ku Klux Klan, organização que pretende rivalizar com o Klan original, na sua luta pela preservação de uma América, Branca, Cristã e Temente a Deus. Os Cavaleiros da Camélia Branca organizaram-se dois anos após a formação do primeiro Klan em 1867, e afirmam superar este em termos de afectos. A sua base de operações é o Texas.
United White Klans
O UWK reclama-se de ser uma organização destinada à "protecção e ao progresso da Raça Branca e ca Cultura e Civilização ocidentais". O UWK é um organização "tradicional" que pratica os ritos tradicionais do Klan "tal como foram ensinados e praticados pelos seus antepassados". É simultaneamente uma "organização moderna que utiliza os meios e tecnologia actuais para combater os problemas actuais". Por fim, o UWK, afirma ser uma "organização democrática governada pelos seus membros"...
The Alabama White Knights of the Ku Klux Klan Official Web Site
O nome diz tudo. Com uma indubitável veia lírica os Alabama White Knigts proclamam: " Thrice hath the lone owl hooted, And thrice the panther cried / And swifter through the darkness, The Pale Brigade shall ride. No trumpet sounds its coming, And no drum-beat stirs the air / But noiseless in their vengeance, They wreak it everywhere". Uma redundante scroll message enuncia a preocupação dos Alabama Knights com o "combate ao crime" e a "deportação de todos os mexicanos"...
Church of American Knights of The Ku Klux Klan
Esta organização é simples e directa: "Be a Man, Join the Klan". Uma organização também voltada para o futuro e para o e-commerce, uma vez que promete: "Coming Soon. Order Your Favorite American Knights of the Ku Klux Klan Merchandise Online"...
Mohandas
03-04-2004, 15:58
O roto a falar do rasgado... (o Portas é demagógico profissional), assim de repente lembramo-nos do Paulinho das feiras :rolleyes:
Patacôncio
03-04-2004, 16:03
Ó Mohandas, tu podias comentar estes textos?
Retirar Portugal de participar na União Europeia, da NATO, do FMI, da UNESCO, do GATT.
*Proteger os empregos e as indústrias existentes em Portugal, assim como criar novas fontes de trabalho para os Portugueses.
*Abolir o IRS, o IVA e todas as taxas cobradas pelo governo central e substituí-las por tarifas e taxas de consumo não superiores a 5%.
*Equilibrar o Orçamento geral do Estado e voltar ao anterior sistema monetário Português, ao Escudo.
*Substituir a corrente legislação sobre o controle de armas, e reafirmar o direito de todos os Portugueses a estarem armadas de maneira a protegerem as suas famílias e propriedades, e quando necessário, serem capazes de se defenderem contra a tirania governamental do chamado Estado de Direito.
*Retirada das Nações Unidas e oposição à vigente e decadente Nova Ordem Internacional em todas as suas formas.
*Rejeitar o liberalismo como ideologia social da Nova Ordem Mundial, a ideologia totalitária que é vista como o inimigo interno em Portugal,e que tem resistido fortemente nos últimos anos tal como o comunismo o foi.
*Devolver aos Portugueses o seu tradicional direito à liberdade de associação.
*Dar aos Portugueses liberdade de escolha em todas as matérias que dizem respeito à saúde e a tratamento médico.
*Desmantelar as policias opressoras ao serviço do governo com o seu aparelho de espionagem a violar os direitos dos Portugueses à sua vida privada.
*Criar um Ambiente limpo através de um equilíbrio entre a natureza e a iniciativa empresarial. Os individuais, os empresários e a indústria devem ser encorajados a fazer uso de fontes de energia não-poluentes, como a energia solar.
*Acabar com a ajuda externa .
Se conseguires comentar... :D :D :D
Patacôncio
03-04-2004, 16:18
Já vi que não consegues definir extrema-direita. O costume nos bloquistas. :D :D :D
(Não leves a mal, mas nunca nenhum me foi capaz de responder.
ehehhehhheh Mas louvo-te o esforço de procurares racistas para os conotar com a direita. Também foi assim, nos anos 30, para que os "eleitores" socialistas, soubessem distinguir o comunismo do nazismo. ehehhehehehh
Até na URSS, as purgas estalinistas usavam essas velhas estratégias de "culpabilização política".
Os nazis diziam que a História era a uma velha luta de raças. Ao contrário dos comunas que diziam que era antes uma velha luta de classes. hehehehehhh Semântica? ehhehehehhhe
Mais. Olha para o racismo em Cuba. Ou na Koreia. Como foi em todos os comunismos e socialismos. Sabias que os judeus são odiados por muitos anti-capitalistas? E que morreram mais judeus, durante o estalinismo, que nos crematórios nazis? ehehheheheh
Há muitos bloquistas (se quiseres e com tempo eu apresento aqui os seus textos) que acusam os judeus (aquelas "sanguessugas especuladoras" e "darwinistas sociais", que apoiam o fascista Bush e controlam a economia mundial capitalista! ehehehhhhe) se fazerem parte da famosa trilogia judeus-usa-capitalismo.
Olha. Mais um texto para te entreteres:
(...) Superar a angústia do desemprego
Aos Portugueses deve ser garantido o acesso a um posto de trabalho digno. O trabalho ilegal deve ser eficazmente punido. Os empregos dos Portugueses devem ser protegidos, através de medidas proteccionistas, contra a concorrência selvagem proveniente de países com baixos salários e fraca protecção social. A redução progressiva da exagerada carga fiscal (que visa somente sustentar um Estado burocrata e despesista) permitirá que as empresas se tornem mais competitivas e criem mais postos de trabalho.
Connosco, Portugal será produtivo.(...)
(...) Protecção social garantida aos Portugueses
Milhares de Portugueses não têm habitação própria permanente e outros milhares vivem no limiar da pobreza. Grande parte dos jovens com menos qualificações profissionais está no desemprego. Defendemos que a preferência nacional, em matéria de ajuda social ou de atribuição de habitação social tem que ser instituída. Os baixos salários serão revalorizados de modo que a todos seja possível viver dignamente.
Connosco, Portugal será fraterno. (...)
(...) Combater a corrupção política
A moral será restabelecida na vida nacional. Os procedimentos de controlo dos mercados públicos e de utilização de fundos comunitários serão reforçados. Os políticos corruptos serão punidos com penas de prisão e impossibilitados de voltar a desempenhar cargos públicos. As redes de corrupção serão desmanteladas e o branqueamento de capitais não será tolerado. Os responsáveis públicos, em vez de se servirem dos seus cargos para proveito próprio, voltarão a dar o exemplo e a servir o interesse nacional.
Connosco, Portugal será transparente.
Garantir as pensões de reforma
O futuro das reformas dos Portugueses deve, antes de mais nada, ser garantido pelo aumento da natalidade. É o objectivo da política familiar que propomos a destino, nomeadamente com a criação do salário de paternidade. Por outro lado, a generalização do sistema de reforma por capitalização dará a cada um a possibilidade de completar a sua reforma de base. Será atribuída aos Portugueses a liberdade de fixar a idade de reforma. Por fim, a segurança social permitirá aos nossos compatriotas mais modestos beneficiar em todas as circunstâncias de uma reforma decente.
Connosco, Portugal será solidário.
Salvaguardar o ambiente e a natureza
Instituiremos legislação que garanta a protecção de lugares naturais, culturais e históricos. Uma verdadeira concertação de eleitos locais, associações de defesa do património e da natureza e populações será organizada para discussão de todos os projectos, de modo a obter uma inserção harmoniosa no meio ambiente. Uma política de recuperação das paisagens naturais, nomeadamente frente ao mar e na montanha, será sistematicamente levada a cabo. Campanhas antipoluição financiadas segundo o princípio "quem polui paga" devolverão a pureza às águas dos nossos rios e ribeiras. A fauna selvagem, muitas vezes sacrificada, será objecto de atenção particular, tal como os animais domésticos, cuja importância social não pode ser ignorada.
Connosco, Portugal será ambientalista. (...)
Fico à espera dos teus comentários.
Se puderes, claro! :D :D :D
Mohandas
03-04-2004, 16:28
Infelizmente vais ter de esperar sentado. É que há gente que tem de trabalhar para viver, sabias? :rolleyes:
Patacôncio
03-04-2004, 16:33
Então?
Não comentas?
Porque será que os bloquistas não assumem frontalmente o que defendem? :D :D :D
Mohandas
03-04-2004, 16:34
Como já te disse, há gente que tem de trabalhar para viver. Além disso não vou discutir nem comentar coisas de um partido de extrema direita!... Era o que mais me faltava. :rolleyes:
Mohandas
03-04-2004, 16:37
Sim. Eu sei o que é o PNR! :o
Continuas com a demagogia e a falsidade, ao insinuar que estes textos são do BE, mesmo que sejam idênticos a posições tomadas pelos partidos de esquerda!
Mas todos sabemos que o populismo é apanágio da extrema-direta (vide distribuição de beijinhos nas feiras pelo Paulinho das ditas).
Patacôncio
03-04-2004, 16:37
Coisas da extrema-direita?
Jura! Juras mesmo? :D :D :D
Nhé! Nhé! Nhé! Nhé! Nhé! Nhé! :D :D :D
Pois. O costume. Os bloquistas têm medo de assumir verdadeiramente o quem pensam para resolver os problemas dos portugueses.
O que eles gostam, mesmo, é da demagogia socialista e populista. :D :D :D
Até logo, meu!
Medita bem. :p :p :p
Mohandas
03-04-2004, 16:40
Pois claro. O maior demagogo populista é o Paulinho das Feiras e tu, demagogicamente, tentas passar esse rótulo para o BE... :rolleyes:
Está-te a doer? Ainda há-de doer mais... :cool:
Patacôncio
03-04-2004, 16:42
Não !?!?!
Do PNR? :D :D :D
Mas aqui disseste uma pura verdade:
(...) ao insinuar que estes textos são do BE, mesmo que sejam idênticos a posições tomadas pelos partidos de esquerda! (...)
Ó Moh, o fascismo é de esquerda, pá! :D :D :D
Já viste algum partido socialista de direita? :D :D :D
Ah! O nazismo! hohoohooohooo :D :D :D
(...) Mas todos sabemos que o populismo é apanágio da extrema-direta (vide distribuição de beijinhos nas feiras pelo Paulinho das ditas). (...)
Ai isto é que é populismo??? ahahahhhh
O pior populismo, actualmente, é o pacifismo militante. ehehehhhehh
Já agora, sabes porque é que o Ghandi utilizava a sua "não violência"? Olha que tem uma explicação religiosa...
Ups! Esqueci-me que não gostais da religião. Perdão. ehehhehhehh
Pronto, agopra vou brincar para outra freguesia. :D :D :D
Mohandas
03-04-2004, 16:48
Estou admirado. Sabia-te de direita... mas mais à direita que o PP!!! :confused:
Bolas! Muita coisa se está a esclarecer, neste momento. :eek:
Talvez seja melhor fazeres um teste de ADN, para veres se não tens sangue negro ou árabe a correr-te nas veias. Se tiveres, já sabes que só te resta o suicídio... :rolleyes:
Acho bom que vás brincar para outra freguesia, que nesta estás a levar na cabeça.
Eu já sei que não é uma fuga, mas uma retirada estratégica. :o
E não desistes de baralhar tudo, ou será porque a tua cabeça é mesmo assim (baralhada). Dizer que o fascismo é da esquerda é chamar comunista ao Salazar. Ahahahahah... :D Esta é mesmo boa. Ou ao Kaúlza de Arriaga. Ou ao Galvão de Melo... :D :D :D :D :D :D :D Lol, lol, lol, que não consigo parar de rir...
Mohandas
03-04-2004, 17:25
EXTREMA DIREITA (do Relatório Anual do SOS RACISMO 2002)
Extrema direita partidária
O ano 2002 ficou marcado pela participação - inédita durante a vigência do regime democrático - de um partido fascista nas eleições legislativas. Em Novembro de 1999, um grupo de cerca de trinta membros da Aliança Nacional (associação de extrema direita criada em 1995 e que congregava velhos salazaristas e jovens oriundos do MAN [1]) conquistara o PRD, pagando as dívidas deste partido e elegendo uma nova direcção constituída exclusivamente por «nacionalistas». Este grupo contornava assim a exigência legal de 5.000 assinaturas para a criação de um novo partido político (ao tentá-lo, não conseguira recolher nem sequer metade das assinaturas necessárias). Após a alteração do nome e do símbolo partidário, o PNR (Partido Nacional Renovador) concorreu pela primeira vez nas eleições autárquicas de Dezembro de 2001, embora somente nos municípios de Lisboa e de Mafra. Nas legislativas de 17 de Março de 2002 – uns meros três meses depois – o PNR conseguiu concorrer com 140 candidatos em 8 círculos eleitorais (Lisboa, Porto, Setúbal, Coimbra, Castelo Branco, Évora, Europa e Resto do Mundo), tendo obtido 3.962 votos (0.07% dos votos ao nível nacional, e entre 0.09% e 0.22% nos círculos em que concorreu), e vangloriou-se no seu sítio na «Internet» de que, se as eleições tivessem ocorrido apenas uma semana mais tarde, teria concorrido num maior número de círculos eleitorais. Este partido poderá estar assim a concretizar o seu objectivo de se expandir agregando os vários grupúsculos e elementos dispersos da extrema direita.
Ideologicamente, o PNR radicalizou-se, na medida em que o seu primeiro líder (Cruz Rodrigues, que fizera parte da ala direita do Estado Novo) abandonou a liderança em 2002 - cedendo o lugar a dirigentes mais jovens (o actual presidente é Paulo Rodrigues, e o secretário-geral João Franco). A ruptura suave com o salazarismo e a assunção da inspiração da Frente Nacional de Le Pen foi clara numa entrevista [2] do dirigente José Pinto Coelho onde - embora afirmando que “se vivesse nos anos 50 seria adepto incondicional do Estado Novo” - se ressalvou que (hoje) “não somos salazaristas”. Os dirigentes do PNR situam o partido na “direita nacionalista” e adoptaram o lema “os portugueses primeiro”. Os temas recorrentes da propaganda do PNR são o “combate à imigração”, a defesa da “segurança dos portugueses” e da “identidade nacional”, e a rejeição da União Europeia e da mundialização. Em cumprimento das leis eleitorais portuguesas, o PNR teve direito – em igualdade com os outros partidos – aos tempos de antena emitidos na televisão e na rádio, no que constituiu a face mais visível da sua propaganda, que de outro modo consistiria apenas em cartazes, pichagens de paredes e autocolantes. Nos seus tempos de emissão, foram constantes as referências às “ameaças de bandos étnicos de delinquentes que pretendem pôr em causa a nossa identidade e autoridade e o direito que temos de sermos senhores do nosso território”; a passagem de imagens de negros sempre que se abordavam temas como a “insegurança crónica das cidades” ou “o desemprego, o tráfico de droga e a criminalidade”; o ataque à “classe política [que] só se preocupa com os direitos das minorias, dos imigrantes, mas ninguém se preocupa com os portugueses”; os depoimentos de pessoas que afirmavam “não ter votado desde o 25 de Abril”, e a escolha de monumentos do Estado Novo como cenários; em alguns tempos de emissão radiofónicos, o PNR chegou a defender a organização de “milícias populares”. O PNR goza de alguma simpatia em certos jornais de extrema direita como «O Diabo» e, particularmente, «O Jornal d'O Dia» - que reproduz frequentemente os seus comunicados. O crescimento eleitoral do PNR pode ter sido dificultado pelo acentuar do tom anti-imigração e securitário das declarações de Paulo Portas, líder do CDS/PP e actual ministro do governo de coligação PSD/CDS.
Actos de violência ligados à extrema direita
Acompanhando o desenrolar da campanha para as eleições legislativas, notou-se um recrudescimento de actos de violência perpetrados por «skinheads». Assim, a 5 de Janeiro um grupo de «skins» envolveu-se numa cena de pancadaria no bar «Saloio» (Avenida 24 de Julho, Lisboa) [3]; a 19 de Janeiro, sete ou oito «skins» oriundos do Bairro 2 de Maio (Ajuda) provocaram uma autêntica batalha campal na discoteca «Jamaica» (Cais do Sodré, Lisboa) causando três feridos [4]; a 2 de Fevereiro, dois ucranianos e um estónio, todos sem-abrigo, foram agredidos com tacos de beisebol – em pleno dia – junto de uma superfície comercial de Xabregas (Lisboa), por quatro homens que se puseram em fuga antes da chegada da polícia [5]; a 16 de Fevereiro, um grupo de dez «skins» provocou e agrediu várias pessoas no Bairro Alto (Lisboa) [6]; a 18 de Fevereiro, agrediram novamente frequentadores do bar «Jamaica», tendo na mesma noite sido registada uma agressão no bar «Gringo's» (Avenida 24 de Julho, Lisboa) [6]; a 23 de Fevereiro, na Portela (Lisboa), vários jovens foram agredidos por «skins» dos Olivais e da Portela [6]; a 9 de Março, dois candidatos do Bloco de Esquerda à Assembleia da República foram agredidos – sendo um deles esfaqueado – por oito «skins» quando colavam cartazes na Calçada da Tapada (Alcântara, Lisboa) [7].
Sítios na «internet» e grupos musicais
Existem na «internet» vários sítios de grupos neonazis e de extrema direita, sendo os mais notórios o do açoriano Movimento Nacional Socialista Atlântico [8] (que contém um enorme número de artigos e promete para breve uma revista, “Alerta!”), a Ordem Lusa [9], a Frente Nacional Portuguesa [10] (que distribui em Portugal o fanzine neonazi “Final Conflict” e promete tornar-se em breve uma associação), a Juventude Nacional Socialista (PTNS) [11], o Lususnatura [12] (onde se encontra um manual sobre como lidar com a polícia em caso de detenção), o Tempo Nacional [13] (“por um nacionalismo europeísta”) e Margem Sul 88 [14] (que reproduz panfletos distribuídos na margem sul do Tejo). A Ordem Lusa (um movimento que se reclama da “cultura skinhead”) organizou no dia 13 de Março um concerto comemorativo do seu 3º aniversário em que participaram duas bandas musicais portuguesas - Endovélico (a que pertencem dois elementos activos da Ordem Lusa) e Lusitanoi - e outras estrangeiras, e onde se parecem ter registado confrontos com elementos da Irmandade Ariana [15]. Nas suas canções e nas entrevistas disponíveis em sítios neonazis na «internet», estas bandas musicais (assim como os Combate, os Guarda de Ferro e os SHS) acusam o 25 de Abril de ter sido uma “traição” e apelam abertamente à violência contra os imigrantes, as minorias étnicas, e os homossexuais. O Presidente do PNR (Paulo Rodrigues) “identifica-se claramente” com as letras dos Lusitanoi, especificamente “quando falam da hipocrisia do sistema e da defesa dos valores tradicionais de Portugal”, e não nega que existam «skinheads» no PNR [15]. No dia 10 de Junho (“dia da raça” durante o salazarismo e dia em que teve lugar um jogo de futebol Portugal-Polónia) a imprensa [16] e a televisão - na sequência de uma denúncia do SOS Racismo - noticiaram que nos sítios da Juventude Nacional Socialista e da Ordem Lusa tinha sido divulgado um comunicado convocando “uma grande concentração Skinhead e dos verdadeiros nacionalistas […] em local como de costume a anunciar em círculos restritos” e apelando a “uma marcha por alguns locais que outrora foram nossos mas que ultimamente mais parecem o centro de capitais asiáticas ou africanas”. A concentração não se concretizou. Alguma comunicação social conferiu também grande destaque [17] a um sítio internet chamado Nzingalis [18], onde se defende a criação de um “Estado negro” na Grande Lisboa. Apesar de se tratar de uma provocação óbvia da extrema direita, a imprensa sensacionalista aceitou acriticamente a genuidade da informação. O sítio “imigport” - que se encontra sob investigação da Polícia Judiciária e que se concentra especificamente na imigração, de um ponto de vista abertamente racista - divulgou em 2002 um comunicado troçando da Alta Autoridade para a Comunicação Social [19].
Finalmente, a 29/12/2002 foi publicado no jornal «Público» um anúncio apelando à formação de um “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Portugueses”. A iniciativa partiu de António de Paiva, um médico reformado de Tomar que parece ter dissidido do PNR, e que não escondeu à imprensa a sua admiração pelas figuras e pelos regimes de Oliveira de Salazar e Adolf Hitler.
Ricardo Alves
Janeiro de 2003
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[1] Formado em 1985, o MAN (Movimento de Acção Nacional) foi o principal movimento de extrema direita no final da década de 80 e início da década de 90. Em 1993, na sequência de vários atentados e assassinatos cometidos por «skinheads» ligados ao MAN, o Tribunal Constitucional julgou os seus líderes, não tendo ordenado a dissolução da organização porque esta extinguira-se por decisão própria.
[2] «24 Horas», 14/5/02.
[3] «Público», 7/1/02.
[4] «24 Horas», 20/1/02.
[5] «Público», 4/2/02.
[6] Informações recolhidas pelo SOS Racismo.
[7] «24 Horas», 11/3/02.
[8] www.mnsa-portugal.com
[9] www.libreopinion.com/members/ordemlusa/
[10] www.geocities.com/fnp_xxi/
[11] www.libreopinion.com/ptns/
[12] members.odinsrage.com/lususnatura/
[13] www.libreopinion.com/members/temponacional/
[14] www.libreopinion.com/members/ms88/
[15] «Jornal de Notícias», 12/5/02.
[16] «A Capital», 10/6/02.
[17] Por exemplo, «O Crime», 3/1/02.
[18] Actualmente indisponível na «internet».
[19] www.libreopinion.com/members/imigport/
Patacôncio
03-04-2004, 17:26
Ó Mohandas, é um poço inesgotável de maravilhas contraditórias. :D :D :D
Repara nisto, criticas os fascista de rotularem as pessoas e os seus adversários políticos.
E o que fazes? À falta de argumentos, rotulasme de fascista e extrema-direita! ehehhehehhehh
Afinal... Quem é fascista.
Mas sejamos sérios.
O que distingue verdadeiramente o BE de um normal partido fascista assumido, como o PNR e outros querandos.
Em primeiro, fruto das divergências entre os socialistas do século XIX e príncipios do século XX, uns dizem que o determinismo histórico é a luta de classes (como os bloquistas e outros partidos comunistas), outros que é a luta de raças.
Mas no geral, tirando a questão racista, as políticas defendidas por uns e por outros são as mesmas ou muito semelhantes.
Por isso é que, tanto os bloquistas, como os comunistas e outros socialistas, neste caso o PNR, odeiam os americanos: estes representam o capitalismo liberal e a sociedade democrática burguesa.
Vejamos um cartaz político, que podia muito bem ser do BE:
http://www.partidonacional.org/imagens/prop/09.jpg
Quanto aos judeus, relembro que a 14 de Março morreram alguns e não vi nenhum bloquista a dizer também: EU, HOJE, SOU ISRAELITA!
Para bom entendedor...
Até no que defendem para o nosso sistema político, ambos os fascismos advogam uma outra forma de sistema de governação e representação política.
Pior, os bloquistas que defendem? Retomando o texto publicado no Público, por JMF (que o Moh já o apelidou de "fascista". Mais um rótulo sobre alguém com quem não se concorda) ele diz o seguinte:
(...) que instaure uma democracia assente em mecanismos de participação e representatividades directa e indirecta. (...)
Na verdade, isto é um retrocesso no comunismo e o retomar da velha forma nazi, que se inspire no socialismo romântico e nos famosos falanstérios corporativistas.
É claro que se entende a forma desesperada como o BE esconde as suas teses políticas e sociais, e esbraceja contra o racismo, contra a xenofobia e por aí fora. Porque, em tudo o resto e se tirarmos a componente racista (por causa da luta de raças do determinismo histórico) dos nazis, os famosos nacionalistas socialistas, temos as políticas dos bloquistas e outros comunistas.
Porque se diz que o nazismo é extrema-direita? Porque os gémeos radicais da luta de classes queriam se distinguir dos nazis. Sobretudo após o fim da II Guerra Mundial.
Mas veja-se quem apoio o nazismo, na chegada ao poder? Inicialmente os os demais radicais socialistas, como comunistas e por aí fora. A Social Democracia alemã foi atacada violentamente pelos demais comunistas e fascistas e deram o apoio aos nazis. Ou não foi assim?
Repare-se nisto. O que os bloquistas odeiam, são coisas que os nazis gostavam: xenofobia, eugenismo, patrioteirismo, etc. e tal.
Os nazis odeiam pretos? Que fazem os radicais socialistas para se distinguirem? Defendem-nos!
Os nazis odeiam gays? Que fazem os demais radicais socialistas?
Os nazis odeiam minorias étnicas? Que fazem os demais radicvais socialistas?
Mas há mais coisas curiosas. Repare-se no papel da igreja, no sistema político socialista.
Os nazis admitiam o papel da igreja na sociedade socialista. Mas em vez de ser teocrática (por exemplo, nos dias de hoje, a maioria dos estados fundamentalistas islámicas), a igreja teria que estar sob a alçada do Estado.
Que fazem os demais radicais socialistas? Odeiam a religião e igreja.
Por exemplo, a prostituição. Que fazem os nazis? Apoiavam a prostituição. Que fazem os demais socialistas radicais? Odeiam a prostituição!
E em relação ao aborto?
Os nazis apoiavam-no. Mas só nas "raças inferiores". Que fazem demais radicais soicialistas? São a favor!
O que se passa, nos socialismos radicais de hoje, é a procura de se baterem por determinadas bandeiras políticas que era e são defendidas pelos nazis, ou nacional-socialistas.
Porque, na maioria das suas crenças sociais e políticas, eles comungam dos mesmos objectivos políticos. Na foma como estruturam o seu léxico político e na sua forma de actuação propagandística.
É claro, muitos, habituados a criticas, mas que não gostam que se lhes façam as críticas, o que fazem não é negar estas evidências claras. É rotularem os adversários de "extrema-direita", "fascistas" e por aí fora. ehehehhehehh
Mas, lentamente, há medida que o populismo demagógico socialista do BE se acentua e cresce, tem que ser combatido, tal como se faz em relação ao nazismo. Porque, é com debate, instrução e muita informação que se pode pôr de sobreaviso o canto de sereia que é um determinado espectro político.
E, enquanto que discutimos e debatemos, muitas verdades irão ser descobertas. É uma questão de os pôr à prova.
Relembrando uma questão anterior:
- HOJE SOU ISRAELITA! E TU? HOJE USO UMA MARCA AMARELA. E TU?
http://www.partidonacional.org/imagens/prop/folheto_03_g.jpg
Mohandas
03-04-2004, 17:26
Está explicado o teu ÓDIO (esse sim, verdadeiro ódio) ao BE!
Estamos conversados.
Mohandas
03-04-2004, 17:29
Quando te caiu a máscara tudo passou a fazer sentido.
Hoje és israelita? Duvido um bocado. Mas, por mim, podes ser o que quiseres que eu já sei quem tu és.
Com que então do PNR?!?! Ainda não estou em mim...
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