View Full Version : Saúde, a emergência de um cluster indústrial e económico
Patacôncio
02-04-2004, 15:34
Saúde, a emergência de um cluster indústrial e económico
É comum, nos dias de hoje, afirmar que o actual governo não tem uma estratégia bem definida sobre o modelo de desenvolvimento económico que devemos prosseguir. Dizem muitos que não existe uma estratégia vísivel para mudar o actual estado de coisas.
Na verdade existe uma estratégia. E uma estratégia clara, que passa pela modernização do Estado e sua disciplina financeira e qualitativa, e por um novo modelo competitivo baseado nos famosos factores endógenos de crescimento económico, naquilo que Paul Romer tem demonstrado como inerente a uma sociedade altamente desenvolvida. Para melhor conhecer a estratégia, ver este trabalho: (http://www.isegi.unl.pt/ensino/docentes/abelmateus/publicacoes/NovoModelo/novo_modelo.doc)
Uma das mais díficeis tarefas, mas ao mesmo tempo mais promissoras, é criar clusters económicos que sejam imprescendíveis no futuro, que criem riqueza, emprego e condições económicas fortemente sustentáveis nos anos vindoiros. Para além de alguns sectores económicos eleitos por este governo, três são bastante conhecidos: turismo, biotecnologia e tecnologias de informação. Mas há um, Saúde, que é dos mais promissores mas ao mesmo tempo dos mais díficeis de concretizar.
Antes de mais, o que é um cluster económico? Simplisticamente é um conjunto de actividades económicas, interligadas entre si, fortemente competitivo e altamente produtivo, localizadas num determinado espaço geográfico. Estes clusters (cachos) têm várias particularidades, mas uma delas, que nos interessa bastante, é a impossibilidade de a deslocalizar geográficamente. Pois a competividade, a produtividade e a ligação entre sectores económicos e empresas é de tal ordem elevada, que é quase impossível conseguir deslocalizar as principais actividades económicas sem perder vantagens competitivas.
Dois exemplos, de alguns sectores bem diversos, geograficamente distantes, são a industria do cinema em Hollywood, Los Angeles, USA; e Química Fina, Mecánica e Metalurgia no Estado de Hesse, capital Dusseldorf, na Alemanha. Em ambas as localizações geográficas é possível deslocalizar algumas determinadas actividades económicas mas o grosso das actividades não o pode ser, pois estão de tal ordem ligadas que é quase impossível o fazer sem perder vantagens competitivas, que necessitam de uma espécie de “caldo de cultura” para manter viva a competitividade.
Ora, para que surja um cluster económico da saúde é necessário que exista um concorrência viva entre os diversos agentes económicos, nomeadamente aqueles ligados à prestação dos cuidados de saúde. E para que exista concorrência é necessário que o Estado promova uma efectiva liberalização dos meios de produção, vulgo hospitais. Mais ainda necessário e imprescendível é promover uma cultura de competição pela eficiência económica, nos hospitais, de molde que estes busquem a competitvidade pela produtividade, inovação, eficiência económica, Investigação e Desenvolvimento e outros factores de competitividade.
Para que exista uma elevada competição entre os hospitais, o Estado não pode ser o detentor da sua propriedade, ou deve-o evitar sempre que possível. Sob pena de haver uma competição truncada ou até uma competição fortemente condicionada, sobretudo pelas burocracias estatais e políticas, que buscam outro tipo de objectivos. Portanto, é imprescendível, numa primeira fase, que os hospitais sejam privatizados e liberalizados.
Ao mesmo tempo que se promove a liberalização e a competição entre hospitais, o Estado tem que promover regras de competição e regulação forte e independente do poder político e dos agentes económicos envolvidos no sector da saúde. Por isso, a criação de uma Entidade Reguladora da Saúde, que promove a sã concorrência entre os prestadores de saúde, protege os desvios de mercado, defende os interesses dos consumidores, neste caso utentes, e é equidistante de todos os agentes envolvidos, inclusivé o Estado, que é quem paga os diversos cuidados de saúde prestados às populações.
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Patacôncio
02-04-2004, 15:36
Nesta primeira fase, o Estado deixa de gerir directamente a prestação de cuidados de saúde mas passa a ser o cliente principal, pois é quem deve pagar a prestação de cuidados de saúde. Todavia, deve promover a liberdade de escolha dos cidadãos que pretendam abdicar do domínio do Estado e pretender escolher optar por um serviço de saúde privado. Os famosos seguros de saúde. Ao deixar o livre-arbítrio ao consumidor/utente, o Estado deve promover uma forte Entidade Reguladora dos Seguros, que proteja os cidadãos de posições de domínio por parte das seguradoras ou empresas especializadas na prestação de cuidados de saúde.
Por outro lado, o Estado deve promover a obrigatoriedade de todo e qualquer cidadão de pertencer a um sistema de saúde, seja o estatal seja algum privado. Desta forma pode proteger os cidadãos, que por incúria ou indigência, se afastem dos necessários e imprescendíveis cuidados de saúde. Por outro lado, o Estado deve garantir a todos os cidadãos que o necessitem, sobretudo aos mais fracos e desfavorecidos, o acesso universal aos cuidados de saúde. Devendo o Estado pagar a prestação dos cuidados de saúde, na impossibilidade dos mais desfavorecidos em pagar a prestação dos cuidados de saúde.
O Estado, ao garantir o acesso dos mais desfavorecidos aos cuidados de saúde está ao mesmo tempo promover a competitividade e produtividade de toda a economia. Pois, quanto mais saudáveis os cidadãos menores custos têm as empresas com a abstenção laboral. Também cidadãos mais saudáveis conseguem maiores produtividades, maiores motivações e estabilidade física e emocional para serem agentes activos da competitividade económica. E, além disso, geram menores custos com os tratamentos com os cidadãos.
Na segunda fase deste processo, após uma efectiva liberalização da prestação dos cuidados de saúde, o Estado deve promover políticas de incentivo à Inovação e à Investigação e Desenvolvimento e uma maior ligação entre hospitais e universidades, sobretudo com os seus centros de investigação. Os hospitais, como qualquer outra empresa em ambiente concorrencial, deverá procurar conseguir vantagens competitivas face aos seus directos competidores. Como tal, para além de critérios de eficiência económica, deverá procurar melhorar os critérios mensuráveis qualitativos. Deste forma, só assim, um hospital conseguirá conquistar “clientes/utentes”, apresentar excelentes critérios de satisfação dos seus utentes e apresentar preços mais baixos.
Nesta segunda fase, o Estado deve promover por todos os meios um ambiente propício à colaboração entre hospitais e universidades. Seja para melhorar a própria prestação dos cuidados de saúde, com inovações e melhorias contínuas e até investigação aplicada. Assim, os hospitais, procuram melhorar processos de diagnóstico e terapeutica, baixando os custos, aumentando a produtividade e, até, gerando novas formas de prestar os cuidados de saúde dos cidadãos.
Nesta fase, também, o Estado deve promover muito mais a Investigação e Desenvolvimento das empresas e das universidades, por forma a procurar encontrar produtos e serviços que sirvam o sector da saúde. Poderemos falar em dois outros sectores ligados ao cluster da saúde: equipamentos médicos, de diagnóstico e tratamento; e química fina, os chamados medicamentos e seus derivados.
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Patacôncio
02-04-2004, 15:38
Para que seja possível criar serviços e produtos novos, é necessário que existam uma elevada competição entre hospitais e entre universidades, no sentido de procurar elevar a competitividade do sector. Só assim é que surgirão os outros dois subsectores, os equipamentos médicos e química fina. Mas para que existam maiores capacidades de surgimento de um cluster forte na saúde é necessário apostar noutros clusters, que estão ligados ao sector da sáude: mecánica, metalurgia, electrónica, tecnologias de informação e biotecnologia. Também poderíamos incluir parte do sector financeiro, turismo e logística.
Ou seja, o sector da saúde é dos mais importantes sectores económicos do futuro. Porque envolve uma míriade de sectores económicos, transversais à sociedade. Mais. No futuro, o sector da sáude será o que maior peso terá nas actividades económicas. Actualmente, nos USA, a economia mais desenvolvida do mundo, o sector da saúde representará 15% do PIB. Com tendência para aumentar.
Poderemos perguntar se conseguiremos construir um cluster forte e competitivo, numa área fortemente exigente. Estamos em crer que sim. Em primeiro lugar, temos algum know-how do melhor que há no mundo. Os nosso médicos, por muitas deficiências que tenham, é das classes profissionais mais bem preparadas profissionalmente. Na área de psiquiatria, por exemplo, Portugal tem dos melhores especialistas do mundo. Relembrando Egas Moniz e a sua trepania, temos actualmente o António Damásio. Mas há muitos mais em Portugal. Mas a prova que somos bons é a existência de uma BIAL que é da poucas empresas farmacúeticas portuguesas com uma elevada capacidade competitiva. Com reconhecimento mundial.
Mas para que frutifiquem as competências necessárias a uma elevada capacidade competitiva é necessário aumentar o ambiente concorrencial no sector da sáude, actualmente dos mais protegidos e corporativos que se conhece. Sem uma efectiva liberalização, nunca poderemos vir a ter um sector fortemente competitivo e inovador. Que gere mais produtos e serviços, que tenham capacidade competitiva a nível mundial.
Porque, não tenhamos dúvidas, o sector da sáude e seus subsectores são das mais promissores fontes de riqueza no futuro. Porque, se conseguirmos gerar um sector forte, especializada e liderante mundial, há todo um conjunto de consumidores e clientes que podem propiciar retornos importantes, para elevar o nosso nível de vida.
Poderemos vir a prestar cuidados de saúde a cidadãos de todo o mundo. Por exemplo, Barcelona é hoje dos locais mais procurados por quem deseja um tratamento oftalmológico. Com excelentes retornos para a sociedade, quer em termos de empregos criados, quer em termos de riqueza criada.
Mas também poderemos prestar cuidados de saúde aos mais idosos, necessitando também por isso de um turismo de qualidade, onde poderemos gerar interessantes retornos. Aliás, o sector da saúde suiço foi importante catalisador do seu turismo, da sua química (a par dos tintos para o têxtil) e da sua industria mecánica e eléctrica.
Os outros dois subsectores fortemente interessantes é o sector da química fina, onde os medicamentos têm papel importante, e dos equipamentos médicos. Basta ver a exportações suiças de medicamentos para entender o quão importante é para a sua economia. Ou a exportação de equipamentos médicos alemã. Por outro lado, estes sectores geram uma quantidade importante de empregos bem renumerados de alta qualidade, como os cientistas e técnicos ligados aos centros de investigação e desenvolvimento.
Mas já existem competências em Portugal, para gerar e desenvolver este importante sector? No sector da prestação dos cuidados de saúde, sim. Mas também na criação de equipamentos médicos, neste caso a Universidade do Minho tem feito uma evolução notável, onde já aparecem os primeiros resultados dos seus centros de investigação. Também existe nos produtos de tratamento e diagnóstico médico, como a Bial, a Biotecnol, Hovione e outros.
Concluindo. A criação de cluster na saúde é uma ambição legítima, mas bastante díficil. Para a sua criação concorrem importantes factores, mas o mais importante é a liberalização da prestação dos cuidados de saúde e a criação do seu ambiente concorrencial. Também exige uma outra cultura universitária e científica, sendo imprescendível a colaboração entre si. Outra exigência é a emergência de outros clusters, como a biotecnologia, mecánica, química fina, turismo e até sector financeiro. Mas estamos em crer que estamos no bom caminho e que este se faz andando.
Será que vamos ser bem sucedidos? Quem sabe? Mas quem não se esforçar para o conseguir e tentar… Nunca lá chegará! Portanto, esta política da saúde é muito importante para nosso futuro colectivo. Mas a ver vamos!
http://www.equinehospital.net/images/monitor.jpg
excelente sim senhor
acrescentava também a indústria do sexo, eehehehehhehehe
:D :D :D :D :D :D :D
não leves a mal mas brincadeira é fundamental
Mohandas
02-04-2004, 16:38
Antes um cluster que um clister... :rolleyes:
Temos aqui alguns dos dados que explicam a degradação de cuidados de saúde a que se vai assistir nos próximos tempos.
Mohandas
02-04-2004, 20:19
Cá nada! (como se diz na Madeira). Então o Patacôncio não anda a dizer que vai tudo ficar uma maravilha?
Mondimore
02-04-2004, 21:53
Patacôncio, parabéns pelo artigo. E acrescento: antes um cluster que o Corporativismo Medieval Médico-Farmacêutico.
Patacôncio
02-04-2004, 23:36
Olá Iatros!
Ó meu, peço desculpa, mas não estou de acordo contigo. Especialmente porque não explicas muito sobre o porquê da degradação da prestação dos cuidados de saúde.
À falta de melhor, lembro-me do que se dizia sobre a qualidade da nossa imprensa, antes da liberalização e da privatização dos orgãos de comunicação social.
Como podiamos falar de outros sectores de actividade, como a financeira, telecomunicações, etc., et., etc. e tal.
Uma das coisas que se aprende em Gestão, hoje em dia, é que a Qualidade é mensurável, quantificável e medida cientificamente. Logo, claramente, não nos parece que os critérios de Qualidade sejam "ignorados" por parte de duas entidades importantes neste processo: Estado, em nome dos utentes e contribuintes que pagam os serviços prestados; ERS que está mandatada para garantir determinados critérios de Qualidade dos diversos prestadores de Saúde.
Relembre-se que a nova ERS (Entidade Reguladora de Saúde) é dais mais independentes, fortes e interventivas que existem em todo o mundo. Tiremos o chapéu ao Vital Moreira que o concebeu e ao governo que o mandatou, apoiou e implementou a ERS.
Voltando à Qualidade, de tal ordem existem critérios mensuráveis que eles são utilizados na maior parte do mundo desenvolvido. Tanto é assim que o governo pretende que os hospitais se submetam à certificação internacional de Qualidade da Saúde, o famoso "The Health Quality Service".
Mas voltando a este tema usando o Hospital São Sebastião, de Sta. Maria da Feira e lendo o .Relatório/Auditoria do Tribunal de Contas (http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2003/rel047-2003.pdf) logo chegamos à conclusão que este novo modelo é o melhor.
Na página 4 da Auditoria, está enunciado um dos dois objectivos gerais daquele estudo:
Avaliação da eficácia e da eficiência do desempenho da actividade hospitalar nas áreas e valências seleccionadas.
Comparação dos resultados obtidos ao nível da produção, produtividade e qualidade, com padrões de referência nacionais e europeus;
Ou seja, também se debruçou sobre a Qualidade do serviço prestado.
Quais as conclusões chegadas?
Avaliação da Qualidade dos Serviços Prestados
■ Da avaliação global dos três hospitais no que respeita à qualidade dos cuidados de saúde prestados, conclui-se que:
• Nos indicadores de qualidade, é o HSS que apresenta melhor desempenho, estando também em geral acima da média do grupo ou nacional;
• No tipo de reclamações, a maior percentagem, em qualquer dos três hospitais, recai na “organização e gestão”;
• O serviço que apresenta um número mais elevado de reclamações é a “Urgência”, com destaque para o HNSR;
• O grupo profissional mais abrangido pelas reclamações é, no HSS, o pessoal médico, enquanto no HDS e no HNSR é o pessoal dirigente;
• Quanto ao grau de satisfação do utentes nas áreas objecto de selecção o HSS é avaliado com um grau de satisfação superior aos restantes.
Concluindo. Pode acontecer que a liberalização do sector faça cair índices de Qualidade? Pode. Mas da maneira como os nossos hospitais são geridos tradicionalmente, duvidamos. Pelo contrário, acredito que aumentará em muito os índices de Qualidade, com estas mudanças.
Mais. Esta não é uma liberalização selvagem. Existem regras, uma ERS e um Estado actuante. Nem podia ser de outra maneira porque senão é impossível criar um cluster da saúde. Ou como poderiamos obter vantagens competitivas para concorrer num mundo cada vais mais globalizado?
Mas a ver vamos.
http://www.utac.com.sg/images/abt_us/policy/total_quality_management/circle-graph.jpg
Segundo o "Diário de Notícias" de hoje
Contas dos Hospitais SA foram "aligeiradas" pelo Ministério da Saúde
Lusa
Os resultados dos Hospitais SA apresentados na semana passada pelo ministro da Saúde, Luís Felipe Pereira, foram "aligeirados" com a retirada da contabilidade dos custos com os medicamentos, noticia hoje o "Diário de Notícias".
O jornal avança que no último dia de 2003 o secretário de Estado da Saúde, Adão e Silva, permitiu, através de um despacho, a retirada de custos das contas dos Hospitais SA, tornando os resultados mais favoráveis.
Um mês depois do despacho do secretário de Estado adjunto do ministro, "uma circular da Unidade de Missão dos SA - o organismo que coordena estes hospitais - e com o carimbo muito urgente ordenou aos SA a anulação de custos com medicamentos prescritos nas urgências e consultas externas", adianta o jornal.
De acordo com o "Diário de Notícias", foram as administrações regionais de saúde que ficaram com as facturas dos medicamentos.
Segundo o jornal, o resultado "foi a descida dos custos, permitindo a Luís Filipe Pereira apresentar, no início da semana, 'boas' contas, 'auditadas' por Manuela Ferreira Leite, a ministra das Finanças".
Ainda de acordo com o "Diário de Notícias", a ministra das Finanças terá autorizado esta manobra, o que poderá obrigá-la a rever em alta o défice orçamental de 2003, uma vez que as facturas com os medicamentos foram anuladas nos Hospitais SA, mas a receita - a contrapartida das facturas - continua contabilizada nos cuidados primários.
Na semana passada, Luís Filipe Pereira anunciou que os custos operacionais com os Hospitais SA cresceram 5,6 por cento, originando um acréscimo de 3,9 por cento nos custos totais.
Contudo, se fossem contabilizados encargos com os medicamentos, os custos operacionais, sublinha o jornal, subiriam até aos 6,2 por cento, um valor acima do que foi apresentado pelos hospitais públicos.
in Publico
Reacção de Luís Filipe Pereira
Ministro da Saúde nega que as contas dos hospitais SA tenham sido "aligeiradas"
Lusa
O ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, negou hoje que as contas dos hospitais SA tenham sido "aligeiradas" através da omissão dos custos com os medicamentos e lamentou que se pretenda "descredibilizar" o que está a ser feito.
O "Diário de Notícias" escreve hoje que no último dia de 2003 o secretário de Estado da Saúde, Adão e Silva, permitiu, através de um despacho, a retirada dos custos das contas dos hospitais AS, tornado assim mais favoráveis os resultados, anunciados na semana passada pelo ministro.
"Há sempre quem não goste das mudanças; a notícia é falsa", afirmou o ministro.
Luís Filipe Pereira, que falava à margem da inauguração do Centro Brazelton, no Hospital de Santa Maria em Lisboa, garantiu ainda que "os medicamentos estão nas contas dos hospitais SA", explicando que os que não estão contabilizados são referentes aos aviados pelos doentes nas farmácias.
Em declarações à Lusa, o gabinete de imprensa do Ministério da Saúde explicou que o despacho que retirou das contas dos hospitais SA as despesas com os medicamentos a cargo dos utentes, como hoje divulgou o "Diário de Notícias", é feito todos os anos.
Mediante a receita médica apresentada pelos utentes nas farmácias, é imputada à origem da receita parte dos custos com os remédios, esclareceu.
Segundo o ministério, todos os custos com os medicamentos fornecidos aos doentes no próprio hospital estão contabilizados.
Na semana passada, Luís Filipe Pereira anunciou que os custos operacionais com os hospitais SA cresceram 5,6 por cento, originando um acréscimo de 3,9 por cento nos custos totais.
Contudo, sublinha hoje o "Diário de Notícias", se fossem contabilizados encargos com os medicamentos, os custos operacionais subiriam até aos 6,2 por cento, um valor acima dos apresentados pelos hospitais públicos. Luís Ramos/PÚBLICO
Segundo o ministério, todos os custos com os medicamentos fornecidos aos doentes no próprio hospital estão contabilizados
http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1190337&idCanal=62
Mohandas
05-04-2004, 14:34
É melhor esperarmos pela certeza do Patacôncio... :rolleyes:
Patacôncio
05-04-2004, 17:21
Ó Mohandas, gostas das minhas certezas? :D :D :D
- Quem é amigo? - Quem amigo? :D :D :D
Quanto à polémica, ainda não viste nada. Á medida que as mudanças tragam efeitos, muitas notícias falsas vas ler. ehehehhehehh O costume.
Mas se não sabes ler, vou-te recordar:
(...) Mediante a receita médica apresentada pelos utentes nas farmácias, é imputada à origem da receita parte dos custos com os remédios, esclareceu. (...)
(...) "os medicamentos estão nas contas dos hospitais SA" (...)
(...) as despesas com os medicamentos a cargo dos utentes, como hoje divulgou o "Diário de Notícias", é feito todos os anos. (...)
(...) Há sempre quem não goste das mudanças; a notícia é falsa", afirmou o ministro. (...)
Recordo-te que esta operação de "desvenculação" aos hospitais (TODOS, não só os SA) dos medicamentos das consultas externas é feita todos os anos. Logo, está correcta a comparabilidade com os anos anteriores. Quem faz auditorias sabe que é assim que se fazem comparações com exercícios anteriores.
As próprias contas dos hopistais SA, que se saiba, são auditadas por empresas independentes de auditoria. E que se saiba os revisores não terão posto reservas às contas apresentadas.
Claro que os lobbyes corporativos tudo farão para atrasar as reformas (em linguagem revlucionária, são "reaccionários". hehehhehhh). E se possível, com todas as mentiras possíveis e imagináveis. Como aquela, de dizer que os hospitais SA "desviam" doentes para os hospitais normais. E quem diz isto, ou anda a dormir ou deve estar a mentir.
Pelo contrário. Parece-me que os hospitais SA tudo fazem para ter o doente sob o seu tratamento. E falo por experiência própria, pois a minha Mãe passou as festas no hospital e os tipos só a deixaram vir embora quando ela estava mesmo "normal".
Mais. A minha Mãe vai a um hospital SA e devia ir a um outro, no seu concelho. Mas como é mais bem tratada no SA, ela prefere (sim, ela é que quer aquele hospital) ser tratada e atendida no SA. Apesar da ARS distrital não concordar e indicar o hospital da sua área de residência.
Sabes uma coisa, meu? Com a saúde não se deve brincar à política. Pode ficar caro a muita e boa gente.
Mas cada qual a sua mania! :confused: :confused: :confused:
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