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View Full Version : Seis matulões e 19 anões (para meditar em FDS)


updown
18-04-2003, 22:56
Autor: António Perez Metelo
Data: 18-04-2003

Com o alargamento, como equilibrar grandes e pequenos países na União Europeia?


O Clube Europa formalizou esta semana o seu quinto alargamento com a entrada de 10 novos sócios. A União Europeia (UE) ganha, assim, uma verdadeira dimensão continental, aumentando a sua superfície em +23% (para quatro milhões de quilómetros quadrados), a sua população em +20% (mais 75 milhões, perfazendo um total de 455 milhões de cidadãos comunitários), mas somente +4% do seu Produto Interno Bruto (PIB).

Desde a sua fundação em 1957, na altura a seis, que a CEE juntou países grandes, como a França, a Alemanha ou a Itália, a países pequenos, como a Bélgica ou a Holanda, ou mesmo minúsculos, como o Luxemburgo. Só que num clube a 25 o grau de complexidade exigido da máquina comunitária para que funcione com eficiência e, ao mesmo tempo, acomode todas as sensibilidades nacionais, regionais e políticas presentes em todas as suas instituições, cresce exponencialmente.

A regra de ouro da UE de garantir representação adequada a cada Estado-membro e chamar todos à responsabilidade rotativa de conduzir a União, nem que seja por seis meses, afasta cada vez mais os países mais poderosos, na prática, da sua liderança. Não se estranhe, pois, que França e Alemanha (que, em conjunto, representam 32% da população e 40% do PIB da UE!) proponha, no quadro das discussões para a aprovação de uma verdadeira Constituição Europeia, a mudança deste sistema. Em alternativa criar-se-ia a figura do Presidente Europeu, eleito pelo voto directo dos cidadãos eleitores da União, com um mandato temporal mais dilatado, o que acabaria por fazer pender o equilíbrio de poder para o lado dos actuais seis países mais populosos da União (Alemanha, Espanha, França, Itália, Reino Unido e Polónia).

Impensável, dizem em número crescente os restantes 19! Já se teve de aceitar o afunilamento das línguas de trabalho por razões práticas. Perder agora a representação a nível de comissários europeus e de presidências rotativas do Conselho é relegar-nos para o estatuto de sócios de segunda! A resposta não tardou: o presidente da Convenção, o francês Giscard D'Estaign, que está a debater estas questões lembrou que os "grandes" representam a maioria dos europeus. De facto, naquele grupo de 6 países, concentram-se 75% dos cidadãos da UE e cria-se 80% da sua riqueza!

Como sair deste impasse? Criando duas câmaras para fazer passar as leis europeias: numa, a representação é proporcional ao número de cidadãos de cada Estado-membro, na outra, cada um dos 25 tem igual número de representantes. Assim se equilibra o interesse geral com o interesse particular de cada nação europeia. A isto chama-se uma Federação e aplica-se com êxito em outras partes do Mundo. A condição essencial é a dos Estados nacionais abdicarem de boa parte dos seus poderes em favor das instituições políticas federais que, por definição, passarão a concentrar a parte de leão do poder político. E isso, nos tempos mais próximos, nem um só dos 25 Governos em funções está, que eu saiba, com vontade de fazer!

Mas o que tem de ser tem muita força! E se foram precisos quase 50 anos para chegarmos a este ponto, não será preciso esperar outro tanto até ver nascer os Estados Unidos da Europa.

Karl Marx
19-04-2003, 01:18
o maior problema,se pensarmos em EUE (Estados Unidos da Europa), é o peso cultural de cada estado ou pequeno grupo de estados. Não sou frontalmente contra a ideia mas tenho a profunda convicção de que não funciona.
Comparando com os EUA... comparando? É impossivel comparar...
Nos EUA, um jovem de Los Angeles escreve com a mesmíssima caligrafia que um puto de Fall River, no outro lado do País; as piadas ditas em Sacramento são as mesmas (com a mesma aceitação) de Anchorage, lá no gelo do Alasca; para não estar a massacrar, os valores das massas são os mesmos, do Alaska à Florida, de Provincetown a Smith River.
E cá?
Nem vale a pena enumerar as diferenças, os chauvinismos, as culturas díspares, os valores, a religião, sei lá...
Na... Não é só questão de abdicar de poderes (que os parlamentos não vão entregar de ânimo leve) - é uma enraizada divergência de mentalidades.

Mohandas
19-04-2003, 06:17
... Andaram durante tantos séculos em guerra para se separarem uns dos outros (os estados europeus) e agora querem juntá-los de novo em meia dúzia de anos...

Hummm... não me parece que vá dar bom resultado.

updown
19-04-2003, 09:25
A coisa só poderá ir devagarinho, muito deevaaagaaaariiiiinhoooooo.

Mohandas
19-04-2003, 20:34
... de um pequeno, grande, problema. A Turquia!

O que é que ela vai fazer, ainda para mais agora "aquecida" pelso americanos? Pois, pois...

zé povinho
20-04-2003, 21:35
não acreditem num Federalismo par a Europa.

a tendência nos últimos anos tem sido para pulverização e aparecimento de novos estados, não se consegue de repente convencer esta gente toda que o Federalismo é que é bom.

se agora não conseguem falar a uma só voz, não vai ser tão depressa, a menos que os Alemães e Franceses façam chantagem ( e eles são bem caazes disso), mas terão que enfrentar os Ingleses e Espanhóis, que não estão nada a gostar da criação dum bloco Germano/Gaulês.

pelo meio temos a Nato, onde os Americanos vão começar a fazer "pressão" para que os Europeus comecem a gastar dinheiro com a defesa própria,

e deste jogo pode depender muito do futuro da CEE.

Mohandas
22-04-2003, 06:04
... não se esgotou.

A unificação da Europa é contranatura. Não percebo como é que os grandes senhores que a defendem não vêem isso. E o que vai acontecer com os novos "imigrantes", que vão deixar de o ser?

Acham que os cidadãos dos novos países "europeus" vão ficar nos seus países à espera que a vida melhore, sabendo nós as trafulhices que foram feitas nos actuais 15, com a remessa de fundos?

Pois é! Agora já não vão ser imigrantes, vão ser cidadãos de pleno direito de qualquer país da UE e vão invadir aqueles onde eles acham que têm mais hipóteses de enriquecer depressa, nem que seja segundo os padrões deles...

Gostava de ler alguma coisa sobre isto...