Óscar
07-01-2004, 09:18
Segundo reconheceu o Ministério das Finanças
Portugueses perdem poder de compra em 2003 e 2004
José Manuel Rocha
in PÚBLICO
Os portugueses que vivem do rendimento do trabalho assalariado não têm razões para grande optimismo. Segundo o Ministério das Finanças, a taxa de crescimento dos salários reais em Portugal terá sido negativa em 2003 (perto de menos um por cento) e continuará a sê-lo, pelo menos, este ano, prevendo-se que a recuperação do poder de compra aconteça apenas em 2005.
A estimativa relativa à evolução dos salários reais em Portugal está inscrita na actualização do Programa de Esatabilidade e Crescimento (PEC) para o período 2004-2007. O documento, através do qual Portugal se compromete perante Bruxelas no cumprimento de uma série de metas económico-financeiras, reconhece que "o crescimento dos salários registou, de facto, uma significativa desaceleração em 2003, reflectindo o congelamento de parte dos salários na função pública e a moderação salarial no sector privado". A análise vai de encontro ao tipo de políticas que o Banco de Portugal tem defendido e que voltou a sublinhar no Boletim Económico de Dezembro, ontem divulgado.
O texto reconhece, por outro lado, que o crescimento dos salários reais foi, no ano que passou, inferior ao da produtividade, o que contariará a ideia de que o nível das remunerações do trabalho constitui o principal óbice à obtenção de ganhos de produtividade. Situação semelhante, de crescimento da produtividade acima dos salários, só se encontra nos anos de 1993 e 1994.
A situação conjuntural é, no entanto, distinta e, desta feita, a previsão do Executivo é a de que o crescimento dos salários reais abaixo da produtividade se mantenha pelo menos até 2007 - ano-limite da projecção avançada na actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento. Isto significa que, ao contrário do que é usual na ponderação dos aumentos salariais, os trabalhadores estejam cinco anos consecutivos sem beneficiarem minimamente dos ganhos de produtividade.
O Governo prevê, todavia, que ao nível da produtividade o cenário recente reverta para melhor nos próximos anos. Segundo os dados coligidos pelo Ministério das Finanças e pelo Instituto Nacional de Estatística, o crescimento da produtividade anda muito perto dos zero por cento desde 2001 - estava próximo dos dois por cento em 2000. A projecção apresentada na actualização do PEC estima que a taxa de crescimento da produtividade volte para os dois por cento, de forma gradual, até 2007.
Para Carvalho da Silva, coordenador da CGTP-Intersindical, o cenário que o Ministério das Finanças consagra no documento "é uma demonstração da penalização a que os trabalhadores estão a ser sujeitos. "A sociedade portuguesa está em estado de regressão social e de agravamento das injustiças". "Estabeleceu-se a lógica de fazer uma leitura contabilística do país que, em muitos casos, é feita com números manipulados".
O líder sindical acrescenta que "o discurso sobre a produtividade está manipulado, porque não é o factor trabalho que constitui o entrave ao aumento da produtividade das empresas". "Não há investimento tecnológico, não há dinâmica comercial nem aposta na valorização dos produtos", acrescentou Carvalho da Silva.
Portugueses perdem poder de compra em 2003 e 2004
José Manuel Rocha
in PÚBLICO
Os portugueses que vivem do rendimento do trabalho assalariado não têm razões para grande optimismo. Segundo o Ministério das Finanças, a taxa de crescimento dos salários reais em Portugal terá sido negativa em 2003 (perto de menos um por cento) e continuará a sê-lo, pelo menos, este ano, prevendo-se que a recuperação do poder de compra aconteça apenas em 2005.
A estimativa relativa à evolução dos salários reais em Portugal está inscrita na actualização do Programa de Esatabilidade e Crescimento (PEC) para o período 2004-2007. O documento, através do qual Portugal se compromete perante Bruxelas no cumprimento de uma série de metas económico-financeiras, reconhece que "o crescimento dos salários registou, de facto, uma significativa desaceleração em 2003, reflectindo o congelamento de parte dos salários na função pública e a moderação salarial no sector privado". A análise vai de encontro ao tipo de políticas que o Banco de Portugal tem defendido e que voltou a sublinhar no Boletim Económico de Dezembro, ontem divulgado.
O texto reconhece, por outro lado, que o crescimento dos salários reais foi, no ano que passou, inferior ao da produtividade, o que contariará a ideia de que o nível das remunerações do trabalho constitui o principal óbice à obtenção de ganhos de produtividade. Situação semelhante, de crescimento da produtividade acima dos salários, só se encontra nos anos de 1993 e 1994.
A situação conjuntural é, no entanto, distinta e, desta feita, a previsão do Executivo é a de que o crescimento dos salários reais abaixo da produtividade se mantenha pelo menos até 2007 - ano-limite da projecção avançada na actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento. Isto significa que, ao contrário do que é usual na ponderação dos aumentos salariais, os trabalhadores estejam cinco anos consecutivos sem beneficiarem minimamente dos ganhos de produtividade.
O Governo prevê, todavia, que ao nível da produtividade o cenário recente reverta para melhor nos próximos anos. Segundo os dados coligidos pelo Ministério das Finanças e pelo Instituto Nacional de Estatística, o crescimento da produtividade anda muito perto dos zero por cento desde 2001 - estava próximo dos dois por cento em 2000. A projecção apresentada na actualização do PEC estima que a taxa de crescimento da produtividade volte para os dois por cento, de forma gradual, até 2007.
Para Carvalho da Silva, coordenador da CGTP-Intersindical, o cenário que o Ministério das Finanças consagra no documento "é uma demonstração da penalização a que os trabalhadores estão a ser sujeitos. "A sociedade portuguesa está em estado de regressão social e de agravamento das injustiças". "Estabeleceu-se a lógica de fazer uma leitura contabilística do país que, em muitos casos, é feita com números manipulados".
O líder sindical acrescenta que "o discurso sobre a produtividade está manipulado, porque não é o factor trabalho que constitui o entrave ao aumento da produtividade das empresas". "Não há investimento tecnológico, não há dinâmica comercial nem aposta na valorização dos produtos", acrescentou Carvalho da Silva.