gatsby
11-11-2003, 19:16
Não foi dificil escolher o vosso afilhado.
E não foi dificil porque é um jovem muito especial, com uma força, vontade e alegria de viver que faz dele alguém muito especial para mim e assim certamente o será para vcs.
O seu nome é André. Tem 16 anos. Um dos mais velhos com quem trabalhamos.
Teria dezenas de crianças mais jovens, quase bébés mesmo em situação terrivel, mas pelo que sei de vós compreenderão a essencia do ACREDITAR na história desta criança.
O André não é do Porto, mas sim da zona de Amarante. Quando diagnosticada a doença, rápidamente percebemos que este miúdo estava só. Não que a sua familia seja pequena, pelo contrário, nem eu sei bem quantos irmãos ele tem. Não é o mais novo nem o mais velho. É apenas mais um. E está nesta expressão a cerne do problema, mais um que por acaso adoeceu e assim, problema dele.
Os Serviços conseguiram contactar com os pais uma ou outra vez. Nada mais. Todo o tratamento foi efectuado com o apoio humano sem preço nem palavras dos bombeiros que o transportavam. E dos médicos e enfermeiros que de algum modo logo adoptaram esta criança especial.
E porquê especial? Porque completamente perdida e sem a mínima noção de principios básicos de tantas coisas, decidiu lutar pela sua vida.
E venceu.
Agora, contar-vos-ei algumas histórias deste jovem que me dá o orgulho de ser humano como ele.
Uma vez, ainda em tratamentos de quimioterapia, o André chega ao Hospital de novo num estado lastimavel. Numa fase muito dificil do tratamento este miúdo (com 9 anos) tinha sido 'obrigado' a apanhar pisar uva durante uma noite inteira. Sempre nós e o Hospital com os bombeiros arranjamos uma maneira mais de ele dormir e recuperar destas pequenas coisas da vida.
Outra vez, fomos a Lisboa ver o Batatoon. Ele foi. Estava com a Teresa (a minha mulher) a saír da camioneta qd. correu de imediato para o passeio. Via o mar pela primeira vez aos 12 anos, em Lisboa.
E outra e outra vez. Estavamos os dois conversando em Viseu num fim de semana com os miúdos da Acreditar. Uma das brincadeiras tinha a ver com roupas e passagens de modelos. Usou pelas primeira vez um casaco novo. E pela primeira vez uns sapatos novos. Como tinha ido para a Viseu? O bombeiro amigo dele tinha-o levado no carro particular desde a sua terra perto de um Santo de nome Gonçalo.
Um outro dia, um casal com uma criança em estado díficil decide tomar conta deste jovem. Com conversas dificeis com os pais (ambos alcoolicos) e com alguns irmãos (um é de boa fibra também) conseguimos que ele venha viver para casa desta familia que lhe abre os braços.
Decide-se por um curso profissional (mais umas coisas complicadas, porque a escolaridade dele era uma coisa muito confusa) e escolhe jardinagem. Desde o inicio o melhor aluno da turma. Nós somos os encarregados de educação.
A familia que recebe André de braços abertos, tem-nos bem magros na doença do seu filho e no rendimento. A ACREDITAR suporta a educação mas não nos deixam suportar a alimentação. Não é arrogancia, é ter costas direitas.
Qd. fez 16 anos, há poucos dias, pediu uma prenda. Nada mais normal: a prenda é que o era menos: desejava uma galochas altas para a escola.
O André hoje sabe que há três refeições no dia, e que isso é normal. Tinha uma.
O André hoje sabe o que é um cinema e um banho diário
O André sabe que hoje tem um futuro. Antes tinha apenas um lugar onde nesceu, viveria e morreria.
Muito mais vos podia contar sobre o André.
O mais importante é que tudo o que aqui está escrito é verdadeiro e não quer ser um miserere.
Quer ser e é um Hossana a um jovem que é mais que eu, que é mais que nós, é uma aclamação de vitória sobre a adversidade e um sorriso travesso sobre o passado, que ele não renega, nem esconde. E vai passar muitos fins de semanas com os pais , porque assim o deseja.
O André existe.
E porque existe, eu ACREDITO.
Um dia num futuro poderão uma vez ou outra cruzar-se com este jovem, apesar de vcs. não saberem que ele ACREDITA, ele sabe.
E será preciso mais?
http://www.acreditar.rcts.pt/imagens/barra_logo.gif
E não foi dificil porque é um jovem muito especial, com uma força, vontade e alegria de viver que faz dele alguém muito especial para mim e assim certamente o será para vcs.
O seu nome é André. Tem 16 anos. Um dos mais velhos com quem trabalhamos.
Teria dezenas de crianças mais jovens, quase bébés mesmo em situação terrivel, mas pelo que sei de vós compreenderão a essencia do ACREDITAR na história desta criança.
O André não é do Porto, mas sim da zona de Amarante. Quando diagnosticada a doença, rápidamente percebemos que este miúdo estava só. Não que a sua familia seja pequena, pelo contrário, nem eu sei bem quantos irmãos ele tem. Não é o mais novo nem o mais velho. É apenas mais um. E está nesta expressão a cerne do problema, mais um que por acaso adoeceu e assim, problema dele.
Os Serviços conseguiram contactar com os pais uma ou outra vez. Nada mais. Todo o tratamento foi efectuado com o apoio humano sem preço nem palavras dos bombeiros que o transportavam. E dos médicos e enfermeiros que de algum modo logo adoptaram esta criança especial.
E porquê especial? Porque completamente perdida e sem a mínima noção de principios básicos de tantas coisas, decidiu lutar pela sua vida.
E venceu.
Agora, contar-vos-ei algumas histórias deste jovem que me dá o orgulho de ser humano como ele.
Uma vez, ainda em tratamentos de quimioterapia, o André chega ao Hospital de novo num estado lastimavel. Numa fase muito dificil do tratamento este miúdo (com 9 anos) tinha sido 'obrigado' a apanhar pisar uva durante uma noite inteira. Sempre nós e o Hospital com os bombeiros arranjamos uma maneira mais de ele dormir e recuperar destas pequenas coisas da vida.
Outra vez, fomos a Lisboa ver o Batatoon. Ele foi. Estava com a Teresa (a minha mulher) a saír da camioneta qd. correu de imediato para o passeio. Via o mar pela primeira vez aos 12 anos, em Lisboa.
E outra e outra vez. Estavamos os dois conversando em Viseu num fim de semana com os miúdos da Acreditar. Uma das brincadeiras tinha a ver com roupas e passagens de modelos. Usou pelas primeira vez um casaco novo. E pela primeira vez uns sapatos novos. Como tinha ido para a Viseu? O bombeiro amigo dele tinha-o levado no carro particular desde a sua terra perto de um Santo de nome Gonçalo.
Um outro dia, um casal com uma criança em estado díficil decide tomar conta deste jovem. Com conversas dificeis com os pais (ambos alcoolicos) e com alguns irmãos (um é de boa fibra também) conseguimos que ele venha viver para casa desta familia que lhe abre os braços.
Decide-se por um curso profissional (mais umas coisas complicadas, porque a escolaridade dele era uma coisa muito confusa) e escolhe jardinagem. Desde o inicio o melhor aluno da turma. Nós somos os encarregados de educação.
A familia que recebe André de braços abertos, tem-nos bem magros na doença do seu filho e no rendimento. A ACREDITAR suporta a educação mas não nos deixam suportar a alimentação. Não é arrogancia, é ter costas direitas.
Qd. fez 16 anos, há poucos dias, pediu uma prenda. Nada mais normal: a prenda é que o era menos: desejava uma galochas altas para a escola.
O André hoje sabe que há três refeições no dia, e que isso é normal. Tinha uma.
O André hoje sabe o que é um cinema e um banho diário
O André sabe que hoje tem um futuro. Antes tinha apenas um lugar onde nesceu, viveria e morreria.
Muito mais vos podia contar sobre o André.
O mais importante é que tudo o que aqui está escrito é verdadeiro e não quer ser um miserere.
Quer ser e é um Hossana a um jovem que é mais que eu, que é mais que nós, é uma aclamação de vitória sobre a adversidade e um sorriso travesso sobre o passado, que ele não renega, nem esconde. E vai passar muitos fins de semanas com os pais , porque assim o deseja.
O André existe.
E porque existe, eu ACREDITO.
Um dia num futuro poderão uma vez ou outra cruzar-se com este jovem, apesar de vcs. não saberem que ele ACREDITA, ele sabe.
E será preciso mais?
http://www.acreditar.rcts.pt/imagens/barra_logo.gif