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View Full Version : Diferentes olhares


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gatsby
03-06-2003, 12:09
http://www.metmuseum.org/collections/images/ma/images/ma1996.403.1.L.jpg
Girl Reading at a Table, 1934

RedDust
03-06-2003, 18:00
Weegee

http://www.masters-of-photography.com/images/full/weegee/weegee_harlem.jpg
Easter Sunday, Harlem (1940)

RedDust
04-06-2003, 07:09
Weegee

http://www.masters-of-photography.com/images/full/weegee/weegee_critic.jpg
The Critic (1943)

RedDust
04-06-2003, 07:38
Weegee

http://www.masters-of-photography.com/images/full/weegee/weegee_in_shock.jpg
Accident Victim In Shock (sem data)

RedDust
04-06-2003, 15:49
Weegee

http://www.masters-of-photography.com/images/full/weegee/weegee_booked.jpg
Booked For Strangling Little Girl (1944)

Mohandas
04-06-2003, 15:53
«Do que tenho e conheço do John Zorn é o disco que mais gosto. Cheguei a pensar numa das músicas para dedicar ao Moh, no cd que o gatsby está a preparar. Mas seria compreensível para o próprio Moh ou para os restantes ouvintes do cd?»

Serei assim tão burro que nem de música percebo?

acho que vou mandar fazer uma tatuagem na testa: "Parece é um homem, mas é um asno!" :mad:

Blue
04-06-2003, 16:15
Não fiques assim Moh, eu compreendi o que ele quis dizer.
John Zorn não é fácil, e não se gosta de ânimo leve, tem um modo de tocar saxofone um pouco agressivo... As capas dos CDs dele são exemplo disso.
E a ideia do nosso CD era principalmente para agradar aos "escolhidos".

Se me estou a meter onde não devo, ignora este post.

Mohandas
04-06-2003, 16:22
... eu sou agressivo!

A ideia era reflectir nos outros aquilo que pensamos deles. Pelo menos foi isso que eu entendi (mas como sou um asno, não devo ter percebido bem!).

:mad:

Blue
04-06-2003, 16:33
Agressivo ???
Um defensor convicto de causas, queres tu dizer.
Já eras assim enquanto Curioso.

Mohandas
04-06-2003, 16:35
... obrigado pelo suavizar da coisa...

RedDust
04-06-2003, 17:48
Oh Moh, Moh... és um verdadeiro refilão, pá. Nunca estás contente com nada. Não me digas que não gostaste da escolha do José Mário Branco. É uma escolha de classe, quanto a mim.

O Blue descreve bem o Zorn. Não é assim tão fácil "entrar" no mundo dele. E havia também um grande contra: a voz na sua música quase que não existe, pelo que teria de escolher uma canção sem letra. E as palavras para este novo disco, concebido pelo gatsby, são muito importantes.

gatsby
05-06-2003, 08:37
http://moma.org/collection/depts/paint_sculpt/images/large/333_39_picasso_dem.jpg

Les Demoiselles d'Avignon. 1907

uma pequena nota : este quadro, de 1907!, é o que pode ser considerado a primeira prova da intensidade e inovação de Pablo Picasso. Para muitos é a sua obra mais emblemática e, por várias razões, uma das mais importantes do sec. XX.

gatsby
06-06-2003, 14:33
deixo-vos mais uma pintura de Pablo, cuja apresentação continuarei.
penso que, para tem seguido esta apresentação com alguma atenção, deve estar a ter algumas surpresas, já que 'este' Pablo Picasso que temos vindo a 'ver' por este fórum é menos conhecido que algumas obras do seu periodo cubista e pós-cubista (e muitas vezes mais comercial, que o homem gostava de carcanhol à brava), mas que demonstram a quem tinha algumas noções pré-concebidas que afinal ele era um génio explêndido.

a pintura de hoje é mais uma surpresa.
é um auto-retrato, e afinal também Pablo Picasso não foi sempre careca, hehehe

http://www.nga.gov/image/a00022/a00022be.jpg

Pablo Picasso
Self-Portrait, 1901/1902

nota que a 'coisa' que está no topo da cabeça é cabelo e não uma boina basca.
;)

gatsby
06-06-2003, 14:57
http://www.nga.gov/image/a0000e/a0000eb9.jpg

Pablo Picasso
Family of Saltimbanques, 1905

Óscar
22-06-2003, 13:16
A FAMÍLIA DE SALTIMBANCOS, 1905-1906

À primeira vista, esta composição, apresenta,se como um aglomerado de cinco figuras, de pé, separadas de uma mulher sentada por um intervalo espacial. É uma visão desconfortável porque o grande grupo da esquerda parece desequilibrado, com a figura isolada à direita, mais abaixo, a dar a impressão de que a composição não conseguiu alcançar a sua forma final. Se tivermos menos confiança nas nossas próprias primeiras impressões do que no critério de Picasso, procuraremos uma percepção mais adequada da obra e, tendo em conta a função crucial do centro de equilíbrio, concentraremos a atenção nos dois rapazes. Em pé, no meio, estão investidos pela sua localização espacial com o poder total do centro de equilíbrio. Isto leva-nos a experimentar uma reestruturação súbita e dramática da cena.

Compreendemos agora que uma diferença da função composicional divide o conjunto em dois grupos. Os dois rapazes ocupam o meio e, por consequência, estaõ separados do grupo lateral de três figuras – uma separação apoiada pelo palhaço maciço, que volta as costas ao par central e fecha o trio da esquerda. Esta reorganização deixa-nos com três centros principais: os rapazes, ao meio; as três figuras, à esquerda, e a mulher à direita. Dinamicamente, uma tensão curiosa é criada pela contradição entre o contacto espacial estreito do grupo central com o lateral e a sua separação funcional dele. Esta tensão, contudo, é equilibrada pela contradição completamente oposta da outra metade do quedro de Picasso.
Aqui, a distância espacial dos dois rapazes em relação à mulher é abreviada pelo vector diagonal forte, que vai das suas cabeças até à cabeça da mulher e que é apoiado pela direcção do seu olhar.

A composição revela agora uma simetria cêntrica entre duas contradições invertidas: uma separação funcional contrabalançada pelo contacto físico, à esquerda, e uma atracção funcional que supera a separação física, à direita. Esta simetria constitui uma centricidade estável muito diferente da perturbante falta de equilíbrio que detectámos ao primeiro olhar. Mas há mais. A centricidade global da composição é sobrecarregada por um vector excêntrico forte, que se desloca desde a esquerda até à direita, segue a curva global das cabeças e a direcção dos olhos sobre todas as figuras, excepto uma. Tão poderoso é esse vector que tem de ser contrabalançado pela figura pesada do palhaço.

O vector lateral das cinco figuras de pé aponta como uma flecha em direcção à mulher sentada; mas ela não é o alvo final. Participa na orientação, para a direita, e, portanto, representa apenas uma estação intermédia no caminho para um alvo indefinido que se localiza no infinito, para lá dos limites da moldura. Ao prolongar-se para além do alvo perceptual dado, há uma aspiração espiritual que transcende a cena genérica dos acrobatas ambulantes.

in O PODER DO CENTRO de Rudolf Arnheim, Colecção Arte & Comunicação – Edições 70

Mohandas
22-06-2003, 14:18
... relativamente à poesia e à prosa...

Será que o artista estava a pensar nisso tudo enquanto pintava? Duvido muito... :rolleyes: