PDA

View Full Version : Este vai ser um livro que não vou perder...


Óscar
12-07-2010, 16:04
"Vaticano funciona como 'offshore'"

por JOANA EMÍDIO MARQUESHoje

Obra de jornalista italiano revela os esquemas corruptos que se escondem sob a gestão financeira da Santa Sé

Num cruzamento, perto de uma auto-estrada, do cantão suíço de Ticino, uma camponesa idosa guardava na sua cave duas malas Samsonite cheias de papéis arrumados em pastas de cartolina amarela. Durante quase trinta anos, recebeu aquelas pastas, sem nunca saber que o que guardava eram documentos que abriam a porta para um dos segredos mais bem guardados do mundo: as finanças do Vaticano.

No Verão de 2008, coube a um jornalista italiano da revista Panorama, Gianluigi Nuzzi, ir buscar estas malas que continham o arquivo secreto de monsenhor Renato Dardozzi, que, entre 1974 e o final da década de 90, foi uma das figuras mais importantes do Instituto das Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano. Dardozzi, falecido em 2003, manifestou no seu testamento a vontade de tornar públicos estes documentos. Foi a partir deles que o jornalista escreveu o livro Vaticano S. A., que veio agora apresentar a Portugal.

Esta obra, frisa Gianluigi Nuzzi, "não é mais um livro de teorias da conspiração mas o resultado de uma investigação de dois anos, em que todos têm nomes e tudo o que é dito é baseado em provas e não em fantasias".

Na sala de um hotel de Lisboa, o jornalista lembra os meses passados numa sala "pequena, abafada, sem ar condicionado nem casa de banho", a percorrer "um labirinto de cerca de cinco mil documentos que reconstroem, a partir do interior do Vaticano, acontecimentos financeiros duvidosos, ligações inquietantes à Mafia, a Giulio Andreotti (dirigente da Democracia Cristã italiana) ou ao sindicato polaco Solidariedade.

Monsenhor Renato Dardozzi tinha acesso aos círculos mais restritos e fechados da Santa Sé, às saletas de "portas duplas, onde se edificavam operações financeiras arrojadas, onde se abafavam escândalos, ou se afastavam pessoas", explica Nuzzi. Os documentos que Dardozzi guardou provam que "o Vaticano funciona como uma offshore. Para lá da Colunata de São Pedro e sob a capa de obras de bem, cometem-se crimes financeiros e não só".

Este livro dá conta dos acontecimentos que se seguiram aos escândalos do banco Ambrosiano e da Banca Privata Italiana, bem como às mortes misteriosas das figuras de proa dessas instituições Michele Sindona e Roberto Calvi, ou ainda a de Albino Luciani (Papa por 33 dias). Pois, como explica Nuzzi, estes escândalos não impediram que o Vaticano prosseguisse com "manipulações políticas, subornos, pagamentos a políticos corruptos e elementos da Mafia, burlas e até mesmo um elaborado sistema de lavagem de dinheiros, só possível porque o Vaticano é um Estado com leis e um estatuto próprios. É um mundo inexpugnável em pleno coração da Europa".

Em Vaticano S. A., pessoas, instituições de caridade, fundações (como a Fundação Spellman, que faz a gestão dos dinheiros de Andreotti) vão entrando e saindo de cena como se de um palco de teatro se tratasse. Cruzam-se relações de poder de indivíduos e grupos interiores e exteriores à Santa Sé.

Há, porém, um que sem aparecer está omnipresente em toda a narração: Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. O jornalista reconhece que " Wojtyla era apenas a cúpula de uma gigantesca engrenagem que ele não controlava. Até porque no Vaticano "a verdade nunca é só uma", afirma Gianluigi Nuzzi.

http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1616289&seccao=Livros

Óscar
12-07-2010, 16:06
Abrir o cofre das finanças da Santa Sé

"Um dos meus maiores medos era que o livro fosse apreendido", confessa Gianluigi Nuzzi. Porém, o livro não foi apreendido. Vendeu milhares de exemplares em Itália e do Vaticano a única reacção que houve até agora (o livro foi publicado em 2009) foi um "total silêncio". Vaticano S. A. (com a chancela da Editorial Presença) não dá por concluída a investigação: "Há ainda documentos que não foram vistos e um envelope, ligado a um cardeal muito influente, que não foi aberto." No entanto, o jornalista não quer falar sobre o novo livro que está a escrever nem conta se continua a trabalhar no arquivo de Renato Dardozzi. Nuzzi afirma que este "não é um livro contra a Igreja, mas um documento baseado em factos. Não é 'anti' ou pró- -Berlusconi, nem de direita nem de esquerda".

http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1616168&seccao=Livros

Bonson
12-07-2010, 18:26
Depois vi uma Besta que subia do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças; sobre os chifres tinha sete coroas, e sobre as cabeças tinha nomes blasfemos. Vi que a Besta era semelhante a um leopardo; as suas patas eram semelhantes às do urso e a sua boca era como a do leão. O Dragão deu-lhe a sua própria força, o seu trono e grande poder.

Uma das suas cabeças parecia ferida de morte; mas a ferida mortal tinha sido curada. E, maravilhados, todos os habitantes da terra foram atrás da Besta. E adoraram o Dragão porque tinha dado o seu poder à Besta. E adoraram também a Besta, aclamando:

«Quem semelhante à Besta?
E quem poderá lutar contra ela?»
E foi-lhe dada uma boca para proferir palavras eloquentes e blasfemas. Deram-lhe também o poder de agir durante quarenta e dois meses. Então, abriu a boca para proferir blasfémias contra Deus, contra o seu nome, contra a sua morada e contra os que têm morada no céu.

Foi-lhe dado, ainda, o poder de fazer guerra contra os santos e de os vencer, assim como o poder sobre todas as tribos, povos, línguas e nações. E adoraram-na todos os habitantes da terra, aqueles cujos nomes não estão escritos, desde o princípio do mundo, no livro da Vida do Cordeiro, que foi imolado.»

Quem tem ouvidos, ouça:
O que está destinado ao cativeiro,
irá para o cativeiro;
se alguém matar pela espada,
pela espada morrerá.
Aqui está a constância e a fé dos santos.