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View Full Version : Falar com sensatez sobre o aquecimento global


Óscar
09-06-2010, 12:24
Bjorn Lomborg

Falar com sensatez sobre o aquecimento global

© Project Syndicate, 2008 www.project-syndicate.org

Em Fevereiro, 14 destacados cientistas da área do ambiente, economistas e políticos reuniram-se para debater o aquecimento global. Esta semana, a London School of Economics (LSE) e a Universidade de Oxford publicaram as conclusões. Vale a pena analisá-las.

O grupo foi reunido por Gwyn Prins, um reputado especialista em política de segurança e relações internacionais que lidera o Programa Mackinder da LSE para o estudo de tendências de longo prazo. Entre os participantes encontravam-se o cientista Mike Hulme, da Universidade de East Anglia; o especialista em política climática Roger Pielke Jr., da Universidade do Colorado; e o economista ambiental Christopher Green, da Universidade McGill.

O relatório do grupo, "O Relatório Hartwell", expõe uma nova direcção para a política climática após o colapso, no ano passado, das tentativas de alcançar um acordo global sobre o clima. Os autores referem que os 18 anos do Protocolo de Quioto não produziram nenhuma redução discernível nas emissões de gases com efeito de estufa.

Naturalmente, o planeamento do Protocolo de Quioto centra-se exclusivamente na redução de emissões de dióxido de carbono. O Relatório de Hartwell argumenta que o Protocolo de Quioto, baseado em experiências passadas com problemas ambientais relativamente simples, como a chuva ácida, esteve sempre condenado ao fracasso.

O grupo defende que não faz sentido comparar as alterações climáticas com outros desafios ambientais que já enfrentamos e resolvemos. As alterações climáticas são muito mais complicadas, e envolvem sistemas abertos e complexos que não são totalmente compreendidos. Ao contrário da chuva ácida e da poluição atmosférica, não são "um problema ambiental convencional". São muito mais um "problema energético, de desenvolvimento económico e de utilização da terra".

Os economistas ambientais reconhecem que existem apenas quatro instrumentos que podem ser usados para tentar reduzir as emissões de carbono e enfrentar as alterações climáticas: reduzir a população mundial, diminuir a economia global, aumentar a eficiência do consumo energético e baixar a intensidade do carbono (ou seja, criar menos carbono por cada unidade de energia produzida).

Reduzir a população mundial é implausível e diminuir deliberadamente a dimensão da economia global teria como consequência o aumento das dificuldades de milhões de pessoas. Assim, o Relatório Hartwell propõe o desenvolvimento de uma estratégia que identifique formas de melhorar os níveis de eficiência energética e de intensidade do carbono.

O grupo Hartwell propõe a adopção de três objectivos básicos relacionados com o clima: garantir um fornecimento energético seguro e acessível a todos (o que significa o desenvolvimento de alternativas aos combustíveis fósseis); garantir que o desenvolvimento económico não provoque danos ambientais (o que significa que não basta reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas também diminuir a poluição de locais interiores resultantes da queima de biomassa, reduzir o ozono e proteger as florestas tropicais); e garantir que estamos preparados para lidar com qualquer alteração climática que ocorra, natural ou provocada pelo homem (o que significa o reconhecimento, por fim, da importância da adaptação às alterações climáticas).

Alcançar estes objectivos vai exigir, obviamente, um trabalho duro. O grupo Hartwell destaca, correctamente, que, de forma a sermos bem-sucedidos, a nossa estratégia para a política climática deve oferecer vantagens óbvias ("benefícios rápidos e demonstráveis"), apelar a uma grande diversidade de pessoas e produzir resultados mensuráveis. O Protocolo de Quioto não alcança nenhuma destas coisas.

Em vez de tentar, exclusivamente, obrigar a população a prescindir dos combustíveis que emitem carbono, o grupo Hartwell sugere que devem ser implementadas outras medidas válidas - como por exemplo, a adaptação, a reflorestação, encorajar a biodiversidade e melhorar a qualidade do ar. Todas estas medidas são importantes e todas juntas podem reduzir também as emissões de carbono. O relatório destaca que a política de Quioto deve voltar a ser dividida em diferentes temas e cada um deve ser resolvido de forma distinta.

Ao mesmo tempo, acrescenta o grupo, devemos reconhecer que não vamos alcançar progressos reais na redução de emissões de CO2 até podermos fornecer às economias em desenvolvimento alternativas energéticas aos combustíveis fósseis - das quais elas actualmente dependem - a preços acessíveis. "Numa palavra", refere o relatório, "precisamos de desencadear uma revolução da tecnologia energética".

O grupo Hartwell defende que são necessárias enormes melhorias em muitas tecnologias, o que requer a participação determinada dos governos. O grupo sugere o financiamento parcial da investigação e desenvolvimento com um "imposto sobre o carbono inicialmente baixo mas que aumente lentamente" para evitar minar o desenvolvimento económico.

Se algo disto - ou tudo - lhe soa familiar, é porque há muito tempo que defendo grande parte destas medidas. Se a minha experiência serve de guia, os membros do grupo Hartwell devem esperar ser atacados como hereges por questionarem a ortodoxia de Quioto. Mas este é um pequeno preço a pagar. Como se costuma dizer, "a loucura consiste em fazer a mesma coisa várias vezes e esperar um resultado diferente". Em sinal de respeito ao aquecimento global, é altura de recuperarmos o nosso bom senso.


Bjørn Lomborg é director do Copenhagen Consensus Center na Copenhagen Business School e autor do livro "Cool It: The Skeptical Environmentalist's Guide to Global Warming".

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=429511

Massarico
09-06-2010, 12:42
Oscar, nunca pensei ver-te divulgar um artigo do Bjorn Lomborg, mas acho excelente que se comece a enveredar por um caminho de sensatez. Nunca é tarde.

Óscar
09-06-2010, 13:19
Eu é que fico admirado por tu concordares com ele... :rolleyes:

Concordas que há aquecimento global provocado pelo homem?

Concordas que há necessidade de redução das emissões de gases de dióxido de carbono e que estes são os principais responsáveis pelo aquecimento global?

Concordas com um desenvolvimento económico adaptado às alterações climáticas e, portanto, livre de indústrias altamente poluidoras?

Concordas com a redução do uso de combustíveis que emitem carbono?

Concordas com a aplicação de um imposto sobre o carbono e a aplicação de fundos públicos para financiar a investigação, criação e melhoria de tecnologias energéticas alternativas?

Se concordas com isto tudo, afinal, não estamos assim tão separados nesta questão... :rolleyes:;)

Massarico
09-06-2010, 15:54
Eu não concordo necessariamente com ele, mas acho que tem um mode engraçado de pensar, tem um modo lógico, o que me agrada sempre. O The Skeptical Environmentalist é um livro muito engraçado, que o levou a ter a cabeça a prémio pelo Greenpeace, pela Nature e pela Science. Enfim, não é um sujeito muito popular no mundo da ecologia.

Mas o que esta gente propõe - e eu não encontro no texto nenhum dos pontos que tu enuncias, excepto o da utilização de energias menos poluentes, com o que eu concordo inteiramente - é que haja uma adaptação ao clima e não uma tentativa de travagem das emissões à custa do aumento generalizado da pobreza. Ou seja, dentro dos crentes nas alterações climáticas, são as pessoas sensatas.

O que não quer dizer que eu tenha a mesma opinião.

Óscar
09-06-2010, 16:54
Mas o que esta gente propõe - e eu não encontro no texto nenhum dos pontos que tu enuncias, excepto o da utilização de energias menos poluentes, com o que eu concordo inteiramente


Ora lê lá melhor o texto...:rolleyes:

Concordas que há aquecimento global provocado pelo homem?
No texto: "...garantir que estamos preparados para lidar com qualquer alteração climática que ocorra, natural ou provocada pelo homem..."

Concordas que há necessidade de redução das emissões de gases de dióxido de carbono e que estes são os principais responsáveis pelo aquecimento global?
No texto: "...devemos reconhecer que não vamos alcançar progressos reais na redução de emissões de CO2 até podermos fornecer às economias em desenvolvimento alternativas energéticas aos combustíveis fósseis"

Concordas com um desenvolvimento económico adaptado às alterações climáticas e, portanto, livre de indústrias altamente poluidoras?
No texto: "...garantir que o desenvolvimento económico não provoque danos ambientais (o que significa que não basta reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas também diminuir a poluição de locais interiores resultantes da queima de biomassa, reduzir o ozono e proteger as florestas tropicais)."

Concordas com a redução do uso de combustíveis que emitem carbono?
No texto: "garantir um fornecimento energético seguro e acessível a todos (o que significa o desenvolvimento de alternativas aos combustíveis fósseis)."

Concordas com a aplicação de um imposto sobre o carbono e a aplicação de fundos públicos para financiar a investigação, criação e melhoria de tecnologias energéticas alternativas?
No texto:"O grupo Hartwell defende que são necessárias enormes melhorias em muitas tecnologias, o que requer a participação determinada dos governos. O grupo sugere o financiamento parcial da investigação e desenvolvimento com um "imposto sobre o carbono inicialmente baixo mas que aumente lentamente" para evitar minar o desenvolvimento económico.

Massarico
09-06-2010, 17:26
A do imposto não tinha reparado, confesso. Evidentemente que é um mau caminho. Quanto ao resto, são generalidades e processos de intenção, com que se concorda na generalidade. Mas parece-me que o que é central e o que é diferenciador neste grupo é que têm noção de que é melhor adaptar e gradualmente ir tentando reduzir emissões sem perturbações significativas no crescimento económico. Porque se não for isto, então são iguais aos outros.

Óscar
09-06-2010, 17:38
Mas parece-me que o que é central e o que é diferenciador neste grupo é que têm noção de que é melhor adaptar e gradualmente ir tentando reduzir emissões sem perturbações significativas no crescimento económico.

Sim...penso que é isso que eles defendem e eu nem discordo disso... não sei é se terão tempo para isso... :rolleyes:;)