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View Full Version : nem mais um tostão para a Madeira!


Ibn Erik
03-03-2010, 10:20
este poderia ser o título de um texto a gozar com o AJJ, tido como autor da frase: "nem mais um tostão para Timor". quando Timor precisava de ajuda financeira para tentar nascer.

não. eu tenho uma ideia diferente.

eu considero as ilhas meros parasitas regionais. não mudo de opinião. mas quando acontecem tragédias como as que aconteceram à Madeira ou aos Açores, em 1981, se não me falha a memória, temos obrigação de os ajudar a combater as mazelas e as feridas.

mas existe um ponto que eu considero errado. é costume o Estado ajudar os que sofrem determinadas intempéries, cujo risco foi assumido pelos intervenientes.

ora, neste caso, um tipo que compra uma casa num leito conhecido de cheia nunca deveria ter direito a indemnizações. de outra forma, é premiar os erros cometidos por quem viola regras elementares de segurança.

quem viola regras elementares de segurança, consciente dos riscos, não poderia ver ressarcido pelos eventuais prejuízos financeiros dos seus actos. de outra forma, é premiar o abuso com o dinheiro alheio.

neste caso, quem tinha haveres construídos nos leitos de cheias normais não deveria receber dinheiros públicos. devia arcar com o prejuízo da sua aventura à chico-esperto.

claro que já sabemos que nada disto vai acontecer. os que abusam terão o seu prémio à custa dos que não abusam. o politicamente correcto assim o determina.

mas se eu mandasse...

http://news.bbc.co.uk/media/images/44029000/jpg/_44029901_gall_flood1_ap.jpg

Massarico
03-03-2010, 10:33
Esse teu ponto de vista é muito curioso. Poderiamos demolir as construções em leito de cheia em vários sítios e se quiséssemos mesmo ir ao fundo da coisa, também demoliriamos as construções em zonas de derrocada. Era uma bela medida para evitar fenómenos extremos, anormais, e que acontecem a cada 50 ou 100 anos.

O Funchal era demolido por inteiro e o Pico, para não falar dos Açores, todos eles edificados sobre vulcões, cuja actividade, como se sabe, pode recomeçar de forma repentina e inesperada, também seriam evacuados. Vastas zonas de Lisboa, incluindo a baixa até aos Restauradores, toda a Almirante Reis e zonas circundantes, bem como Alcântara, seriam demolidas sem apelo nem agravo. Talvez meio distrito de Santarém seria igualmente evacuado.

E isto é assim de repente. E é curioso verificar que os maiores problemas no Funchal, tanto quanto me foi dado observar, foram em zonas mais antigas, o que diz muito sobre eventuais responsabilidades actuais.

Ibn Erik
03-03-2010, 10:38
Massarico, eu refiro-me a haveres construídos sobre riscos de cheias. conhecidas e frequentes, pelo menos nos últimos 100 anos. mais ou menos isto.

não podes eliminar todos os riscos. :p

neste caso da Madeira, há os prejuízos por um fenómeno brutal. e há os prejuízos que se repetirão, se a chuva que vier a cair for a mesma dos últimos 100 anos.

eu tento não confundir os dois tipos de riscos. ;):p:D

Massarico
03-03-2010, 11:39
Sim, mas o que quero dizer é que o que não falta são coisas construidas em lugares perigosos - e o Funchal é um óptimo exemplo disso - porque os lugares com perigos esporádicos muito severos são habitualmente altamente favoráveis para a ocupação humana na maior parte do tempo. Ora, eu com isto não quero dizer que não se melhore o ordenamento do território ou que se evitem as construções em leitos de cheia, só quero dizer que há que ter moderação, principalmente porque é o Estado que detemina o que se pode ou não construir.

Ibn Erik
03-03-2010, 11:45
já entendi onde queres chegar.

e o Estado é que quase sempre dá barraca. ;)

Mohandas
03-03-2010, 12:44
E isto é assim de repente. E é curioso verificar que os maiores problemas no Funchal, tanto quanto me foi dado observar, foram em zonas mais antigas, o que diz muito sobre eventuais responsabilidades actuais.

Foram as zonas mais antigas que sofreram... as consequências das construções mais recentes. Foi o estreitamento das ribeiras (recente) e as grandes construções com solos totalmente impermeabilizados (centros comerciais com parques de estacionamento subterrâneos - recentes) que 'obrigaram' as ribeiras a saltarem fora do seu, agora, pequeno leito sem terem por onde escorrer, excepto pelas estradas, levando tudo à frente...:mad:

Karl Marx
03-03-2010, 12:45
Foram as zonas mais antigas que sofreram... as consequências das construções mais recentes. Foi o estreitamento das ribeiras (recente) e as grandes construções com solos totalmente impermeabilizados (centros comerciais com parques de estacionamento subterrâneos - recentes) que 'obrigaram' as ribeiras a saltarem fora do seu, agora, pequeno leito sem terem por onde escorrer, excepto pelas estradas, levando tudo à frente...:mad:

Bem me parecia. Estava a ver que não aparecias para clarificar a coisa.:rolleyes:

Mohandas
03-03-2010, 13:38
Já aqui (na Esplanada, savo erro) tinha dado esta explicação, até mais pormenorizada, em resposta a uma observação do Ibn...

Só quem cá vive (natural ou 'naturalizado') e que tem assistido ao avolumar de construções a eito, só para satisfazer os apetites dos tubarões do regime e para encenação política, é que deveria estar apto a mandar bitaites sobre o assunto.

É claro que há outras coisas que se poderiam ter evitado. Muita da construção particular em risco, efectivo ou eminente, é praticamente clandestina e em locais perigosos, mas também isso se deve quer ao aumento populacional da cidade do Funchal, após a abertura das novas redes viárias(que, ao contrário do que disse Alberto João Jardim, não levaram os funchalenses para o 'campo', mas sim trouxeram os 'camponeses' em massa para a cidade), e à falta de resposta em termos habitacionais a preços justos. A cidade, dizem, tem mais de 15 mil habitações (casas e apartamentos) fechadas, à espera de comprador, mas os preços são de tal forma que muito poucos as podem pagar. E os construtores também não se importam: fazem um monstro com 100 apartamentos, vendem metade, a obra está paga e o dinheiro está 'lavado'...

Para quem não sabe, a Câmara do Funchal quer fazer numa zona (freguesia) chamada S. Martinho um nova (como agora por aqui se diz) centralidade. Ou seja, rasgaram uma imensa avenida desde o mar até à igreja de S. Martinho (vou ver se encontro uma foto), e 'deram' os terrenos todos em volta, que eram TODOS de plantação de bananeiras, para construção, com o intuito DITO POR ELES de lá 'meterem 27 mil a 30 mil pessoas. Está às moscas e tão cedo o cenário não muda...

http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:Vu1FMXWct6vQ6M:http://i.olhares.com/data/big/295/2957973.jpg

http://2.bp.blogspot.com/_B7C_b2lu8mM/SrgNRyI8n7I/AAAAAAAAEUY/_q9YCeK_78E/s320/Z1.jpg

Parte da estrada ao fundo (não se esqueçam que desce até ao mar (praticamente) e vejam a que distância ele está) e os terrenos em volta, já com muita construção (agora ainda há mais) mas muito desabitada...

O local de onde foi tirada a fotografia maior fica ainda abaixo da igreja, fotografia menor, por isso imaginem a área que abrange.

Massarico
03-03-2010, 14:28
Só quem cá vive (natural ou 'naturalizado') e que tem assistido ao avolumar de construções a eito, só para satisfazer os apetites dos tubarões do regime e para encenação política, é que deveria estar apto a mandar bitaites sobre o assunto.


Esta frase é todo um programa.

Mas eu não deixo de opinar. É evidente que numa economia fortemente dependente do Estado, como na Madeira e naquela que´nos é proposta pelo Bloco ou pelo PC, por exemplo, a corrupção é muito elevada - é da natureza das coisas e nunca ninguém conseguiu inverter esta relação de proporcionalidade. Logo, imagino que os construtores da Madeira tenham sacos azuis mais elevados, em média que as restantes empresas de contrução do país.

Se há muita corrupção, é porque há muita asneira. Agora o que não se pode vir dizer é que toda a construção deverá ser capaz de aguentar todos os desastres naturais possíveis, porque desse modo ainda andávamos todos em cavernas. Há riscos nas contruções e é evidente que o tecido urbano não aguenta chuvas da intensidade das que ocorreram no Funchal. Nem na Madeira nem em lado nenhum. E é claro que tem que se investigar o que houver a investigar e responsabilizar as pessoas pelo que está mal feito, mas o que não se pode é andar a dizer que deviamos ter construções que aguentem tudo. E a chuva que caiu na Madeira foi absolutamente anormal e não deverá repetir-se tão cedo.

Mohandas
03-03-2010, 15:36
Esta frase é todo um programa.

Esta não percebi, mas vindo de ti há muita coisa que não percebo... Adiante

Mas eu não deixo de opinar. É evidente que numa economia fortemente dependente do Estado, como na Madeira e naquela que´nos é proposta pelo Bloco ou pelo PC, por exemplo, a corrupção é muito elevada - é da natureza das coisas e nunca ninguém conseguiu inverter esta relação de proporcionalidade. Logo, imagino que os construtores da Madeira tenham sacos azuis mais elevados, em média que as restantes empresas de contrução do país.

Esta é de mestre. Os partidos que mais propostas e soluções apresentam para combater a corrupção e o compadrio são os que têm culpa no assunto.

Se há muita corrupção, é porque há muita asneira. Agora o que não se pode vir dizer é que toda a construção deverá ser capaz de aguentar todos os desastres naturais possíveis, porque desse modo ainda andávamos todos em cavernas. Há riscos nas contruções e é evidente que o tecido urbano não aguenta chuvas da intensidade das que ocorreram no Funchal. Nem na Madeira nem em lado nenhum. E é claro que tem que se investigar o que houver a investigar e responsabilizar as pessoas pelo que está mal feito, mas o que não se pode é andar a dizer que deviamos ter construções que aguentem tudo. E a chuva que caiu na Madeira foi absolutamente anormal e não deverá repetir-se tão cedo.

Primeiro bold: não, não deverá. Mas deve aguentar pelo menos os que são previsíveis (como este) e se não existirem totais condições de segurança - como não existiam e para os quais os governantes foram alertados por muita gente, então, não se constrói!

Segundo: ai aguenta, aguenta. O tecido urbano aguentou as chuvas, não aguentou foi as enxurradas provocadas pelo desordenamento urbanístico e ambiental.

Terceiro: como eu desejo que tenhas razão e como suspeito que não terás...:rolleyes:

Karl Marx
03-03-2010, 15:59
Tiago Pires doa prémio (surf) à Madeira

O português Tiago Pires concluiu o Quiksilver Pro Gold Coast, na Austrália, no 17.º lugar depois de ter sido eliminado na terceira eliminatória pelo sul-africano Jordi Smith.

"Saca", 24.º do ranking em 2009, que repete o resultado da época passada, somou 14,77 pontos - a melhor marca entre os eliminados nesta ronda (sétima absoluta) – contra os 15,23 do sul-africano.

No final da prova, Tiago Pires anunciou vai doar à Madeira o prémio de 6.500 dólares (cerca de 4.600 euros) resultante do 17.º lugar obtido na primeira etapa do Circuito Mundial ASP de surf.

«Vou muitas vezes à Madeira e sinto que ela faz parte de mim. Sinto que é minha obrigação ajudar. Estou muito longe, não posso lá ir agora e esta é a minha forma de ajudar», afirmou em declarações ao site da Associação dos Surfistas Profissionais.

Massarico
03-03-2010, 18:19
Primeiro bold: não, não deverá. Mas deve aguentar pelo menos os que são previsíveis (como este) e se não existirem totais condições de segurança - como não existiam e para os quais os governantes foram alertados por muita gente, então, não se constrói!

Previsíveis? Então quantas vezes ocorreu na Madeira esta quantidade de precipitação nos últimos 100 anos?

Segundo: ai aguenta, aguenta. O tecido urbano aguentou as chuvas, não aguentou foi as enxurradas provocadas pelo desordenamento urbanístico e ambiental.

Peço desculpa pela inexactidão.

Terceiro: como eu desejo que tenhas razão e como suspeito que não terás...:rolleyes:

Mas é normal chover numa hora o que chove em média no mês todo de Fevereiro? isto é corriqueiro aí na Madeira.

Mohandas
03-03-2010, 19:10
Previsíveis? Então quantas vezes ocorreu na Madeira esta quantidade de precipitação nos últimos 100 anos?
(...)
Mas é normal chover numa hora o que chove em média no mês todo de Fevereiro? isto é corriqueiro aí na Madeira.

Nunca se registaram estes níveis de precipitação em tão pouco tempo, mas já aconteceram alguns parecidos. Não vou descrevê-los aqui exaustivamente, pois o JLeandro (parece-me que foi ele) já põs por aqui uma cronologia, mas posso referir o de Outubro de 1993, pois já cá estava na Madeira, que provocou oficialmente oito mortos, quando as ribeiras ainda não estavam encanadas no Funchal (se não, tinha sido pior - como foi agora). Mas já havia muitos avisos de que as consequências seriam terríveis no caso de uma catástrofe idêntica à de 1993. Ninguém deu ouvidos e foram piorando as coisas. Por isso é que lhe chamo previsíveis, para quem via com olhos de ver. A quantidade de água era irrelevante. A partir de uma certa quantidade havia catástrofe pela certa e ninguém tomou medidas nem para a minorar quanto mais para a evitar...:mad: