PDA

View Full Version : amor à camisola...


Ibn Erik
25-02-2010, 08:19
hoje em dia é raro ver tanto amor à camisola no mundo empresarial que eu fiquei surpreendido com as imagens do líder da Toyota, Toyoda, que mostram ele a chorar, por causa dos problemas que os carros deles têm.

dá que pensar.

aqui há uns anos atrás, a minha mulher viu uma cena castiça. passou-se na Suiça.

havia uns carros japoneses estacionados junto a um parque e um deles estava borrado de porcaria de pássaros. e ela viu um japonês a pegar no seu lencinho branco e a limpar a voiture. :eek:

o que mostra até que ponto a cultura empresarial deles é sui generis.

http://www.oleole.com/media/main/images/member_photos/group1/subgrp370/japanese-girls-at-th_94161.jpg

eu pelo pouco contacto que tive com eles, não me apercebi desse amor à camisola. pelo menos entre aqueles da minha geração.

o que eu reparei é que os tipos gostam de fumar tabaco forte. o tabaco deles era parcido com os galoises. fortes e de sabor agreste.

já as tipas eram malucas por simbologia comercial de elevado prestígio. tipo, malas Vuitton, perfumes Channel, etc. elas eram bastante materialistas e dadas para a brincadeira mas com pouca abertura. isto é, gostavam de gozar a vida, experimentar os ocidentais, mas nunca se abriam muito em termos emocionais. são boas na cama mas em termos de personalidade, um terror. :eek:;):D

Massarico
25-02-2010, 09:29
Ibn, o Toyoda é provavelmente o principal accionista da Toyota, que foi criada por um seu antepassado (avô, julgo eu). Por isso imagino que haja algum amor à camisola, algum amor ao seu próprio guito e muita, muita vergonha, um factor muitíssimo importante nas sociedades orientais.

Ibn Erik
25-02-2010, 10:50
e muita, muita vergonha, um factor muitíssimo importante nas sociedades orientais.

exacto. mas embora ele sendo líder, nunca pensei ver o líder a chorar frente às câmaras.

e exagerei um bocado ao atribuir a ele o amor à camisola. mas as gerações antigas ainda devem ter muito amor à camisola. como antes em Portugal tinhamos.

um dos erros de muitas reestruturações empresariais é precisamente destruirem este amor à camisola, que é um importante motivador, se tiver boas lideranças. é por isso que nunca gostei das teorias do Hammer. ;)

Massarico
25-02-2010, 10:57
Eu pelo contrário nunca gostei do amor à camisola nos negócios. Dá sempre azo a más decisões e a decisões tomadas por maus motivos, que até parecem bons. Mas eu aprecio o senhor Toyoda e o método japonês tradicional de fazer negócios, e também nunca pensei ver o tipo chorar para as câmaras.

Beatle
25-02-2010, 11:21
Parecendo q não a cena da honra e das cenas relacionadas com o código Samurai ainda persiste até certo modo, se bem q tende a desaparecer... um bom exemplo é o tipo q sozinho no final e com mais 3 camaradas no início continuou a 2ª Guerra Mundial numa ilha do pacífico durante uns cerca de 20 anos (salvo erro)... apenas pq não tendo meios de receber a ordem do Imperador para retirar não o fez pq continuou na dúvida se a guerra tinha acabado ou não... apesar dos esforços da malta para o convencer... é q o tipo era o terror da ilha... saqueando de quando em vez pra ter comida!!! :rolleyes:

E diga-se de passagem q para uma marca cujo principal + é a suposta qualidade de construção e fiabilidade da sua mecânica ter um problema estúpido destes no acelerador é muito embaraçoso!!! Estamos a falar da Toyota e não da Fiat! :rolleyes:

Ibn Erik
25-02-2010, 11:32
Eu pelo contrário nunca gostei do amor à camisola nos negócios. Dá sempre azo a más decisões e a decisões tomadas por maus motivos, que até parecem bons.

penso que o que ganhas em termos de motivação, para conseguir melhorias na produtividade, compensa largamente o que perdes quando tomas decisões ditas menos racionais.

falo por experiência própria. quando trabalhei no sector têxtil tivemos uma forte quebra nas encomendas. e muitas máquinas paradas e excesso de pessoal. eu estava à frente da tecelagem.

foi-me perguntado o que eu achava melhor: mandar embora malta a mais ou manter a malta e esperar que viessem encomendas e ter tudo pronto para aproveitar o surto de encomendas que poderiam vir.

a minha opinião foi: manter o maralhal, nem que seja mais em casa e aguentar uns meses. se eles, os donos, tivessem coragem de arriscar uns bons milhares de contos.

eles aceitaram manter a malta e meti-os em manutenção, a contar anedotas mas ninguém em casa. estavamos no mesmo barco, e todos teriam que mostrar coesão e vontade de manter a empresa.

tivemos sorte. as encomendas choveram que se fartavam e tinhamos a malta pronta, formada e capaz de responder positivamente às encomendas, ao contrário de muitos concorrentes. foi o suficiente para garantir relacionamentos duradoiros com as principais cadeias de moda de então, em especial as alemãs, as nórdicas, inglesas e algumas francesas. especialmente aquelas que pagavam bem e a tempo.

quando saí da empresa aquilo já era grande. criou marcas próprias e ainda existe hoje.

se tivessemos mandado embora, não tinhamos capacidade de manter os níveis de qualidade e produção, porque formar gente é mais complicado do que alguns já formados e prontos a responder positivamente aos desafios propostos.

arriscamos todos. os donos da têxtil (hoje um grupo jeitoso), os empregados, que até poderiam perder direitos ditos adquiridos (indemnizações) e até fornecedores. foi uma aposta ganha.

onde trabalhei eu sempre tive especial carinho pelos antigos funcionários, com amor à camisola. conseguem mais fácilmente aprender novas técnicas e até mexer em máquinas sofisticadas, cheias de computadores e software, que meter gajos novos, por formar.

é claro que se cometem erros. mas se houver bom senso... ;)

Ibn Erik
25-02-2010, 11:46
e até te podia dar outros exemplos, do quanto é importante conseguir equipas com amor à camisola.

quando era preciso dar horas extraordinárias, tinhamos sempre resposta deles. as encomendas assim nunca falhavam, mesmo quando os fornecedores faziam as asneiras ou borregavam.

quando melhoramos equipamentos comprados na Alemanha e modernizamo-los, conseguimos milagres na qualidade e na produtividade. graças ao esforços deles e das dicas deles, que davam ajudas importantes aos engenheiros que cronstruiam as adaptações.

nunca mais me esqueço. um dos accionistas principais de uma conhecida marca de roupas alemã veio a Portugal ver o que tinhamos feito com as máquinas que eles nos venderam por um preço simbólico.

eu como era o único que arranhava o inglês, fui eu que tive de explicar ao gajo que fizemos, a produtividade conseguida e a qualidade. o alemão ficou parvo e nunca pensou que tal fosse possível. foi dos dias mais gratificantes naquela empresa. ver um alemão embasbacado com a nossa produção, a nossa qualidade e com a nossa baixa taxa de defeitos. (só aqui era uma poupança de milhares de contos mensais)

mas aquilo foi conseguido com a ajuda e dicas de todos. em especial os mais velhos, que conheciam o sector da tecelagem desde quase o tempo em que as máquinas era quase a vapor. :D:eek::eek:

eles conheciam os truques todos, desde a importância da humidade, ventos e aragens, onde se deve ter portas, que tipo de matérias-primas a comprar, que tipo de manutenção, etc. os próprios gajos que nos faziam os equipamentos, engenheiros mecânicos, aprenderam imenso com a prática aqueles homens com anos de trabalho naquele tipo de produção.

quando compravamos máquinas novas e vinham os gajos suiços montar as máquinas, quem mandava era os próprios operários, que decidiam como é que aquilo era montado. os suiços ficavam parvos com aquilo e não gostavam muito, mas como assumiamos os erros, os gajos aceitavam. mas depois, quando voltavam a Portugal, já nem pestanejavam, tais os resultados conseguidos.

e tudo graças ao empenho e amor á camisola daquela gente. que não era apenas o guito que contava mas os desafios que tinham e que lhes faziam elevar o ego. ;):D:D

Karl Marx
25-02-2010, 12:16
Quem diria que o Ibn é um perigoso socialista!:eek::confused::eek::D

Ibn Erik
25-02-2010, 12:35
socialista? o que tem a ver a boa gestão de recursos humanos capitalistas com o socialismo? :eek::p:D

Karl Marx
25-02-2010, 14:31
socialista? o que tem a ver a boa gestão de recursos humanos capitalistas com o socialismo? :eek::p:D

meti-os em manutenção, a contar anedotas mas ninguém em casa.

Toda a gente sabe que as anedotas s~so socialistas!:D:D:D

Ventor
25-02-2010, 17:46
Pois é!
Já estava com saudades disto!
Neste tipo de socialismo, até eu acredito!
Gostaria de ouvir umas anedotas mas, se calhar, vou seguir o exemplo do alentejano:
"n'anteressa"!

Conheces esta karl?

O homem seguia chateado no comboio e a gaja grávida, pedia-lhe por tudo para fechar a janela que lhe fazia vento para a cara e bastante incómodo ao seu estado de gravidez.

Cada vez que a senhora lhe pedia, a resposta era sempre a mesma: "n'anteressa"!

Chegou o revisor e, sem meias medidas, depois da queixa dela: "o senhor não pode fechar o raio da janela que está a incomodar a senhora"?

Estica os braços, puxa a janela para cima e lá ficou o caixilho a emblemar aquilo tudo. Os ventos continuaram a fustigar o alentejano e a senhora,

"Eu n'a disse que n'anteressava"!

Cá por mim, o amor à camisola interessa sempre! E se esse amor fôr pela camisola do FCP, ainda interessa mais.
Tem é de haver motivações, senão, não haverá camisola que interesse. Quando falo de motivações não estou a pensar só em dinheiro, estou a pensar no "amor" mesmo. Até na própria cor da camisola.
Por exemplo: a minha camisola, hoje, é a do Sporting!