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View Full Version : Director do Público diz que jornal pode estar sob escuta


Óscar
18-09-2009, 08:59
Director do Público diz que jornal pode estar sob escuta

Hoje às 09:27

O director do Público considerou que o jornal que dirige está sob escuta, uma vez que o acesso ao e-mail enviado por um editor deste jornal só pode ter sido feito pelos serviços secretos. À TSF, José Manuel Fernandes afirma que toda esta questão parece «confirmar as suspeitas do Presidente da República».
O director do jornal Público não leu o e-mail enviado pelo editor do Público, Luciano Alvarez, ao correspondente do Jornal da Madeira, Tolentino da Nóbrega, em que se revela que a iniciativa de tornar público o caso das alegadas escutas feita na Presidência da República partiu do próprio Cavaco Silva.

Em declarações à TSF, José Manuel Fernandes assegurou, contudo, que parte desta mensagem se refere a uma «discussão natural entre um director, um jornalista e um editor», mas que parte do e-mail «não corresponde ao seu conteúdo exacto».

O responsável máximo deste diário considerou ainda que o acesso a este e-mail apenas poderá ter partido dos serviços secretos, interrogou-se sobre a quem é que esta notícia poderá interessar e entende mesmo que o Público só pode estar sob escuta.

José Manuel Fernandes assegurou que este e-mail circulou entre «cinco ou seis pessoas e nenhuma delas enviou nenhum mail para o exterior» e que se esta mensagem apareceu em três jornais é porque o «Público está sob escuta ou alguém fez alguma intrusão».

«Conhecendo de quem dependem os serviços de informações, que dependem do primeiro-ministro, e sabendo que estávamos a falar de um caso de escutas e sobretudo quando percebi que tinham ido parar a três órgãos de informação diferentes acho que é um trabalho dos serviços de informações ou de alguém desse género», acrescentou.

Para o director do Público, que diz saber a quem esta questão interessa, o que foi revelado parece «confirmar as suspeitas do Presidente da República» e assegura que «os serviços de telecomunicações vão fazer uma auditoria para tentar verificar onde se deu a intrusão».

José Manuel Fernandes aproveitou ainda para criticar a publicação deste e-mail por parte do Diário de Notícias, a quem foi dito que parte da mensagem era «forjada», e por com base nela ter «denunciado a fonte do jornalista, o que é uma violação gravíssima do Código Deontológico dos Jornalistas».


http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1365584

Óscar
18-09-2009, 12:23
Sócrates diz que director do Público tem «imaginação criativa»

Hoje às 10:20
TSF

O primeiro-ministro considerou que o director do Público «sempre teve uma imaginação muito criativa» isto depois de José Manuel Fernandes ter dito que terão sido os serviços secretos que estiveram na origem da divulgação de um e-mail enviado a partir do jornal.

No Fórum TSF, José Sócrates considerou, contudo, que não era o momento apropriado para fazer comentários à questão que envolve as alegadas escutas feitas à Presidência da República e que teve um novo desenvolvimento depois de o Diário de Notícias ter publicado uma mensagem electrónica em que se refere que a divulgação pública do caso partiu de Cavaco Silva.

«Estou concentrado na campanha eleitoral. Esse é o meu dever. Temos uma semana e pouco de campanha eleitoral e quero concentrar todas as minhas energias e atenção no desenvolvimento da campanha eleitoral», acrescentou.

O chefe do Governo disse ainda acreditar na independência do Presidente da República acerca desta questão, até porque Cavaco Silva «tem feito tudo o que deve fazer para ser completamente independente nesta campanha eleitoral».

«Tenho a certeza que não se deixará instrumentalizar em favor de ninguém. Tenho utilizado esta expressão clássica de que nesta campanha eleitoral cada um pedala a sua bicicleta», explicou.

Para José Sócrates, os «contendores são os partidos e os Presidente da República está acima, e bem, desta disputa eleitoral».

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1365588

Óscar
18-09-2009, 12:29
Completamente de acordo!

Processo das escutas exige investigação

Jerónimo diz que é lamentável a "governamentalização" dos serviços de informação

18.09.2009 - 12h08 Maria Lopes

O secretário-geral do PCP considera que é “lamentável o estado a que tanto o PS e o PSD deixaram chegar os serviços secretos e de informação”, que estão “governamentalizados, e defende que deve ser levado a cabo um processo de investigação que apure o que se passou.

Para Jerónimo de Sousa, a maior preocupação é que “os serviços de informação não tenham controlo” e “sejam parte interessada desta ou daquela força”. “Não nos surpreendemos que o PS esteja a fazer isto: o PSD fez o mesmo”, criticou.

O candidato da CDU defende também que “tendo em conta a publicação e a documentação, e na perspectiva da veracidade daquelas notícias que ali estão, é um processo que exige investigação”. Mas até isso lhe deixa dúvidas: “O meu grande problema é que os serviços de informação não vão ser investigados com certeza. Estão governamentalizados, e há uma centralização [do seu controlo] por via legislativa.”

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1401278&idCanal=12

gatsby
18-09-2009, 13:22
este 'caso' é tão grave e pode ser tão sórdido (se já não o é) que devia "parar o trânsito" até se saber a verdade.

verdade: o que realmente é e não o que parece.

e, sim, Jerónimo tem toda a razão.

Óscar
18-09-2009, 20:37
Uma posição com que concordo plenamente...

Isto É Algo Que Fede

Posted by Paulo Guinote under Campanha Eleitoral, Grande Jornalismo, Polémicas

Só há pouco li o mail da polémica ou, nas palavras do seu autor, da bomba atómica.

São várias as considerações menores que tudo isto me suscita – desde logo a necessidade de melhorar a expressão escrita dos jornalistas, mesmo que em meros mails privados.

Mas há questões bem mais graves ou estranhas.

*Claro que a primeira delas é o grau de desconfiança pessoal e institucional entre os detentores dos órgãos de soberania deste país. Já não é novidade, pois a tradição vem dos tempos Eanes/Soares há mais de 30 anos. Só que agora parece terem-se atingido níveis inesperados em gente que se apresenta sisuda e rigorosa. Se no caso do engenheiro não se estranha a tentação pelo truque político, no caso do presidente é preocupante, muito preocupante.

*A segunda delas é o facto de matéria tão grave, ou aparentemente tão grave, ter estado mais de um ano no segredo dos deuses e ter aparecido em dado momento, sem que se perceba – ou será melhor nem perceber – porque foi nessa altura e não em outra.

*Outra é a forma como vários órgãos de comunicação social têm acesso a informações trocadas entre jornalistas da concorrência e a divulgam, incluindo as fontes dos seus colegas, nomeando-as de forma explícita. E como a informação surge, subitamente, disseminada em várias publicações.

*Por fim, e com base nas declarações de alguns intervenientes em todo este processo, a forma estranha como é encarada a acção dos serviços secretos em todo este processo. No fundo, tudo parece uma mistura inábil de bisbilhotice à moda antiga e espionagem de pacotilha, com alguém que é colocado numa mesa para ouvir conversas durante uma refeição, não se percebe exactamente para quê. Mas então se sabiam que o tipo era um penetra a mando de alguém, era difícil manterem a boca fechada?
Isto tudo é ridículo, demasiado ridículo, revelando mais a pequenez da maior parte dos protagonistas e actores secundários desta estória do que qualquer outra coisa.

Para o caso de não repararmos, estamos a falar do topo da hierarquia do Estado. Se juntarmos a tudo isto declarações recentes do Procurador-Geral da República e as guerras intestinas no mundo da Justiça, é realmente altura de pensarmos que quando pensamos ter batido no fundo, há sempre todo um novo patamar de rasquice à espreita.

http://educar.wordpress.com/