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View Full Version : Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa


Houdini
03-07-2009, 21:49
Uma atitude que fica mal a uma artista de categoria internacional e que cá faz falta. Tem todo o direito de estar zangada (tendo ou não razão...), mas, às tantas, 9 milhões de portugueses também estão zangados com o estado pela falta de apoios.

Optar pela dupla nacionalidade ou por viver noutro país é uma coisa, agora optar pela renúncia como forma de represália faz-me uma confusão dos diabos. Eu que nem sou nacionalista radical...

Fica a reflexão: como se sentem aqueles que estão desempregados ou aqueles que têm contratos precários?

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A pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, tornando-se aos 65 anos cidadã brasileira. A notícia é avançada pela Antena 2 da RDP, que adianta que a pianista se fartou “dos coices e pontapés que tem recebido do Governo português".

Decepcionada com o modo como tem sido tratada a nível governamental, sobretudo no seu projecto de ensino artístico de Belgais (Castelo Branco), Maria João Pires, que tinha dupla nacionalidade, decidiu agora ficar apenas com a brasileira.

Em Junho de 2006, Maria João Pires abandonou o Projecto Educativo de Belgais, que desenvolveu no concelho de Castelo Branco, e decidiu ir viver para o Brasil, onde pediu autorização de residência. A pianista está a viver em Salvador, no Estado da Bahia, e vai dedicar-se à hotelaria.

A decisão de renunciar à cidadania portuguesa foi revelada ontem pessoalmente pela pianista ao jornalista da Antena 2 Paulo Alves Guerra, numa conversa que os dois tiveram num centro comercial de Lisboa.

“Encontrei-a casualmente no Centro Comercial das Amoreiras. Maria João Pires andava às compras e ao ver-me acenou-me. Fui ter com ela e no desenrolar da conversa disse-me que ia renunciar à cidadania portuguesa”, relatou ao PÚBLICO o jornalista.

Paulo Alves Guerra advertiu-a de que estava a falar com um jornalista, ao que ela respondeu que podia utilizar a informação como quisesse. Só não permitiu que as suas declarações fossem gravadas.

Maria João Pires não pretenderá fazer mais declarações em Portugal. Daqui para a frente a sua vida vai passar a ser feita entre Portugal, Suíça e Brasil.

A pianista tem recebido telefonemas de vários organismos governamentais de Espanha e do Brasil a convidarem-na para se instalar definitivamente nesses países, mas o convite feito pelas autoridades brasileiras terá sido muito sedutor, levando a pianista a optar por se mudar de armas e bagagens para o outro lado do Atlântico.

Nascida a 23 de Julho de 1944, Maria João Pires aprendeu muito cedo a tocar piano: aos cinco anos deu o seu primeiro recital e aos sete anos tocou publicamente concertos de Mozart.

Com nove anos recebeu o prémio da Juventude Musical. Torna-se reconhecida internacionalmente ao vencer o concurso internacional do bicentenário de Beethoven, em 1970, realizado em Bruxelas.

Maria João Pires renunciou à cidadania portuguesa mas não aos concertos em Portugal, estando igualmente a preparar um novo disco.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390053&idCanal=14

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http://img10.imageshack.us/img10/549/cativosdomalthebadandth.jpg

Os Filmes / Cativos Do Mal (http://osfilmescinema.blogspot.com/2009/06/cativos-do-mal-bad-and-beautiful.html)

Sartago
04-07-2009, 00:30
Já é a 3ª vez que tento comentar isto, e nada. Parece-me que anda aqui censura a funcionar.
Como habitante de Castelo Branco, na minha opinião a senhora não deixa cá saudades.
Como cidadão português e contribuinte, gostava de saber quantos milhões de euros foram enterrados numa quinta privada e em troca de quê.
Se pesquisarem na net, encontram notícias sobre o assunto, sem ser a do Público.
A senhora dá um nome a um projecto, depois dá à sola, entrega aquilo a familiares, e o Estado continua a manter aquilo?
Eu também quero 170 mil euros/ano para dar aulas de música a 40 miúdos de uma escola de uma aldeia (que agora vão para o conservatório da cidade continuar o seu projecto), e que se calhar por 10% do dinheiro, fazem a festa na mesma.
Ou esta porra de país vai ao sítio e começa a gastar o dinheiro de todos nós com critério, ou um dia destes vai haver barulho.
O conceito de cultura é muito vago. Há gostos muitos variados. Mas não me parece que a MJPires precise do estado para alguma coisa.
Tem dívidas a trabalhadores (uma das coisas que mais abomino), e por isso arrestaram-se bens da quinta, que inviabilizaram o projecto, e daí esta confusão toda, mas parece que ainda tem dinheiro para andar às compras nas Amoreiras e para pagar as passagens de avião para o Brasil.
Penso que a MJPires fica muito mal na fotografia.
Quando o jornalismo, se dignar investigar a fundo, todo aquelo projecto, a senhora não ia para o Brasil, mas algures para a Patagónia, esconder-se da vergonha.
Não basta (mas bastou), dizer, eu sou a MJPires, pianista de renome, encontrei uma quinta muito gira, que quero recuperar, a fim de transformar aquilo num belo centro de artes musicais, com umas casas muito giras, onde receberei os meus amigos e darei concertos para meia centena de pessoas de cada vez.
Passem para cá uns milhões que eu vou trazer publicidade e fama à vossa terra.
Com a vida dela espalhada por Mundo fora, não foi preciso esperar muito tempo para ver aquilo ir ao charco.
Patrão fora, festa na loja, já diz o povo.
O pior disto tudo, é que aquele património que ali se edificou, à mama do Estado, é privado.
As obras da Casa da Música derrapram, mas é do Estado. Ali, poderá vir a ser dono, por arresto dos bens das dívidas que existem. Seria irónico.
Vamos lá ver se desta vez, que disse menos palavrões, é aceite o post. :p

Viandeiro
04-07-2009, 10:17
Já é a 3ª vez que tento comentar isto, e nada. Parece-me que anda aqui censura a funcionar.
Como habitante de Castelo Branco, na minha opinião a senhora não deixa cá saudades.


Eu não sou de Castelo Branco e tenho muita, mas mesmo muita pena que uma pessoa da craveira da Maria João Pires não queira sequer ser portuguesa.


Como cidadão português e contribuinte, gostava de saber quantos milhões de euros foram enterrados numa quinta privada e em troca de quê.
Se pesquisarem na net, encontram notícias sobre o assunto, sem ser a do Público.


Estás a acusar o projecto de ser uma fraude ou um caso de má gestão? Pelo que conheço do caso, parece-me ser má gestão, nomeadamente mau planeamento financeiro do projecto.



Eu também quero 170 mil euros/ano para dar aulas de música a 40 miúdos de uma escola de uma aldeia (que agora vão para o conservatório da cidade continuar o seu projecto), e que se calhar por 10% do dinheiro, fazem a festa na mesma.

Por 17.000 euros ano nem um professor em início de carreira consegues contratar.


O conceito de cultura é muito vago. Há gostos muitos variados. Mas não me parece que a MJPires precise do estado para alguma coisa.

Eu também acho que ela não precisa. Acho aliás que é o país que precisa dela. Sabes quantos representantes de renome temos no panorama internacional da música clássica? Ela e, a alguma distância, a soprano Elisabete Matos.

V.

Sartago
04-07-2009, 10:49
Eu não tenho pena que ela se vá embora, como não tenho pena que o Saramago se tenha ido embora. Continuo a ler os livros dele e tenho orgulho e que ele seja português, da mesma maneira que terei orgulho que a MJPires seja portuguesa.
Agora, não tolero é birras. E sobretudo quando deixou abandalhar um bom projecto inicial. E era altura de dizer basta.
Só porque é artista de renome internacional tem direito a saco azul à disposição.
Relembro para pesquisarem sobre o assunto, desde os primeiros anos, para ver o que fazia ou prometia fazer.
Fraude não lhe chamo, má gestão, talvez. Ausência, sobretudo, que levou a autarquia a abandonar o projecto, e a dirigir o dinheiro para projectos multiculturais.

Se castelo branco não quer a MJPires, que outra autarquia se mexa.
E é ela que quer ir embora. Aliás já foi.

Com 17 mil euros, não arranjas um professor arranjas meia dúzia, porque os alunos têm umas horas semanais, não estão lá o dia todo.
E provavelmente de uma forma mais justa que ser os familiares dela a gerir o projecto, que desde logo viola vários princípios como imparcialidade.
Mas relembro que o subsídio do estado era de 170mil euros.
Dá 4250 euros por aluno. Isso é que são propinas.
E no início era a MJPires que coordenava aquilo, mas depois....
170000 euros/ano ainda dá mais de 12 mil euros mês a 14 meses.
Quando começou a ter os primeiros problemas foi para Espanha, como disse, mas parece que também a recambiaram de lá para fora.

Se calhar o problema está nela e não nos outros.
Nos anos todos em que andou por Castelo Branco, que melembro, nunca deu um concerto na cidade para no mínimo centenas de pessoas. Ora para quem é contribuinte local, é uma falta de respeito. Os concertos que dava na sua quinta eram de "borla", mas por convite.
E ao povo, não chegava nada. :(

Viandeiro
04-07-2009, 13:31
Fraude não lhe chamo, má gestão, talvez. Ausência, sobretudo, que levou a autarquia a abandonar o projecto, e a dirigir o dinheiro para projectos multiculturais.


Podes dar alguns exemplos desses projectos? Só para termos noção do que eventualmente se ganhou/perdeu.


Com 17 mil euros, não arranjas um professor arranjas meia dúzia, porque os alunos têm umas horas semanais, não estão lá o dia todo.


Não deves estar a fazer bem as contas. Mas não insisto, porque não é o cerne da questão.


E provavelmente de uma forma mais justa que ser os familiares dela a gerir o projecto, que desde logo viola vários princípios como imparcialidade.
Mas relembro que o subsídio do estado era de 170mil euros.
Dá 4250 euros por aluno. Isso é que são propinas.

350 euros/aluno/mês não é um valor que assuste ninguém com filhos em colégios privados ou em escolas de música, supostamente, de elite. Neste caso, era o Estado que suportava, mas não me parece tão distanciado de um custo real.

Tens termo de comparação com outras escolas, para afirmares que esse era um valor assim tão escandaloso?


Se calhar o problema está nela e não nos outros.
Nos anos todos em que andou por Castelo Branco, que melembro, nunca deu um concerto na cidade para no mínimo centenas de pessoas. Ora para quem é contribuinte local, é uma falta de respeito. Os concertos que dava na sua quinta eram de "borla", mas por convite.
E ao povo, não chegava nada. :(

Achas MESMO que o dinheiro do Estado que era canalizado para o projecto da MJP provinha de Castelo Branco? Eu acho que os contribuintes de Lisboa e arredores eram capazes de estar a suportar isso numa percentagem bem maior do que os albicastrenses. E olha que aqui em Lisboa ela também não toca à borla. E também não somos todos ricos. Aliás, em parte nenhuma do país...

Castelo Branco rejeitou a forasteira famosa. Tudo bem. A forasteira famosa quer mudar de nacionalidade. Exagerou? É caprichosa? Sim. Mas a verdade é que há, por certo, n projectos deste tipo que vingaram e são bem acarinhados pelo mundo fora, que é o verdadeiro palco da MJP e onde ela se inspirou.

Pessoalmente, só residências de artistas, conheço mais do que os dedos das minhas mãos e suspeito que sejam muitas mais.

V.

Sartago
04-07-2009, 19:05
Além do dinheiro do Ministério a Câmara Municipal também deve ter ajudado e em muito, a começar pelo alcatroamento da estrada desde uma estrada nacional até à quinta dela, como se todas as outras pessoas que moram em montes espalhados pelo concelho fossem cidadãos de 2ª.
É lógico que por razão de maioria o dinheiro dos contribuintes para o orçamento geral do Estado deve vir a sua maioria da grande Lisboa.
Na minha opinião não me parece que o custo/benefício seja positivo.
Eu só me meti no assunto por o tal Centro de Belgais ser em Castelo Branco, e ter uma visão mais aproximada do que fez, do que se queria fazer e do que se ia fazendo actualmente.
Mas a verdade, é que eu sou um grande invejoso, e também queria uma quinta 5 estrelas recuperada à conta de ti e de outros que pagam impostos.

Escola de elite? Dar umas aulas semanais em regime de tempo livre a uns alunos de uma aldeia, que merecem tanto ou mais que os da cidade, não se assemelha nada a uma escola de elite. E muito menos quando os professores, de elite também devem ter pouco.
Eu conheço pessoas que lá trabalharam.
Até acho que esta história é uma desculpa mal amanhada para outra coisa qualquer.
E volto a dizer que acho incrível, que por uns milhares de euros a MJPires se deixe enredar em arrestos de bens e penhoras.
E depois, que pague o que deve, principalmente aos trabalhadores que lá tinha. Ou tem de ser o estado a fazê-lo?

Outros projectos da Câmara. A agenda cultural da Câmara pode ser vista no site deles, mas apoiam outros projectos, ligados ao teatro (companhias locais), ligados ao conservatório local, entre outros, que de certeza chegam a mais pessoas do que a MJPires, que repito, que eu me lembro, nunca veio ao cine-teatro da cidade dar um espectáculo, nem a pagar bilhetes.
Mas eu não quero ir pelo lado do que ela deu ou não à cidade/concelho que a acolheu. Mas a filha dela segundo os jornais locais pediu que a câmara desse um aval, por causa das dívidas e a Câmara recusou. Lá terá a suas razões.
Entretanto as crianças que aulas de música no âmbito do projecto, estão já a frequentar o conservatório regional, provavelmente com melhores professores e com menos custos.

Renunciar à nacionalidade portuguesa, só porque o Estado deixou de financiar os tachos da família dela e a sua casa de férias, é uma aberração no mínimo.

Havemos de marcar um almoço BNB em Castelo Branco, e depois vamos todos visitar o "elefante branco" que se criou.

Eu nem voto em Castelo Branco, nem provavelmente votaria no actual presidente, mas apoio-o nesta decisão, na parte que toca à Câmara Municipal.

Quanto ao apoio dado (e supostamente cortado) pelo Ministério da Cultura, quem está contra que envie mails e cartas.

Mas de certeza que deve haver regras para não dar subsídios a quem tenha dívidas às finanças, e a trabalhadores.

Se tivesse sido feita eventualmente uma fundação com alguém a dirigir aquilo, com cabeça tronco e membros, talvez a coisa ainda estivesse de pé.

E o projecto acabou. Finito. Dizer que foi por falta de apoio é andar a atirar areia para os olhos das pessoas.
Há anos que tinha acabado. Não queria levar as coisas para o pessoal, mas provavelmente desde que ela teve o AVC.
E desde que ela foi para Salamanca, fazer um projecto semelhante e abandonou Castelo Branco, não sei porque raio vem agora meter o Centro de Belgais ao barulho, quando há muito que ela tinha "abandonado aquilo".

E "aquilo" ultimamente está transformado numa quinta de turismo rural. Tem 10 quartos, quem quiser vir ver com os seus próprios olhos é dar um salto até lá.
Dia 25 de Julho parece que vai haver um concerto.

http://casabelgais.com/index.php

Aqui podem ver mais informação sobre o sítio.

Tem de haver uma distinção entre privado e público.

Qualquer dia o Ronaldo quer abrir uma escola de futebol na madeira, e toca de ser o Estado a subsidiar. Há dinheiro gasto de pior maneira. De certeza que sim.

Mas enquanto houver trabalhadores com dinheiros a receber, eu não mudo de opinião.
Não ando muito virado para caprichos, e era bom que a comunicação social contasse toda a história, como deve ser.

alguns links

http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Castelo%20Branco&Concelho=Castelo%20Branco&Option=Interior&content_id=1270890

http://tv.rtp.pt/noticias/?t=O-fim-da-escola-de-Belgais.rtp&headline=20&visual=9&tm=4&article=226723&videos_page=7

MrChance
05-07-2009, 17:22
Se a Maria João Pires quer ser brasileira, bom proveito para a senhora. São opções pessoais indiscutíveis e que não me aquecem nem arrefecem independentemente de quem forem: Saramagos, Eusébios, Sócrates et tutti quanti...
O que a mim já me afecta é o uso que se faz dos dinheiros públicos, dado que está lá uma percentagem muito significativa do que muito me custou a ganhar...).
Não tenho dados para saber da viabilidade do referido projecto da senhora mas tenho algumas reservas face ao que tenho lido. Não me oponho a políticas de subsídios desde que devidamente racionalizadas face aos benefícios a obter e controladas na sua gestão corrente.
O facto da gestão (aparentemente não muito famosa) do empreendimento estar entregue à filha da MJP pode não significar nada mas também pode dizer muito. A primeira palavra que me ocorre é nepotismo...
Provavelmente estarei a ser injusto mas dado que é uma parte do meu dinheiro que está a financiar aquilo, creio que é a senhora MJP que tem de me justificar o valor do seu projecto e que esta atitude birra contra o governo é inteiramente justificada.
Até lá, saravá MJP...