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View Full Version : O Casarão por Mário Melo Rocha


liberal
16-07-2003, 13:16
A construção europeia que começou num condomínio fechado e luxuoso, mudou de morada. À medida que se abria a novos condóminos passou a ser visível a necessidade de encontrar um novo e arejado sítio.


Na semana passada encontrou-o. É um enorme casarão com 25 assoalhadas. Nas quais há salões, salas e pequenos quartos de vestir.
Qual há-de ser o nosso lugar lá dentro? Vai depender do modo como olharmos o dito casarão. Uma coisa é contentarmo-nos com o destino e esperar que ele nos sorria. Outra é lutar por ele e obter os resultados pelos quais se lutou. Portugal que vinha sendo, sem o ser, crismado de "pequeno" é, agora, a todas as luzes, um país médio dentro da UE. Está situado entre os seis grandes e a dezena de pequenos, equiparando-se a mais oito parceiros. E a pergunta é: está aí situado ou fica aí entalado? Como vai aguentar o embate do leste com países com crescimento projectado seis vezes superior ao nosso? Como vai atrair investimento directo estrangeiro?
Ora, para esse efeito, foi revelador o debate com que a RTP decidiu há dias salientar o alargamento. Sobre ter sido um debate quase secreto, dada a hora a que foi para o ar, mostrou dois registos completamente diferentes - o dos políticos e o dos empresários. Se Portugal pensa poder estar na "nova Europa" como os políticos (com a honrosa excepção de Gil Robles) estiveram nesse debate, bem pode desistir do futuro. Daquele arrazoado não saiu um único contributo válido para o lugar do país na UE nos próximos tempos. Foi um debate do passado. Mas do debate com os empresários saiu o alerta: ou Portugal muda de atitude ou passa a ser patético no esmolar do que não for para o leste. Fugir desse papel passa por romper com o passado. Tem de haver sentido prático, organização metódica e mais uma coisa que arrepia o género luso. Tem que se trabalhar. Como avisou Pat Cox, os mercados dos novos Estados-membros estão aí mas se Portugal espera por eles debaixo do sobreiro, bem pode esperar sentado. Outros irão trabalhá-los, como já estão a fazer, e pode o país ter a certeza de que o sobreiro onde esperou não se transforma por milagre em azinheira. Nem essa vitória "moral" terá.
Quanto ao mais sobre a construção europeia, a questão da velocidade (que tantas vezes tem servido de pretexto para evitar incomodidades) é, também, uma questão do passado. Que não haja ilusões. É que, a vinte e cinco, a questão é a de saber, simplesmente, se funciona. Se sim, vai à velocidade que quem a pôs a funcionar quiser. Tudo o mais é retórica.