View Full Version : fim do Cavaco
Ibn Erik
29-12-2008, 19:47
com esta mensagem ao país, Cavaco acaba de fazer hara-quiri.
nem sequer vai ser reeleito. essa é que é essa.
vamos ter uma guerra aberta entre orgãos institucionais, o Cavaco está a engulir os sapos de ter amparado o vigarista Pinócrates e agora lixa-se.
é a vida!
Declaração do Presidente da República sobre a Promulgação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores
Palácio de Belém, 29 de Dezembro de 2008
A lei que aprovou a revisão do Estatuto dos Açores, que tinha sido por mim vetada, foi, no passado dia 19, confirmada pela Assembleia da República sem qualquer alteração.
Isto é, não foram acolhidas, pela maioria dos deputados, as duas objecções que por mim tinham sido suscitadas.
É muito importante que os portugueses compreendam o que está em causa neste processo.
Este não é um problema do actual Presidente da República.
Não é tão-pouco uma questão de maior ou menor relevo da autonomia regional.
O que está em causa é o superior interesse do Estado português.
O Estatuto agora aprovado pela Assembleia da República introduz um precedente muito grave: restringe, por lei ordinária, o exercício das competências políticas do Presidente da República previstas na Constituição.
De acordo com uma norma introduzida no Estatuto, o Presidente da República passa a estar sujeito a mais exigências no que toca à dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores do que para a dissolução da Assembleia da República.
Nos termos da Constituição, a Assembleia da República pode ser dissolvida pelo Presidente da República ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado.
Para dissolver a Assembleia Legislativa dos Açores, o Presidente da República terá que ouvir, para além dos partidos nela representados e o Conselho de Estado, o Governo Regional dos Açores e a própria Assembleia da Região.
Trata-se de uma solução absurda, como foi sublinhado por eminentes juristas.
Mas o absurdo não se fica por aqui.
A situação agora criada não mais poderá ser corrigida pelos deputados.
Uma outra Assembleia da República que seja chamada, no futuro, a uma nova revisão do Estatuto vai estar impedida de corrigir o que agora se fez.
Isto porque foi acrescentada ao Estatuto uma disposição que proíbe a Assembleia da República de alterar as normas que não tenham sido objecto de proposta feita pelo parlamento dos Açores.
Quer isto dizer que a actual Assembleia da República aprovou uma disposição segundo a qual os deputados do parlamento nacional, que venham a ser eleitos no futuro, só poderão alterar aquelas normas que os deputados regionais pretendam que sejam alteradas.
Os poderes dos deputados da Assembleia da República nesta matéria foram hipotecados para sempre.
Como disse, não está em causa qualquer problema do actual Presidente da República.
A Assembleia Legislativa dos Açores, em 30 anos de autonomia, nunca foi dissolvida e não prevejo que surjam razões para o fazer no futuro.
O que está em causa é uma questão de princípio e de salvaguarda dos fundamentos essenciais que alicerçam o nosso sistema político.
E não se trata apenas de uma questão jurídico-constitucional. É muito mais do que isso.
Está também em causa uma questão de lealdade no relacionamento entre órgãos de soberania.
Será normal e correcto que um órgão de soberania imponha ao Presidente da República a forma como ele deve exercer os poderes que a Constituição lhe confere?
Será normal e correcto que a Assembleia da República imponha uma certa interpretação da Constituição para o exercício dos poderes presidenciais?
É por isso que o precedente agora aberto, de limitar o exercício dos poderes do Presidente da República por lei ordinária, abala o equilíbrio de poderes e afecta o normal funcionamento das instituições da República.
O exercício dos poderes do Presidente da República constantes da Constituição não pode ficar à mercê da contingência da legislação ordinária aprovada pelas maiorias existentes a cada momento.
Por que é que a Assembleia da República não alterou o Estatuto apesar de vozes, vindas dos mais variados quadrantes, terem apelado para que o fizesse, considerando que as objecções do Presidente da República tinham toda a razão de ser?
Principalmente, quando a atenção dos agentes políticos devia estar concentrada na resolução dos graves problemas que afectam a vida das pessoas?
Foram várias as vozes que apontaram razões meramente partidárias para a decisão da Assembleia da República.
Pela análise dos comportamentos e das afirmações feitas ao longo do processo e pelas informações que em privado recolhi, restam poucas dúvidas quanto a isso.
A ser assim, a qualidade da nossa democracia sofreu um sério revés.
Nos termos da Constituição, se a Assembleia da República confirmar um diploma vetado pelo Presidente da República, este deverá promulgá-lo no prazo de 8 dias.
Assim, promulguei hoje o Estatuto Político-Administrativo dos Açores.
Assumi o compromisso de cumprir a Constituição e eu cumpro aquilo que digo.
Mas nunca ninguém poderá alguma vez dizer que, confrontado com o grave precedente criado pelo Estatuto dos Açores, não fiz tudo o que estava ao meu alcance para defender os superiores interesses do Estado.
Nunca ninguém poderá dizer que não fiz tudo o que estava ao meu alcance para impedir que interesses partidários de ocasião se sobrepusessem aos superiores interesses nacionais.
Como Presidente da República fiz, em consciência, o que devia fazer.
http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=23403
é o que faz quando as saias mandam e influenciam os orgãos eleitos:
http://farm1.static.flickr.com/49/146618884_22876d1a07.jpg
jleandro
29-12-2008, 20:05
custe o que custar, o homem tinha que dizer o que disse.
eu espero, e desejo, que o Tribunal Constitucional mande esta Lei para o caixote do lixo.
quando à sua re-eleição ou não, é muito cedo e com este gesto o homem subiu na consideração de muita gente.
Ibn Erik
29-12-2008, 21:00
na minha consideração não sobe ele. pelo contrário. mostrou agora que é um tipo sem cultura política sequer para se ter apercebido do que o Pinócrates lhe estava a fazer.
o Cavaco, durante demasiado tempo, fechou os olhos a muita porcaria do Pinócrates por causa da... mulher dele. do Cavaco.
o Pinócrates não tem um projecto para o país. tem um projecto de poder pessoal. e ele foi hábil ao o construir. o poder conquista-se e mantem-se a todo o custo, essa é a lógica do actual Primeiro-Ministro. o país é secundário.
assim sendo, para mim era claro que o Pinócrates iria fazer tudo por tudo para ser demitido pelo PR, para se fazer de vítima. e quase o conseguiu. porque, das duas uma. ou o Cavaco acredita mesmo nas ideias que exprimiu esta noite e não tinha outra forma de evitar o problema senão... dissolver a AR. ou em alternativa demitir-se e recusar-se a assinar o tal decreto. não fazendo uma coisa nem outra, mostrou que é um palerma. e para mim isso é claro. um palerma não merece ser PR.
se eu tinha poucas esperanças neste homem, no Cavaco, hoje perdi-as de vez. só espero que ele não leve a guerrilha a ponto de nos fazer sofrer ainda mais, mais do que já sofremos com este mau governo, com estes maus políticos e com esta depressão económica.
se calhar é por gostar cada vez menos do Cavaco que penso assim. mas não julgo que seja por isso. eu já previa esta guerra entre governo e PR. era previsível face ao tipo de pessoa que temos a liderar o governo, pela incompetência que reina em Portugal, pela enorme corrupção que está entroncada nas altas esferas do Estado e pelo próprio Cavaco, que é apenas e só, um político profissional, travestido de professor universitário.
a ver vamos se eu estou assim tão errado. :o
Ibn Erik
29-12-2008, 22:57
até o Santana Lopes concorda! :eek::D
Cavaco devia dissolver a Assembleia da República, diz Santana
Pedro Santana Lopes mostrou-se, esta segunda-feira, convencido que o Presidente da República venha a dissolver a Assembleia da República, não por causa do Estatuto dos Açores, mas devido a um «clima de tensão com sucessivas causas».
Em declarações à TSF, num comentário às declarações de Cavaco Silva, que, esta segunda-feira, lançou fortes críticas à aprovação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, Santana Lopes disse que esta questão veio «tornar mais tenso o relacionamento» entre Belém e o Governo.
«Acredito que vão ser cada vez mais frequentes os casos de divergência» entre o executivo socialista e a Presidência da República, disse Santana, lembrando que o sistema de governação português «é muito complicado» e exige a coexistência entre Belém e São Bento.
Na opinião de Santana Lopes, a questão do Estatuto dos Açores abre um «precedente gravíssimo». «Acredito que a fiscalização sucessiva» à lei em causa será suscitada, acrescentou.
Entretanto, o comentador da TSF Mário Bettencourt Resendes considerou que o desfecho que faria sentido neste caso, depois das duras críticas de Cavaco Silva, seria o Presidente da República dissolver o Parlamento.
Caso contrário, acrescentou, as declarações do Chefe de Estado constituíram uma «confissão de impotência política» relativamente a uma situação em que Cavaco Silva está em grave desacordo com o governo socialista.
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1064589
destaco isto:
Mário Bettencourt Resendes considerou que o desfecho que faria sentido neste caso, depois das duras críticas de Cavaco Silva, seria o Presidente da República dissolver o Parlamento.
ou demitir-se.
não fazendo nem uma coisa nem outra, simplesmente vamos ter um país em forte estado de tensão política, que em vez de ajudar a enfrentar a actual depressão portuguesa, só a agrava.
se bem que isto pode ter um efeito tenebroso. o poder cair na rua. o desassossego é evidente em Portugal. até na forma conflitual como se desenrolam os pequenos atritos nas estradas portugueses. nota-se uma irritabilidade enorme entre as pessoas.
e até nem é só nas estradas portuguesas que se nota uma agitação das pessoas. dizia-me hoje uma funcionária de uma loja de electrodomésticos que se nota uma falta de paciência das pessoas que ultrapassa aquilo que é costume aturar na loja. as pessoas andam irritadas, impacientes e muito nervosas. se do alto do Estado eles andam à batatada... no resto do país pode-se estender este tipo de conflitos institucionais como motivos suficientes para andar por aí a fazer asneiras, na rua.
o sistema político está a implodir. revolvendo a cassete de há uns longos meses atrás: se as pessoas de esforçarem o entendimento é possível e desejável entre os principais líderes políticos. se era este o sentimento dominante, errado na minha opiniao, agora os estragos são maiores.
mas continuo convencido que foi o Cavaco que se estatelou ao comprido. é bem feita, para aprender a não ser influenciado pelas saias de casa. ;):p
Massarico
30-12-2008, 07:13
O Bettencourt Resendes está, como é habitual, a fazer fretes ao PS, e o Santana aproveita para ir metendo umas farpas, por causa da má moeda e de outras questões mais antigas. Esta questão do Estatuto dos Açores foi uma tentativa do Sócrates de ser demitido, porque ele sabe que agora as condições eleitorais de que desfruta são muito melhores que as que vai ter no final de 2009, além de beneficiar da vitimização de ter sido corrido.
Claro que o Cavaco cometeu alguns erros ao confiar no Aldrabão e ao não ter vetado, como seria a sua vontade, alguns disparates do Sócrates. Mas quem nunca cometeu erros que atire a primeira pedra.
E é evidente que o PR está de mãos atadas neste caso, até porque tenho a impressão que não adiantaria dissolver a assembleia, visto que seria sempre obrigado a promulgar o Estatuto. Quanto a mim fez o melhor que podia fazer. Eu também preferia que ele fizesse um decreto presidencial a exilar o Aldrabão nas berlengas, no parque de campismo, mas tal não é possível.
Ibn Erik
30-12-2008, 08:35
Claro que o Cavaco cometeu alguns erros ao confiar no Aldrabão e ao não ter vetado, como seria a sua vontade, alguns disparates do Sócrates. Mas quem nunca cometeu erros que atire a primeira pedra.
não sei até que ponto devo ser tolerante com um PR, que viu um Primeiro-Ministro violar constantemente a confiança política popular. se bem que há com certeza muito mais por trás desta polémica que o próprio estatuto dos Açores. eu desconfio mesmo que o Cavaco caiu numa armadilha do Pinócrates. o Pinócrates agora sabe que, a maioria das obras prometidas, por exemplo, vão ficar na gaveta. e poderá dizer que tal se deve aos fretes do Cavaco à Nelita.
mas continuo a achar que, um PR com estas declarações, só tinha duas soluções a tomar: demitir ou demitir-se. demitir-se e não promulgar o estatuto, deixando-o na gaveta e para o próximo PR decidir. assim, aceita tornar-se no "principe consorte". ;)
vamos lá ver as coisas como são. um PR que acaba por promulgar o projecto-lei que diz ser extremamente prejudicial para o país e que até violaria a CRP, nunca o deveria promulgar, mesmo que derrotado publicamente. até porque os vetos anteriores foram sempre políticos e não juridico-constitucionais.
também é evidente que o Pinócrates cometeu um tiro no pé. deve ter pensado que o Cavaco deixaria na gaveta o estatuto e ficaria calado. o Cavaco, ao usar uma espécie de mini bomba atómica, mas atirando para cima do governo o ónus do fim da cooperação estratégica, põe o Pinócrates na corda bamba, pois havia um sector opinativo do país que ia aceitando o tipo, desde que este se mostrasse publicamente em concórdia com o Cavaco. agora o Pinócrates perdeu parte do apoio do cavaquismo (ou o que resta dele), tem a esquerda radical a morder-lhe as canelas e até o PS pode sofrer uma dissolução, devido à força política da... Roseta. ainda por cima, o Vera jardim vem dizer que existe uma elevada probabilidade do PS partir-se em dois!
pessoalmente acho que o Pinócrates nunca pensou que o Cavaco engulisse o sapo e promulgasse o diploma, mas simultaneamente usasse aquelas palavras contra o governo, usando a AR como pretexto.
curiosamente, o PSD é o que sai mais beneficiado desta situação e nada fez de jeito que o merecesse. lá está. são os partidos do poder que o perdem, não a oposição que o ganha. e aqui o PSD herda o mau calculismo do Pinócrates e tenta aproveitar o cavalo do poder que pode passar por lá.
eu quero é ver as próximas reacções do Pinócrates. ele vai mostrar nas próximas aparições públicas se realmente foi bem calculada esta jogada ou fez um erro de julgamento desastrado. que foi pensar que o Cavaco nunca comeria um sapo vivo, dando-se como derrotado neste processo, mas simultaneamente arrasando com a credibilidade do Pinócrates. se o Pinócrates andar fugido muitos dias da propaganda que lhe é peculiar, é sinal que fez borrada da grossa. não conseguir obter aquilo que queria, que era ter eleições antecipadas. assim perde pau e bola. se ele vier a público todo sorridente, quer dizer que ele ficou satisfeito com o resultado e terá mais trunfos na manga.
a ver vamos. quem mais paga por estas tricas políticas? o país. que nesta altura está a ir para o buraco, sem esperanças de lá sair nos próximos anos. :confused:
Massarico
30-12-2008, 08:56
vamos lá ver as coisas como são. um PR que acaba por promulgar o projecto-lei que diz ser extremamente prejudicial para o país e que até violaria a CRP, nunca o deveria promulgar, mesmo que derrotado publicamente. até porque os vetos anteriores foram sempre políticos e não juridico-constitucionais.
Ele vetou duas vezes o Estatuto - uma vez por inconstitucionalidade de 8 artigos e outra foi um veto político. Só que este veto político poderia ser constitucional, porque as normas de que se queixa o Cavaco são inconstitucionais. E porque é que ele não pediu logo a revisão da constitucionalidade destas normas? Não pediu porque quis colocar o assunto no domínio do plano político, na afronta que é feita ao PR e na estupidez interínseca do documento. E fez muito bem, porque o assunto é muito mais importante na sua natureza política do que na sua natureza constitucional.
Ou seja, ele promulgou uma coisa que sabe que não vai poder aplicar-se fazendo em simultâneo uma crítica muito violenta ao governo, o que faz com que daqui a uns meses ele tenha uma vitória em toda a linha: nem o Estatuto se pode aplicar, nem ele cedeu ao Governo numa questão extremamente importante.
E foi bonito ver alguém com responsabilidades institucionais dizer na cara do Aldrabão que ele é um sujeitinho reles e desleal, que foi precisamente o que o Cavaco disse ontem. Eu se calhar estou influenciado por isto e pela brotoeja que o Aldrabão me provoca, mas a verdade é que gostei bastante da mensagem e da atitude.
A propósito, o Aldrabão já cumpriu a promessa de deixar de fumar?
Ibn Erik
30-12-2008, 12:09
E foi bonito ver alguém com responsabilidades institucionais dizer na cara do Aldrabão que ele é um sujeitinho reles e desleal, que foi precisamente o que o Cavaco disse ontem. Eu se calhar estou influenciado por isto e pela brotoeja que o Aldrabão me provoca, mas a verdade é que gostei bastante da mensagem e da atitude.
pois é. podemos estar a ser influenciados pelas nossas íntimas posições. vamos ver nos próximos tempos. pode ser que até seja melhor assim, pois dar a dissolução da AR ao Pinócrates, embora coerente com o que o Cavaco disse, na prática era dar-lhe a vitória total.
a ver vamos.
PS ele não fuma agora. só inala. ;):p
Ibn Erik
30-12-2008, 14:46
Ele vetou duas vezes o Estatuto - uma vez por inconstitucionalidade de 8 artigos e outra foi um veto político. Só que este veto político poderia ser constitucional, porque as normas de que se queixa o Cavaco são inconstitucionais.
Massarico, não deturpando a súmula do que disseste, acho que isto é que o correcto e mostra que o PR não foi tão pateta na condução do processo como se possa parecer:
Tratando-se de um precedente, e tendo ele a ver com os poderes constitucionais do PR, porque não colocou também à consideração do Tribunal Constitucional os pontos que referiu na sua mensagem?
Resposta:
Entendi que se tratava de uma discordância de natureza político-institucional que devia assumir por inteiro, dando a cara, e não através de terceiros. A minha discordância era tão forte que tinha de ser eu a assumi-la.
obtive isto nos comentários deste blogue, http://cachimbodemagritte.blogspot.com/ aqui https://www.blogger.com/comment.g?blogID=2627658705794284224&postID=2934554907339076749 .
eu também tinha a ideia que era esta a posição frontal do Cavaco. e aqui até estou de acordo com ele. portanto, posso criticar o gajo pela sua má gestão do processo, mas não neste aspecto.
e até eu tenho outra leitura que é: isto é muito mais que tricas juridico-constitucionais. é mesmo um corte radical com a cooperação política com o Pinócrates.
acho que as leituras que são passadas pelos mídia são uma forma de ilibar o Pinócrates, que tem sido levado ao colo pela imprensa.
mas isto não muda muito a súmula do que pensavas nem eu, sobre a leitura da bomba de ontem. ;)
Ibn Erik
30-12-2008, 22:36
para memória futura:
Partido começou por votar favoravelmente
Luís Filipe Menezes diz ter garantido a Cavaco que o PSD não aprovaria o Estatuto dos Açores
O ex-líder do PSD, Luís Filipe Menezes, revelou hoje à Lusa ter garantido a Cavaco Silva que o partido não aprovaria o Estatuto Político-Administrativo dos Açores e que Paulo Rangel foi encarregado da argumentação para sustentar essa posição.
“Como líder do PSD, dei uma opinião cem por cento de acordo com o Presidente da República e disse [a Cavaco Silva] que o PSD nunca votaria favoravelmente o estatuto”, afirmou o ex-líder social-democrata.
Nesse sentido, acrescentou que “foi encomendada ao deputado Paulo Rangel (actual líder parlamentar do PSD) a argumentação” para sustentar o voto contra do partido.
“Saí da liderança do partido e, 15 dias depois de Manuela Ferreira Leite ter assumido a presidência do PSD, o partido votou favoravelmente o estatuto dos Açores”, salientou.
Para Menezes, “é escusado [Manuela Ferreira Leite] vir agora com hipocrisias, dizendo que estava distraída”. “Era a sua posição, deve assumir”, frisou.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354521
numa pequena investigação, fiquei um bocado confuso com esta notícia. como andei bastante tempo a leste das politiquices lusas, não sei mesmo se o que ele diz tem sustentabilidade. se tiver... :rolleyes:;)
Ibn Erik
30-12-2008, 22:57
duas notícias que me confirmam uma ideia que formei hoje, sobre este assunto, à medida que investigava e lia mais sobre este episódio rocambolesco.
se em política o que parece é, na realidade, nem tudo o que parece o é. ;)
Estatuto dos Açores aprovado por unanimidade
Regional | 2008-06-12 02:19
O novo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores foi ontem aprovado na Assembleia da República por unanimidade, em votação final global. À votação, assistiu uma delegação da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, saudada por todas as bancadas.
http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/171712
e quinze dias antes...
PSD: Manuela Ferreira Leite eleita líder, Passos Coelho em vantagem sobre Santana pelo segundo lugar
31 de Maio de 2008, 20:03
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Manuela Ferreira Leite foi hoje eleita líder do PSD com 37,6 por centos dos votos, anunciou hoje o Conselho de Jurisdição Nacional do partido.
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/15a57058e9766b21b7f098.html
e, ainda por cima, o azelha do porta-voz socialista, ontem dizia:
O porta-voz do PS, Vitalino Canas, congratulou-se com a promulgação do Estatuto dos Açores mas desvalorizou as críticas feitas pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ao diploma. Para o socialista, as críticas do chefe de Estado já eram conhecidas e o grande derrotado de todo o processo é o PSD. "A Assembleia da República teve a oportunidade de se pronunciar nos termos constitucionais. E pronunciou-se com uma maioria bastante alargada, por dois terços dos deputados presentes, com a abstenção do PSD e sem votos contra", apontou Vitalino Canas.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354471
o César, também veio logo dar mais espaço de manobra ao Cavaco:
Reacção do líder do PS no arquipélago à declaração de Cavaco Silva
Estatuto dos Açores: promulgação foi um "acto de superior interesse nacional", afirma Carlos César
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354513
Dois deputados do PSD pedem para votar contra, pedido recusado
Dois deputados do PSD pediram para votar contra o Estatuto Politico-administrativo dos Açores, pedido que foi recusado pelo líder parlamentar do partido. Sabe-se já que os deputados madeirenses do PSD vão abster-se, ao passo que os açorianos vão votar a favor.
Os deputados sociais-democratas Miguel Macedo e Zita Seabra pediram, esta quinta-feira, para votar contra o Estatuto Politico-administrativo dos Açores, pedido que foi recusado pela direcção parlamentar do PSD.
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1060859
perante estes dados e meditando no que se passou à volta disto, eu arrisco que não volto a dizer isto, desta maneira:
assim sendo, para mim era claro que o Pinócrates iria fazer tudo por tudo para ser demitido pelo PR, para se fazer de vítima. e quase o conseguiu. porque, das duas uma. ou o Cavaco acredita mesmo nas ideias que exprimiu esta noite e não tinha outra forma de evitar o problema senão... dissolver a AR. ou em alternativa demitir-se e recusar-se a assinar o tal decreto. não fazendo uma coisa nem outra, mostrou que é um palerma. e para mim isso é claro. um palerma não merece ser PR.
eu vi mal o filme. mas vi bem uma coisa. a tentativa do Pinócrates em conseguir as almejadas eleições antecipadas. e parece que o gato não era bem o Pinócrates mas foi o... rato! :eek:
eu tinha escrito isto e volto a manter. mas apenas penso que o filme não está bem contado. mas isto para mim é claríssimo:
também é evidente que o Pinócrates cometeu um tiro no pé. deve ter pensado que o Cavaco deixaria na gaveta o estatuto e ficaria calado. o Cavaco, ao usar uma espécie de mini bomba atómica, mas atirando para cima do governo o ónus do fim da cooperação estratégica, põe o Pinócrates na corda bamba, pois havia um sector opinativo do país que ia aceitando o tipo, desde que este se mostrasse publicamente em concórdia com o Cavaco. agora o Pinócrates perdeu parte do apoio do cavaquismo (ou o que resta dele), tem a esquerda radical a morder-lhe as canelas e até o PS pode sofrer uma dissolução, devido à força política da... Roseta. ainda por cima, o Vera jardim vem dizer que existe uma elevada probabilidade do PS partir-se em dois!
pessoalmente acho que o Pinócrates nunca pensou que o Cavaco engulisse o sapo e promulgasse o diploma, mas simultaneamente usasse aquelas palavras contra o governo, usando a AR como pretexto.
curiosamente, o PSD é o que sai mais beneficiado desta situação e nada fez de jeito que o merecesse. lá está. são os partidos do poder que o perdem, não a oposição que o ganha. e aqui o PSD herda o mau calculismo do Pinócrates e tenta aproveitar o cavalo do poder que pode passar por lá.
publicamente, como costuma ser em política, o que parece é. o Cavaco foi derrotado, humilhado e atirado para o tapete pelo Pinócrates. mas o problema é que o árbitro ainda não contou até 10. nem o Cavaco desmaiou inconsciente. o que na realidade, nem sempre o que parece, o é.
se for o que eu penso, é a manobra política mais genial que eu vi, nos últimos anos. :eek::rolleyes:;)
http://farm1.static.flickr.com/94/211426801_6b0ba38c12.jpg
a confirmar nos próximos meses.
Ibn Erik
30-12-2008, 23:45
faltou-me referir isto. que tem muita importância:
Barómetro CESOP/Católica
O relatório-síntese da última sondagem do CESOP para a RTP, Antena 1 e JN pode ser descarregado aqui. Para além das perguntas habituais, dois temas: perspectivas para 2009 e as relações entre o governo e o Presidente da República. (http://www.box.net/shared/60uotzzkc0)
http://margensdeerro.blogspot.com/
e algumas pérolas lá dentro, como esta:
Acha que a postura do Presidente em relação à actuação do Governo deveria ser mais interventiva do que tem sido, menos interventiva do que tem sido ou deveria continuar como tem sido?
Deveria ser mais interventiva
Todos os eleitores 64%
Simpatizantes PS 54%
Simpatizantes PSD 69%
Sem simpatia partidária 67%
Deveria ser menos interventiva
Todos os eleitores 2%
Simpatizantes PS 7%
Simpatizantes PSD 1%
Sem simpatia partidária 1%
Deveria continuar como tem sido
Todos os eleitores 25%
Simpatizantes PS 32%
Simpatizantes PSD 25%
Sem simpatia partidária 22%
além de outras questões interessantes, como esta:
Na sua opinião, no último ano, o estado da economia em Portugal…
Melhorou
Outubro 2008 6%
Dezembro 2008 5%
Ficou na mesma
Outubro 2008 26%
Dezembro 2008 21%
Piorou
Outubro 2008 65%
Dezembro 2008 71%
e esta última questão só vem agravar a tendência visível, desde que a crise económica estalou com força no exterior.
para complemento, isto:
1. Intenção de voto em eleições legislativas
Se neste momento se realizassem Eleições Legislativas (para a Assembleia da República), em que partido votaria? (entre parêntesis, resultados de Outubro de 2008)
Intenção directa de voto/resultados brutos
PS
21%
(20%)
PSD
16%
(16%)
CDU
5%
(4%)
BE
4%
(3%)
CDS
2%
(1%)
Outro
1%
(1%)
Outro
3%
(3%)
Brancos/nulos
7%
(4%)
Brancos/nulos
4%
(3%)
Não votaria
21%
(21%)
Não sabe
18%
(19%)
Não responde
6%
(11%)
a diferença de votos directos, antes da redistribuição dos indecisos, que são mesmo muitos, entre o PS e o PSD é de apenas 5 pontos percentuais. pensei eu que era mais. mas não o é. os indecisos é que são muitos. grande parte deles na área política do Cavaquismo ou eleitorado flutuante devem ser indecisos ou com intenções de não votarem.
perante o que se sucedeu ontem e se espera que aconteça em 2009, penso que o dia de ontem foi mesmo planeado e bem pensado. :eek:;):p
Massarico
31-12-2008, 07:35
A minha primeira resposta não aparece aqui, não sei porquê. Mas volto a dizer o mesmo. O Cavaco não perdeu nada, não foi humilhado e nem o Sócrates ganhou nada. Foi unanimemente reconhecido por toda a gente duas coisas: a primeira, que este foi o mais violento discurso de um chefe de estado em Portugal, com excepção do PREC; que o Aldrabão entrou numa luta estúpida que hipotecou definitivamente o apoio implícito do PR, sabendo perfeitamente que quase tudo o que o Cavaco não quer que entre em vigor é inconstitucional e não vai mesmo entrar em vigor.
Toda a gente sabia, e o Cavaco não é excepção, que não havia hipótese de dissolver a AR nesta altura, e por isso mesmo o Cavaco aprovou ontem o Orçamento de Estado, um delírio economico-financeiro do Aldrabão e respectiva pandilha. Porque dissolver a AR era, como já disse, entregar o ouro ao bandido.
Eu acho que o Cavaco sai por cima neste episódio e que o Aldrabão sai muito mal.
Ibn Erik
31-12-2008, 08:02
pois é, Massarico. embora pareça uma importante derrota política do Cavaco, que viu o estatuto aprovado na AR, na prática quase todos, mas quase todos, aplaudem as críticas dele. só pode é ser criticado por ser excessivo (caso do Manuel Alegre).
e repara que o governo vai continuar na estratégia suicida:
A próxima discórdia
Se o PS não quer entrar numa guerra de declarações com Belém, também não parece disposto a recuar nas suas intenções. No horizonte está já aquele que promete ser o próximo diferendo entre a maioria parlamentar com o Presidente da República - o voto dos emigrantes nas eleições legislativas, que com uma alteração aprovada pelo PS à Lei Eleitoral, terá agora de ser presencial, ficando excluído o voto por correspondência. Um tema em que o PS não tem o escudo do voto favorável dos restantes partidos, como sucedeu no Estatuto dos Açores. Uma matéria em que os socialistas não parecem também dispostos a recuar, face a um eventual veto do Presidente da República.
http://dn.sapo.pt/2008/12/31/nacional/ps_espera_moderacao_cavaco.html
ou seja, o governo aceita ser desgastado pela presidência e não pela oposição. dando espaço de manobra à oposição para se colar às críticas ao governo sem que seja acusada de estar a condicionar o PR.
na prática é o governo que mete a cabeça no cepo. porque, em vez de se preocupar com a boa governação do país, vai começar a ser visto como tentativa de abafar o Cavaco, na sua já costumeira arrogância megalomaniaca.
lá está. para mim parece ser uma jogada genial. foi de tal forma bem preparada que aproveita a natureza intrínseca da personalidade do Pinócrates para o atrair para as armadilhas.
Ibn Erik
31-12-2008, 08:16
ah! e a promulgação do OE, mesmo considerando-o fantasista, diz aos mais sensíveis que não vai fazer vendettas contra o governo. o que cala já a boca aos mais socialistas empedernidos. mas na prática, daqui a uns mesitos, quando as contas públicas mostrarem as fantasias do orçamentado, lá vem mais um desgaste, com a chegada de pelo menos um Rectificativo. e na altura, dir-se-á: por pura teimosia do Pinócrates, o país está sem lei nem roque, no que toca a documentos orientadores orçamentais.
o Pinócrates deve-se ter convencido que consegue ganhar eleições com pura propaganda e dominio da imprensa. e convenceu-se de tal forma que passou a acreditar que iria ser um passeio até às eleições. e que bastaria a propaganda para manter o eleitorado adormecido. agora, talvez, vai ser obrigado a trabalhar e a meter a mão na massa e a propaganda pode perder todos os efeitos e até virar-se contra ele.
porque a PR pode começar a perguntar pelos resultados do PRACE, do choque tecnológico, etc.
é o que faz a arrogância política descurar o trabalho de casa bem feito. ;)
Massarico
31-12-2008, 08:52
Eu estou com alguma expectativa para a mensagem de ano novo, mas se calhar o Cavaco não vai dizer nada para não o acusarem de guerrilha.
Essa da lei eleitoral tem que levar um chumbo, e se o Cavaco não o fizer por medo de ser visto como uma "força de bloqueio", estará muito mal. O Aldrabão está a tentar ganhar na secretaria e esta lei é uma vergonha absoluta e um insulto aos emigrantes.
Ibn Erik
31-12-2008, 09:53
Eu estou com alguma expectativa para a mensagem de ano novo, mas se calhar o Cavaco não vai dizer nada para não o acusarem de guerrilha.
aposto como será um mensagem dirigida especificamente aos portugueses, sem qualquer ataque a quem quer que seja. do género, "o país está mal, mas todos nós vamos ter que dar a volta. e todos os portugueses terão quer ter esperança, apesar do ano que aí vem augurar ser um dos piores de sempre, etc."
na prática acho que vai ser desse estilo. ele para lixar o Pinócrates não precisa de estar todos os dias a massacrar-se com conspirações contra ele, como o Soares fazia ao próprio Cavaco. este gajo é profissional da política mas tipo máquina cerebral, que quando se desliga das saias da mulher, é lixado. e implacável.
Essa da lei eleitoral tem que levar um chumbo, e se o Cavaco não o fizer por medo de ser visto como uma "força de bloqueio", estará muito mal. O Aldrabão está a tentar ganhar na secretaria e esta lei é uma vergonha absoluta e um insulto aos emigrantes.
acho que o Pinócrates se põe a jeito. desconfio que vai ser mais um fonte de conflito com o Cavaco, e este deverá aproveitar para lhe espetar mais uma bandarilha no lombo. ;):D
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