Óscar
25-09-2008, 07:35
Valentim Loureiro acusado de ter passado ao filho lucros do negócio
Major suspeito de ter burlado donos da 'Quinta do Ambrósio' quanto aovalor do terreno. E de ter conseguido inflacionar o preço de venda à STCP
00h30m
NUNO MIGUEL MAIA
Valentim Loureiro terá dito à família proprietária de uma quinta em Gondomar que, no terreno, "só lá podiam andar carneirinhos" para a convencer a vender por um preço inferior ao real valor. Directamente, acabaram por lucrar dois amigos e o filho do major.
A investigação ao fabuloso negócio de compra e venda da Quinta do Ambrósio, em Gondomar, à STCP, não chegou a detectar entradas directas de dinheiros nas contas pessoais do autarca de Gondomar, resultantes de uma transacção que deu três milhões de euros de lucro em menos de um ano.
Mas descobriu avultadas movimentações de verbas em contas "off-shore" em nome do vice-presidente da Câmara de Gondomar, José Luís Oliveira, do advogado Laureano Gonçalves, e dos filhos do autarca, Jorge e Nuno Loureiro (ver página seguinte).
De acordo com informações recolhidas pelo JN, o Ministério Público dá como assente, porém, que Valentim Loureiro decidiu que a parte que lhe caberia nas mais-valias da transacção seria atribuída ao filho, Jorge Loureiro, a fim de não ser descoberto. E que a Laureano, amigo e ex-dirigente do Boavista e da arbitragem do futebol, cabia a tarefa de tratar de todos os trâmites do negócio e distribuir as verbas por si, por Oliveira e pelo filho do major, sempre através de contas do BPN, sedeadas no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Oceano Pacífico. Presumivelmente, seria complicada a quebra do sigilo bancário e, assim, seria possível esconder os ganhos ao Fisco.
A burla alegadamente encetada por Valentim levou a que Ludovina Silva Prata, mãe de Maria Lurdes Cunha - que foi quem se reuniu com o autarca a fim de tentar vender o terreno -, uma senhora já idosa e com debilidades de compreensão, assinasse, inicialmente, um contrato-promessa de venda à Câmara por 300 mil contos (1,5 milhões de euros).
Porém, mediante a constatação de que o terreno era mais pequeno do que o suposto, esse valor viria a ser reduzido para 215 mil contos (1,074 milhões de euros). Após essa descida de preço, a mesma senhora acabou por assinar um contrato-promessa com o advogado Laureano Gonçalves.
Em fase posterior - supostamente sempre por via da confiança que lhe merecia o seu advogado, colega de escritório de Laureano -, Ludovina viria a assinar documentos, aparentemente sem se aperceber do seu real conteúdo: um pedido de desafactação de parte da Quinta da zona de Reserva Agrícola; e uma procuração irrevogável que conferiu a Laureano poderes para vender o imóvel, bem como receber e endossar cheques em seu nome.
Tudo isto sem saber que estaria a ser preparada a venda do terreno à STCP, por quatro milhões de euros - quase quatro vezes mais. Segundo o MP, e tal como o JN já noticiou, Valentim voltou a aparecer no fim do negócio. Numa reunião com a STCP, conseguiu inflacionar o preço de 715 mil para 800 mil contos. Mas o visado nega tudo.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1017633
Major suspeito de ter burlado donos da 'Quinta do Ambrósio' quanto aovalor do terreno. E de ter conseguido inflacionar o preço de venda à STCP
00h30m
NUNO MIGUEL MAIA
Valentim Loureiro terá dito à família proprietária de uma quinta em Gondomar que, no terreno, "só lá podiam andar carneirinhos" para a convencer a vender por um preço inferior ao real valor. Directamente, acabaram por lucrar dois amigos e o filho do major.
A investigação ao fabuloso negócio de compra e venda da Quinta do Ambrósio, em Gondomar, à STCP, não chegou a detectar entradas directas de dinheiros nas contas pessoais do autarca de Gondomar, resultantes de uma transacção que deu três milhões de euros de lucro em menos de um ano.
Mas descobriu avultadas movimentações de verbas em contas "off-shore" em nome do vice-presidente da Câmara de Gondomar, José Luís Oliveira, do advogado Laureano Gonçalves, e dos filhos do autarca, Jorge e Nuno Loureiro (ver página seguinte).
De acordo com informações recolhidas pelo JN, o Ministério Público dá como assente, porém, que Valentim Loureiro decidiu que a parte que lhe caberia nas mais-valias da transacção seria atribuída ao filho, Jorge Loureiro, a fim de não ser descoberto. E que a Laureano, amigo e ex-dirigente do Boavista e da arbitragem do futebol, cabia a tarefa de tratar de todos os trâmites do negócio e distribuir as verbas por si, por Oliveira e pelo filho do major, sempre através de contas do BPN, sedeadas no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Oceano Pacífico. Presumivelmente, seria complicada a quebra do sigilo bancário e, assim, seria possível esconder os ganhos ao Fisco.
A burla alegadamente encetada por Valentim levou a que Ludovina Silva Prata, mãe de Maria Lurdes Cunha - que foi quem se reuniu com o autarca a fim de tentar vender o terreno -, uma senhora já idosa e com debilidades de compreensão, assinasse, inicialmente, um contrato-promessa de venda à Câmara por 300 mil contos (1,5 milhões de euros).
Porém, mediante a constatação de que o terreno era mais pequeno do que o suposto, esse valor viria a ser reduzido para 215 mil contos (1,074 milhões de euros). Após essa descida de preço, a mesma senhora acabou por assinar um contrato-promessa com o advogado Laureano Gonçalves.
Em fase posterior - supostamente sempre por via da confiança que lhe merecia o seu advogado, colega de escritório de Laureano -, Ludovina viria a assinar documentos, aparentemente sem se aperceber do seu real conteúdo: um pedido de desafactação de parte da Quinta da zona de Reserva Agrícola; e uma procuração irrevogável que conferiu a Laureano poderes para vender o imóvel, bem como receber e endossar cheques em seu nome.
Tudo isto sem saber que estaria a ser preparada a venda do terreno à STCP, por quatro milhões de euros - quase quatro vezes mais. Segundo o MP, e tal como o JN já noticiou, Valentim voltou a aparecer no fim do negócio. Numa reunião com a STCP, conseguiu inflacionar o preço de 715 mil para 800 mil contos. Mas o visado nega tudo.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1017633