Patacôncio
20-06-2003, 17:24
Estudo do NBER confirma convergência na economia mundial
Portugal foi o país que mais cresceu entre 1965 e 1995
19-06-2003, João Silvestre, jsilvestre@economica.iol.pt
Considerando o bem-estar resultante de uma maior longevidade, a economia nacional foi a que mais cresceu no conjunto dos países desenvolvidos. Mas houve, além disso, uma aproximação entre os vários países.
A economia portuguesa foi a que mais convergiu entre 1965 e 1995 no conjunto dos países desenvolvidos. Esta é a conclusão dum estudo para 49 países publicado recentemente pelo National Bureau of Economic Research (NBER) dos EUA, da autoria de Gary Becker, prémio Nobel da Economia em 1992, Tomas Philipson e Rodrigo Soares. Os autores incorporaram a evolução da esperança de vida à nascença no rendimento total e observaram que, de facto, existiu uma diminuição das desigualdades económicas ao longo dos trinta anos considerados.
No caso da economia nacional, de acordo com esta medida, o rendimento cresceu 298,3% entre 1965 e 1995, quando pelo PIB per capita o ganho seria de apenas 203,8%. Portugal foi mesmo a economia desenvolvida que mais rapidamente cresceu nas três décadas em análise. Em média, os países desenvolvidos registaram um crescimento do PIB per capita de 111,6% neste período e um avanço de 140,2% quando incorporado o equivalente em termos de rendimento dos ganhos de longevidade.
A economia nacional que ocupava a segunda posição, a seguir ao Japão, no que toca ao andamento do PIB per capita passa, assim, para a primeira posição quando é considerado o indicador de rendimento total proposto. Ao todo, os ganhos de longevidade nacionais representaram, em termos monetários, um valor acumulado de 64,290 mil dólares e cerca de um terço de todo o crescimento registado nesse período. Isto é explicado pelo facto da esperança de vida em Portugal ter aumentado de 64 para 74 anos e ter sido a uma das subidas mais pronunciadas no conjunto dos 49 países.
Nos países em desenvolvimento a média de crescimento do PIB per capita atingiu os 137,3%, aumentando para 191,9% quando incorporado o ganho de bem-estar decorrente da maior longevidade.
Afinal as economias estão a aproximar-se
Uma das principais conclusões deste trabalho é que, ao contrário do que tem sido diversas demonstrado por análises anteriores, houve de facto convergência entre as várias economias mundiais nas últimas décadas. Isto se a riqueza per capita for ajustada com base nos ganhos de bem-estar resultantes dos melhores cuidados de saúde e das menores taxas de mortalidade que lhes estão associadas.
A metodologia de quantificação dos ganhos de longevidade não é totalmente nova, mas está a ser utilizada pela primeira vez num estudo sobre convergência e com resultados inovadores. Trata-se apenas de medir qual o equivalente em termos de rendimento que corresponde ao aumento de bem-estar resultante de melhores condições de saúde. É que, se em termos de PIB per capita, as conclusões quanto à convergência não são muito animadoras, no que toca à esperança média de vida o cenário é o inverso. Assim, calculando qual seria o rendimento em 1995 que proporcionaria o mesmo bem-estar se as taxas de mortalidade fossem as observadas em 1965 é possível chegar a uma nova parcela a somar ao simples PIB per capita.
Esta abordagem faz toda a diferença no estudo do comportamento das economias mundiais nas últimas décadas. Os países em desenvolvimento tendem a apresentar melhorias mais rápidas da esperança de vida que normalmente não são consideradas nos indicadores estatísticos da riqueza. Mesmo sem investirem em investigação sequer valores próximos dos países mais ricos, estes países conseguem beneficiar, a custos reduzidos, do conhecimento técnico e científico que vai sendo produzido nas economias mais avançadas e apresentar ganhos significativos de bem-estar para as populações.
Segundo os cálculos dos autores, cerca de 27% de todo crescimento verificado nestes 49 países entre 1965 e 1995 deveu-se à redução da taxa de mortalidade. Um valor que não deve ser negligenciado e que, no fundo, pretende medir, em termos económicos, a quantidade de vida. Esta pode ser um conclusão animadora, numa altura em que o processo de globalização em curso na economia tem merecido inúmeras críticas.
In http://www.semanarioeconomico.iol.pt/artigos/artigo.php?art_id=118260&div_id=645
PS Que dirão os movimentos anti-liberalização e anti-globalização ??? O costume ! heehehhehhehehheh
Portugal foi o país que mais cresceu entre 1965 e 1995
19-06-2003, João Silvestre, jsilvestre@economica.iol.pt
Considerando o bem-estar resultante de uma maior longevidade, a economia nacional foi a que mais cresceu no conjunto dos países desenvolvidos. Mas houve, além disso, uma aproximação entre os vários países.
A economia portuguesa foi a que mais convergiu entre 1965 e 1995 no conjunto dos países desenvolvidos. Esta é a conclusão dum estudo para 49 países publicado recentemente pelo National Bureau of Economic Research (NBER) dos EUA, da autoria de Gary Becker, prémio Nobel da Economia em 1992, Tomas Philipson e Rodrigo Soares. Os autores incorporaram a evolução da esperança de vida à nascença no rendimento total e observaram que, de facto, existiu uma diminuição das desigualdades económicas ao longo dos trinta anos considerados.
No caso da economia nacional, de acordo com esta medida, o rendimento cresceu 298,3% entre 1965 e 1995, quando pelo PIB per capita o ganho seria de apenas 203,8%. Portugal foi mesmo a economia desenvolvida que mais rapidamente cresceu nas três décadas em análise. Em média, os países desenvolvidos registaram um crescimento do PIB per capita de 111,6% neste período e um avanço de 140,2% quando incorporado o equivalente em termos de rendimento dos ganhos de longevidade.
A economia nacional que ocupava a segunda posição, a seguir ao Japão, no que toca ao andamento do PIB per capita passa, assim, para a primeira posição quando é considerado o indicador de rendimento total proposto. Ao todo, os ganhos de longevidade nacionais representaram, em termos monetários, um valor acumulado de 64,290 mil dólares e cerca de um terço de todo o crescimento registado nesse período. Isto é explicado pelo facto da esperança de vida em Portugal ter aumentado de 64 para 74 anos e ter sido a uma das subidas mais pronunciadas no conjunto dos 49 países.
Nos países em desenvolvimento a média de crescimento do PIB per capita atingiu os 137,3%, aumentando para 191,9% quando incorporado o ganho de bem-estar decorrente da maior longevidade.
Afinal as economias estão a aproximar-se
Uma das principais conclusões deste trabalho é que, ao contrário do que tem sido diversas demonstrado por análises anteriores, houve de facto convergência entre as várias economias mundiais nas últimas décadas. Isto se a riqueza per capita for ajustada com base nos ganhos de bem-estar resultantes dos melhores cuidados de saúde e das menores taxas de mortalidade que lhes estão associadas.
A metodologia de quantificação dos ganhos de longevidade não é totalmente nova, mas está a ser utilizada pela primeira vez num estudo sobre convergência e com resultados inovadores. Trata-se apenas de medir qual o equivalente em termos de rendimento que corresponde ao aumento de bem-estar resultante de melhores condições de saúde. É que, se em termos de PIB per capita, as conclusões quanto à convergência não são muito animadoras, no que toca à esperança média de vida o cenário é o inverso. Assim, calculando qual seria o rendimento em 1995 que proporcionaria o mesmo bem-estar se as taxas de mortalidade fossem as observadas em 1965 é possível chegar a uma nova parcela a somar ao simples PIB per capita.
Esta abordagem faz toda a diferença no estudo do comportamento das economias mundiais nas últimas décadas. Os países em desenvolvimento tendem a apresentar melhorias mais rápidas da esperança de vida que normalmente não são consideradas nos indicadores estatísticos da riqueza. Mesmo sem investirem em investigação sequer valores próximos dos países mais ricos, estes países conseguem beneficiar, a custos reduzidos, do conhecimento técnico e científico que vai sendo produzido nas economias mais avançadas e apresentar ganhos significativos de bem-estar para as populações.
Segundo os cálculos dos autores, cerca de 27% de todo crescimento verificado nestes 49 países entre 1965 e 1995 deveu-se à redução da taxa de mortalidade. Um valor que não deve ser negligenciado e que, no fundo, pretende medir, em termos económicos, a quantidade de vida. Esta pode ser um conclusão animadora, numa altura em que o processo de globalização em curso na economia tem merecido inúmeras críticas.
In http://www.semanarioeconomico.iol.pt/artigos/artigo.php?art_id=118260&div_id=645
PS Que dirão os movimentos anti-liberalização e anti-globalização ??? O costume ! heehehhehhehehheh