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View Full Version : Uma pedrada no charco !


Patacôncio
13-06-2003, 11:31
Da conjuntura ao choque fiscal

A Bem da Razão > 2003-06-13 00:00:02

Da conjuntura ao choque fiscal

Por Vítor Bento

A presente conjuntura recessiva que a economia portuguesa atravessa é a primeira em que, por já não ter moeda própria, o Governo não dispõe da habitual panóplia de instrumentos para lidar com a situação.

Sem política monetária própria e sem taxa de câmbio, resta-lhe, quando muito, a política orçamental. Mas até a eficácia desta se encontra embotada. Por um lado, porque a acção dos estabilizadores automáticos está muito condicionada pelo défice estrutural excessivo (face aos requisitos de estabilidade financeira e macro-económica da UEM) e, por outro lado, porque mesmo o recurso ao investimento público – a componente da despesa pública mais “elástica” – é, nas circunstâncias actuais da economia portuguesa, pouco eficaz.

De facto, se teoricamente se poderia esperar que o aumento do investimento público atenuasse o efeito desfavorável do ciclo económico no emprego, na presente situação específica da economia portuguesa, o resultado será diferente. É que enquanto o desemprego tende a aumentar sobretudo nos sectores industriais e de serviços que, empregando mão-de-obra nacional pouco qualificada, deixam de ser competitivos, as obras públicas (expressão mais notória do investimento público) tendem a ser feitas com recurso à imigração de mão de obra, também não qualificada. Assim, o mais provável efeito directo de um aumento do investimento público (nomeadamente em obras públicas) seria aumentar o recurso à imigração, com pouco impacto na redução do desemprego originado nos sectores em crise, segmentando ainda mais o mercado de trabalho e aumentando o excedente de mão de obra não qualificada com que já nos confrontamos: é pouco provável que a construção de estradas ou edifícios venha a empregar as senhoras despedidas da Bawo, da Clark, ou de empresas semelhantes...

Restam, claro, os efeitos indirectos: mais recursos financeiros injectados na economia acabam por estimular a procura interna. Mas mesmo estes efeitos, pelas mesmas razões, também são menores do que normalmente seria de esperar. Estimulando-se o emprego de mão-de-obra imigrada, uma parte do rendimento distribuído seria canalizada directamente para remessas para o estrangeiro, agravando o défice externo – o nosso principal desequilíbrio – e atenuando o desejado impacto na procura interna. Por isso é que só em caso de sério agravamento da conjuntura poderá fazer sentido o recurso a este instrumento.
Mas a falta de meios para lidar com a actual conjuntura recessiva tem pelo menos um lado positivo: não podendo gerir a conjuntura, o Governo fica (quase) totalmente disponível para se dedicar a resolver os problemas estruturais, eliminando os obstáculos à eficiência da economia e criando as condições para a sua maior produtividade e para atrair investimentos. Mais do que as grandes “reformas estruturais” – expressão que, abusada, perdeu significado prático – o que importa é eleger problemas concretos e procurar resolvê-los: assegurar uma maior taxa de finalização e de aproveitamento do ensino secundário, aumentar a capacitação técnica dos recursos humanos, assegurar uma efectiva regulação dos conflitos em tempo socialmente útil, simplificar os processos, diminuir os tempos de resposta nos vários departamentos e eliminar as funções supérfluas na Administração Pública, entre muitos outros possíveis.

Na Administração Pública, além de melhorias específicas de eficiência, há que rever toda a macro-estrutura administrativa, simplificando-a e despolitizando-a, e ultrapassar a abordagem demagógica do sistema remunerativo que impede o recrutamento (e retenção) de bons gestores para administrarem a “coisa pública”. Abordagem demagógica, de que o sistema político se deixou fazer refém e que origina insustentáveis incongruências como a impossibilidade de remunerar o director-geral dos Impostos – que gere o maior “volume de negócios” e uma das maiores dimensões de recursos humanos do País – ao nível dos gestores de sociedades de capitais públicos, cuja actividade – por muito meritória que seja – é muitíssimo menos relevante para o bom sucesso das funções do Estado.

E, já agora, assegurar, até ao fim da legislatura, um verdadeiro “choque fiscal”. Não o que fundou o ‘slogan’ mediático (pouco relevante macro-economicamente), mas o que garanta, por exemplo, uma redução de quatro ou cinco pontos no peso da despesa corrente primária no PIB, sem sacrificar a eficácia das funções essenciais do Estado. É que, como se sabe, a verdadeira carga fiscal é a representada pela dimensão da despesa pública.
É claro que a aplicação deste “choque fiscal” poderá, na presente conjuntura recessiva, agravar os seus efeitos contraccionistas. Mas aí é que pode fazer sentido compensar temporariamente as necessárias reduções estruturais na despesa corrente primária com aumentos na despesa de capital, escolhendo muito criteriosamente as componentes que minimizem as contradições acima referidas.
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A habitual coluna quinzenal de quinta-feira de Vítor Bento é esta semana, excepcionalmente, publicada à sexta-feira. Ao autor e aos leitores pedimos desculpa pelo lapso que impôs o adiamento.

In http://www.de.iol.pt/?article=11184&visual=1

PS Pois é, Jl. Esqueci-me ! E a César o que é de César ! Neste casoa as minhas desculpas a vós e à equipa do DE !

jleandro
13-06-2003, 11:35
Patacôncio

permite só um reparo: quando transcreves uma notícia deves indicar qual a origem dela.

é melhor para todos.

Patacôncio
13-06-2003, 11:40
PIB terá que crescer 5,3% ao ano


PIB terá que crescer 5,3% ao ano


12-06-2003, António de Albuquerque, aalbuquerque@economica.iol.pt

O estudo encomendado pelo Ministério da Economia à McKinsey já seleccionou os sectores “alvo”.

Os portugueses só poderão ter rendimentos idênticos à média europeia em 2010 se a economia registar taxas de crescimento de 5,3% ano. Esta é uma das principais conclusões do estudo intercalar apresentado aos Ministérios da Economia e do Trabalho e Segurança Social pelo McKinsey Global Institute (MGI) a que o Semanário Económico teve acesso.

O estudo encomendado por aqueles dois ministérios e em que colaboram economistas como Robert Solow (prémio Nobel da Economia) e Olivier Blanchard (líder do departamento de economia do MIT) apontam como principal handicap para a economia portuguesa a produtividade por trabalhador - por hora trabalhada. Por outras palavras, o que os autores pretendem é alertar os respectivos ministros para o facto da falta de competitividade da economia portuguesa se explicar essencialmente pela qualidade, ou melhor, pela falta de qualidade, das horas trabalhadas e não por outro qualquer indicador como sejam a taxa de actividade da população ou o número de horas trabalhadas. Em relação a estes dois últimos indicadores, o estudo até vai mais longe ao afirmar que “estamos perto, ou melhor, do que a média europeia”.

No próximo dia 27 de Junho, haverá uma reunião de apresentação preliminar do “Relatório para a Produtividade” a um grupo limitado de individualidades ligadas à economia portuguesa, com o objectivo de dar conta do “estado-da-arte” dos sectores “menos produtivos e com maior impacto no emprego e no PIB”. E esses sectores já foram identificados, dois deles até já estão estudados, e são o comércio a retalho e o automóvel. O sector de retalho alimentar em Portugal, quando comparado com França, tem uma produtividade de apenas 43%, e factores como a regulamentação, a evasão fiscal, a lei do arrendamento e a estrutura da propriedade são apontados como os principais obstáculos do sector. Quanto ao sector automóvel, que também foi comparado com França, resultou um diferencial de produtividade da ordem dos 61% e o principal problema das empresas assenta no seu posicionamento em fases de baixo valor acrescentado da cadeia de valor.

Os sectores da construção, da banca, das telecomunicações, eléctrico, da saúde, dos têxteis, do turismo e dos transportes foram os outros eleitos.

In http://www.semanarioeconomico.iol.pt/artigos/artigo.php?art_id=116874&sec=4

Patacôncio
13-06-2003, 11:47
Dos nossos produtos Além-Mar !

Os USA e o Japão deveriam ser, depois de espanha, mercados-alvo para "criar-mos" as nossas marcas comerciais e ser mais agressivos !

Mas ... haja esperança !

Exportações aumentam para Espanha e EUA


Contrariando a tendência europeia

Exportações aumentam para Espanha e EUA

12-06-2003, Elisabete Soares, essoares@economica.iol.pt

A indústria portuguesa de calçado está a sentir os efeitos do abrandamento das principais economias para onde tradicionalmente exporta. A deslocalização de algumas empresas é igualmente um elemento determinante em todo este processo.

Uma boa notícia para Portugal deriva do crescimento da exportação em Espanha, principalmente, e nos EUA. Para Espanha, as exportações portuguesas cresceram 35,2% (para 6 milhões de pares) no valor de 57 milhões de euros (mais 52,7%). Já para os EUA, as vendas de calçado português aumentaram 4,5% para 3 milhões de pares, no valor de 64 milhões de euros (mais 2,8%).

De acordo com os números do sector fornecidos pela APICCAPS, baseados nos dados da CEC (Confederação Europeia da Indústria de Calçado), em 2002 a produção nacional decaiu 6,5% para 100 milhões de pares, enquanto que as exportações decresceram 5,4% (para 87 milhões de pares). Já as importações aumentaram 4,9% para 26 milhões de pares. O saldo comercial do sector continua, no entanto, a ser altamente positivo.

No caso da Alemanha, as exportações portuguesas decresceram 7,2% e 5,7%, respectivamente em quantidade e valor, para 21 milhões de pares, no valor de 371 milhões de euros. O mesmo aconteceu com a Dinamarca, assinalando-se uma quebra de 9,6% e 2,2% para 2,5 milhões de pares, no valor de 54 milhões de euros. Em França, as exportações de “Portugal Quality Shoes” diminuíram 5,2% (em quantidade e valor) para 17 milhões de pares, no valor de 311 milhões de euros.

Já no Reino Unido, as exportações portuguesas decresceram 8,5% e 9,3%, para 16 milhões de pares, no valor de 280 milhões de euros. Fruto do abrandamento das principais economias o ano de 2002 revelou-se negativo às pretensões da indústria europeia. A produção dos quinze decaiu 8,4% para 808 milhões de pares e as exportações decresceram 7% para 221 milhões de pares. Já as importações aumentaram 8,1% para 1 100 milhões de pares.


In http://www.semanarioeconomico.iol.pt/artigos/artigo.php?sec=3&art_id=116867