Patacôncio
09-06-2003, 15:15
Mão Visível > 2003-06-09 00:00:02
Paradoxo
Por Jorge A. Vasconcellos e Sá
Os media confrontam-nos diariamente com o papel dos U.S.A. na globalização da economia.
São os U.S.A. quem os europeus acusam de imperialismo. É George Bush o alvo preferencial das manifestações anti-globalização. São os restaurantes McDonald’s que são vandalizados pelos agricultores franceses.
Mas será que a globalização tem de facto a cara do Rato Mickey, como perguntou o Professor A. Rugman?
Será que a globalização vê Warner Brothers, come Pizza Hut, bebe Coca-Cola, compra na Wal-Mart e guia um Ford? Ou não?
Vejamos os factos. Baseados na investigação de Moore. Entre as 25 maiores multinacionais americanas, 22 têm mais de 50% das suas vendas nos U.S.A.
A Wal-Mart tem 94% das suas vendas na NAFTA (U.S.A., Canadá e México). A General Motors 81%. A Ford 67%. A General Electric?: 59%. A Boeing?: 67%. A Merck: 84%. A Philip Morris: 60%.
Só três das 25 maiores multinacionais americanas têm menos de metade das suas vendas nos U.S.A.: Exxon (34%), Chevrontexaco e IBM (ambas com 44%).
Mais. Se exigirmos, tal como K. Moore sugere, que para ser verdadeiramente global, uma empresa tenha pelo menos 20% em cada um dos mercados da tríade U.S.A., Japão e Europa, só oito das 500 empresas da Fortune são verdadeiramente globais.
A saber: IBM, Intel, Coca-Cola, Canon, Sony, Philips, Flextronics e LVMH. E só as três primeiras têm origem nos U.S.A.. Outras duas são japonesas. Uma é holandesa. A Flextronics tem sede em Singapura e a LVMH é francesa.
Não a Disney, Warner Brothers, McDonald’s, Burger King, Pepsi-Cola, Kentucky Fried Chicken, Gilette, Xerox, Levi’s, Philip Morris (Marlboro), GM, Ford, etc. Todas estas não são verdadeiramente empresas globais porque não têm pelo menos 20% das suas verbas em cada um dos três mercados: Japão; U.S.A.; e Europa.
O que significa isto? Simplesmente que a globalização da economia mundial é feita um pouco por muitos. Não muito por poucos. Entendendo-se por muitos, quer empresas, quer países.
Quanto aos U.S.A., estes têm a visibilidade da sua dimensão e o ressentimento da sua riqueza. E um mercado interno tão rico e tão vasto, que permite às suas empresas crescendo, serem das maiores do mundo, sem serem verdadeiramente empresas globais.
____
Jorge A. Vasconcellos e Sá assina esta coluna quinzenalmente à segunda-feira.
In http://www.de.iol.pt/?article=11092&visual=1
PS Onde anda o Mohandas para comentar isto ???
Paradoxo
Por Jorge A. Vasconcellos e Sá
Os media confrontam-nos diariamente com o papel dos U.S.A. na globalização da economia.
São os U.S.A. quem os europeus acusam de imperialismo. É George Bush o alvo preferencial das manifestações anti-globalização. São os restaurantes McDonald’s que são vandalizados pelos agricultores franceses.
Mas será que a globalização tem de facto a cara do Rato Mickey, como perguntou o Professor A. Rugman?
Será que a globalização vê Warner Brothers, come Pizza Hut, bebe Coca-Cola, compra na Wal-Mart e guia um Ford? Ou não?
Vejamos os factos. Baseados na investigação de Moore. Entre as 25 maiores multinacionais americanas, 22 têm mais de 50% das suas vendas nos U.S.A.
A Wal-Mart tem 94% das suas vendas na NAFTA (U.S.A., Canadá e México). A General Motors 81%. A Ford 67%. A General Electric?: 59%. A Boeing?: 67%. A Merck: 84%. A Philip Morris: 60%.
Só três das 25 maiores multinacionais americanas têm menos de metade das suas vendas nos U.S.A.: Exxon (34%), Chevrontexaco e IBM (ambas com 44%).
Mais. Se exigirmos, tal como K. Moore sugere, que para ser verdadeiramente global, uma empresa tenha pelo menos 20% em cada um dos mercados da tríade U.S.A., Japão e Europa, só oito das 500 empresas da Fortune são verdadeiramente globais.
A saber: IBM, Intel, Coca-Cola, Canon, Sony, Philips, Flextronics e LVMH. E só as três primeiras têm origem nos U.S.A.. Outras duas são japonesas. Uma é holandesa. A Flextronics tem sede em Singapura e a LVMH é francesa.
Não a Disney, Warner Brothers, McDonald’s, Burger King, Pepsi-Cola, Kentucky Fried Chicken, Gilette, Xerox, Levi’s, Philip Morris (Marlboro), GM, Ford, etc. Todas estas não são verdadeiramente empresas globais porque não têm pelo menos 20% das suas verbas em cada um dos três mercados: Japão; U.S.A.; e Europa.
O que significa isto? Simplesmente que a globalização da economia mundial é feita um pouco por muitos. Não muito por poucos. Entendendo-se por muitos, quer empresas, quer países.
Quanto aos U.S.A., estes têm a visibilidade da sua dimensão e o ressentimento da sua riqueza. E um mercado interno tão rico e tão vasto, que permite às suas empresas crescendo, serem das maiores do mundo, sem serem verdadeiramente empresas globais.
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Jorge A. Vasconcellos e Sá assina esta coluna quinzenalmente à segunda-feira.
In http://www.de.iol.pt/?article=11092&visual=1
PS Onde anda o Mohandas para comentar isto ???