jleandro
06-12-2006, 18:07
confesso que esta figura, para mim sempre cinzenta, me intriga e que sou muito capaz de vir a comprar o livro para tentar entender alguma coisa dum ditador escondido, ignorante de muitas realidades (nunca visitou as colónias), solteiro e sempre abandonado.
"Ainda não fizemos o luto por Salazar"
Adelino Gomes
Revelações sobre ditador num livro de Fernando Dacosta debatidas em Lisboa
Os portugueses ainda não fizeram o luto por Salazar, como não fizeram luto por Alcácer Quibir, pela Inquisição e pela guerra colonial, sustentou o escritor Fernando Dacosta, num debate ontem em Lisboa.
O debate, em que participaram o antigo reitor da Universidade de Lourenço Marques, Veiga Simão (mais tarde ministro da Educação com Marcelo Caetano), e o jornalista António Valdemar, foi organizado pela Casa das Letras a propósito do livro de Dacosta As Máscaras de Salazar, lançado em 1996 e agora relançado numa edição aumentada, com revelações sobre alguns dos mistérios da vida do ditador.
Os portugueses, defendeu Dacosta, recalcaram a figura de Salazar, comportando-se "como se ele não tivesse existido, apagado pela borracha do 25 de Abril". Daí que a sua figura ressurja periodicamente, obtendo surpreendentes votações, sempre que os media apuram as principais figuras do século XX português. Para Salazar, prosseguiu, tornou-se no político que "mais poder teve e durante mais tempo em Portugal", porque "conhecia a maneira de ser dos portugueses". Ao contrário das promessas de "um mundo novo", o que os portugueses têm hoje "é o mundo velho imposto por Salazar", porque "tão violento é prender uma pessoa pelas suas ideias, como despedi-la pela sua idade, como acontece hoje", sustentou.
Veiga Simão, que conviveu com o antigo chefe do governo quando este o convidou para fundar no Ultramar os Estudos Gerais Universitários, na década de 60, disse que se Salazar tivesse abandonado o poder em 1953 "teria prestado um grande serviço ao país", e lamentou que uma figura inteligente como ele "não tenha sido conquistada pela democracia".
O livro mostra-nos um Salazar contraditório e dúplice, muito diferente da imagem que dele deixaram, em particular, António Ferro e Franco Nogueira, observou António Valdemar, sublinhando algumas das revelações agora feitas.
Entre os dados novos, mais ou menos desconhecidos, salientam-se referências ao facto de Salazar, afinal, não ter caído a cadeira, mas sim de se ter estatelado no chão, pensando que a cadeira lá se encontrava; de possuir duas cápsulas de cianeto iguais àquelas que Hitler usou; de ele próprio ter sugerido à Pide que Cunhal devia ser deixado fugir da prisão de Peniche; de D. Maria, a governanta, lhe ter confidenciado que Salazar ficou furioso quando foi informado pela Pide da morte do general Humberto Delgado; e de, desvanecida a fé na hierarquia católica ("deixou de se confessar e comungar"), se ter virado para astrólogos, médiuns e videntes, "que consultava regularmente".
in "Público"
"Ainda não fizemos o luto por Salazar"
Adelino Gomes
Revelações sobre ditador num livro de Fernando Dacosta debatidas em Lisboa
Os portugueses ainda não fizeram o luto por Salazar, como não fizeram luto por Alcácer Quibir, pela Inquisição e pela guerra colonial, sustentou o escritor Fernando Dacosta, num debate ontem em Lisboa.
O debate, em que participaram o antigo reitor da Universidade de Lourenço Marques, Veiga Simão (mais tarde ministro da Educação com Marcelo Caetano), e o jornalista António Valdemar, foi organizado pela Casa das Letras a propósito do livro de Dacosta As Máscaras de Salazar, lançado em 1996 e agora relançado numa edição aumentada, com revelações sobre alguns dos mistérios da vida do ditador.
Os portugueses, defendeu Dacosta, recalcaram a figura de Salazar, comportando-se "como se ele não tivesse existido, apagado pela borracha do 25 de Abril". Daí que a sua figura ressurja periodicamente, obtendo surpreendentes votações, sempre que os media apuram as principais figuras do século XX português. Para Salazar, prosseguiu, tornou-se no político que "mais poder teve e durante mais tempo em Portugal", porque "conhecia a maneira de ser dos portugueses". Ao contrário das promessas de "um mundo novo", o que os portugueses têm hoje "é o mundo velho imposto por Salazar", porque "tão violento é prender uma pessoa pelas suas ideias, como despedi-la pela sua idade, como acontece hoje", sustentou.
Veiga Simão, que conviveu com o antigo chefe do governo quando este o convidou para fundar no Ultramar os Estudos Gerais Universitários, na década de 60, disse que se Salazar tivesse abandonado o poder em 1953 "teria prestado um grande serviço ao país", e lamentou que uma figura inteligente como ele "não tenha sido conquistada pela democracia".
O livro mostra-nos um Salazar contraditório e dúplice, muito diferente da imagem que dele deixaram, em particular, António Ferro e Franco Nogueira, observou António Valdemar, sublinhando algumas das revelações agora feitas.
Entre os dados novos, mais ou menos desconhecidos, salientam-se referências ao facto de Salazar, afinal, não ter caído a cadeira, mas sim de se ter estatelado no chão, pensando que a cadeira lá se encontrava; de possuir duas cápsulas de cianeto iguais àquelas que Hitler usou; de ele próprio ter sugerido à Pide que Cunhal devia ser deixado fugir da prisão de Peniche; de D. Maria, a governanta, lhe ter confidenciado que Salazar ficou furioso quando foi informado pela Pide da morte do general Humberto Delgado; e de, desvanecida a fé na hierarquia católica ("deixou de se confessar e comungar"), se ter virado para astrólogos, médiuns e videntes, "que consultava regularmente".
in "Público"