View Full Version : Uma questão fundamental
Patacôncio
24-05-2006, 21:52
O que é ser português? Encontrei a resposta num blogue. Rais parta o tipo, além de Dragão escreve bem para caraças mas meio pró-totalitário. A mim parece-me ser o mesmo autor de http://omeupipi.blogspot.com/ , lembram-se?
Ora leiam lá riam-se um bocadinho.
UMA QUESTÃO FUNDAMENTAL
Ora, como o post anterior não contou, a questão fundamental que se coloca é: com que assunto vai este meu Blog perder a virgindade? Não pode ser um assunto qualquer maltrapilho e leviano, que não garanta um futuro risonho e uma famí*lia numerosa - não mandei o meu Blog estudar na universidade para deixá-lo agora entregue a sabe-se lá que aventuras e regabofes! Sou dragão, não sou otário!...Assim sendo, que tal a minha "portugalidade", hein?...Condição essencial a qualquer ser vivo, ou meio morto, ou meio vivo-meio morto, é o seu lugar de origem. O meu é Portugal. Sou um dragão made in Portugal. Genuí*no português...para a pobreza e a riqueza, na tristeza e na alegria, até que a morte nos separe! Ora, se este não é um belo assunto, então não sei o que será um belo assunto!
Então, vejamos: qual é a caracterí*stica mais forte do português?...Esperteza saloia, mesquinhez, balbúrdia, burrocracia, inveja, superficialidade, bacoquismo, futebolite, hipocrisia?...É certo que estas abundam, mas serão realmente o vértice?...
Não restam dúvidas que o português adora falar ao telemóvel e guiar o automóvel (de preferência as duas em simultâneo), mas quanto a mim há algo que ainda supera estas delí*cias e o deixa, mais que derretido, babado...Não adivinham? Eu digo: Mirar. Pois, mirar e remirar com a maior das gulas. O português não come com os olhos, empaturra-se. E não há dispepsia que o aflija: digere tudo! É uma gibóia insaciável, uma anaconda voraz. Mas nada de voyeurismos ou espreitadelas subtis, de soslaio, como quem não quer a coisa. O verniz não lhe quadra...gosta mesmo é de plantar-se defronte dos acontecimentos, das coisas e, sobretudo, dos desastres, das cenas degradantes e empanzinar-se, tirar a barriga de misérias, ou melhor, enché-la! Não se pode exigir aos portugueses que apaguem incêndios, quando, na verdade, o que eles gostam mesmo é de vê-los, apreciá-los, na sua beleza feérica, catastrófica (e quem sou eu, dragão, para os criticar nesse caso especí*fico...) Diante da própria casa a arder, o português deve ser único no mundo a experimentar sentimentos contraditórios: por um lado "ai que desgraça!,minha rica casinha!..."; por outro, "compõe-te mulher, vem ali os senhores do telejornal!..."
Da mesma forma, é absurdo incitá-los a que se levantem da desgraça, da miséria mental e fí*sica em que vivem, qual país prostrado, rastejante, mendigabundo, quando, acima de tudo, o que eles mais gostam é de contemplar misérias, desgraças, ignomí*nias, hecatombes, nem que sejam as suas! Aliás, sobretudo as suas!...Para que quereriam eles um paí*s organizado, seguro, planificado, ordeiro: só se fosse para morrerem de tédio! Tanto mais, que nenhum sarrabulho lhes chega, nenhuma confusão lhes basta: mergulhados numa babel monumental, eis que anseiam emigrar para as áfricas ou brasis, só porque sonham que aí a balbúrdia ainda é maior!... E é, graças a Deus!...
O caso dos acidentes aparatosos e sanguinolentos (ou melhor será dizer, massacres?) nas auto-estradas serve de modelo alegórico...Quem já não assistiu às tripas do semelhante em exposição gongórica nestas galerias? E as filas de basbaques que logo se formam? E os desastres subsequentes, como que por simpatia (por simpatia mesmo) que, regra geral, se encadeiam? A malta a ver, a absorver morbidamente, com volúpia... a assistir, a esquadrinhar, a pesquisar, à cata de minúcias e detalhes, quanto mais escabrosos, repugnantes, melhor! Uma corja, sem dúvida. O português conforta-se na sua própria repugnância, engrandece-se e regozija-se na proporção directa da desgraça alheia. O seu bem, a sua sorte, só são reconhecí*veis, assinaláveis a partir da desgraça e do azar dos outros. Puta de gente! E eu, apesar de dragão, sou um deles. Ninguém escapa: vem com o Tejo, os sobreiros, o azul único do céu e tudo o que faz com que este lugar seja este e não outro. Os gregos chamavam-lhe "moira"; nós chamamos-lhe "destino".
Não deixa de ser irónico: os portugueses embasbacados diante de misérias e desgraças, e eu embasbacado diante deles e de mim próprio (ou sejam, outras misérias e desgraças que tais)...Mas felizmente há o riso! e este meu dragoscópio, que dá para ver tudo e mais alguma coisa!...E que vejo eu, dragão, nos portugueses, através do meu dragoscópio?...
A desgraça que é ser português..., pensais vós...
Desgraça?! Não me fodam!, desgraça mesmo era ter nascido americano!...
No blogue Dragoscópio (http://dragoscopio.blogspot.com/2003_12_01_dragoscopio_archive.html).
http://www.alentejodigital.pt/liceuevora/Antigos_Alunos/Anedotas/Anedotas_em_Imagens/virus.jpg
Patacôncio
24-05-2006, 22:55
Genial! Espectacular. Só mesmo lendo:
O MISTÉRIO
Ultimamente, aqui, na tasca -aliás, Ciber-tasca-, andam a contecer coisas estranhas; fenómenos deveras bizarros. O mais recente fez-se transportar na pessoa do Caguinchas, que, todo apessoado e decidido a uma pernoita excitante, me abordou com a seguinte trignometria:
-"Ó Dragão, estou aqui um bocado hesitante...Preciso da tua opinião!... Confesso que já não percebo nada destes anúncios!..."
Os anúncios em questão referiam-se àquelas páginas eróticas, onde hordas de gente voluntariosa se disponibiliza a todo o género de serviços corporais e prazeres de aluguer.
Continua aqui...
http://dragoscopio.blogspot.com/2004/01/o-mistrio.html
Qual Saramago qual carapuça! Este tipo é digno de perfilhar o sobrenome do famoso José Vilhena. :D :D :D
http://www.tabacaria.org/JoseVilhena/mausebons/0livro09b.JPG
Pataco...
é só pra dizer que, na minha opinião estás a esticar demasiado a corda, e que se eu fosse moderador, isto não parava aqui nem mais 1 segundo. No limite, mas mesmo no limite, o link para o blog, agora assim... é demasiado, pá. Bem sei que te diverte á brava uma brejeirice bem armada, mas acho que tens mesmo que pensar duas vezes antes de agires, nestes casos.
Cali, não entendo a tua objecção.
No post não há linguagem obscena.
Avisa que no link há linguagem obscena.
:confused:
Patacôncio
26-05-2006, 06:00
Iatros, havia linguagem obscena porque eu tinha metido tudo. No ínicio ia fazer como está agora, mas depois pensei: naaa. Liberdade é liberdade.
Mas a liberdade tem limites quando pode ferir outros confrades.
No problem. Agradeço aos dois. ;) :p :D ;) :cool:
Patacôncio
26-05-2006, 06:29
Outra espectacular.
Os Otários que paguem a crise (reposição)
http://www.isurp.com.br/aula/ciencia/Marcio/anelid4.jpg
(Isto é só para demonstrar que os postais, aqui, neste batel danado, não só não envelhecem, como, com a idade, ficam cada vez melhores. Como o vinho do Porto, pois. Quando eu digo "melhores", entenda-se "cada vez mais actuais"...)
Estou de acordo: "Os ricos não devem pagar a crise".
Em primeiro lugar, porque os ricos são o esteio da sociedade e do mundo. Se acabássemos com os ricos, para que farol guia olhariam os pobres, bem como os remediados e os quase nababos? Ficariam às escuras, pois claro, sem saberem para onde se dirigir nem que paradigma imitar. Naufragariam irremediavelmente de encontro aos escolhos, traiçoeiros e pontiagudos, da existência.
Nenhuma sociedade funciona sem um regime, e nenhum regime se aguenta sem paradigmas orientadores. Depois de inúmeras peripécias que seria fastidioso enumerar, o mundo ocidental arfa sob os primores duma plutocracia vigorosa. Não adianta fazer grandes ginásticas mentais à procura de mundos alternativos; é assim. A História, à boa maneira hegeliana, porta-voz do "Espírito", determinou-o.
Por conseguinte, sendo uma plutocracia, tem nos ricos o vértice da pirâmide – tal qual como se fosse uma monarquia, teria no rei; ou, uma teocracia, encontraria em Deus. Ora, se retirarmos o rei à monarquia, ou o Deus à teocracia, lá ruem ambas, a monarquia e a teocracia, sem apelo nem agravo. O mesmo acontece se retirarmos os ricos à plutocracia. Resulta no caos, na anarquia, desatam-se todos a comer uns aos outros. Descamba o carrossel numa depredação intraespecífica sem regras, bestialmente destrutiva e causadora dos piores atropelos e sevícias à ordem pública e não só.
Assim, tal qual vamos, há uma ordem: os ricos comem todos os outros; os pobres são comidos por todos os outros; entre os ricos e os pobres existem uns terceiros que comem e são comidos. Se não é o melhor dos mundos, anda lá próximo. É como na selva: há um equilíbrio natural, racional, que visa a perpetuação do sistema ecológico. Têm que existir poucos ricos e muitos pobres, da mesma forma que devem existir poucos lobos para muitas ovelhas. Se existissem muitos lobos para poucas ovelhas, os lobos exterminariam as ovelhas e, depois, definhariam até à inanição por falta de alimento. A não ser, claro está, que os lobos mais fortes despromovessem os mais fracos a ovelhas e desatassem a pitar neles. Em todo o caso, isso não passaria duma solução de emergência e apenas adiaria o colapso inevitável do sistema.
Portanto, sendo os ricos o que de mais precioso tem o regime, convém preservá-los e protegê-los de todos e quaisquer percalços. Ora, um rico não é rico porque paga crises ou o que quer que seja. Pelo contrário, é rico porque lhe pagam inúmeras coisas: é rico porque recebe. Viaja isento, à borliu.
Também, ao contrário do que se pensa, o rico não é rico porque investe o que quer que seja: é rico porque acumula. Se o rico gastasse o seu precioso dinheiro –a sua essência, e substância inefável do sistema -, em negócios e fabriquetas, corria o risco de ficar pobre. Ora, esse é um risco que nenhum rico que se preze pode correr.
É claro que o pobre, e especialmente o pobre de espírito, cisma que assim é. Isso, porém, não nos deve surpreender: É conveniente ao sistema e ao rico que ele assim pense. Tratam até, ambos, de mimar-lhe essa imbecil convicção, de mantê-lo nessa ilusão mentecapta. Mas, na verdade, o rico apenas se dedica a multiplicar o seu dinheiro, velando, desse modo, pela própria saúde do regime e pelo equilíbrio do ecossistema.
Quer dizer, o rico nunca investe o "seu" dinheiro. Investe, isso sim, o dinheiro que o banco lhe confia para investir. O "seu" dinheiro significa apenas"crédito" junto da banca, funciona como uma espécie de brevet para "piloto de capitais". Porque o rico é essencialmente isso, um piloto de capitais, que se faz pagar a peso de ouro pela crematonáutica que exerce. O "seu" dinheiro é apenas aquilo que antes da operação a garante e que, terminada a mesma, resultará ampliado. A função do rico é tornar-se cada vez mais rico. O ser rico, bem mais que um estatuto, é uma dinâmica: cega, obsessiva, inexorável.
Então, com que dinheiro investe o rico? – Com o dinheiro dos outros, é evidente; precisamente aquele que a banca extrai à grande maioria.
E o que é uma "crise"? – É uma época de desequilíbrio financeiro, em que, por um lado o Estado através de impostos e taxas, e por outro a banca e seus associados, através de "empréstimos" (que mais não são que formas encapotadas de cobrar "taxas" e "impostos" muito acima dos do próprio Estado), deixaram ou ameaçam deixar a grande parte da população na penúria, senão mesmo à beira do colapso enquanto sociedade.
Se o dinheiro deixa de circular com a quantidade necessária a manter um fluxo de oxigenação saudável do sistema, isso só pode significar hemorragia algures.
Quando, em plena crise, a banca apresenta lucros fabulosos, isso significa que esse dinheiro foi sacado à população e entregue nas mãos dos tais "pilotos". O que estes fizeram, obedecendo à sua lógica intrínseca, foi ir investi-lo noutras paragens mais rentáveis. O objectivo do investimento não é criar postos de trabalho: esse é o simples meio. A finalidade é multiplicar o capital inicial. O resto é supérfluo e, em bom rigor, descartável, logo que a finalidade esteja alcançada.
Entretanto, o país de regresso à sua penúria tradicional, do ponto de vista dos ricos e seus acólitos, é positivo: quer dizer que o país, de volta ao terceiro mundo e à realidade, está a transformar-se num país mais competitivo, com mão de obra mais barata e menos esquisita. Para os pobres, os verdadeiros, também não faz grande diferença: abaixo de pobres não passam, e já estão habituados. Concentram-se no futebol, na pinga e lá vão. Os únicos que, de facto, têm motivos para se preocupar seriamente são aquela classe heteróclita e intermediária – daqueles que vivem digladiados entre a angústia de regredirem a pobres e a ilusão de, num golpe de asa, ou por qualquer súbita lotaria do destino, ascenderem a ricos. Esses, temo-o bem, vão ter que sacrificar-se, mais uma vez, pela competitividade do país. É, aliás, urgente que desçam do seu pedestal provisório e se compenetrem dos seus deveres atávicos. São para isso, de resto, que, ciclica e vaporosamente, são criados.
E dado que os pobres não pagam porque não têm com quê, e os ricos também não, por inerência de função e prerrogativa sistémica, resta-lhes a eles, os tais intermédios (ou otários, se preferirem), como lhes compete, chegarem-se à frente. Está na hora de devolverem a sua "riqueza emprestada", o seu "estatuto a prazo"; de se apearem do troleibus da ficção e retomarem o seu lugarzinho na horda chã, em fila de espera para o próximo transporte até à crise seguinte.
Não sei se campeia a justiça neste mundo. Duvido. Mas que reina uma certa ironia, disso não restam dúvidas.
http://dragoscopio.blogspot.com/2006_04_01_dragoscopio_archive.html
:D :D :D
Patacôncio
26-05-2006, 06:40
Outra bem castiça. Este gajo tem mesmo uma capacidade íncrivel para a crítica e é bem mordaz.
A Denúncia da Usura
O Que é um Banco?
-Uma instituição de malefício público que se locupleta de vender às pessoas o seu (delas) próprio tempo e o seu (delas) próprio dinheiro.
Já devem ter percebido: é da usura que vos vou falar.
Diz o Código Civil, no seu artº282 (Negócios usurários): «1. É anulável, por escusa, o negócio jurídico, quando alguém, explorando a situação de necessidade, inexperiência, ligeireza, dependência, estado mental ou fraqueza de carácter de outrém, obtiver deste, para si ou para terceiro, a promessa ou concessão de benefícios excessivos ou injustificados.»
A usura é crime. E o Código penal, no seu artº.226, estipula-o:
«1. Quem, com intenção de alcançar um benefício patrimonial, para si ou para outra pessoa, explorando situação de necessidade, anomalia psíquica, incapacidade, inépcia, inexperiência, ou fraqueza de carácter do devedor, ou relação de dependência deste, fizer com que ele se obrigue a conceder ou prometa, sob qualquer forma, a seu favor ou a favor de outra pessoa, vantagem pecuniária que for, segundo as circunstâncias do caso, manifestamente desproporcionada com a contraprestação é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 120 dias. (...)
4. – O agente é punido com pena de prisão até 5 anos ou com pena de multa até 600 dias se
Fizer da usura modo de vida;
Dissimular a vantagem pecuniária ilegítima exigindo letra ou simulando contrato; ou
Provocar conscientemente, por meio da usura, a ruína patrimonial da vítima.»
Os factos:
A. Dos bancos:
Os bancos fazem da usura modo de vida;
Simulam contratos e exigem letras;
Provocam, fria e dolosamente, a ruína patrimonial das vítimas;
B. Das Vítimas dos Bancos:
1. Padecem de situação de necessidade (em grande parte dos casos, são jovens casais que doutra forma não conseguiriam acesso à habitação –direito consignado na Constituição); além disso, são desde tenra idade endrominados com a ideia de que o supérfluo é necessário. Ou melhor: tudo o que os grandes empórios e marcas oferecem é essencial. Não possuí-lo é fonte de assolapantes angústias existenciais, as únicas, de resto, admissíveis.
2. Encontram-se de psique alterada por via do bombardeamento ininterrupto de propaganda sedutora, onde os incitam e empurram a endividar-se, a qualquer preço, de todas as maneiras possíveis e imaginárias; são constantemente assediados por uma espécie de proxenetas financeiros que lhes exibem pornografia excitante e vaporizam perfumes afrodisíacos; vendem-lhes crédito como quem lhes vende heroína ou charros ao domicílio;
3. Fruto dessa intoxicação consumista, levada a cabo com a conivência e o beneplácito mais que escandalosos das autoridades, tornam-se crédito-dependentes. Zombificam, abdicam da própria liberdade e livre arbítrio, hipotecam o futuro, e entregam-se a uma servidão rastejante da dose, ou melhor dizendo: do juro. Incapazes, por clara debilidade mental, à partida, de discernirem o que verdadeiramente está em causa, atolar-se-ão cada vez mais nas areias movediças do mistifório e da vigarice, e acabarão tragados por um labirinto de cláusulas, micro-cláusulas e alçapões legais;
4. São geralmente ígnaros e ineptos em matéria financeira, ou em qualquer outra que transcenda a vida dos futebolistas, o enredo das novelas, o casamento dos príncipes, o último grito dos telemóveis e outras do mesmo jaez. Aderem infantilmente ou por compulsão osmótica às promoções irresistíveis que, em ubíqua algazarra, arautos e almocreves de todos os quadrantes proclamam. Junkies da publicidade, padecem, em fase terminal, de onerreia –isto é, de incontinência aquisitiva;
5. São comprovadamente inexperientes. Aliás, inexperientes é pouco: ingénuos, simplórios, totós, papalvos, é mais o termo. A facilidade com que desembestam atrás de qualquer ilusão, a tendência para confundir anseio com evidência, a facilidade com que se babam de roda de qualquer fábula, coloca-os praticamente num estado de completa vulnerabilidade a todo e qualquer charlatão. Mesmo parlapatões pouco mais que unicelulares não encontrarão grandes dificuldades para lhes venderem lotes em Marte ou nuvens na Austrália. Por esta altura, já compram a própria água que bebem e, adivinha-se, não tardará que paguem pelo próprio ar que respiram.
6. Referi-los como fracos de carácter é claramente um exagero. Na verdade, em termos de carácter, a definição correcta é "ausentes", ou "acaracterísticos". O carácter, em rigor, desempenha neles a mesma função que a vértebra nos moluscos. Não admira pois que, à inexperiência, se some a irresponsabilidade e se subtraia, quase de todo, a individualidade.
Concluindo:
Como é bem patente, o crime existe. É público e notório. Atenta contra a saúde mental e moral da população e mesmo contra a existência física do país. Sendo um crime público não carece de denúncia para que o Ministério Público proceda e investigue. Mais: é-lhe obrigatório fazê-lo. Então porque é que não se investiga?...
Só me ocorre uma explicação: pela mesma razão que não se procede contra a espoliação dos papalvos por parte da Igreja Universal do Reino de Deus. Ou seja, ao abrigo do pleno –e constitucionalmente sagrado - direito à Liberdade de Religião e Culto.
Afinal, não é usura: é cobrança do dízimo.
hoohohohohooohoh
http://dragoscopio.blogspot.com/2004_12_01_dragoscopio_archive.html
http://www.oxum.com.br/img/imagens/religiao.jpg
Patacôncio
26-05-2006, 07:46
O gajo diz em Novembro de 2004 que o Benfica vai ser campeão. E até explica o porquê. Para nossa salvação e consolo. Ora leiam o tipo:
O Apocalipse segundo S. Mário - I. Os motivos
A terceira república, além de não ter resgatado o país do marasmo onde o deixou a segunda, corre sérios riscos de ir pelo mesmo ralo da primeira.
Sobre essa evidência já eu tinha elucubrado há dias. Vem agora S. Mário, de trombeta em riste, despender amargos queixumes sobre a mesma questão. Especifica ele que, não pipilasse o país sob a asa protectora –e sedativa – da Europa e, a esta hora, com tanta corrupção e crispação social à solta -uma vergonha!- e já militares exaltados, de estribeiras perdidas e espingarda na mão, se teriam soltado também dos quartéis, em pronunciamentos, levantamentos, motins – barrelas, enfim. Estaremos a ouvir bem? Estamos. Será caso para alarme? Quando o próprio pai da democracia portuguesa, o engendrador capital das suas moléculas, vem bradar para a rua, em barrete e ceroulas, que a filha anda na má vida, enrodilhada com alcoviteiros e proxenetas, amancebada com merceeiros, a esfolar trolhas na borda da estrada e sabe-se lá que mais, muito naturalmente as almas mais sensíveis tenderão a preocupar-se, senão mesmo a escancarar a boca de espanto. As almas sensíveis, ou seja, aqueles que tenham acordado agora após um coma profundo de vinte anos. Fora esses, julgo que mais ninguém se alarma nem descobre motivos para isso. E depois de vos expor as razões, julgo que também todos vós concordareis comigo e dormireis repimpados esta noite.
Começando pelos motivos para alarme...
1. O putativo golpe militar.
Bem, para haver golpe militar é necessário, no mínimo, uma coisa: os tipos que fazem o tal golpe, ou sejam: os militares. Ora, toda a gente sabe que a instituição castrense foi purgada dessa gentinha belicosa, como se de um explosivo instável se tratasse. Por atávica mania, esses energúmenos cultivavam o péssimo hábito de considerarem a pátria acima dos partidos políticos. A partir do momento abençoado pela História em que a pátria passou a andar por baixo dessas bizarras associações, a permanência desses fulanos nas fileiras tornou-se indesejável, afronta potencial de lesa-democracia. Procedeu-se em conformidade. À presente data, quando muito, restam não militares mas militantes, funcionários públicos fardados e estrelados –lacaios de luxo, enfim –, mais a criadagem avulsa de todas as épocas (quer dizer, a soldadesca anódina e de plantão às mordomias dos graduados). Não espanta pois que os preocupe mais a fundação dum sindicato que a redenção da pátria. Têm prestações para pagar.
Mas, mesmo admitindo o fabuloso, só para efeito retórico, mesmo que houvesse um golpe militar, que tremenda interrogação angustiaria a esta hora, e por antecipação, o povo? Provavelmente, apenas a prosaica conjectura de qual a flor garrida que os bravos magalas trariam na ponta das armas desta vez.- Cravos? Rosas? Malmequeres? Manjericos? Narcisos?...
2. A corrupção, essa metástase.
As pessoas, regra geral, alarmam-se com algo de surpreendente, de inesperado ou ameaçador. Pelo contrário, relaxam diante daquilo que é corriqueiro, habitual, vulgar. Pior: desinteressam-se, enfadam-se. Ora, como todos sabemos, e estamos cansados de saber, a corrupção, em Portugal, será tudo menos surpreendente ou inesperada. De facto, mais que endémica, ubíqua, deveio já modus vivendi (ou dito à moda fadista, constituiu-se em "estranha forma de vida"). Poderá ser estranha, mas é a nossa. No estado actual dos negócios, vir alguém bradar contra a corrupção é o mesmo que vir pregar moral a um heroinómano ou exortá-lo, em evangélica pregação, a abandonar tão nefasto vício. O que torna a coisa ainda mais caricata, próximo da anedota, é ser um ex-traficante e fornecedor inaugural do toxicodependente, subitamente transmudado em anjo de procissão, quem rompe em perorações bacocas ao domicílio.
3. A crispação social, esse vulcão...
Existe, é um facto; tem-se vindo a acumular. Mas a razão é simples: O Benfica não ganha o campeonato vai para 11 anos. Basta que esse jejum termine e a crispação acaba. É tão simples quanto isso. Concretize-se esse anseio aglutinador da grande maioria de encrespados, reforce-se a dose de novelas, de reality shows, de hipnose mediática, e Portugal entrará no melhor dos mundos. Os actuais governantes sabem disso. E estão a tratar do assunto.
Quanto aos motivos estamos por conseguinte conversados. Só um existe, mas, o mais tardar em Junho de 2005, estará resolvido. Os desígnios nacionais, os interesses de estado, cá, no país das maravilhas, são assim.
http://dragoscopio.blogspot.com/2004_11_01_dragoscopio_archive.html
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