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View Full Version : Documento que justificou guerra do Iraque afinal era forjado


Óscar
10-04-2006, 23:46
Aos poucos e poucos vai-se descobrindo a verdade...:rolleyes:


O contrato segundo o qual o ex- -presidente iraquiano Saddam Hussein tentara comprar urânio ao Níger foi forjado por dois funcionários da embaixada daquele país africano em Roma, revelou ontem o jornal Sunday Times, citando fontes da NATO. O documento, divulgado em 2002, foi usado pela Administração norte-americana como argumento para invadir o Iraque, em 2003.

Denunciado como falso pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ainda antes do início do conflito, o contrato veio reforçar a teoria dos EUA segundo a qual Saddam possuía armas de destruição maciça. Segundo o jornal britânico, o cônsul Adam Maiga Zakariaou e a assistente do embaixador, conhecida como La Signora, terão forjado o documento "por dinheiro". A ideia parece ter surgido após os serviços secretos ocidentais terem sido alertados para o facto de Saddam estar a tentar comprar urânio ao Níger, mas não terem provas do negócio.

Ao terem conhecimento do interesse de um ex-agente da secreta italiana (Sismi), que trabalhava para a DGSE, serviços secretos franceses, os dois funcionários decidiram fazer uma cópia de um contrato verdadeiro, modificando os dados.

O Sunday Times avança ainda que a assistente do embaixador, também ela uma ex-agente dos serviços secretos italianos, recebia 504 euros mensais do seu antigo colega do Sismi. Rocco Martino convenceu La Signora de que "uma agência de informação não identificada" estava disposta a comprar "a preço de ouro" uma prova da implicação do regime de Saddam na compra de material nuclear.

Na posse do falso contrato, Martino transmitiu o documento aos seus superiores da DGSE, mas os franceses não se deixaram enganar, detectaram imediatamente a fraude e recusaram pagar por este serviço.

Mas, ainda em 2002, os serviços secretos franceses terão obtido uma carta que revelava a visita ao Níger do embaixador do Iraque no Vaticano. Apesar de "não provar que o Níger concordou em vender o urânio ao Governo iraquiano", como sublinha o Sunday Times, esta missiva parece ter estado na base da declaração do Governo britânico segundo a qual Londres "soube que Saddam tentou obter grandes quantidades de urânio em África". A informação foi transmitida ao MI6 pela França, que não revelou, contudo, a sua fonte e acabou por chegar a Washington.
Em Fevereiro de 2002, a Administração Bush enviou o ex-embaixador Joseph Wilson ao Níger para verificar estas informações. De regresso a Washington, Wilson rejeitou a hipótese de Saddam ter comprado urânio ao país africano, atacando a teoria do Presidente Bush. Pouco depois surgiram notícias segundo as quais a mulher de Wilson, Valerie Plame, era uma agente da CIA, procurando descredibilizar o ex-embaixador, que acusara a Administração de estar a exagerar a ameaça colocada pelas armas de Saddam para justificar a guerra no Iraque.

Na semana passada, Lewis Libby, ex-conselheiro do vice-presidente Dick Cheney, afirmou ao procurador especial encarregue do caso, Patrick Fitzgerald, que a fuga para a imprensa foi ordenada por Cheney, com autorização do próprio Bush.

Ontem, o New York Times afirmava que o Presidente "apenas ordenou a Cheney para divulgar a informação, mas deixou os pormenores" com o vice-presidente, segundo um advogado próximo do caso. Terá sido Cheney a escolher Libby para transmitir a identidade da agente à jornalista Judith Miller. Revelar o nome de um agente secreto é considerado crime nos Estados Unidos.

Libby, que deverá começar a ser julgado em Janeiro, é acusado de perjúrio e obstrução à justiça por alegadamente ter mentido ao júri e aos investigadores sobre o que disse aos jornalistas acerca de Plame.

http://dn.sapo.pt/2006/04/10/internacional/documento_justificou_guerra_iraque_a.html