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View Full Version : Hoje tive um favo de mel!


Ventor
25-05-2003, 23:45
Vocês estão fartos de fazer contas para o dia de amnhã e eu nem contas posso fazer!

Não sei se vendi as minhas BCP na sexta feira, nem me interessa!
Também não estou aqui por causa disso. Amanhã de manhã vou ter de ir cedo para Lisboa e se calhar vou ter tempo para ir e voltar e só na volta é que ataco!

Mas hoje, para mim, foi dia grande! Andei por aqui, de manhã, e comi um favo de mel.

Vejam só. Um favo de mel! Uma senhora que sabe que eu sou um lambão, trouxe-me um favo de mel na 6ª feira e hoje lembrei-me dele. Foi-se metade e a outra metade, vai amanhã!

Mas hoje tive mais favos de mel! Tive oportunidade de conhecer a nossa Joana do Cali. Ela é uma beleza e não tarda muito vamos tê-la aqui a mandar vir com o Ventor ou, pelo menos, a perguntar que raio é isso, um favo de mel!

Fui também ter com mais um favo de mel. Uma sobrinha minha que foi operada no Hospital de Santa Maria a uma hérnia e eu disparei ao cair do pano desde Massamá até lá. Num lado deram-me com os pés, já estava fora de horas e já tinham gasto as senhas daquela doente. Mas uma senhora com cara de santa, que tinha uns olhos lindos como a Joana do Cali, reconheceu o velho Ventor e disse-me que o caminho era por ali! O Favo de mel, o último, era que estava tudo bem, só faltou convidarem-me para jantar!

Foi um dia em grande, para mim e para a "minha coxinha" que mal se arrastava pelos corredores do Santa Maria e, se calhar, amanhã terei outro cheio de favos de mel, daquele mel que não é produzido por abelhas, mas sim pela boa gente deste mundo!

Do favo das abelhas, ainda tenho ali um bocadinho!

Até amnhã,

Iatros
25-05-2003, 23:58
Aproveita bem o mel dos teus favos e no fim guarda-me um bocadinho de água-mel.

Ventor
26-05-2003, 18:25
Que raio é isso de água-mel, Iatros?
Referes-te, ao hidromel?
Quando tinha 17 anos, conheci um médico com noventa e tal, não sei se tinha 96 se morreu algum tempo depois com 96! Sei que me recordo deste número na vida dele!

Ele era amigo de uns tipos meus amigos e ficamos amigos de café. Conversava muito com ele, no velho Café-Restaurante Monumental e como eu gastava uma coroas no Diário de Notícias, ele passou a deixar-me esse jornal e se eu não estava deixava-o a um gajo da copa, ou ao próprio jornaleiro que os vendia à porta, para mo dar!

Era muito simpático e nem sei de que terra era, era homem de cidade, mas sei que um dia apareceu lá com um fato cinzento claro muito bonito e deu-mo dizendo que ele engordara um pouquito e a ele estava apertado. Tinha apenas tentado vesti-lo e viu que nunca mais lhe serviria e por isso se lembrou de mim. Deu-me aquele embrulho e disse-me que esperava que me ficasse bem, mas ficaria quase de certeza. Leva-o e veste-o. Se não estiver bom vais comigo ao meu alfaiate que ele dá-lhe um jeito!

Foi o melhor fato da minha vida! Disse também que ainda teria outras coisas que me podia dar, uma vez que o fato me estava bem! Ficou todo encantado ao ver-me dentro do fato dele! Era um velhinho sorridente, muito simpático, que gostava muito de conversar comigo porque eu contava-lhe facetas da vida de que só conhecia pelos livros! Era um homem de cidade e eu era um puto da província cheio de vontade de conhecer tudo que me rodeava!

Um dia, fui até à Figueira da Foz e Coimbra e entre os dois lados estive 15 dias com uns meus tios que também já partiram para o lado de lá. Quando cheguei a Lisboa, já estava com vontade de ver os velhos amigos de Café e encontrei um ou outro! Aqule velho amigo que já nem o nome sei, tinha desaparecido da circulação. Só algum tempo depois fiquei a saber por outro que tinha morrido com uma síncope!

Este amigo que já nem o nome recordo, pois só lhe chamávamos Doutor, dizia-me que, se eu quisesse chegar à idade dele, bastava-me tomar todos os dias em gejum, uma colher de mel, e não precisava de mais nada, a não ser que tivesse muito azar!

http://www.agridata.mg.gov.br/mercosul/fotos/memel.jpg

Nunca mais vi aquele velhinho de cara simpática um dos primeiros "professores" da minha vida e que apesar de não saber o nome, recordo-o sempre como um verdadeiro amigo de quem nem nick tive, apenas o palavrão "Doutor"! Falávamos de tudo, da guerra da Argélia, da prisão do Genreal Salam, que nunca mais esqueci, dos atentados ao De Gaule, enfim, da vida do nosso tempo. Das minhas vacas, das montanhas do Norte, das minhas pescarias às trutas e vogas, do terror que eu tinha pelas cobras, dos meus "amigos lobos e raposas" de que ele era um defensor e recordo-me daquele grande artista Óscar Acúrcio dizer: "Doutor, com este ainda se aprende muito"! Ao Óscar Acúrcio, eu imitava-o no saltinho que ele dava na publicidade dos sapatos engraxados! Tínhamos o mesmo engraxador! Bela vida, belos tempos!

Velhos tempos e grande rapaziada aqueles amigos que também perdi na roda do tempo! Amigos sem nome e sem nick! Um foi eleito vereador de uma Câmara, ou Alverca ou Vila Franca, era de um sítio e foi eleito noutro, mas ainda o ia vendo, quase todos os outros perdi, com a minha ida para a Força Aérea. Uns ia vendo nos fins de semana, quando vinha da Ota, depois estive em Lisboa mais oito meses e fui vendo um ou outro todos os dias, porque o Monumental continuava a ser o meu café!

Depois veio África, a guerra e outros sonhos, e perdi uns amigos para sempre e ganhei outros, nesta vida de intercâmbio permanente, sem nicks e sem nomes, com nicks e com nomes!
Este favo de mel entrou cá em casa, pela mão da nossa mulher a dias, porque a brincar ouviu-me dizer que saudades eu tinha, não de mel, mas de um favo de mel. Ela apareceu com ele que trouxe lá da terra tão encantada vinha e tão feliz ficou, que até esse mel me soube melhor!

http://www.sanmichele.com.br/imagens/ft_omel.jpg

Agora, nem água tenho Iatros!

Mas tenho um abraço,

Blue
26-05-2003, 18:27
Tens outro favo de mel no Finitos Infinitos. Não é bem para ti, mas ... tb serve.

Ventor
26-05-2003, 19:43
Quico, o bichano


É vaidoso e dengoso o bichano
Sobre tudo opina
Entre gente fina
É ouvi-lo falar de fulano e sicrano

E muito aninhado
em cima do sofá adormece
E esquece

Vidas passadas na rua
A fome que aperta
E a morte tão certa
Sob o manto claro da lua

E muito satisfeito
De cima do sofá pula
E gesticula

Que bela soneca fiz agora
Sou um felpudo
Muito sortudo
nesta familia que me adora


(Um presente para o Ventor)

Blue velvet ... blue moon ... Blues


Ó Blue, aproveitei que o Ventor fosse tratar do Martini, e vim aqui dar uma olhada! És um amigo às direitas, como o Ventor costuma dizer! Os amigos que o Ventor arranja na Net que até se lembram de mim! Esta tua poesia que fala de mim é um presente para o Ventor mas acho que vou eu ficar com ele! Vou imprimir e mostrar aos meus amigos que andam na rua, para saberem como é bom termos uma casa e uma família! Quando eu fui amarfanhado pelos putos na rua, queriam-me matar, trouxeram-me cá para casa e apresentaram-me ao Ventor. Eu era muito pequenino e estava esfomeado e segundo me dizem já estava vidrado!

No entanto recordo-me do Ventor dizer à minha dona: "não podemos ter o gato cá em casa com o Rafinho, tens de o dar a alguém que goste de gatos, porque não quero o coelho em bolandas"!

Ouvi a minha dona dizer que não tinha coragem para me levar para as barracas, mas que tínhamos de o levar a Fernão Ferro a um colega que lhe tinham morto o gato, por atropelamento. Fiquei azambuado quando ouvi falar de um Fernão que não sabia quem era e ainda por cima Ferro!

O Ventor olhava para mim com olhos de amigo, mas só pensava no grande amigo que já tinha cá em casa - o nosso amigo Rafinho! Eu econdi-me por detrás da aparelhagem da música e de lá espreitava o Ventor. O ventor foi logo a correr desligar a ficha, enquanto eu me limitava a espreitá-lo. À nossa frente um coelho anão a cheirar-me e eu só me apetecia dar-lhe uma sapatada, mas o gajo pesava um quilo e eu era pele e osso! O Ventor olhou para mim e disse: "temos de aprender a viver juntos. Se te portares bem não vais para Fernão Ferro, ninguém te tira de cá. Vais aprender a respeitar o Rafinho, ok"? Foi o que eu quis ouvir e disse logo ao Rafinho que iríamos ser os melhores amigos do mundo!

Eu fui crescendo e aranjando cabedal e de repente vi-me maior que o gajo, mas eu sabia que se me metesse com o Rafinho estaria à pega com o Ventor! Ficamos todos amigos e quando o Rafinho passava junto de mim eu aplicava-lhe uma rasteira. O gajo batia com os pés de trás no chão e fazia um barulho esquesito e eu chegava a ter medo dele! Mas fartei-me de o rasteirar! Pregava-lhe cada partida!

O rafinho era como um gato! Tinha o mundo dele cá em casa e uma gaiola onde fazia a vida tal como eu tenho a minha. A casa era toda dele, mas comigo, o Ventor passou a fechá-lo na sala à noite e só estávamos juntos quando estávamos todos. Uma noite o Ventor fechou a porta mal, eu mandei-lhe um encontrão e abri-a. Fui para o pé do Rafinho e conversamos a noite toda! Depois eu adormeci no sofá e o Rafinho no chão da sala, por baixo de mim!

Quando a mãe da minha dona viu que eu estava na sala, gritou para o Ventor a dizer: "o Quico matou o Rafinho"!!! Vejam só por quem me tomou. Um assassino! O Ventor saltou da cama a correr e eu fiquei parvo a olhar para a cara dele! Ele olhou para o chão e lá estava o Rafinho a olhar para ele de soslaio! Começou logo a correr em volta das pernas do Ventor a dizer-lhe que podíamos passar a ficar sempre juntos. Foi uma felicidade para esta casa quando souberam que eu podia matar o Rafinho e não o fiz! Éramos a família mais feliz do mundo durante os quatro anos que vivemos juntos! Eu armei-me em guardião defensor do Rafinho. Não havia cão nenhum que se lhe chegasse sem minha autorização e do Ventor! O nosso amigo Dick, um cocker, entrou cá em casa, sem autorização e levou a maior batida da vida dele. Eu não sabia que ele era amigo do Ventor, mas quando o Ventor viu ele atravessar a cozinha, a varanda e a sala à minha frente parecia que levava aguarrás no rabo, disse-me para ter calma, porque essas coisas costumam ser ao contrário. Eu disse logo: comigo não! Não quero estranhos junto do Rafinho!

Não posso continuar que já vem aí o gajo a fazer cantarolar as pedras de gelo no fundo do copo!

Obrigado Blue, uma marradinha do Quico,

Aí está o Ventor, raspa-te!

Esta poesia é uma maravilha! Bleu, bleu, le ciel est bleu!!! Comme mes yeux, comme ...

Blue
26-05-2003, 20:20
Ainda bem que gostaste Quico, e o teu dono merece.
Tal como todas as pessoas que dão uma segunda oportunidade aos amiguinhos de 4 patas. ;)

Ventor
27-05-2003, 13:53
Para os incautos coloco aqui uma informação que encontrei na Net e que se pode tornar útil, fundamentalmente, para quem tem criancinhas, mais frágeis que nós!

Eu sei que nem tudo é um mar de rosas e a vida é feita de riscos, e foi baseado nisso que limpei o meu favo de mel!

Durante 15 anos, comi muitos favos de mel. A minha mãe passou as colmeias porque tinha medo das abelhas, e uma das condições era que lá em casa haveria sempre mel. E assim foi! Na verdade, depois de mascar toneladas de cera, e comer muita colher de mel, ainda aqui ando e vamos ver até quando!

Então aí vai:

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Perigos em Mascar Favos de Mel
30/11/2002
Caro Doutor:
Outro dia comprei uma gavetinha de favos de mel natural, de um ambulante que passou aqui em casa. É delicioso, mas fiquei com medo que possam causar algum mal à saúde. Tenho sobrinhos pequenos que adoram essa guloseima!

Poderia me dar alguma informação a respeito?

Muito obrigada
Silvia

Resposta

Cara Silvia:

Realmente você tem razão em se preocupar com os problemas de saúde que podem ser causados pelo consumo do favo de mel "in natura".

O mel é composto de glicose quase pura, excretada por uma glândula especial da abelha (Apis mellifera). O favo é um casulo de cera (também produzido por outra glândula especializada das abelhas operárias), usado para alimentar as pupas botadas pela abelha-rainha. Por isso, são muito energéticas, e têm outras substâncias que são benéficas para a saúde humana.

Entretanto, por esse motivo, os favos são meios de cultura ideais para a proliferação de bactérias. Como os favos são fechados por selos de cera, bactérias anaeróbicas (isto é, que não precisam do oxigênio para se desenvolverem) podem crescer, especialmente o Clostridium botulinium, que produz uma neurotoxina extremamente mortal, chamada toxina botulínica (botox).

O botox pode estar presente em pequenas quantidades em favos velhos e pode não fazer muito mal para adultos, mas podem afetar e atá matar bebês e crianças pequenas, de até um ano de idade. Já foram relatados casos na literatura médica em que crianças ficaram semanas na UTI, com respirador artificial, até sair toda a toxina do organismo. Cerca de 5 a 10% do mel comercializado contém esporos de C. botulinum.

Especialmente, não compre mel de vendedores ambulantes, pois eles não foram sujeiros à inspecção sanitária e não têm prazo de validade. Guarde os favos na geladeira para impedir o crescimento das bactérias.

Atenciosamente

Prof. Dr. Renato M.E. Sabbatini
Professor-Adjunto, Depto. Genética Médica
Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP