Patacôncio
21-05-2003, 21:50
FC Porto conquista Taça UEFA para Portugal
E o sonho aconteceu, embora depois de dramáticos e emotivos 120 minutos: o FC Porto derrotou o Celtic por 3-2 e conquistou pela primeira vez a Taça UEFA para o futebol português. Heróis houve muitos, mas um certamente ficará na mente de todos: Derlei, autor de dois golos, o último aos 104 minutos - foi considerado pela UEFA o homem do jogo.
Sem Hélder Postiga, castigado, José Mourinho começou a partida com uma dor-de-cabeça: o lituano Jankauskas, que lesionou-se no treino de terça-feira (uma entorse no tornozelo esquerdo) e nem no banco de suplentes ficou. Uma peça importante de fora no xadrez do treinador portista, que, de resto, não surpreendeu com o onze inicial, com Capucho a entrar, teoricamente, no lugar de Jankauskas (muitos apostavam em Marco Ferreira...). Pelo Celtic, Sutton ocupou o lugar do lesionado Hartson. Ambas as equipas apresentaram sistemas tácticos idênticos, o 4x4x2. Enquanto o esquema utilizado pelos portistas não causou nenhuma novidade, o Celtic mudou o seu estilo de jogo, pois, habitualmente, alinha com um 3x5x2. O objectivo foi colocar mais um defesa para assim combater o jogo mais técnico dos portistas.
O FC Porto entrou bem e logo aos dois minutos Maniche rematou rasteiro para a primeira defesa do guarda-redes Douglas. Mas, aos seis minutos, e depois de Jankauskas, nova contrariedade para o FC Porto de José Mourinho: Costinha sofreu uma lesão muscular e teve de ser substituído por Ricardo Costa, uma alteração táctica que não modificou em nada o esquema do técnico português (o técnico avançou Paulo Ferreira para o meio campo, Ricardo Costa foi para a lateral direita e Maniche passou a ocupar a posição de Costinha), mas, em termos individuais, foi uma grande perca para os portugueses.
O Celtic surgiu no Estádio Olímpico com a lição bastante estudada, oferecendo ao FC Porto o comando do jogo. Todavia, e em rápidos contra-ataques, os escoceses, pelas alas (principalmente através de Agathe), procuraram criar perigo, mas a defesa portista mostrou, pelo menos nos minutos iniciais, grande segurança (embora com uma tarefa teoricamente facilitada pois Larsson era sempre o alvo a controlar).
Como afirmou o treinador Martin O´Neill, o médio Deco mereceu marcação especial. Apesar de ter muitas vezes dois adversários na sua marcação, o agora português conseguiu ganhar inúmeras faltas próximas da área. Após Derlei desperdiçar uma ocasião aos 16 minutos, com o brasileiro a rematar de cabeça - sem marcação -, foi, curiosamente, através de um livre directo que o Celtic ameaçou pela primeira vez os portugueses, decorriam 21 minutos: Larsson rematou rasteiro com muito perigo, mas Vítor Baía, seguro, defendeu.
Apesar do domínio, as ocasiões portistas surgiam aos poucos, com os escoceses a terem em mente sempre o contra-ataque, principalmente através de Agathe, um autêntico velocista-maratonista. Os dragões ameaçaram novamente aos 41 minutos, com o mágico Deco a inventar novamente um número, evitando dois adversário na direita da área e a rematar rasteiro. No entanto, Douglas, com os pés, evitou o pior, embora muitos adeptos tenham gritado «Golo!!!» nas bancadas do Estádio Olímpico.
Mas os dragões pressionavam, dominavam o meio campo e, conduzidos por Deco, acabaram merecidamente por marcar, já em tempo de descontos: pela direita, o médio isolou Alenitchev na esquerda, com o russo a rematar de primeira para uma nova defesa de Douglas. Na recarga, Derlei inaugurou o marcador. Ao contrário do esperado, e mostrando um respeito muito grande pelos portistas, o Celtic abdicou por completo do seu futebol de ataque e pressionante no primeiro tempo (os ataques foram uma miragem no deserto ofensivo dos católicos) e ofereceu aos portugueses o meio campo, prenda aproveitada da melhor maneira pelos dragões.
Antes do reinicio do jogo, um adepto escocês, vestido de juiz de futebol, mostrou um cartão vermelho ao árbitro Lubus Michel, tirou a sua roupa, roubou a bola da partida e correu, nu, meio campo para marcar um golo. O momento caricato da final...
Uma situação que parece ter adormecido a equipa portista, que, aos 47 minutos, passivamente viu o Celtic tocar a bola. Agathe cruzou da direita para o segundo poste e Larsson, de cabeça (subiu mais alto que Ricardo Costa), empatou a partida. Um golo que motivou os escoceses, jogadores e, principalmente, adeptos, que, com os habituais cânticos, impulsionaram a sua equipa para o ataque.
Mas, no momento da pressão, eis que surgiu a genialidade de Deco, que, numa jogada de corpo, evitou dois adversários e isolou Alenitchev. À saída de Douglas, o russo rematou por baixo e colocou novamente os dragões em vantagem. Agora, foi a vez dos adeptos portistas gritarem...
O jogo entrou num período louco e, num canto, aos 54 minutos, novamente Larsson, de cabeça, marcou, numa falha de marcação incompreensível da defesa portista, que deixou o marcador da prova (junto de Derlei, com 11 tentos) sozinho na área. Silêncio nas bancadas portuguesas, cânticos nas escocesas...
O jogo acalmou (era impossível continuar com o ritmo alucinante inicial), muito devido ao Celtic, que começou a cometer muitas faltas para diminuir o ritmo do encontro, com o árbitro Lubus Michel a perdoar Valgaeren aos 60 minutos, que, após uma falta em Derlei, deveria ter visto o segundo cartão amarelo. Inteligentemente, o treinador Martin O´Neill substituiu o defesa por Laursen quatro minutos depois para evitar jogar o resto da partida com apenas dez elementos, pois o FC Porto concentrava o seu jogo ofensivo na direita visando a expulsão do jogador. O Celtic regressou visivelmente melhor para o segundo tempo, a trocar mais a bola e a exercer uma maior pressão, o que fez com que os escoceses dominassem a partida e obrigassem o FC Porto a jogar no contra-ataque.
Para piorar, aos 70 minutos ocorreu nova contrariedade para os portugueses, com Jorge Costa, lesionado, a ser substituído por Pedro Emanuel. Os portugueses não conseguiam controlar as operações e esperavam, pacientemente, mais uma genialidade de Deco.
Mas se o FC Porto tinha o mágico, o Celtic tinha Larsson, endiabrado em Sevilha. Martin O´Neil percebeu o domínio da sua equipa e refrescou o seu meio campo, colocando Namara no lugar de Lambert, aos 76 minutos. Encurralado, os portistas começavam a denotar cansaço físico.
Aos 80 minutos, novo erro do árbitro Lubus Michel, que deveria ter exibido cartão vermelho directo a Agathe (e que jeito dava...) após uma entrada violenta em Deco. Aos 87, por exemplo, o Celtic tinha 25 faltas, enquanto o FC Porto 12, menos da metade. Com o passar dos minutos, as duas equipas preferiram não arriscar e esperaram o prolongamento, onde, pela primeira vez, seria utilizado o golo de prata (a dois segundos para o final, Alenitchev ganhou uma bola e, à entrada da área, rematou... para fora).
O prolongamento começou praticamente com a expulsão de Agathe, que novamente cometeu uma falta sobre Derlei, um dos jogadores mais castigados na noite de Sevilha. José Mourinho respondeu de imediato e colocou Marco Ferreira no lugar de Capucho aos 97 minutos para dar maior velocidade ao ataque portista (uma substituição que não deu resultados). Martin O´Neil recuou Sutton para o meio campo e Larsson ficou sozinho na frente de ataque da sua equipa. Mas o Celtic remeteu-se nitidamente para a sua defesa e o FC Porto começou novamente, e finalmente, a pressionar. No entanto, o esforço físico das duas equipas foi notório ao longo do jogo e o cansaço tomou conta de todos, com a partida a perder alguma competitividade, mas não emotividade. O treinador escocês, demonstrando uma grande coragem, colocou Maloney no lugar de Petrov, um jogador que tinha o objectivo de apoiar Larsson nos ataques dos católicos. Uma estratégia que quase surtiu efeitos aos 110 e 111 minutos, com Maloney a cruzar por duas vezes para o sueco. Mas, desta vez, a defesa portista correspondeu as exigências.
E, aos 114 minutos, o golo do título, do ambicionado título: Marco Ferreira isolou-se, mas Douglas conseguiu antecipar-se. No entanto, a bola sobrou para... Derlei, que evitou um adversário e rematou para a glória (Mourinho ajoelhou-se e chorou; Pinto da Costa teve de abandonar a bancada VIP devido a emoção).
Apesar da pressão final do Celtic, da expulsão de Nuno Valente em tempo de descontos, pela primeira vez na história PortOgal conquistou a Taça UEFA!!!
In http://www.diariodigital.pt/desporto_digital/news.asp?id_news=32328
Um xoxo da minha Patroa !
Depois de ter visto a 1ª parte em casa, aproveitei o intervalo e fui jantar a um restaurante, aqui na esquina. Sentei-me na mesa de 2 vendedores da Porto Editora que habitualmente costumam comer as suas refeições neste restaurante.
O Porto já estava empatado 1-1, e o sofrimento e alguma desilusão estavam estampados nos seus rostos. O jogo ia decorrendo e ia-se comentando os lances do desafio com alguma intensidade e emoção. Veio o 2-1, e as emoções extravazaram, fazendo-nos saltar da cadeira de braços levantados e a berrar "GOOOOOLLLLO!!!!". Distribuíam-se abraços e as bocas escacaravam-se em sonoras gargalhadas acompanhadas de olhos húmidos, brilhantes de alegria.
Ainda a circulação sanguínia e o ritmo cardíaco não tinham voltado ao seu estado normal e já o Celtic empatava o jogo. ORA BOLAS!!! O que é estava a fazer aquela defesa? Não viram o escocês isolado perante o Baía? Um dos meus companheiros da mesa, abanava a cabeça, desalentado. Já nem queria olhar para a televisão e fumava cigarros atrás de cigarros.
Eu, calmamente, sorria. Disse-lhes, para apreciar o jogo, e terem confiança. Que o sofrimento que estavam a sentir neste momento, iria tornar mais saborosa a alegria da vitória.
Ficaram mais animados, mas a angústia veio ao de cima com aquele falhanço no último minuto.
Veio o prelongamento. A tensão e o nervosismo pairava na sala e as bocas abriam-se ávidas do oxigénio necessário para activar as funções vitais e oxigenar as células celebrais. As gargantas permaneciam secas por mais líquidos que se ingerissem e a língua percorria insistemente os lábios na ânsia de os humedecer.
Depois... . Bem, depois veio o golo da vitória, o saltar do coração pela boca, o grito, os gritos, os berros, o estilhaçar da tensão em milhões de bocadinhos, os abraços (aí, as minhas costelas!!!), as lágrimas, os sorrisos, as gargalhadas e aquele doce olhar, faiscante de alegria que espelha o que nos vai na alma.
PARABÉNS PORTO!!! PARABÉNS CAMPEÃO!!! :D
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