jleandro
21-08-2005, 21:12
ontem à tarde as nuvens de fumo eram tantas e de tal ordem que lá na aldeia mal se via o Sol, por causa dum incêndio a cerca de 12/15 Kms (em linha recta) de distância e que durante bastante tempo impediu a circulação na A15 (Caldas - Santarém).
deviam ver como estavam os carros, as varandas e terraços esta manhã com tantos resíduos que tinham caído durante a noite.
eu começo a pensar se não estaremos em condições de qualquer dia acusar a classe política de Traição à Pátria.
há tantos anos e cada fez pior, que temos este problema no Verão
fala-se, fala-se mas lá para Outubro já niguém se lembra das promessas e para o ano teremos o mesmo filme para ver
os políticos pedem ajudas da população, dos patrões dos bombeiros voluntários....e os bombeiros profissionais ficam de fora, a tropa anda por lá em pouco número e mais para ser vista que para ser ajuda efectiva
será que descurar a protecção do solo Pátrio, e dos bens dos portugueses não é razão para os acusar de TRAIÇÃO???
eu começo a pensar que é.
Patacôncio
22-08-2005, 15:24
Ontem, em Portugal e na Galiza, as condições naturais foram propícias à ignição de incêndios e os pirómanos estiveram em alta.
Ontem, tanto em Portugal como cá, as florestas ficaram em chamas. Mas a Galiza, uma região espanhola tão ou mais pequena que o Norte de Portugal, tinha cerca de 41 aeronaves no combate aos incêndios. Com 17 hidroaviões e 24 helicópteros. Em Portugal, no país todo, contabilizavam-se pouco mais que 22 aeronaves, algumas ao serviço dos serviços administrativos e comandantes operacionais, como o ministro da tutela, por exemplo, que se desloca num heli anti-fogo.
Hoje, na Galiza foram duplicados os meios aéreos, vindos do resto de Espanha. Mas já pouco foram utilizados, pois a maioria dos fogos na Galiza ou estão apagados ou controlados. Por contraste, em Portugal, o país continua a arder, cada dia pior que o anterior, com os fogos descontrolados.
De repente o Estado descobriu que afinal não tinha os tais meios necessários e apela à ajuda externa, sendo incapaz de controlar os fogos que devastam o país. Há mais de três meses que Portugal está a arder, o que é inédito na história do país. Há mais de 20 anos que não morriam tantos bombeiros no combate aos fogos. Já são cerca de 11 mortos no combate às chamas.
O Estado já não consegue assegurar a segurança interna das populações e haveres, nem sequer fornecer de água parte importante do território nacional. O Estado está falido e com ele Portugal.
É o país que temos. E melhor não merecemos...
http://photos1.blogger.com/blogger/668/380/1600/xoque.jpg
PS Hoje estou mesmo mal-disposto. Não consigo ver este país na miséria e só vejo incompetência no poder político.
Patacôncio
23-08-2005, 00:04
http:/galoverde.blogspot.com/
O ministro António Posta de Bacalhau, político profissional ou pirómano político?
Antes de mais, quem é este político profissional? Este político é mais um dos neófitos nascidos com o guterrismo. Caiu no goto de parte da imprensa lusa e imberbe quando perde uma corrida num Ferrari contra um simples burro, numa corrida contra o trânsito. Desde então, passou a fazer parte de um escol dito sampaísta, dentro do PS, tido como seu grande afilhado político.
Foi com o Guterrismo Parte I que nasceu este político, tido como aspirante a líder do seu partido, mas foi com o Guterrismo Parte II, que assinou a sua sentença de morte política. Como chegou a ministro, novamente, após o escândalo da Casa Pia, onde chegou a ser acusado de ter tentado interferir num processo judicial, mas que não chegou a sê-lo formalmente, é um mistério tipicamente português. Chegou porque as tendências e balcanização do PS assim o permitiram, após um curto exílio dourado no Parlamento Europeu, onde fez companhia a Edite Estrela e outros que tais.
Certo e sabido, é que a sua ligação política ao Jorge Sampaio valeu-lhe um lugar neste incompetente desgoverno, assumindo a pasta da Administração Interna e de Estado. (Falido, claro está!) Desde então para cá soma derrotas políticas em cima de derrotas políticas, sendo o pior MAI desde o impagável “gasolineiro” Fernando Gomes.
As suas primeiras medidas foram anular concursos públicos do anterior governo, lançando uma atoarda de suspeitas sobre tais concursos, para cobrir-se de “glória”. Mas foi entrada de leão e saída de peixeiro. Face aos avisos prévios do potencial risco da falta de meios aéreos contra os incêndios, ele não se fez rogado. Anulou na mesma o concurso público, atrasou a entrada deste tipo de meios no combate aos fogos, mas acabou por fazer um ajuste directo, com as agora sérias dúvidas e legítimas, quanto ao quanto vai ficar mais caro estes meios aéreos. De nada valeram os sérios avisos de quem afirmou que o Inverno seco iria exponenciar os riscos de ignição de incêndios e que atrasar os meios aéreos ao serviço do combate aos fogos eram um profundo disparate. De nada valeram os avisos, pois este Posta de Bacalhau tem a mania que sabe mais que os especialistas.
Também, de rompante, e lançando profundas dúvidas e suspeitas sobre o concurso público lançado pelo anterior governo para o SIRESP, Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança, anulou o concurso, e após uma trapalhada de todo o tamanho, veio a reabilitar o concurso e quase subscrever na íntegra o que foi defendido pelo anterior governo. Ou seja, foi a sua sede de vingança pessoal contra o anterior governo que fez lançar todo um conjunto de suspeitas e ignomínias contra o anterior governo, que se vieram a revelar, por enquanto, infundadas. É o estilo pirómano político, tão avançado na sua concepção de serviço público e praxis política.
Mas há mais de 3 meses, repito, há mais de 3 meses que Portugal arde. Arde como um palheiro seco, onde a falta de meios, coordenação política e operacional e insensatez são o pão-nosso de cada dia, deste incompetente ministro. Ainda é ministro. Este político profissional não quis saber de quem lhe avisou para a falta de logística no apoio ao combate aos incêndios, pois os bombeiros não conseguiam manter a força, robustez física e psicológica, tamanho é o cansaço, no combate aos fogos. Este ministro, qual generalíssimo de pantufas e ar-condicionado, nunca compreendeu que nesta guerra aos fogos são precisos dois “exércitos”. O que combate o fogo na linha da frente e o que combate o fogo na retaguarda, onde providencia meios, coordenação, a logística necessária para que a linha da frente esteja sempre operacional. E neste último, quase tudo falhou, a começar pelo comandante António Posta de Bacalhau.
Na linha da frente, face ao cada vez maior cansaço evidente dos homens abnegados que combatem o fogo com o risco da sua própria vida, os homens estão abandonados à sua sorte. Em várias situações e em vários momentos, os bombeiros, a generalidade voluntária e por carolice, não tinham equipamentos disponíveis e eficientes para combater os fogos. Carros avariados, agulhetas avariadas, falta de água, falta de fardas convenientes para enfrentar milhares de graus centígrados, falta de máscaras e botijas de oxigénio, combustíveis e de tudo um pouco, foi-se sabendo porque os bombeiros perdiam os combates contra os fogos.
Depois, não havia os indispensáveis “hospitais de campanha”, com médicos, enfermeiros, motoristas e ambulâncias, para acorrer às emergências, quer das populações afectadas, quer das baixas dos próprios homens que combatem na linha da frente os incêndios. Não havia água para alimentar e acabar com a sede dos bombeiros, não havia o imprescindível leite para desintoxicar os homens, não havia refeições ou tão pouco rações de combate, como seria de esperar.
Os bombeiros, na linha da frente, nem sequer conseguiam contactar com os diversos serviços de protecção civil, distritais e municipais, com as autoridades públicas como a GNR ou a PSP, e muitas vezes com os comandos operacionais, sejam eles distritais ou nacionais. As suas comunicações quantas vezes inoperacionais, muitas vezes com os homens perdidos pelas serras, tentando salvar tudo o quanto podiam e conseguiam, sobretudo vidas humanas e seus mais preciosos haveres, as suas habitações.
De tudo um pouco este combate aos fogos tem sofrido pesados revezes. Este ano já morreram 14 pessoas, alguns bombeiros voluntários, verdadeiros heróis, que pagaram com a vida a incompetência dos políticos. Mas o Estado pouco fez para homenagear estes grandes homens que tudo fizeram, por carolice, para ajudar a controlar esta calamidade pública.
A pior pouca-vergonha nacional foi assistirmos a apelos públicos de importantes responsáveis políticos para que haja mais bombeiros a combater os fogos. Mas é impensável que se peça a um ser humano que dispense parte da sua vida, do aconchego do lar e da sua família, que enfrente o risco da perca da sua própria vida, que abandone as suas próprias férias, e ao mesmo tempo, o Chefe-de-Estado se encontra em férias, e o PM faça uma longa viagem ao estrangeiro, enquanto estes homens lutam por carolice e até tombam sem vida, na luta sem quartel contra os fogos. Que suprema hipocrisia deste políticos incompetentes e insensíveis.
E enquanto estes homens e mulheres, com um elevado cansaço, com o risco da sua própria vida, lutam contra as chamas, sem férias e descanso merecido, os principais responsáveis do poder político estão descansadinhos em férias, como se nada fosse com eles. Quando seria indispensável a sua presença para fiscalizar o próprio combate ao fogo, coordenar quando necessário e prover de tudo o que seja materialmente possível, para que os homens que arriscam a vida possam-no fazer com algum conforto material, psicológico e até emocional. Mas não. Estes homens, tal como o próprio país, estiveram e estão entregues a si mesmo, sem merecerem sequer uma atenção especial. Um verdadeiro líder e general deve estar sempre ao lado das suas tropas, quando as batalhas são duras e perigosas. Porque é-se líder também para isso. Mas o PR e o PM, como a generalidade do país, tudo fizeram para esconder que há mais de 3 meses que Portugal está em guerra contra o fogo, a tragédia e a miséria.
Mas ainda mais vergonhoso é sabermos que pelo menos 800 bombeiros profissionais não podem e conseguem estar ao lado dos seus colegas voluntários, nesta luta terrível contra as chamas, porque o ministro António Posta de Bacalhau não sabe como os meter a combater as chamas e a revezar os heróis que nas matas e florestam arriscam a sua vida, por Portugal e pelos portugueses. E depois, este mesmo político profissional, ou será pirómano político?, faça apelos lancinantes e populistas para que haja mais bombeiros a combater as chamas e pressiona o próprio PR, que se lembrou por um dia de interromper as suas férias, e apela para que as empresas “libertem” mais bombeiros. Mas apesar destes apelos, há pelo menos perto de um milhar de homens e mulheres, bombeiros profissionais, que são descartados na guerra contra este inferno dantesco, por manifesta incompetência deste pirómano político.
Mas mais grave ainda, meus caros amigos. Um ajudante do político profissional (ou pirómano político?), no seguimento dos apelos do António Posta de Bacalhau, pede para que as populações se empenhem no combate aos fogos. Revelando que conhece o país pelas imagens, inexistentes da imprensa e do verdadeiro pesadelo para as populações, este combate infernal contra as chamas, que é o que tem valido a milhares de habitações, ameaçadas pelo próprio fogo.
Mas na verdade este apelo é ele mesmo uma grande irresponsabilidade política, de quem o faz. É um verdadeiro crime incentivar populações sem formação e informação a combater elas próprias o fogo dantesco. Porque os riscos para as vidas humanas são elevados, para mais por populações e cidadãos com uns parcos meios, como baldes de água ou terra, mangueiras ou uns malhos feitos com ramos de árvores. E incentivar estes cidadãos, corajosos é verdade, a enfrentar estes fogos é uma incompetência e uma irresponsabilidade total. Felizmente o número de vítimas mortais foi baixo face à quantidade de pessoas que arriscam a sua vida no combate aos fogos.
Para cúmulo da pouca-vergonha, porque é que não se metem os próprios políticos à frente das labaredas? Em vez de incentivar os outros a arriscarem a sua própria vida? Ou porquê que o próprio Estado não dispensa o funcionalismo público e o mete no combate aos fogos? Porquê? Porque isso seria uma profunda irresponsabilidade e um incentivo à própria morte de quem se atreve a combater as chamas, sem qualquer tipo de formação e informação.
Mas, enquanto se envia mensagens suicidas às populações, porquê que pelo menos 800 bombeiros profissionais não são integrados no combate aos fogos, sob a liderança dos vários comandantes operacionais, com a respectiva cobertura legal permitida? Não se integra porque este Ministro da Administração Interna é o pior que Portugal teve, desde o famoso “gasolineiro” Fernando Gomes. Este MAI é um político profissional, mas em toda a sua breve carreira neste importante cargo político mais parece um pirómano político. Incompetente, arrogante e pouco conhecedor dos dossiers que ele deveria dominar ou conhecer.
É triste mas é verdade. Nunca este António Posta de Bacalhau esteve à altura dos desafios que enfrentou. Meteu sempre água, onde não devia e não a forneceu quando devia e podia. Quis brincar aos polícias e bombeiros, lançou uma confusão com a anulações de concursos públicos, numa vendetta política pessoal contra o anterior governo, mas acabou por ver o país a arder ininterruptamente durante 3 meses. Há mais de 3 meses que Portugal arde, de norte a sul, em quase todo o lado, em especial no Norte, poupado pelo ano fatídico de 2003. Fez tudo para abafar a imprensa mas que parte dela também colaborou nesta ignomínia contra os pobres portugueses e Portugal.
Este MAI é político profissional, neófito do Guterrismo Parte I mas acaba a sua carreira política no Guterrismo Parte II devido à sua natureza política pirómana. Que tenha um pingo de dignidade e demita-se antes que seja demitido. Porque quem andou na linha da frente no combate aos incêndios, não o pode ver nem pintado de ouro. Porque, nem tudo o que reluz é ouro. E Portugal está farto de pirómanos políticos. RIP
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