View Full Version : o Presidente prestou um mau serviço
jleandro
02-05-2005, 11:17
ontem, ao iniciar mais uma "presidência", desta vez sobre os problemas do trânsito, o Presidente prestou um mau serviço ao defender publicamente que os guardas em serviço nos carros "despersonalizados" da BT deviam andar vestidos "à paisana".
nem sequer se lembrou daquilo que vira momentos antes: ao perceberam um carro da polícia, os condutores que seguiam em excesso de velocidade de imediato abrandavam.
e era isso que ele devia defender: muitos carros e bem visíveis para servirem de "travão" a muitas barbaridades que constatemente ocorrem.
todos nós que conduzimos frequentemente sabemos o quanto é raro verem-se patrulhas nas estradas, porque preferem andar camufladas em carros sem identicação ou então completamente escondidas à caça dos distraídos
aquilo que o Presidente defende, não deve ser defendido pelo principal cidadão da República Portuguesa, que deveria sim previligiar o primado da lei num espírito de igualdade e sem prepotências cometidas pelo "Estado" contra os cidadãos indefesos e pagantes de todo este arraial.
não esperava esta de quem tinha por defensor das liberdades e da igualdade entre todos os cidadãos, sabendo ainda por cima que ele é especialista em Direito.
se voltasse a ser candidato, não teria, desta vez, o meu voto.
sim, JL, subscrevo tudo o que escreveste
e já hoje de manhã, logo no inicio do 1º de 4 dias de presidencia aberta sobre a sinistralidade rodoviária, a TSF o citou a dizer
"...que as estradas e a má sinalização é uma panaceia geral que se instalou no colectivo como desculpabilização...
...o que as pessoas não têm é civismo, é isso que lhes falta..."
o Presidente tem o dever de olhar para estes problemas de um modo muito mais profundo, e de não entrar em facilitismos, como fez ao aprovar o novo CE sem o parecer do TC, tão ao agrado dos poderes instalados
qd o próprio PR entra no debate da questão desta maneira, é caso para os cidadãos ficarem preocupados
quem defende os nossos interesses ?
já repararam, seguindo o conselho do PR, se por acaso as polícias passam a andar TOTALMENTE DESCARACTERIZADAS, o que pode acontecer ?
passando por cima já das regras de democracia, em que as instituições usam e devem usar farda para serem facilmente reconhecidas, se veiculos normais, com cidadãos normais lá dentro, vestidos de roupa normal, com docs de identificação FALSOS, andarem para aí a molestar e a roubar cidadãos ?
sim, porque as policias que trabalham à paisana são as policias de elite que andam atrás de CRIMINOSOS - ex. a PJ, e que se saiba, o cidadão automobilista normal ainda não é criminoso
pelo menos que se saiba !!!
o engenho e a arte do português - leia-se de certa faixa muito minoritária da população que gosta de viver de expedientes - para arranjar esquemas de ganhar dinheiro fácil - é assim dramáticamente facilitado
até os que nos mandam parar fardados e com viaturas da BT eu questiono sempre se serão "originais", quanto mais sem identificação !!!
vou-me manter atento a esta presidência aberta e postar lá na saga o que conseguir obter
francamente, também esperava mais do PR, mas a partir do momento em que ele assinou de cruz o despacho do novo CE que me deixou muitas duvidas de qual a sua verdadeira posição e motivação para ajudar
a ver vamos como decorrem os restantes dias
Aqui estou em desacordo com o JLeandro e com o Dudu e mais a favor do que disse o nosso Presidente. Realmente muitos milhares de portugueses, para terem um comportamento cumpridor das regras de trânsito e algum civismo teriam de ter sempre à sua vista um GNR ou PSP. Todos nós sabemos o que significam os sinais de luzes antes de cruzarmos por uma patrulha da BT e o que acontece com muitos condutores depois de passarem essa patrulha. Como é impossível aumentar o nº de patrulhas, a melhor forma de poupar no nº de efectivos da BT é distribuir os que existem pelas zonas ondem podem acontecer acidentes, à PAISANA e actuando contra os verdadeiros abusadores da lei. Agora a legislação penal terá de ser muito rigorosa e dura para quem se faça passar por um elemento dessas forças de segurança, para não dar hipoteses aos "chicos-espertos" e aos aldrabões.
Se a fiscalização fosse mais eficaz, não seria necessário aumentar as coimas pelas infracções e não era preciso estabelecer limites ridículos de velocidade nas auto-estradas ( 120 Km/h !!??), em zonas até com três vias para cada lado. Se o limite fosse 150, mas com tolerância zero e efectiva fiscalização, provavelmente diminuiriam bastante os acidentes. Nos ICs e IPs achava bem um limite de 110 com tolerância zero.
É evidente que tem de haver um grande esforço de melhoria da sinalização, do piso das estradas, etc.
Inté
jleandro
02-05-2005, 22:40
olá Joker
a questão aqui em discussão não tem tanto a ver com a legislação do trânsito, mas muito mais com aquilo que deve ser o comportamento e capacidade de apreciação do principal legislador da NAÇÃO.
defender que qualquer força de segurança, ou meros fiscalizadores de trânsito. possam ter uma actuação semelhante à de "agentes infiltrados" faz-me lembrar certos regimes que IGNORAM o primado da LEI perante os abusos de quem detèm o poder legislativo.
é, pura e simplesmente, uma questão de direitos cívicos perante a incapacidade dos legisladores em fazerem uma lei que possa ter uma aceitação/aplicação eficaz.
o que o Presidente disse é mais ou menos: "para grandes males, grandes remédios", o que me parece absolutamente INACEITÁVEL num regime democrático em que supostamente os governantes cumprem as vontades e anceios dos governados.
aceitar como bom aquele "palpite" do Presidente é ESQUECER OU IGNORAR o primado da DEMOCRACIA perante as incapacidades do "sistema" em resolver um simples problema de trânsito.
se tu és capaz de aceitar forças policiais para te vigiarem no trânsito, duma forma ignara, eu não o aceito seja qual for essa força, que me remeta a um papel de servidor ( e pagante) dum sistema que me oprime contra O PODER de qualquer força de segurança, muito especialmente quando o problema é uma "mera questão" de trânsito e não assuntos de verdadeiro interesse ou segurança Nacional.
desculpa, mas nisto não há assuntos mais ou menos importantes: a democracia é antes de tudo um estado de espírito, ou seja: ou somos ou não somos democratas na total acepção da palavra.
e não me parece nada, mesmo nada, que o Presidente tenha conseguido preservar essa condição, antes pelo contrário, ao perceber os métodos colocados ao dispor do "sistema" e perante a incapacidade de encontrar facilmente uma solução de agrado geral....acabou por manifestar a sua hipótese de solução
bem melhor era que não o tivesse feito, já que quem não está "preparado" acaba quase sempre por tomar como boas as soluções mais simples
mas não as melhores.
Karl Marx
03-05-2005, 10:01
Não tenho tempo para aprofundar a questão agora, mas queria deixar registado que me identifico com as posições do Jota e do Dudu (sorry, Joker!) ;)
É que, aos poucos, isto está a ficar um Estado policial perigoso (não só no trânsito, mas com mais visibilidade aí). E eu não gosto de Estados policiais e, muito menos, "democraticamente" institucionalizados. Nem sequer os podemos combater.
sim
o problema dos estados "policiais" é sempre o mesmo
oprime as classes - que trabalham, que pagam impostos, que suportam o país, todos nós pessoas de bem - e deixam os marginais cada vez mais à vontade, ao mesmo tempo que numa perspectiva terceiro-mundista e tipicamente sul-americana, os excluidos são cada vez mais em numero e cada vez mais empurrados para os "ghetos"
daí a criminalidade violenta ter disparado absurdamente nos ultimos 2 anos (leiam as estatisticas) e o nº de armas de fogo na rua ter quase triplicado
isso é gravíssimo num estado de direito
a partir do momento em que as forças policiais, ao abrigo de HISTERIAS COLECTIVAS com boas intenções de fundo, mas duvidosas na sua origem e eficácia, cana(iba)lizam cada vez mais meios e recursos para a "caça ao automobilista" e o automobilista vira assim o alvo a abater e o "mau da fita"
o inimigo numero um de nós próprios somos...
afinal nós próprios
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