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View Full Version : Economia atípica ????


Patacôncio
15-05-2003, 14:57
Há um assunto que está a gerar controvérsia. É o problema da "pneumononia atípica". Quem quiser conhecer mais, favor ver mensagens do nosso Iatros, sobre o assunto.

Mas este problema com esta pneumonia faz-me lembrar a "febre espanhola" que grassou nos USA nos ínicios do século XX. Esta febre, tão depresa apareceu como desapareceu. Entre os primeiros índicios e o seu desaparecimento mediou cerca de 18 meses. ( O Iatros é que deve conhecer melhor isto, de certeza ! )

Esta pneumonia atípica deverá ter o mesmo resultado. Depois uma forte contaminação, uma desparição, tão depressa como apareceu. Mas no entanto, esta doença pode afectar as nossas economias nos próximos tempos.

Titulo de Economia atípica.

O que quer dizer isto ?

As economias asiáticas e a chinesa em particular, estão/deverão sofrer um choque tão grave ou pior que a crise asiática de 97/98.

Porquê ?

Em primeiro lugar pelo contágio simples doença. O Turismo está a cair para números assustadores naquela zona do mundo.

Em segundo lugar pela baixa no consumo. As pessoas evitam os lugares públicos, por óbvias razões. Mas como a densidade populacional naquelas cidades é enorme ... É quase inevitável. Logo há uma menor propensão para o consumo, evitando sair à rua, excepto em absoluta necessidade. Restaurantes, centros comerciais, lojas e outras similares sofrem com os efeitos do pánico/medo.

Para complicar ainda mais, há cada vez mais vozes médicas que admitem que o contágio pode acontecer através de objectos e que o vírus pode "sobreviver/hibernar" por longos períodos de tempo em objectos.

A ser assim, há uma cada vez maior fobia ( se calhar exagerada ) que os objectos/produtos importados da ásia e, sobretudo da China, possam contagiar mais pessoas.

Se essa fobia aumentar, as alterações de curto prazo e talvez conjunturais, das trocas comerciais se abaterão na ásia como uma bomba atómica. Poderá cair para o mundo ocidental as elevadas importações de produtos baratos, Vindos da ásia.

Quem beneficiará ? Em primeiro lugar os países concorrentes daquela zona. América do Sul, Ásia Menor e até ... Portugal !!!

Ora Portugal concorre com a Ásia pela venda de determinados produtos, como os texteis e na captação de investimentos. E como dizem os chinocas ...

" As crises são oportunidades ! " ehhehehehh O caractere é o mesmo, na sua curiosa escrita.

A ver vamos ... mas que é uma pena estas doenças que matam mesmo. Um ébola em ponto pequeno !

In http://www.portugaldiario.iol.pt/noticias/noticia.php?id=112162

Produtos atípicos
15-05-2003 14:34
Cláudia Costa


Brinquedos e aparelhagens chegam aos milhares da China. Vírus pode entrar por objectos


SOCIEDADE
A pneumonia atípica pode entrar em Portugal de várias formas. Sem saber ao certo as propriedades do novo vírus, os cientistas alertam para outras formas de contágio. Produtos importados para o nosso país podem ser essa porta. Objectos como brinquedos, aparelhagens ou mesmo alimentos podem trazer a síndrome respiratória aguda (SRA) até às nossas casas.

Os mais recentes estudos científicos internacionais apontam para a possibilidade do vírus atípico ser transmitido através de objectos e não apenas por via aérea. Segundo estudos divulgados na imprensa internacional, a SRA é capaz de sobreviver num objecto durante horas ou mesmo dias.

Tudo porque a probabilidade de o vírus sobreviver fora do corpo humano ganha cada vez mais peso. Facto que leva a admitir que o contágio pode acontecer através de objectos.

E que objectos são esses? De tudo um pouco. Os cientistas que estudam a bactéria falam sobretudo do plástico.

Os produtos importados do Canadá e da China abrangem quase todos os sectores da economia. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, no ano passado entraram em Portugal cerca de 82 milhões de euros em matérias provenientes do Canadá. Já da China, o valor, como se compreende, é bastante superior. Cerca de 345 milhões de euros.

Só da China chegaram a Portugal 63 milhões de euros em material electrónico, como aparelhagens e câmaras de filmar. Em brinquedos, jogos e artigos de desporto cerca de 31 milhões. Do Canada vêm sobretudo perfumes, cosméticos e produtos alimentares. Que chegam aos nossos portos sem que nenhum controlo sanitário seja efectuado. O PortugalDiário tentou apurar com que periodicidade entram em Portugal estes materiais. Mas nenhuma entidade parece ter a informação.

A explicação é simples. Mesmo depois da divulgação dos estudos que apontam para este eventual perigo, a Organização Mundial de Saúde manteve uma posição contrária: «Mercadorias, produtos e animais provenientes de áreas com transmissão local de síndroma respiratória aguda não constituem um risco para a saúde pública pelo que não recomenda qualquer restrição».

Assim sendo, a Direcção Geral de Saúde segue os trâmites internacionais e não toma qualquer medida. O desconhecimento das propriedades do vírus e de medidas preventivas a tomar pode ser a maior ameaça para os países que ainda não estão «infectados».

Um xoxo da minha Patroa !

Patacôncio
15-05-2003, 15:00
In http://www.portugaldiario.iol.pt/noticias/noticia.php?id=110393&art_id=112162

Vírus da pneumonia atípica pode sobreviver durante horas ou mesmo dias


INTERNACIONAL

O vírus da pneumonia atípica pode aparentemente ser transmitido através de objectos e não apenas por via aérea, apontam estudos científicos internacionais divulgados na edição de hoje do jornal norte-americano Washington Post.

Cientistas descobriram que, aparentemente, o vírus da pneumonia atípica, doença respiratória que pode ser mortal, é capaz de sobreviver num objecto durante horas ou mesmo dias.

São os primeiros estudos científicos que assumem a probabilidade de o vírus sobreviver fora do corpo de uma pessoa, o que leva a admitir que o contágio pode acontecer através dos objectos.

Um dos estudos, conduzidos por cientistas alemães, mostra que o vírus da pneumonia atípica consegue sobreviver em superfícies de plástico, pelo menos durante 24 horas, à temperatura ambiente.

Desta forma, os cientistas admitem que ao tocar num teclado de computador ou numa secretária, as pessoas possam ser contagiadas com o vírus da pneumonia atípica.

Os cientistas alemães descobriram que um detergente normal é incapaz de matar o vírus e indicaram que os esforços para esterilizar áreas infectadas podem ser ineficazes.

Também cientistas que realizaram experiências semelhantes em Hong Kong chegaram a resultados idênticos.

Por outro lado, cientistas japoneses concluíram que o vírus também resiste a temperaturas extremamente baixas.

Perante este resultado, Klaus Stohr, da Organização Mundial de Saúde, disse que «há que pensar no próximo Inverno».

No estudo realizado por cientistas de Hong Kong também se conclui que o agente da pneumonia atípica sobrevive facilmente em temperaturas muito variadas e em diferentes níveis de humidade.

Ainda sem resultados definitivos, esta mesma equipa admite que o vírus se mantém activo no sangue, em metais, no papel e no algodão.

A pneumonia atípica, doença descoberta em Novembro de 2002 no sul da China, já atingiu mais de 6.200 pessoas em cerca de 30 países e matou mais de 400.

A doença manifesta-se por febre superior a 38 graus, tosse e dificuldades respiratórias.

Um xoxo da minha Patroa !

Iatros
15-05-2003, 22:23
Olá Patacôncio! É sempre um prazer ler-te.

Quando escrevi umas primeiras coisas sobre a SARS chamei a atenção sobre a possível repercussão na economia mundial que esta nova doença poderia ter. Algumas pessoas entenderam apenas como uma oportunidade especulativa de investir em acções de companhias que fabricassem máscaras, testes de diagnóstico ou tratamentos. Mas eu queria referir-me aos aspectos que tu agora focas, repercussão nas viagens (turísticas e outras), comércio mundial, implantação de indústrias, etc

As informações que referes quanto à possibilidade de transmissão pela sobrevivência do vírus em superfícies inertes não as vi referidas no site da OMS que tem mantido uma informação actualizada diàriamente sobre o assunto. Em teoria não me parece ter a importância que temes. Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, quer isto dizer que só sobrevivem e se multiplicam dentro das células dos seus hospedeiros, neste caso o homem. A sua sobrvivência no exterior, em superfícies inertes (sem células vivas) é muito pequena. Por muito pequena quero referir-me a minutos e nalguns casos a horas. Se fôr verdade que o coronavírus que provoca a SARS pode sobreviver em superfícies inertes por períodos que podem ir a 24 horas isso tem algumas implicações epidemiológicas mas não as que receias. Pode alargar a possibilidade de contágio em locais públicos (cafés, restaurantes, transportes públicos, salas de espectáculos) mas não através do comércio internacional de produtos manufacturados (desde o farbico de uma calculadora na China até à sua comercialização na Europa passam muito mais de 24 horas).

A comparação da epidemia desta nova doença com a “gripe espanhola” de 1917/8 tem sido feita por muita gente mas há que ressalvar as grandes diferenças.
A “gripe espanhola” foi uma pandemia (epidemia mundial) de gripe. O vírus da gripe tem algumas características próprias: 1-tem uma contagiosidade muito grande, 2-sofre mutações com muita facilidade, 3-tem uma mortalidade muito baixa.
1- é fàcilmente transmitido de pessoa a pessoa pelas partículas de saliva e pelas gotículas minúsculas dos aerossois que provocamos quando tossimos ou espirramos
2- as mutações são alterações do código genético que fazem com que apareça como um micróbio diferente ao seu hospedeiro. Exemplificando, imagina que tiveste gripe no último inverno (refiro-me a gripe e não constipação que são doenças diferentes) e tu ficaste imunizado (protegido) contra esse vírus para toda a vida. No próximo inverno o vírus sofre uma mutação e infecta-te, revestido com uma diferente “roupagem” de modo que o teu organismo não o recnhece como o vírus do ano anterior e tu voltas a adoecer com gripe.
É por isso que a OMS tem uma rede mundial de vigilância da gripe. Quando detecta uma mutação nova é ràpidamente criada uma vacina que é comercializada durante esse ano. No ano seguinte será criada e comercializada uma vacina diferente para a mutação que aparecer nesse ano.
3- O vírus da gripe não mata. Quando um doente com gripe morre é por ter surgido uma complicação que é uma infecção bacteriana. Os doentes com gripe morrem com pneumonia bacteriana. Ora para as infecções bacterianas temos boas armas que são os antibióticos. Hoje em dia as pessoas que têm algum risco de morte por gripe são as que estejam de algum modo debilitadas como os idosos e os imunodeprimidos e que são os únicos aconselhados a vacinarem-se. Ao contrário da gripe o vírus do SARS tem uma mortalidade relativamente baixa mas mata por sí só, sem outra sobreinfecção, e não há tratamento eficaz contra ele.

Para ilustrar a importância dos antibióticos na mortalidade por gripe vou tentar aqui inserir um gráfico do INE da mortalidade em Portugal no último século. Repara no descomunal pico de mortalidade devido à “gripe espanhola” em 1917/18 e repara também que não há um pico semelhante na outra grande pandemia de gripe do séc.XX que foi a da “gripe asiática” salvo erro em 1957/58. É que nesta altura já havia alguns antibióticos.

http://fsimoes.home.sapo.pt/Imagens/mortalidade%20portugal.gif

Iatros
15-05-2003, 22:49
Já agora acho que ficou claro no meu texto anterior que não penso que a OMS ou a DGS em Portugal estejam a actuar mal em deixar continuar a importar da China.

Iatros
15-05-2003, 22:57
Não resisto a comentar mais alguns aspectos daquele gráfico de mortalidade em Portugal. A demografia é uma ciência gira.

Aquele pico mais pequeno, mas significativo, nos anos 40 corresponde ao período de fome da 2ª Guerra Mundial.
Repara também que a grande depressão económica de 1930 não se repercutiu na mortalidade de um país com uma economia fechada, rural e de subsistência como a do Portugal desse tempo.

Iatros
15-05-2003, 23:32
A repercussão do SARS na economia mundial já é bem visível:

PNEUMONIA ATÍPICA
Companhias aéreas com as maiores perdas de sempre
A Síndroma Respiratória Aguda (SRA) já provocou mais prejuízos nas companhias aéreas do que os atentados de 11 de Setembro e da guerra do Iraque juntos, explicou, quinta-feira, a Associação Internacional de Transportes Aéreos.
http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF119600

É um dos problemas a ser debatido na 3rd Global Travel & Tourism Summit da WTTC a decorrer em Vilamoura onde são apontadas reduções do PIB de 25% para a China e de mais de 40% para Hong Kong e Singapura
http://www.wttc.org/News11.htm

Ventor
16-05-2003, 00:15
Com que então SARS!

Eu vou ir para a quarentena! Já tenho a mala feita!

Desde que dei apertos de mão e umas beijocas nas gentes semi-amarelas vindas de Toronto, estou lixado. Lembrei-me logo da Helena e do seu medo pelo SARS!

O que um vírus pode fazer! Até meteu medo ao Ventor!!! Enconteri-os logo numa Farmácia. Se eu tivesse perguntado como tinha ficado o SARS lá por Toronto, se calhar, tinha sido o primeiro a ser atendido!

No dia seguinte levei com eles no Dafundo e mais uma vez, eu só tinha olhos para o SARS!

Estou mesmo a ficar velho!

Hallo, Helena! Esquece o SARS e aparece. Por mim prometo não fechar a janelinha! Mantenho-me por aqui só! Escusam de fugir. Ao raiar da aurora, já não vai haver SARS, nos bits!

Bye!!!!!

Patacôncio
16-05-2003, 13:03
Ora, tivemos mais uma boa explicação com informação interessante sobre a "pneumonia atípica" do nosso camarada Iatros !

Pois é verdade, Iatros, o vírus pode não se propagar por objectos que viajem ao longo de horas ou dias.

Mas já sabes que nestas coisas o mais importante é a psicologia de massas. Como no casino bolsista. Eu também duvido que o vírus se propague por produtos. Mas o importante é a forma como joga a psicologia das pessoas. E aqui, meu amigo ...

O que é certo é que há cada vez mais pessoas que olham para o made in . E pensam : - O quê ? Vestir isso feito na China ? Ainda por cima colado ao meu corpo !?!?!

Mas enfim ... até aquilo se desvanecer ...

Um xoxo da minha Patroa !

PS É sempre um prazer te ler. E sobretudo sobre a febre espanhola. Ah ! E ontem não tinha a certeza se a gripe asiática não era uma variação da "febre espanhola". Fiquei melhor esclarecido sobre o assunto. É que mesmo aqui em casa, há quem se lembre dessas duas "pestes" e me diziam que era o mesmo. Fiquei na dúvida.

Um Abraço, meu !