View Full Version : Uma vez questionei se o Sócrates chegava ao fim com a sa candidatura...
Patacôncio
10-02-2005, 23:24
Pelos vistos... Não me enganei por muito:
(...) A Polícia Judiciária (PJ) tem “fortes indícios” de que a alteração da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo por José Sócrates terá tido como contrapartida o financiamento de campanhas eleitorais do PS. Segundo um inquérito policial a que o Independente teve acesso, a PJ suspeita que a interferência do ex-ministro do Ambiente no desenrolar deste processo terá sido determinante na aprovação de um dos maiores empreendimento comerciais portugueses.
No centro da investigação da PJ está a construção do Freeport no concelho de Alcochete e o respectivo processo de aprovação e licenciamento. Entre o rol de investigados encontra-se o actual líder do PS e candidato a primeiro-ministro, José Sócrates, o presidente da Câmara de Alcochete, o socialista José Dias Inocêncio, e vários elementos do gabinete do ex-ministro com ligações a partidos.(...)
Fonte: O Independente (http://www.oindependente.pt/PDFS/manchete.pdf)
http://psbenfica.sitepac.pt/20030124Financiamento.jpg
O PS já desmentiu.
Mais uma independentada...
Patacôncio
10-02-2005, 23:55
O PS ia confirmar que o seu líder era corrupto e estava metido no financimento ilegal do partido...
Olha a Fátima Felgueiras a dizer que sim, tinha um saco azul. E sendo pobre, vive como uma raínha no Brasil, mas às custas dos "amigos". Pois.
Se for o que penso e face ao diz-se, diz-se, ou as eleições vêm rápido, ou o tipo nem chega a ser candidato efectivo.
Vitorino, mais uma facada nas costas do Sócrates, até já negou que alguma vez a co-incineração chegará a Setúbal.
Para quem dizia que nunca estaria disponível para ser líder, há dois meses, e há duas semanas já se via a liderar o partido...
"É a vida!" Como diria o outro...
Um Candidato morre e apresenta-se às portas do Céu.
- Eu sou católico e mereço ficar aqui, se Deus quiser...
S. Pedro - Nós temos as nossas regras, somos democráticos e as
pessoas devem escolher depois de conhecer os factos. O sr vai
para o Inferno, passa lá um dia e depois volta a fazer o mesmo
no Céu antes de escolher onde pretende ficar.
O Candidato pega o elevador para o Inferno e a porta abre-se
para um belo jardim, cheio de mulheres bonitas e muitos dos seus amigos
políticos.
Depois de muitos abraços e cumprimentos, é levado a um magnífico jantar,
uma discoteca e acaba a noite nos braços de uma bela mulher. Na manhã
seguinte, sobe de elevador para o Céu e é levado para o seu poiso numa
nuvem e passa o dia a tocar harpa.
S. Pedro - Já fez a sua escolha?
O Candidato - Lamento muito, mas lá na Terra os padres
enganaram-me. Não tenho dúvidas que se está muito melhor no Inferno e é essa a minha escolha.
Volta a descer no elevador e desta vez depara-se com
um terreno inóspito, cheio de calor e todos os seus amigos a carregarem
sacos cheios de lixo podre e com um ar abatido.
O Candidato - Então sr Diabo? O que se passa? Como é que isto
mudou de ontem para hoje?
Diabo - Ontem estavamos em campanha eleitoral, e hoje
já votaste.
:mad:
Líder socialista foi envolvido no caso do Freeport de Alcochete
PGR esclarece que Sócrates não é suspeito de qualquer ilícito criminal
[ 2005/02/11 | 16:15 ] EditorialLusa/AM
A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu hoje que, até ao momento, não existe nenhuma suspeita de ilícito criminal por parte do líder do PS, José Sócrates, em relação ao «caso Freeport.»
Um comunicado do gabinete de imprensa enviado à Lusa salienta que «tanto quanto os elementos indiciários reunidos até ao momento permitem avaliar, não existe nenhuma suspeita de cometimento por parte do engenheiro José Sócrates de qualquer ilícito criminal com o aludido processo de licenciamento» da obra, em Alcochete.
A nota refere que está pendente «há uma semana nos serviços do Ministério Público do Tribunal da Comarca do Montijo um inquérito crime relativo a tal licenciamento [da obra do Freeport em Alcochete], procedendo neste momento a Polícia Judiciária de Setúbal às pertinentes investigações».
O esclarecimento da PGR surge na sequência da notícia de hoje de o jornal «O Independente» que dá conta da existência de um inquérito da Polícia Judiciária que «levanta a suspeita de, em 2002, o então ministro do Ambiente [José Sócrates] ter alterado a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, tendo como contrapartida o financiamento das campanhas eleitorais do PS», acusação já negada hoje por Sócrates.
Ontem à noite, José Sócrates afirmara que era «totalmente alheio» ao processo de licenciamento do Freeport, num comunicado divulgado pelo seu gabinete de imprensa após ter sido noticiado que a PJ apreendeu documentação relativa ao projecto do Outlet Freeport, em operações de busca realizadas quarta-feira no complexo e na câmara municipal de Alcochete, com um mandado de busca por suspeita de crimes de corrupção e participação económica em negócio.
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/index_not1.php
jleandro
11-02-2005, 15:57
se esse comunicado for tão "bom" como a declaração do PGR quando questionado sobre o Pedroso... :confused:
espero que isto se esclareça depressa, mas não são comunicados dessa gente que me esclarece :(
esta próxima semana vai ser muito feia.
mas já se notava...
já agora, os senhores candidatos pensam o quê sobre matérias de governação, ???
vai ficar muito feio.
sendo tão 'javardo' como os jornais?
- porque Sócrates ontem à noite desmentiu algo sobre o qual ainda ninguém tinha falado?
he he he he he
e quem estourou desta vez com o segredo de justiça?
´tou a brincar... longe de mim meter-me nestas coisas
Patacôncio
11-02-2005, 16:35
Eu já tinha previsto que quando faltassem duas semanas, as facções contra o Sócrates iriam dar-lhe facadas nas costas.
E o pior é que parece que quem atirou para a imprensa o nome do Sócrates terá sido o próprio presidente da câmara socialista.
Agora, como é que o Sócrates soube antes da notícia publicada? Simples, O Indpendente não é "socialista", de uma das facções?
Depois repare-se nesta coisa curiosa. O processo-crime foi aberto hà apenas uma semana, e a PGR apenas afirnou que ,por enquanto, não existem índicios que permitam envolver o líder socialista.
Ou seja, "deram" coisas à PGR para ela investigar, logo que a PJ apreende documentos, alguém lança o nome do Sócrates para o caso. Desta forma não dá tempo à PJ para limpar o nome do Sócrates, a tempo da campanha do dia das eleições. Mas como existe uma investigação em curso, que envolve financiamentos ilegais, o Sócrates nunca saberá se chegará a candidato.
Depois há outra coisa curiosa. O Independente foi o fornal que mais "lutou" contra a fuga do segredo de Justiça no caso Casa Pia, neste caso Pedroso e Ferro Rodrigues. E no entanto, terá tido acesso a documentos da PJ, envolvendo o Sócrates. Ou seja, dentro do processo alguém aliou-se ao Independente e furou o segredo de justiça.
E isto ainda vai mais aquecer. Porque o nome do Sócrates aparece sempre ligado a polémicas destas. Construções ilegais em cima de dunas no Algarve; campos de golfe, e pasme-se, atá quando era simples secretário de estado terá havido escutas dele, mas que nunca deram em nada.
O nabo do Sócrates, nunca se entendeu lá muito bem, até para se promover pessoalmente, até invocou heranças familiares para justificar o seu alto nível de vida...
Só que os seus inimigos internos podem lixar-se. É que o gajo pode fazer-se de vítima. O que é uma jogada de alto-risco, que os seus adversários nas eleições não deixariam de aproveitar...
Esta é a campanha mais rasca que vi em toda a vida. Pior, só em autárquicas. E ainda a procissão vai no adro...
Patacôncio
11-02-2005, 16:50
NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL
A propósito de notícias vindas a público hoje em mais do que um órgão de comunicação social, nos termos das quais estaria a ser investigado o eventual envolvimento do Sr. Engº José Sócrates no processo que viabilizou o licenciamento do empreendimento “Freeport” em Alcochete, pode informar-se, ao abrigo da alínea b) do nº 9 do artigo 86º do Código de Processo Penal que:
- Está pendente há uma semana nos serviços do Ministério Público do Tribunal da Comarca do Montijo um inquérito-crime relativo a tal licenciamento, procedendo neste momento a Polícia Judiciária de Setúbal às pertinentes investigações.
- Tanto quanto os elementos indiciários reunidos até ao momento permitem avaliar, não existe nenhuma suspeita de cometimento por parte do Engº José Sócrates de qualquer ilícito criminal relacionado com o aludido processo de licenciamento.
Lisboa, 11 de Fevereiro de 2005
O Gabinete de Imprensa
Ana Lima
Repare-se que a própria PGR não iliba o Sócrates de qualquer responsabilidade criminal, apenas que até ao momento não lhes é possível suspeitar de qualquer ílicito criminal.
Nem sequer nega que esteja sob investigação. Aliás, pelo comunicado da PJ, tudo indica que está sob investigação.
O que não sossega o Sócrates, nem trás para a campanha qualquer ponta de salubridade política.
Quem tentou tramar o Sócrates?
Por sua vez, a PJ divulgou um comunicado a confirmar que o Ministério Público emitiu mandados para a realização de buscas no passado dia 9 "a empresas e a uma câmara municipal do distrito de Setúbal", sublinhando que "dos elementos que foram carreados para o processo não ressaltam, por ora, indícios que apontem como arguido qualquer líder partidário".
Ver mais em: http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1215519&idCanal=21
Patacôncio
11-02-2005, 17:29
O editorial do independente já responde à resposta da notícia ainda não publicada.
Inacreditável. O pior é que a notícia parece ser totalmente fabricada, pois a peça jornalística está mal construída. No entanto, baseia-se em factos reais.
Isto só mostra ao que de baixo chegou o nosso jornalismo e a nossa actividade política.
Pobre país o nosso.
Sócrates e a teimosia dos factos
Vinham primeiro as notícias, antigamente. Só depois as reacções. As coisas mudaram. O precusor foi António Vitorino, que se demitiu do governo de António Guterres antes da publicação de uma investigação sobre uma propriedade sua, lançando a moda da antecipação da reacção dos políticos a notícias que lhes podem ser desagradáveis.
Ontem à noite, o gabinete de Imprensa de José Sócrates emitiu um comunicado que procurava responder à notícia que hoje publicamos sobre a investigação da Polícia Judiciária ao Freeport de Alcochete.
O secretário geral do PS começa por esclarecer que é totalmente alheio ao empreendimento. E acaba com uma pérola gasta. "O presente esclarecimento demonstra a irrepreensível conduta do Ministério do Ambiente no tratamento deste assunto. A tentativa de criar um caso político em torno do mesmo só pode ter uma explicação no período de campanha eleitoral que estamos a atravessar".
Ai José Sócrates está errado. E demonstra que não percebeu, ainda, a função da imprensa nas sociedades livres e democráticas.
É fácil varrer qualquer notícia como manobra de campanha. Difícil é reconhecer que é exactamente por ser candidato a primeiro ministro que os eleitores têm o direito de conhecer o seu percurso político e a sua actuação à frente de cargos públicos. E as dúvidas, legítimas ou não, que possam existir sobre eles.
A investigação e as suspeitas da Polícia Judiciária existem.
O processo de Freeport está longe de ser simples.
A decisão que Sócrates levou a Conselho de Ministros, que alterava a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, foi tomada três dias antes das eleições legislativas de 2002, já o governo de Guterres estava em gestão.
Ainda que o actual líder do PS pretenda não haver relação entre o seu diploma e o licenciamento do empreendimento, o próprio facto de o governo de então se encontrar em gestão -a demissão de Guterres, lembro, foi em Dezembro, logo após o desaire das autárquicas - justifica legítimas dúvidas sobre o acto. E, depois, os documentos do processo, a que o Independente teve acesso, provam que, ao contrário do que o comunicado de Sócrates pretende, as decisões sobre o Freeport são, todas, tomadas no mesmo dia 14 de Março de 2002. Estranho não?
Os factos são teimosos. E o Independente nunca deixará de os publicar. É essa a nossa função.
Inês Serra Lopes. (Filha de um dos advogados que defendem os acusados no caso Casa Pia.)
Bem diz o ditado, que os maiores inimigos sâo os "colegas" do partido e não os que estão noutros partidos.
- porque Sócrates ontem à noite desmentiu algo sobre o qual ainda ninguém tinha falado?
Há que saber ler... :rolleyes:
Do artigo sobre o esclarecimento da PGR: "Ontem à noite, José Sócrates afirmara que era «totalmente alheio» ao processo de licenciamento do Freeport, num comunicado divulgado pelo seu gabinete de imprensa após ter sido noticiado que a PJ apreendeu documentação relativa ao projecto do Outlet Freeport,..."
exactamente oscar - documentação sobre o projecto - mas não nomes.
então porque socrates vem logo à liça defender-se de lago que ainda não era referenciado publicamente?
claro que foi por ter sido avisado do que saíria no Independente do dia seguinte.
mas foi menos feliz em ter falado logo, deixava passar... e assim a confusão pode aparecer.
espero bem que não, e aliás não me meto nestas coisas.
um abraço
Patacôncio
11-02-2005, 18:05
Para a campanha, vai ser frito.
Lembram-se quando o Portas foi crucificado com o caso Moderna? Também a PGR desmentiu que fosse suspeito do que quer que fosse. Mas a oposição, a começlar pelos xuxinhas, fartaram-se de exigir a saída do Portinhas para a queda do governo do Durão Barroso.
Se calhar o PSL e o Portas vão lembrar isto ao Sócrates, que fartou-se de berrar contra o Portas e exigiu a sua demissão do governo.
A memória é assim tão curta?
Pois... pode ter sido uma "calinada", derivada do facto de saber antecipadamente a notícia que ia sair no Independente, mas, esse facto, o ter falado antes de tempo, não o transforma imediatamente em suspeito...
E eu até estou à vontade para falar do homem, já que não é pessoa dos meus agrados, mas, isso, não me dá o direito de andar a insinuar culpabilidades sobre uma pessoa presumívelmente inocente e que o deverá ser sempre até prova em contrário...
Deixemos a investigação a quem de direito e esperemos pelas conclusões finais para então, se for caso disso, aplicar a devida sentença...
É assim que deve funcionar a justiça... pelo menos, foi para isso que ela for criada... :)
Um abraço, também para ti! :)
Patacôncio
11-02-2005, 20:47
Quem tentou tramar o Sócrates?
Mas depois de ouvir o secretário-de-estado de então e actual porta-voz do Sócrates, este assunto é muito mais esquisito do que parece.
As explicações sobre a urgência da mudança de regras, a três dias das eleições, que vieram a permitir a aprovação do freeport, e depois revogados pelo novo governo eleito, é muito esquisito e anormal.
Por fim. A PGR abriu um processo por fuga do segredo de Justiça, devido ao que foi publicado. Ora, se existe fuga do segredo de justiça, a credibilidade sobre que assentam os factos que deram origem à notícia aumentou exponenciamente. Porque se as notícias fossem falsas, a PGR não abria um processo destes, não é?
O Sócrates, que andou a fazer bandeira com os seus sinais exteriores de riqueza, vai ter muito que explicar. Porque não chega dizer que são falsidades, quando os factos demonstram que a sua actuação é demasiado estranha para ser normal.
Agora eu pergunto:
Quem tramou o Sócrates?
http://psbenfica.sitepac.pt/20030124Financiamento.jpg
A direita ainda não percebeu que com este tipo de calunias e mentiras cada vez dá mais razão aos resultados das ("mega-fraudes, eheheh) das sondagens. Isto é das tais coisas que nem merece comentários. E o nosso amigo Patacôncio continua a sua cruzada contra a esquerda. Espero que acalmes depois das eleições, senão ainda te dá um "xilique" e isso seria mau.
Inté
Patacôncio
12-02-2005, 14:56
Não será demais relembrar que o Sócrates propagandeou seus sinais exteriores de riqueza, com os seus mercedes clássicos, propriedades e afins.
Foi herdado do avô que vendia volfrâmio aos alemães? Ou...
Leiam bem o que escreve o Público: (http://jornal.publico.pt/2005/02/12/Nacional/P08.html)
Projecto da Freeport Beneficiou da Alteração da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo
A decisão do Conselho de Ministros que alterou os limites da Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo, retirando os terrenos do complexo comercial do perímetro protegido três dias antes das eleições de Março de 2002, contribuiu para que o projecto do Freeport de Alcochete fosse viabilizado. Ainda que não fosse obrigatório retirar essa zona da ZPE para que lá se pudessem fazer algumas construções, a aprovação do decreto-lei da iniciativa de José Sócrates, no mesmo dia em que foi aprovada a avaliação de impacte ambiental do projecto, veio retirar parte dos argumentos dos ambientalistas que se opunham ao empreendimento e, caso não tivesse sido posteriormente revogada, facilitaria a posição do Governo num eventual contencioso com a União Europeia.
Numa primeira versão do plano de gestão da ZPE do Estuário do Tejo, de Dezembro de 1996, a área onde estava a fábrica da Firestone e na qual foram construídos os edifícios do Freeport chegou a ser considerada como "urbana". Era este também o entendimento da Câmara de Alcochete, que nesta altura estava a concluir o seu plano director municipal e propunha aquela zona como espaço urbanizável.
A hipótese de se construir numa área da ZPE provocou a contestação de ambientalistas e da direcção da Reserva Natural do Estuário do Tejo. Na altura, ainda não estava completamente terminada a polémica com a Comissão Europeia sobre a construção da ponte Vasco da Gama, que, por atravessar a ZPE do Estuário do Tejo, esteve quase a perder o financiamento comunitário.
Neste contexto hostil, o Governo acabou por não ratificar o PDM de Alcochete naquele ponto, nem aprovou aquela versão do plano de gestão da ZPE. No plano que foi finalmente publicado no Diário da República em 1999, o espaço onde estão agora os edifícios do Freeport ficou classificado como "zona especial de interesse para a conservação da avifauna", com prioridade III. À luz do plano de gestão, isto significa que se trata de uma área que é importante por servir de tampão entre zonas naturais mais relevantes e espaços urbanos.
A classificação da área prevista para o "outlet" como não urbanizável, tal como ela ficou definida no plano de gestão, acabou por colocar alguns obstáculos aos projectos da Freeport. Não porque isso impedisse toda e qualquer construção no local - tanto o decreto que criou a ZPE em 1994, como a portaria que aprovou o seu plano de gestão apenas proíbem expressamente os loteamentos urbanos e industriais - mas porque um centro comercial daquelas dimensões dificilmente se enquadraria nos objectivos da ZPE expressos na lei.
Nos termos do decreto e da portaria, um desses objectivos consiste em "manter o carácter rural do espaço, associado a densidades de povoamento humano idênticas ou inferiores às actuais". Este foi, aliás, um dos principais argumentos invocados pela associação ambientalista Quercus, na queixa que enviou à Comissão Europeia contra a aprovação do projecto.
A própria decisão do Ministério do Ambiente que reprovou o anterior estudo de impacte ambiental (EIA) do projecto, em Dezembro de 2001, segue a mesma linha de interpretação. Nela se aponta como uma das razões desse chumbo o facto de o projecto apresentar "elevadas cargas de visitantes e de ocupação que não se coadunam com os objectivos de política de ambiente e de conservação da natureza que levaram à criação desta ZPE, nem com o disposto nas directivas aves e habitats".
O projecto foi reapresentado logo a seguir com algumas reformulações e finalmente aprovado, em Março de 2002. Desta vez, o texto da decisão governamental não referiu a questão da elevada ocupação humana do empreendimento - que se mantinha exactamente nas mesmas 500.000 pessoas previstas para o primeiro ano de exploração no estudo reprovado.
A exclusão daquele espaço da ZPE, em tese, encerraria assim qualquer contestação da possibilidade de substituir uma fábrica desactivada por um centro comercial com 75 mil metros quadrados de área construída numa zona que deveria servir de tampão a outras mais sensíveis em termos naturais. Além disso, qualquer contencioso com a Comissão Europeia perderia a razão de ser, uma vez que o centro comercial já não ficaria na ZPE criada em obediência à legislação comunitária.
Estas aparentes vantagens da alteração dos limites da zona de protecção viriam, contudo, a mostrar-se menos efectivas, na medida em que os limites antigos ainda estavam em vigor à dada da aprovação do EIA e que a própria modificação dos mesmos foi feita sem autorização de Bruxelas e sem consulta às autarquias envolvidas e às associações ambientalistas. Isto mesmo foi
frisado pela Quercus na sua queixa à Comissão, sendo que Isaltino Morais, o ministro que sucedeu a Sócrates, se viu forçado a suspender o decreto que excluiu o Freeport da ZPE, para reduzir a conflitualidade com Bruxelas.
A suspensão desse diploma foi aprovada em Setembro de 2002 e acabou por fazer com que, neste momento, todo o "outlet" esteja novamente dentro da ZPE.
O secretário-geral do PS, José Sócrates, negou anteontem que a modificação da ZPE tivesse alguma coisa a ver com a viabilização do Freeport. Uma nota do seu gabinete de imprensa (ver PÚBLICO de ontem) refere que a alteração dos limites da zona de protecção foi feita "exclusivamente por imperativos técnicos, dada a incongruência cartográfica dos limites anteriores".
PS Pode ainda não ser arguido. Pode até não ser corrupto. Mas que este é um negócio vergonhoso e escandaloso, já não tenho dúvidas. Por muito menos, a esquerda trauliteira exigiria explicações cabais e sem margem para dúvidas, se fosse um tipo da direita. Como o Isaltino Morais.
Este regime está podre. Muito podre. Um candidato a PM suspeito de corrupção e financiamentos ilegais do partido?
O Sócrates que disse em relação ao Nuno Cardoso? Que a Justiça é isenta e imparcial? Então, que se lembrem os socialistas que não basta dizer que são notícias falsas. Provem que as alterações aprovadas a três dias de eleições, revogadas mais tarde por um novo governo, foram feitas a pensar em critérios técnicos e não para beneficiar um mega-projecto imobiliário.
Pobre país o nosso.
Patacôncio
12-02-2005, 15:03
Francisco Sousa Tavares, que distila ódio pelos corruptos, e que até explica como funciona a corrupção, estranhamente está calado no que toca a esta grave suspeita que recai sobre o sr. eng. José Sócrates.
Ele já escreveu isto no Público e não foi há muito tempo. Foi ontem.
Truques velhos e gastos (http://jornal.publico.pt/publico/2005/02/11/EspacoPublico/O01.html)
Um bom exemplo de negócio de lucro garantido, envolvendo o favor do Estado, é a construção em zonas de paisagem protegida. A simplicidade do negócio é quase chocante: estando a construção vedada por lei, os primeiros que conseguirem ou afastar a lei, ou obter um direito de excepção (chama-se "projecto estruturante" a batota legal inventada para tal), obviamente vão poder vender a um preço muito superior aos que constroem e vendem em zonas já saturadas - exemplo eloquente é o de uma urbanização há meses publicitada nos jornais e apresentada como "o último paraíso protegido na Ria Formosa". É claro que só está "protegido" até ser aprovada a primeira excepção: uma vez aberta a porta, rapidamente o "paraíso " terá de se mudar para outras paragens e outras excepções. Várias coisas caracterizam a forma como este tipo de negócio é passado à opinião pública. Primeiro, a de que se trata de um dos tais "projectos estruturantes" para a economia portuguesa, invariavelmente envolvendo milhões largos de investimento e criando sempre, no papel, "milhares de postos de trabalho". Depois, a de que se trata, invariavelmente, de "projectos sustentáveis" e "amigos do ambiente", inevitavelmente acompanhados de "marinas integradas na paisagem" ou "golfes ecológicos". Depois, vêm sempre com a aprovação, jamais recusada, do Turismo, e o apoio dos autarcas - de todas as cores políticas e arregimentados por uma irresponsável Lei de Finanças Locais, que lhes garante tanto mais dinheiro quanto mais for a construção aprovada. Ultimamente, como sucede na ria de Alvor, os investimentos vêm também acompanhados da chancela "ambientalista" de antigos militantes da defesa da natureza e que a crise, certamente, fez saltar para o lado oposto. E, enfim, para terminar, todo o enredo é preparado publicamente através de artigos saídos na imprensa e onde os "investidores" são apresentados como patriotas ao serviço da criação de riqueza para o país, mas que, desgraçadamente, se vêem travados por leis "obsoletas" e "desactualizadas", que são um travão ao "desenvolvimento" (Luís Nobre Guedes travou, por enquanto, a proposta que lhe foi apresentada de transferir as competências sobre a REN, Reserva Ecológica Nacional, e RAN, Reserva Agrícola Nacional, para as autarquias, ou seja, a de entregar o ouro ao bandido). Dou dois exemplos deste tipo de manobras para enganar tolos, devidamente publicitadas em dois jornais de referência portugueses.
Quem tramou o Sócrates? Que até permitiu que a PJ fizesse buscas, três dias depois de aberto o processo? Alguém lhes deu a papinha toda e bufou logo o nome do Sócrates para a imprensa? Quem foi? Quem foi?
"Quem com ferros mata, com ferros morre!"
O Francisco Sousa Tavares já morreu há muito tempo. :rolleyes:
Patacôncio
12-02-2005, 15:09
Queria dizer Miguel Sousa Tavares.
As minhas humildes desculpas a todos vós.
Obrigado Eragon pela justíssima correcção. :tup: ;)
jleandro
13-02-2005, 22:20
ó Patacôncio
deixa lá o Sócrates em paz, que pelos teus lados a confusão também ´
é muita e o cheiro não é dos melhores.
quem quiz entalar o Cavaco? - consta que foi um dos amigos do Flopes na tentativa de o obrigar a uma definição pública
e o palhaço da Madeira não tem melhor forma de se referir ao Cavaco sem ser " o Sr. Silva"???
a campanha está a ser uma grande merda, como se esperava, mas não me parece que tenham "machucado" o Sócrates com esta história.
e parece-me ver o Flpes cada vez mais nervoso, a esbracejar conta todo o mundo, ainda ontem parecia um "coitadinho" a queixar-se dos jornais
coitadinho dele:D
Patacôncio
15-02-2005, 13:46
Sócrates ouvido no âmbito do processo «saco azul»
15-02-2005 12:55
Em causa a aquisição e o modo de pagamento da sede do PS de Felgueiras
Tal como acontecera com António Guterres durante a campanha para as últimas eleições autárquicas, o caso do «saco azul» do PS de Felgueiras volta a atravessar-se no mandato do secretário-geral socialista em período eleitoral, agora a propósito da sede local dos socialistas, adianta a edição desta terça-feira do Público.
O debate instrutório do processo está marcado para a próxima segunda-feira, e o líder do PS, José Sócrates, foi questionado pela juíza de instrução sobre a aquisição e o modo de pagamento da sede concelhia do partido em Felgueiras, questões que, não foi capaz de esclarecer.
Luís Patrão, director-geral do partido, informa, em nome de Sócrates, que «nos registos do património propriedade do Partido Socialista não consta qualquer imóvel em Felgueiras», do mesmo modo que «nada consta, igualmente, sobre qualquer eventual processo de aquisição, preço, forma e modo de pagamento ou angariação de fundos com esse objectivo», matérias sobre as quais o secretário-geral do PS era especificamente questionado pela juíza de instrução.
O pedido da magistrada, que chegou à sede nacional do PS já em período de pré-campanha, decorre do facto de alguns industriais locais envolvidos no processo terem declarado que as verbas com que terão contribuído para as contas do «saco azul» constituírem donativos para a compra da sede local do partido, e não contrapartidas por actos de corrupção, como sustenta a acusação do Ministério Público (MP). O problema é que tal sede nunca foi registada como propriedade do partido, isto apesar de há cerca de nove anos ser ocupada pelos socialistas e de terem sido vários os empresários que, no âmbito das investigações do caso, declararam ter contribuído para a sua aquisição, diz Público.
A questão já tinha sido levantada pelo jornal em 2003, e na altura foi revelado que o espaço continuava registado (situação que ainda hoje se mantém) como propriedade da empresa Socofel, existindo apenas um contrato-promessa de compra e venda, no qual, no entanto, não intervém qualquer representante do Partido Socialista nem é feita qualquer referência ao partido. O documento é antes assinado pelo ex-dirigente do PS e ex-deputado Júlio Faria. Este e Fátima Felgueiras são apontados pela acusação do MP como sendo os verdadeiros mentores e orientadores do esquema de corrupção que alimentava as contas do «saco azul», a partir da Câmara de Felgueiras.
Júlio Faria antecedeu no cargo a autarca que fugiu para o Brasil para evitar a prisão preventiva, sendo ambos os principais alvos da acusação, sendo-lhes atribuída a prática de dezenas de crimes, entre os quais os de corrupção, participação económica em negócio, abuso de poderes, prevaricação e peculato. A transferência da presidência da autarquia de Júlio Faria para Fátima Felgueiras teve lugar em 1995, a meio do mandato, para que aquele passasse a ocupar o lugar de deputado na Assembleia da República.
Foi com Júlio Faria na presidência da câmara que foi aprovada a construção do Edifício Campo da Feira, então envolta em forte polémica. Por questões arquitectónicas e de volumetria, o projecto não teve o aval dos serviços técnicos da autarquia, mas a questão foi ultrapassada por despacho de Júlio Faria, que licenciou a construção. Além da sede do PS, também a câmara decidiu depois instalar nesse prédio grande parte dos seus serviços. Já durante o actual mandato Fátima Felgueiras encomendou um projecto de ampliação dos paços do concelho, que previa acoplar ao actual edifício um bloco de seis andares, os quais eram, curiosamente, justificados como forma de permitir tapar a asneira do Edifício Campo da Feira, que cresceu acima do da câmara e é em parte visível por detrás deste, descaracterizando-o por completo, quer porque rompe com a cércea dominante, quer ainda pelo forte impacte negativo no perfil criado para a zona, como justificavam os técnicos do Departamento de Urbanismo no parecer ultrapassado pelo despacho de licenciamento de Júlio Faria.
Fonte: PD (http://www.portugaldiario.iol.pt/noticias/noticia.php?id=502408&sec=1)
http://www.radiocomercial.iol.pt/destaques/ondeesta/fatima_felgueiras_150.jpg
se fosse tudo assim, na minha terra já não existiam políticos :D :D :D
é só o verbo mamar na 1ª pessoa do singular :mad: :mad: :mad: :mad:
mas são outras laranjas, mais podres que as tuas Patacôncio
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