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View Full Version : Aos poetas


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Blue
15-05-2003, 12:28
Desilusão



Deixei que
fluisse
escorregasse

Segura, gritei
Agarra, murmurei
Em vão ...
Perdão !

Falhei
falhaste

Morreu
desapareceu

Blue
26-05-2003, 18:23
Quico, o bichano


É vaidoso e dengoso o bichano
Sobre tudo opina
Entre gente fina
É ouvi-lo falar de fulano e sicrano

E muito aninhado
em cima do sofá adormece
E esquece

Vidas passadas na rua
A fome que aperta
E a morte tão certa
Sob o manto claro da lua

E muito satisfeito
De cima do sofá pula
E gesticula

Que bela soneca fiz agora
Sou um felpudo
Muito sortudo
nesta familia que me adora


(Um presente para o Ventor)

Blue
28-05-2003, 18:40
Joana

Joaninha, Joaninha
Mas se ainda nem caminha
Quanto mais poder voar

O olhar, de azul profundo
Pronto a engolir o mundo ...

É vê-la a chegar aos sete
Com a traquinas ninguém se mete
E deêm-lhe outros tantos dez
E tem os homens a seus pés

Mas por enquanto é criança ...
Espelha no sorriso a esperança

E de orgulho enche o peito
Cali, que grande feito !
Fazemos-te, Amigo, uma saudação
A Joana mora no nosso coração

gatsby
30-05-2003, 00:37
O mais longiquo longe é o longe de ti.
O longo tempo sem te ter,
A distancia do teu não ser.

Mais duro que a dor é saber que não estou,
Aì contigo, para onde sempre vou.
Em ti, onde sei que sou.

Perdido de ti, estou perdido de mim.
Assim procuro-me,
Nos esconsos das memórias que não existiram,
Nos tempos que eu sonho mas nunca houveram.

Megulho num futuro,
Num vazio onde não estás mas eu te quero.

Grito.
Corro.
Caio.

E assim fico, de rosto na terra que tu és.
E eu sou só vento que passou.

http://www.royalacademy.org.uk/files/picasso_olga1O1icY.jpg
Pablo Picaso / Olga.

Blue
06-06-2003, 17:14
Buganvilia



Maio florido
lembrança do amor perdido

Como lágrimas na chuva
as tuas cores vão-se esbatendo
Tal como as promessas trocadas
de almas entrelaçadas
e eternas gargalhadas
até o tempo esgotar
e o universo acabar

Flor de mil tons e cores
Guardiã de tantos amores
Rosa, vermelho e lilás
a cor tanto faz
Para mim és
Maio florido
Lembrança do amor perdido

Já não te vejo, perdi-te
Não ... Não !
Guardo-te no coração
Perto da recordação
daquele amor perdido
num Maio florido ...

gatsby
14-06-2003, 15:15
Tu não estás.
Eu sei, mas vejo-te.
Tu já não és.
Eu sei, mas sinto-te.

Eu nunca fui.
Tu sabes mas não te importas.
Eu nunca estive.
Tu sabes e me procuras.

Caminhos escuros de memórias diferentes.
Rotas claras de sonhos iguais.

Tu És. Eu, talvez.
Tu Existes. Eu, duvido.
Tu dizes Sim. Eu grito até sempre.

Sempre tu, sempre.
Sempre é agora, estás aì?

Linhas cortadas,
Vidas destroçadas,
Sorrisos de marfim,
Vai! Foge de mim.

Foge ao teu destino
Parte

Foste.



http://www.magnumphotos.com/c/htm/%2E%2E/%2E%2E/LowRes/par/TR3/HAP/Z6IPBCP/PAR38844.jpg

Blue
18-06-2003, 11:43
Descobri um poema muiito simples e não resisti a colocá-lo aqui. Este não é meu...



Dorme, deita-te.
Deita-te, dorme.
Ó Sol claro,
põe-te, põe-te escuro.
Tu também, lua clara.
foge, afoga-te.
Lamenta montanha, lamenta irmã,
lamenta comigo:
tu, montanha, por tuas folhas,
eu, por minha mocidade.
Mas as tuas folhas, montanha irmã,
vão voltar para ti,
A minha mocidade, montanha irmã
voltará jamais.


"Zaidi Zaidi" (Macedónia tradicional)

gatsby
25-06-2003, 23:04
ei solidão, vem-me fazer companhia.
o teu manto aquece,
o meu corpo morto.
só.
pouco para dizer, nada para sentir.
suave perda...



http://www.magnumphotos.com/c/htm/%2E%2E/%2E%2E/LowRes/nyc/TR3/MAC/SU6TZPG/NYC25230.jpg

Blue
26-06-2003, 10:33
Solidão


Solidão...
Entra pela porta e não sai
Por favor, peço-te, vai
Não te quero por companhia
a envolver-me noite e dia

Solidão...
Absorves o que resta de mim
deixas um vazio sem fim
sei as tuas manhas de cor
Procura outro amante melhor

Solidão...
A luta entre nós é desigual
nem sabes que me fazes mal
Chegas sempre ao sabor do vento
e partes, deixando só um lamento

Blue
02-07-2003, 17:55
Fiquei só neste imenso areal.
Espero por ti ...
A maré começa a subir, as gaivotas já não me fazem companhia.
Oiço ao longe o barulho da cidade ...cada vez mais ténue ... a cidade adormece.
O horizonte funde-se agora com o mar, passam a ser só um.
E nós ?
Tu Sol, eu Lua, desencontros constantes num céu infinito, escondidos pelo manto das nuvens.
Um pescador acorda-me ... veio de longe, traz o sal incrustado na pele.
Sorri e diz-me:
- Hoje via-a. A minha sereia ... Ela vive entre a espuma das ondas, eu ... no meu barco de madeira.

Apertei a sua mão áspera entre as minhas e sorri-lhe.
Amanhã volto à praia ... e depois de amanhã ... e depois, depois de amanhã ... e depois ...



(dedicado àqueles que ainda acreditam em musas, sereias e outros seres míticos ...)

Mohandas
19-07-2003, 16:58
O meu silêncio
de puro espanto
seria o bastante
para te agradecer

mas aí ficavam
as paredes nuas
as casas vazias
e os rostos tristes

por isso
afago as palavras
sinto-lhes a forma
e encontro a maneira
que espero certa
de te dizer
obrigado!

Mohandas
20-07-2003, 03:13
Movo-te em mim
nos meus braços
em pétala
seguro a flor
que o meu desejo criou
e movo-te em mim

da água
não passa a semente
que ressurge eterna
no esplendor da luz
e movo-te em mim
como uma canção que aprendi

abre-se a mão
como quem chega de longe
e movo-te em mim
para adormecermos
tu e eu
um no outro
em sonhos diluídos de nós
e movo-te em mim
para estarmos sós
e perto das distâncias
em que se faz a voz

movo-te em mim
como se fosse a primeira vez
e adormecemos nos meus braços
Inês

Funchal, 20/7/03

Karl Marx
22-07-2003, 17:43
Quando eu souber do rio que há na fonte
E das marés que há em mim
Hei-de cruzar linhas ao horizonte
E navegar mares sem fim

Hei-de ir a Tóquio, ver o sol nascer
E a Timor, contra Suharto
E ao sol-pôr, virei adormecer
No remanso do teu quarto.

(inacabado)

Patacôncio
24-07-2003, 00:28
http://www.atlantic.ro/atlantic/Romana/paste/egipt.jpg

Quando me dá as boas-vindas
De braços bem abertos
Sinto-me como aqueles viajantes que regressam
Das longínquas terras de Punt.

Tudo se muda; o pensamento, os sentidos,
Em perfume rico e estranho.

E quando ela entreabre os lábios para beijar
Fico com a cabeça leve, fico ébrio sem cerveja.

http://www.pontesmaps.com/img/Roberts%20Petra.JPG

Se fores à casa coberta de hera
Antes dos outros convidados chegarem,
Põe-te à vontade
Na sala dos banquetes.

As flores mexem-se com a brisa,
A qual, se não estiver toda envolta em perfume,

Há-de conseguir levar até ti
Pelo menos a excelência de alguma da sua fragância.

O perfume alastra,
A embriaguês começa.

Aquela rapariga ali, a que se parece com Noubt:
Se tiveres a sorte de a receber como presente,

Meu amigo, deves estar preparado para oferecer em sacrifício a tua vida
Pois é a única coisa que podes dar em troca.

http://www.makinonaruto.com/obje_page/ob_image/egipt.jpg

A mansão do meu amor tem portas duplas,
Abertas de par em par.
Agora que se dana zangada
Eu queria ser o seu guarda
E receber as chicotadas da sua língua.
Assim poderia ouvi-la quando está zangada,
Como o ouriço novo a chiar de terror.




Poemas de Amor do Antigo Egipto.

Mohandas
29-07-2003, 00:51
Eu sei que vens

Tarde ou cedo
no Outono
vais chegar

Trarás contigo a chuva

ou talvez não

poderá ela trazer-te a ti
água de rosas
de sorrisos e mensagens
porque assim é
qualquer chegada

Ou pode nem querer vir
a chuva

não é teu nome
nem imagem
nem sequer sede de cá estar

não é imperativo que venha
como de ti se espera
e virás
como todas as águas
que acabam por retornar ao ventre
de que tu te afastas

Sei que virás
e aguardo em serena espera
com estas mãos ansiosas de te afagar

FL 27/7/03

Mohandas
04-08-2003, 21:36
Hoje
apetecia-me ser feliz
com mornas e coladeras
em abraços aos sonhos

mas arde o ventre da mãe Terra
e os homens choram
desesperados na fuga das encostas
onde o vento se agita
em feéricas danças de Piro

recebo a tristeza como partilha
e dói-me também
o queimar das flores
a fuga das borboletas
a morte dos pássaros

e uma lágrima vem molhar a música
e não consigo sorrir

(consternado pelo país que arde)
Funchal, 4 de Agosto de 2003

Blue
13-09-2003, 00:00
Não houve despedida
nem uma lágrima, nem um adeus
nem um aceno no cais
Apenas um partida
para onde só tu vais

O momento é eterno
perdura mesmo sem ti, sem mim
Todos os dias partes
para aquele horizonte sem fim

E a repetição leva à loucura
e a loucura leva-me ao cais
Leva-me sonâmbula à procura
de memórias que não voltam mais

Ventor
23-09-2003, 22:44
Destruir Ninive

http://www.g26.ch/abb_irak_41.jpg

Ninive

Ao som das trombetas de Nabopolassar
Se movem homens, animais e carrroças
Nas margens do Eufrates estão a passar.
Se ouvem berrar camelos de bossas!

Junto ao grande rio, lento e sereno,
Que já prestou homenagem a Nemrod
Se espelha nas águas um leão pequeno,
Que do seu pelo a poeira sacode.

Logo um frecheiro aponta seu arco,
Flecha na mão p’ra ferir o animal
Escorregou na areia e caiu num charco
Não sofrendo o bicho qualquer mal.

Subindo os outeiros rumo a norte,
Deixando para trás um lastro de pó,
Poderoso exército com grande suporte
E a seu lado Ventor sempre só!

Nas altas colinas sorria Diana,
Perante nuvens que em frente se movem
Cabelos ao vento a ninguém engana
Pede a Ventor que seus lábios provem.

Junto a Ninive o exército faz alto
Cada um se amanha conforme pode,
E logo em frente noutro planalto,
Se encontra Ventor com Nemrod

Amigos de sempre nunca esquecidos,
Por outros amigos de outros combates
Perante o inimigo nunca estão perdidos,
E nunca cometem quaisquer dislates.

Apontam os arcos direito à cidade,
E põem em marcha seus esquadrões,
Assaltam muralhas que na verdade,
Escondem o medo dos seus guardiões.

Ventor irado, forte e sisudo,
Fixa Nemrod na sua tristeza
A cidade que ele construiu e tudo,
Caía assaltada devido à avareza,

Num chão de pó com cheiro a queimado,
Encontrou Ventor, Sinsariskun ledo,
Avançou num porte erecto e irado,
E Sinsariskun se apossou do medo.

E quando já tudo, parecia acabar,
Vindo do tempo entrou Nemrod.
Esta terra é de Nabopolassar,
Ele a governa porque ele pode!

Tudo em volta é terra de Kush,
Todo o meu reino me custou a criar.
Linda e bela era Babilónia!
Todos os inimigos eu vou arrasar.
E para todos sem parcimónia,
Haverá a lança de Nabopolassar.

http://www.g26.ch/abb_irak_42.jpg
Assalto a Ninive

Esta poesia faz parte das façanhas históricas de Ventor no planeta Terra, e é cantada pelo seu amigo Gilgamesh, que em sonho lhe inculquei na cabeça.

gatsby
22-10-2003, 18:21
Quand on n'a que l'amour
A s'offrir en partage
Au jour du grand voyage
Qu'est notre grand amour
Quand on n'a que l'amour
Mon amour toi et moi
Pour qu'éclatent de joie
Chaque heure et chaque jour
Quand on n'a que l'amour
Pour vivres nos promesses
Sans nulle autre richesse
Que d'y croire toujours
Quand on n'a que l'amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs
Quand on n'a que l'amour
Pour unique raison
Pour unique chanson
Et unique secours

Quand on n'a que l'amour
Pour habiller matin
Pauvres et malandrins
De manteaux de velours
Quand on n'a que l'amour
A offrir en prière
Pour les maux de la terre
En simple troubadour
Quand on n'a que l'amour
A offrir à ceux-là
Dont l'unique combat
Est de chercher le jour
Quand on n'a que l'amour
Pour tracer un chemin
Et forcer le destin
A chaque carrefour
Quand on n'a que l'amour
Pour parler aux canons
Et rien qu'une chanson
Pour convaincre un tambour

Alors sans avoir rien
Que la force d'aimer
Nous aurons dans nos mains
Amis le monde entier.





http://loutreaux.chez.tiscali.fr/brel.jpg
Jacques

Blue
15-11-2003, 19:50
(Este devia ter sido o 1º texto deste Post, mas só agora o descobri. Obrigada, Moh ;) )



MARIA - O que é a poesia?! Um caso de vida ou de morte, nem mais nem menos... É o futuro lido na metáfora de cristal: daqui a vinte e cinco anos, boa parte do planeta ficará sem água. Os nossos filhos vão morrer envenenados com coca-cola, e outros hão-de esticar o pernil fulminados pela radiação da pastilha elástica, e outros desenvolverão cancros de pele mesmo protegidos com óculos de corpo inteiro, e outros hão-de ser comidos pelos vírus, bactérias, esses millhões de novas espécies que habitam nas partes baixas do computador...

ESTELA – Vade retro!... Nada te proíbe de escrever sobre assuntos de imediatez presencial, que interessam até aos pobrezinhos, e é notório que o ciberespaço está a matar a literatura impressa na celulose ao natural, porém estes assuntos de tanto quilate sócio-político não farão dos textos poesia. A poesia não se confunde com palavras. E o que acabaste de dizer nem sequer é teu, plagiaste o discurso milenarista que anda por aí de hissope na mão a esparrinhar ideologia ambiental para todos os lados. Que garantias da verdade desse fim do mundo podes apresentar?

MARIA - Já Caeiro dizia...

ESTELA - Mas qual Caeiro nem meio Caeiro?! Esse por acaso não é o das odes às ervas? A poesia não é horticultura, os poetas não têm de se pôr de cócoras diante de outros poetas, não têm de prestar vassalagem a filósofos, a políticos nem a religiões, e nem sequer têm de obedecer a receitas de escolas literárias, ainda que pontifiquem nelas. A poesia é o último reduto da liberdade na jaula do culto da aparência, da tirania do “não fumes”, “não bebas”, do não isto e não aquilo, e não a coisas ainda melhores! Não há sempre-em-pé que não dê palpites sobre o que a poesia deve ser! A poesia não é, por definição. Por definição, se era alguma coisa, deixa logo de o ser quando alguém quer agarrá-la nas malhas desta ou daquela rede. A poesia está do lado do não, não a toda a forma de magistério e manobra de domesticação do cérebro.

MARIA – Sim, sim... Bem se vê que és poeta, o poeta é que não aceita ser domesticado, e ainda menos enganado por ideologias, paradigmas, religiões, tudo estratégias de dominação... O poeta deseja a verdade, deve mesmo ser o último bastião dela, porque tudo o mais é jogo de conveniências e convenções, propaganda mais ou menos disfarçada.

GUEDES – Se me deixarem, também gostava de mandar uma boca... É que de facto a ciência e a religião tentam dominar os outros com a sua retórica, defendendo a primeira que só há uma forma de conhecimento importante, o científico, e a segunda que só há um conhecimento verdadeiro, o da revelação. Ora a Poesia dispõe de uma fonte de conhecimento próprio, sem exclusão de outros, que precisa de ser proclamado como garantia de independência...

MARIA ESTELA GUEDES – A inspiração, é verdade! É verdade que a inspiração é um modo de conhecimento tão válido como o científico e a revelação. Revelação é o conhecimento que vem do Sublime, conhecimento científico é o que vem da convenção do natural, apenas material e exterior, ao passo que a inspiração vem de dentro, é ciência infusa, meio de comunicação com o Sublime. Por isso a Poesia não é a gavetinha do isto nem do aquilo, sim a ilimitada aventura do voo que cada poeta empreende nela.

de Maria Estela Guedes
in www.ofulgordalingua.com

Blue
05-12-2003, 21:43
Semente que desabrocha em vida
Amor que cresce, matura
um amor fiel que perdura
ultrapassando a própria morte

Quem me dera tal sorte !

Proteger-te dos medos,
defender-te dos perigos
Dói tanto a ansiedade ...
Mas a soberana vontade
exige provas sem fim

Milagre tão esperado
Poema inacabado

Quero dar-te tudo de mim !

Blue
06-01-2004, 20:44
Este Natal fiquei a conhecer Haiku, poesia japonesa que remonta ao séc. XVII. É engraçada de tão simples que é.

O Haiku é um pequenissimo poema, normalmente com 3 linhas apenas e um total de dezassete sílabas, que usa imagens concretas para criar a sensação de toque, cheiro e paladar.

Faz lembrar os jogos de criança, em que repetíamos e brincávamos com as palavras novas que aprendíamos.

A antologia que tenho (em inglês, claro ...) está dividida pelos elementos: madeira, fogo, terra, metal e água.

Um exemplo de Terra:

"day's end
emptying the beach
from my shoe"

E de Água:

"short cut;
splashing through the water
of summer rains"

Se quiserem mais, peçam. Aqui a cultura é de borla ... :)

jleandro
06-01-2004, 22:53
quando quizeres......

gatsby
07-01-2004, 19:41
o Haiku é belíssimo mas muitas vezes de dificil tradução (ou impossivel mesmo) sem que se perca o seu singificado e lógica, e ao mesmo tempo de dificil 'entendimento' por uma sociologia ocidental nada dada a 'momentos de deleite, só por isso mesmo, pela contemplação do que nos dá deleite.

Finalmente a regra é obra, tentem cumpri-la de um modo perfeito e sentido e com arte...
nada facil, e só mesmo um povo por um lado profundamente metódico e por outro totalmente contemplativo inventaria o Haiku.

reparem no haiku que Blue nos apresenta sobre a água:

(tradução livre minha):

corto o caminho;
chapinando através das águas
de chuvas de verão

reparem o que vos (?) transmite esta leitura:
- leveza
- uma imagem quase fotográfica
- apesar de quase fotográfica é fugidia porque parte para algum lado
- luz
- sorrisos na personagem.
- vontade de o/a seguir
- sonho
-liberdade
- e, e, e...

só com 7 palavras ...

e deixo este de prenda, a blue...


Old pond...
a frog leaps in
water's sound

Matsuo Basho

2004
07-01-2004, 20:18
No sky
no earth - but still
snowflakes fall

HASHIN