jleandro
21-12-2004, 09:13
diz ele numa entrevista hoje publicada nas páginas centrais de "A Bola", e continua:
"o Benfica é como um filho que deixei para trás e no qual penso imensas vezes. Por isso é enorme o desejo de revê-lo"
"há muito que acalento um sonho e sei que um dia vou treinar o Benfica"
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cá por mim até pode ser já se ele se sentir preparado para isso :tup:
Até já, VALDO!
Aos 40 anos, Valdo colocou, enfim, um ponto final na sua longa carreira de futebolista. Um exemplo, enquanto profissional, mas também como ser humano, o antigo jogador do Benfica nunca baixou os braços e, até ao derradeiro apito, entregou-se ao que mais gostava, ajudando o Botafogo a conseguir a salvação. Agora, o próximo passo será dado em Portugal, onde chegará em Janeiro.
Valdo chegou à Luz em Agosto de 1988. O Benfica sarava ainda as feridas de uma derrota na final da Taça dos Campeões Europeus, ante o PSV Eindhoven, depois de um tristemente inesquecível desempate por grandes penalidades. O jovem brasileiro, então com 24 anos, trazia no currículo a presença no Mundial do México e fazia renascer as esperanças benfiquistas na continuação de um futuro risonho. Não se enganaram os que nele acreditaram. Com o seu futebol perfumado e tacticamente próximo da perfeição, o franzino brasileiro ajudava o Benfica a conquistar dois títulos nacionais (1988/89 e 1990/91) e nova presença na final dos Campeões, desta vez frente ao Milan, em 1990. Uma vez mais, porém, a águia caía no derradeiro instante, saindo derrotada por 1-0. Um ano depois, Valdo, ao lado de Ricardo Gomes, partia rumo à aventura francesa no PSG, abrindo as portas a um jovem que começara a despontar nas camadas jovens e que, na época anterior, representara, por empréstimo, o Fafe: Rui Costa. «Não precisam de contratar nenhum número 10. Têm um de enorme qualidade nos quadros», disse Valdo, antes de partir para Paris, onde jogou durante três temporadas, ao fim das quais regressava ao Benfica. Tinha, então, 31 anos. Corriam os boatos de que estava velho, de que estava lento. A resposta deu-a nos relvados, realizando uma das suas melhores épocas de sempre. Anteontem, depois de seis anos em alta no Brasil, colocou ponto final na grandiosa carreira. O regresso a Portugal é o próximo passo. «Para ser treinador», diz.
http://www.abola.pt/wter/Destaques/Destaq03.htm
Um dia, vou treinar o Benfica
Valdo parecia eterno mas, aos 40 anos, colocou mesmo um ponto final na sua longa carreira de futebolista. Aconteceu anteontem, depois de derradeiros 90 minutos de dramatismo na luta pela permanência do Botafogo entre a elite do Brasil. Objectivo cumprido, o antigo jogador do Benfica já está a pensar no futuro imediato. Por agora, tem como certo o regresso a Portugal, que acontecerá em Janeiro. E, em entrevista a A BOLA, Valdo revela que nos seus planos está o sonho de um dia treinar o Benfica.
Ao longo de quase duas horas de conversa, as dúvidas ficaram totalmente dissipadas: Valdo continua a guardar o Benfica no seu coração e é com carinho, emoção e muita saudade que, hoje, fala da sua antiga equipa e dos amigos eternos que deixou para os lados da Luz. Dois dias depois de, coma camisola do Botafogo, ter-se despedido da carreira de futebolista, a águia voltou, como nunca, ao pensamento do número 10. Ao ponto de ter surpreendido a reportagem de A BOLA com uma camisa vermelha e branca propositadamente vestida para a sessão fotográfica:
— Vivi momentos inesquecíveis na Luz. Foram anos gloriosos que ficaram para sempre no meu coração. Obviamente, tive épocas maravilhosas noutros clubes, mas o Benfica significou sempre algo diferente na minha vida. Quase como um filho que deixei para trás e no qual penso muitas vezes. Há muito que acalento um sonho e sei que um dia vou treinar o Benfica.
— O que recorda desses tempos?
— Cheguei à Luz com 24 anos, cheio de aspirações e de sonhos. Quando deixei Porto Alegre, o Manuel Barbosa [empresário que intermediou a transferência] falava- me da grandiosidade que me esperava em Lisboa, mas nunca imaginei que fosse assim. Depois, vi que ele tinha razão. Foi no Benfica que me fiz jogador e que criei a minha independência. E foram tantas emoções.
— Mas passaram tantos anos... Será que, pelo meio, não se perderam algumas memórias?
— Nem pensar! Seria quase ingrato deixar fugir as recordações que guardo do Benfica com tanto carinho. Pelos vários clubes por onde tenho passado, falo sempre com orgulho da minha passagem pela Luz.
— Por que aspectos passa esse orgulho?
— O Benfica do meu tempo era conquistador, vitorioso. No meu primeiro ano, em 1988/89, fomos logo campeões. Tínhamos uma bela equipa e chegámos à final da Taça dos Campeões Europeus, com o Milan [derrota dos encarnados por 0-1]. Em 90/91, voltei a ser campeão. Foi, então, que saí para o PSG. Mas estava no meu destino que voltaria. Aconteceu em 1995. E voltei a ser muito feliz, mesmo sendo questionado a torto e a direito. Diziam que estava lento, que estava velho, mas acho que dei uma boa resposta, ao ponto de vencer o prémio de A BOLA para o melhor jogador do campeonato.
— Diziam que estava velho?
— Em todo o Mundo, o futebol está sempre rodeado verdade, mas, como já disse, acho que dei a melhor resposta, tentando dar sempre o melhor de mim.
«Benfica de hoje merecia mais»
— Continua a acompanhar o Benfica?
— Sempre que posso. Sei que tem alternado bons e maus momentos. O Benfica de hoje merecia mais, pela imensa torcida que tem e pelo historial magnífico.
— Gostaria de ter encerrado a sua carreira na Luz?
— Teria sido divino, mas, neste caso, o destino não me conduziu nesse sentido.
— A sua mulher diz muitas vezes que era esse o seu desejo...
— Por ela, eu iria agora para Lisboa para terminar a minha carreira no Belenenses, seu clube do coração e de toda a família. Fica para outra oportunidade [risos].
— Então, porque terminou no Brasil?
— Mesmo quando estava em alta na Europa, fez sempre parte dos meus planos voltar a jogar no futebol brasileiro. A ideia era jogar no Brasileirão uma ou duas épocas e, depois, voltar a Portugal. Acabei por ficar seis anos. Não me arrependo, porque vivi muitas experiências e situações variadas que me serão úteis no futuro.
— Que balanço faz da sua carreira?
— Acho que a minha conduta representa o maior legado para um profissional. Sempre cumpri os meus deveres e honrei todas as camisolas que vesti. E, no Benfica, obviamente não foi diferente, pois é uma grande honra para qualquer jogador vestir aquela camisola sagrada.
http://www.abola.pt/wter/Destaques/Destaq01.htm
Quero a aprender com Mourinho
O fim da carreira de futebolista foi uma decisão planeada e consciente. Quem o garante é o próprio Valdo, apesar de reconhecer que tinha fôlego «para jogar mais um ano.» Mas, a hora era mesmo de parar.
— Já são muitas as saudades?
— Não posso negar, pois seria demagogo se afirmasse o contrário. Foram 26 anos a fazer sempre a mesma coisa, mesmo que em diferentes locais do Mundo. Sei, isso sim, que terei de continuar a dar a minha corridinha matinal, pois, curiosamente, quando paro, emagreço muito.
— Quais os sentimentos na hora do adeus aos relvados?
— Saio feliz, porque as alegrias e os amigos que fiz foram sempre mais do que as tristezas e os aborrecimentos. Devo ao futebol tudo o que tenho, toda a cultura que adquiri e, inclusive, a família maravilhosa que constituí. E, agora, quero usufruir de tudo isso com mais tempo.
— E o futuro, como será?
— Independentemente dos meus negócios [uma empresa de construção civil em Santa Catarina], vou para Lisboa, onde tenho um apartamento. Depois, quero abraçar a carreira de treinador. E estou certo de vou ser dos bons [risos]. Vocês vão ver. Mas primeiro pretendo atravessar um período de aprendizagem, realizar alguns estágios...
— Onde?
— São coisas para pensar a partir de Janeiro, quando regressar a Portugal. Mas, por exemplo, penso ir a Londres, para aprender com José Mourinho, no Chelsea; observar Fabio Capello, em Itália; Frank Rijkaard, no Barcelona; e, claro, estando em Portugal, vou querer ver o meu amigo Scolari a trabalhar com a Selecção.
http://www.abola.pt/wter/Destaques/Destaq02.htm
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