dudu
13-12-2004, 13:59
In BEST news
Menos TV!
Querem, durante o Natal, proteger as crianças. Seria comovente, não fosse cínico.
É cínico como cínico seria o torturador fazer-se de bonzinho porque as sessões de tortura seriam interrompidas durante o Natal. Quando se diz que durante o Natal a pancadaria será interrompida está-se a dizer também que, depois do Natal, a pancadaria será retomada. Dói.
Quanto mais vejo televisão mais radical fico. Peço desculpas, mas é inevitável. Com raríssimas e honrosas excepções, tudo o que sai daquela caixa é feio, estridente, obsceno ou violento. E, tanto quanto ver televisão, deprime-me ver o tanto que se vê televisão em Portugal. Não é assim no mundo todo. Há - juro! - países em que se pode entrar num café ou num restaurante sem se dar de cara com um aparelho de televisão ligado. Em Portugal só os restaurantes caros não têm televisão. Em Portugal, é preciso pagar um suplemento para não se almoçar com TV!
E não consigo deixar de pensar que há uma relação directa entre a quantidade / qualidade de TV em Portugal e os péssimos resultados do país no último estudo da OCDE sobre a qualidade do ensino no mundo. E entre a quantidade / qualidade de TV em Portugal e o baixo nível de civilidade no trânsito; ou o quase nulo grau de participação popular na política (partidária ou não); ou a solidão (mal enganada pela ilusão de companhia que os apresentadores de programas de auditório nos oferecem); ou a inapetência para a vida desde tenríssimas idades; ou a obesidade infantil?
O rol de males que atribuo à TV não tem fim (sou um radical, já disse). Não chego a acreditar que o mundo se resolveria se não houvesse televisão, aliás, nem chego a acreditar que o mundo seria sequer melhor sem televisão. Mas não tenho nenhuma dúvida de que muitíssimo melhor seria o mundo com um bocadinho melhor e com um bocadinho menos televisão.
Quanto à qualidade, seria ingenuidade esperar dos operadores alguma atitude mais consequente do que essa dos espanhóis - que só serve para que saibamos que é deliberada e conscientemente que, fora da quadra de Natal, enchem as cabeças das crianças de porcaria. Trata-se de impor limites (e quem quiser que chame de censura).
No que se refere à quantidade, a mim bastaria o corte das emissões por 15 (quinze) minutinhos diários - nenhum canal, nenhuma opção, nenhum programa, nada, vazio televisivo durante 15 minutos por dia, de preferência, à hora do jantar, em todo o território nacional. Teria efeitos revolucionários, podem crer. Talvez até se ouvisse música, talvez até se fizesse música!!!
PS: Quem quiser ver, concentrados, todos os efeitos nefastos da televisão na formação das pessoas, que vá a um bar de Karaoke. A própria ideia do karaoke já demonstra um desses efeitos: só se faz karaoke quando a formação musical das pessoas é inexistente, a ponto de não se conseguir juntar sequer um guitarrista, um pianista e um contrabaixista para acompanhar os cantores. Se os portugueses dedicassem ao aprendizado de algum instrumento metade do tempo que dedicam a ver televisão os karaokes estavam falidos em Portugal. Depois, é ver o repertório e ouvir as performances?
PPS: Ando pelas ruas porque os carros estão nos passeios.
Menos TV!
Querem, durante o Natal, proteger as crianças. Seria comovente, não fosse cínico.
É cínico como cínico seria o torturador fazer-se de bonzinho porque as sessões de tortura seriam interrompidas durante o Natal. Quando se diz que durante o Natal a pancadaria será interrompida está-se a dizer também que, depois do Natal, a pancadaria será retomada. Dói.
Quanto mais vejo televisão mais radical fico. Peço desculpas, mas é inevitável. Com raríssimas e honrosas excepções, tudo o que sai daquela caixa é feio, estridente, obsceno ou violento. E, tanto quanto ver televisão, deprime-me ver o tanto que se vê televisão em Portugal. Não é assim no mundo todo. Há - juro! - países em que se pode entrar num café ou num restaurante sem se dar de cara com um aparelho de televisão ligado. Em Portugal só os restaurantes caros não têm televisão. Em Portugal, é preciso pagar um suplemento para não se almoçar com TV!
E não consigo deixar de pensar que há uma relação directa entre a quantidade / qualidade de TV em Portugal e os péssimos resultados do país no último estudo da OCDE sobre a qualidade do ensino no mundo. E entre a quantidade / qualidade de TV em Portugal e o baixo nível de civilidade no trânsito; ou o quase nulo grau de participação popular na política (partidária ou não); ou a solidão (mal enganada pela ilusão de companhia que os apresentadores de programas de auditório nos oferecem); ou a inapetência para a vida desde tenríssimas idades; ou a obesidade infantil?
O rol de males que atribuo à TV não tem fim (sou um radical, já disse). Não chego a acreditar que o mundo se resolveria se não houvesse televisão, aliás, nem chego a acreditar que o mundo seria sequer melhor sem televisão. Mas não tenho nenhuma dúvida de que muitíssimo melhor seria o mundo com um bocadinho melhor e com um bocadinho menos televisão.
Quanto à qualidade, seria ingenuidade esperar dos operadores alguma atitude mais consequente do que essa dos espanhóis - que só serve para que saibamos que é deliberada e conscientemente que, fora da quadra de Natal, enchem as cabeças das crianças de porcaria. Trata-se de impor limites (e quem quiser que chame de censura).
No que se refere à quantidade, a mim bastaria o corte das emissões por 15 (quinze) minutinhos diários - nenhum canal, nenhuma opção, nenhum programa, nada, vazio televisivo durante 15 minutos por dia, de preferência, à hora do jantar, em todo o território nacional. Teria efeitos revolucionários, podem crer. Talvez até se ouvisse música, talvez até se fizesse música!!!
PS: Quem quiser ver, concentrados, todos os efeitos nefastos da televisão na formação das pessoas, que vá a um bar de Karaoke. A própria ideia do karaoke já demonstra um desses efeitos: só se faz karaoke quando a formação musical das pessoas é inexistente, a ponto de não se conseguir juntar sequer um guitarrista, um pianista e um contrabaixista para acompanhar os cantores. Se os portugueses dedicassem ao aprendizado de algum instrumento metade do tempo que dedicam a ver televisão os karaokes estavam falidos em Portugal. Depois, é ver o repertório e ouvir as performances?
PPS: Ando pelas ruas porque os carros estão nos passeios.