View Full Version : O fascismo apodera-se da europa
Patacôncio
28-10-2004, 12:02
Alguém acredita nesta europa?
Ontem o Durão Barroso teve que fazer marcha-atrás porque o italiano imposto por Berlusconi acredita que a homossexualidade é pecado e o papel da mulher devia ser em casa a tomar conta do tanque, do ferro e do fogão.
A esquerda "tolerante", como o costume, só o é para as suas ideias. Vai daí que fez uma revolta contra as opiniões do tipo. Mesmo que o gajo tenha que seguir as leis e siga um programa imposto pela equipa liderada por Durão Barroso.
Este episódio revela que o fascismo já está implantado na europa. O gajo foi condenado na fogueira por delito de opinião.
Os portugueses da oposição rasca estavam contentes por mais uma derrota humilhante para o "trio dos Bs: Berlusconi, Barroso e Butligliooni". Mandando às malvas o Interesse Nacional, que juram defender na sua demagogia politiqueira.
Mas vejamos as coisas desta maneira. Suponhamos que eu proibo um filho meu de frequentar as aulas de um determinado professor maricas. O que diriam os defendores da minorias gays? Que era uma discriminação aberrante a anti-liberal. E aí perguntava-se: Se o gajo defende a homossexualidade, não irá influenciar a inclinação sexual dos meus filhos?
Claro que a equerda fascista do politicamente correcta está a começar a actuar, como antigamente actuava a igreja católica e seus acólitos seguidores. Ou seja. As vítimas passaram a algozes. Transformando um católico e a sua fé numa vítima. É o fascismo moderno, que trará consequências graves, ara o nosso futuro e futuro da europa.
Mas ninguém medita a sério no que é a Liberdade?
Ficam a seguir algumas opiniões e aberrações da esquerda "moderna e progressista".
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Patacôncio
28-10-2004, 12:07
Vai uns Jaquinzinhos? (http://jaquinzinhos.blogspot.com/2004/10/boti.html)
oti... butti... qualquer coisa oni.
O politicamente correcto desceu ao seu nível mais baixo. Ficamos a saber que na Europa actual, um professor universitário, bom pai de família e católico praticante não pode ser membro da comissão europeia se acreditar piamente nas historinhas do Vaticano e não for hipócrita a ponto de dizer aquilo em que não acredita. A esquerda patética. Os liberais armados em censores de opinião.
Agora só falta expulsar do Parlamento Europeu o líder dos verdes. E haveria bastantes motivos para o fazer. Vale a pena ler o naco de prosa de José Manuel Fernandes no Público de hoje:
"Um dos heróis da discussão parlamentar foi o mesmo que, na década de 70, quando trabalhava num infantário, descreveu assim algumas das suas experiências: "Às vezes acontecia que algumas crianças abriam a minha braguilha e começavam a acariciar-me. (...) Se insistiam, também as acariciava. (...) As meninas de cinco anos tinham aprendido como excitar-me. É incrível." Quando estas declarações antigas foram desenterradas pelos "media" falou-se de "caça às bruxas", pois o seu autor é, "apenas", o intocável Daniel Cohn-Bendit. Se, por acaso, fosse indicado para comissário do mesmo pelouro que Buttiglione, alguém imagina que se levantaria idêntica tempestade entre os deputados?"
PS O pior é que os pedófilos já dominam o nosso sistema político e social, desde pelo menos a década de 60!
Patacôncio
28-10-2004, 12:09
A tolerânica de grande parte da esquerda é um recurso de estilo (http://dedireita.blogspot.com/2004_10_01_dedireita_archive.html#1098887838499234 88)
Ajuda-a a sentir-se moral e democraticamente superior, e o auto-convencimento é tal, e está de tal forma entranhado, que não há prática concreta que a convença do contrário.
Um senhor Buttiglione foi indicado pelo Governo Italiano, aceite pelo Presidente indigitado da Comissão e elogiado pelo anterior Comissário Socialista e responsável pela pasta que o senhor Buttiglione deveria agora assumir.
O senhor Buttiglione parece acreditar que a homosexualidade é um pecado, algo que é passível de defesa do ponto de vista do catolicismo, como aqui uma vez citamos numa discussão no ChicagoBoyz:
«The teaching that homosexuality is a sin is embedded in Christianity. It is in the Pauline letters. There is no getting around it. I have heard the counter-arguments, and they don't cut any ice.
The Christian teaching against homosexuality is organic, it was part and parcel of the attack on the pagan society of the Roman Empire and it is fundamental to the Christian conception of marriage and sexuality»
Seja. Até pode não ser, o ponto nem é especialmente relevante. Relevante, para mim, é isto:
«Many things may be considered immoral which should not be prohibited ... I may think that homosexuality is a sin, this has no effect on politics unless I say that homosexuality is a crime.
The state has no right to stick its nose into these things and nobody can be discriminated against on the basis of sexual orientation... this stands in the Charter of Human Rights, this stands in the Constitution and I have pledged to defend this constitution.»
(Declarações de Buttiglione em audição na Comissão de Liberdades Civis no Parlamento Europeu, em que seria "chumbado" por um tangencial 27 - 26 na votação.) Reuteurs
Temos este senhor Buttiglione que tem a concepção religiosa que tem, e que por sua vez entende que o Estado deve estar longe destes campos de escolha pessoal. Aparentemente é uma postura muito tolerante: Eu tenho as minhas convicções, você tem as suas e o Estado tem melhores coisas para fazer. Fair enough para mim.
Importante é perceber se o programa da Comissão talks the talk e walks the walk. Importante é perceber que efectivamente o senhor Buttiglione segue à risca as suas palavras. Ele já disse que sim, a Comissão terá um programa que o senhor Buttiglione deverá implementar, e terá como companheiros e "fiscalizadores" o Presidente e restante Comissão, para além do Parlamento Europeu e dos próprios Estados Membros.
Aliás, os próprios eurodeputados poderiam a qualquer momento não votar os documentos do Comissário ou até propor uma moção de censura.
Nada disto parece importar à indignação profissional e irresponsável de muitos eurodeputados. O problema é que o senhor Buttiglione pensa que a homosexualidade é um pecado. Ele pensa que é um pecado, e isso é "pecado" capital no politicamente correcto de grande parte da Esquerda.
Pecado por pecado eu fico com o do senhor Buttiglione, que tem o bom senso de o manter na sua intimidade.
E a forma como os eurodeputados são capazes de bloquear toda uma Comissão por um facto como este, diz bem do nível de distanciamento que a cultura partidária tem face às necessidades concretas dos seus cidadãos que levianamente prometeram representar e defender.
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jleandro
28-10-2004, 14:04
esse Zé Manuel Fernandes foi-se lembrar disso???
deve ser um granda facho ;)
então o Bendit fazia lá uma coisa dessas? mesmo que ele seja o autor eu cá não acredito :p :(
Patacôncio
28-10-2004, 14:09
Ele lembrou-se como eu lembrei e andaram uns meninos daqui a dizer que "era barro à parede".
Vê lá bem que o Boaventura Sousa Santos até fez poemas, há cerca de 20 anos atrás, com odes à pedofilia das meninas que frequentavam a catequese. :D :D :eek:
Mas há mais em Portugal. Mas dizem que é barro à parede e "uma cabala"... :eek: :eek: :D
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"Ontem o Durão Barroso teve que fazer marcha-atrás porque o italiano imposto por Berlusconi acredita que a homossexualidade é pecado e o papel da mulher devia ser em casa a tomar conta do tanque, do ferro e do fogão."
Se for para tomar conta de um tanque de guerra também não me importo ... ;)
E alguém se lembrou de informar o senhor que já existem máquinas de lavar com software incorporado e tudo ???
Santa ignorância.
Patacôncio
28-10-2004, 15:46
Aceitas a censura, com base nas crenças morais?
Aceitas a troca do anti-semitismo pelo anti-catolicismo?
Eu sou anti-clerical, numa perspectiva de luta contra a Igreja, enquanto organização política e social.
Mas nunca imporia a censura aos tipos. Não lhes faço o que eles milhares de anos fizeram. Senão passo a ser igual ao tipo. Capisce?
Lê isto:
A censura fascista na europa: (http://whatdoyourepresent.blogspot.com/2004/10/rocco-senza-i-suoi-fratelli-ou.html)
Rocco senza i suoi fratelli (ou, a ditadura do politicamente correcto)
A censura que o parlamento europeu exerceu sobre Rocco Buttiglione, baseada única e exclusivamente nas suas convicções morais, é, parafraseando Álvaro Cunhal, uma coisa muito triste.
Rocco é católico e, como católico coerente que é, considera a homossexualidade um pecado. Mas não só: tal como todos os católicos coerentes, também considera pecado, a infidelidade, o divórcio e por aí fora. Contudo, isso não o impede de conviver com homossexuais, com infiéis (no sentido acima referido) ou com divorciados. De lhes apertar a mão. De ser amigo deles. Como não impede a quase totalidade dos católicos, muitos deles, aliás, homossexuais, infiéis ou divorciados.
O catolicismo é a religião mais tolerante de todas. Convive alegremente com o pecado, porque tem a consciência de que o pecado faz parte da sua essência. É claro que há uma moral católica, mas, na esmagadora maioria dos casos, é uma moral que se exerce de forma branda, uma moral indicativa que dá inteira liberdade aos católicos (repito, aos católicos) de a seguirem ou de não a seguirem. O catolicismo é, de longe, a mais livre das religiões.
Ao contrário, esta esquerda pós-moderna, envergonhada do seu passado, hiper-moralista ao ponto de ser incapaz de separar a moral da política – que impõe a sua moral na política, e censura a moral alheia fora dela –, é profundamente intolerante e hipócrita. A esquerda que elimina Buttiglione por causa de uma sua convicção pessoal é exactamente a mesma esquerda que, à boca fechada, se indigna e contorce por haver homossexuais que defendem uma política da família (da família tradicional, entenda-se), ou outras quaisquer políticas conservadoras. À boca fechada, porque às claras estão calados. Por boa educação – dizem eles; por cobardia – digo eu.
Espero que a Itália não ceda e volte a indicar Buttiglione para a comissão. Este caso é demasiado importante para que se fique por um mero adiamento.
Não, não compreendo porque é que depois de tantos séculos seja nomeado para um cargo dessa importância alguém que ainda não saíu da Idade das Trevas. Ou que não quer saír, o que é bem pior.
Mas o problema aqui é que ele não está a mandar os homens para trás do tanque, não é ? Por isso pode dizer todas as baboseiras que lhe apetecer.
E isto, Patacôncio, não é ser de esquerda. É ser Mulher, e de plenos direitos adquiridos.
I rest my case.
Patacôncio
28-10-2004, 17:34
Será Blue?
Sendo assim e já que dizes que é muito importante, é mais importante que o professor que lida com os teus filhos todos os dias, seja gay? Ou católico? Ou muçulmano?
Sabes o que é separação do Estado da Religião? Não, naturalmente. O tipo se é católico e acredita na sua fé, não pode fazer parte do Estado, ainda que supranacional.
Chama-se a isso fundamentalismo e é uma atitude anti-liberal. A mim pouco me importa que o gajo acredite nos três pastorinhos. Interessa-me que exerça seu caro com isenção, cumpra as leis e o mandato político para que foi mandatado.
Talvez te revejas nisto, não?
Muçulmanos fora? Ou Judeus fora? (http://dever.blogspot.com/2004/10/juden-raus.html)
JUDEN RAUS!
Aluna Muçulmana Rapou o Cabelo para Continuar a Estudar
Sexta-feira passada, Cennet, de 15 anos, apresentou-se no liceu de Estrasburgo de cabeça rapada, esperando assim ser aceite nas aulas sem violar os princípios da sua religião, que lhe recomendam não mostrar o cabelo. «Rapei o cabelo para obedecer a duas leis: à lei de Deus e à lei francesa», explicou esta aluna muçulmana, de origem turca, que usa o véu desde os 11 anos.
Com a entrada em vigor da lei sobre os sinais religiosos ostensivos, no começo deste ano escolar, Cennet pensava ter encontrado uma solução ao apresentar-se à entrada do liceu, a 2 de Setembro, com um chapéu na cabeça. O reitor pediu-lhe para o retirar, e perante a recusa da aluna, instalou-a a estudar na biblioteca. Seguiram-se três semanas de diálogo entre a direcção do liceu e a aluna, em conformidade com a directiva de aplicação da lei. Mas o bloqueio era total e Cennet estava ameaçada de expulsão.
A jovem de 15 anos, que recusa seguir o ensino por correspondência - cujos custos são pagos pelo Estado nos casos em que o não respeito da lei sobre os sinais religiosos provoque a expulsão dos alunos - quer antes de mais estudar numa sala de aulas com outros colegas. Única menina de uma fratria de cinco rapazes, Cennet não conta com o assentimento nem da mãe, nem do pai e ainda menos dos irmãos na sua resolução de usar o véu. «Mas esta decisão é dela, e o nosso dever de pais é darmos-lhe o nosso apoio», disse a mãe à agência Reuters.
Este caso algo triste é uma excepção nesta «rentrée» escolar que prometia ser explosiva com a entrada em vigor da lei sobre os sinais religiosos. Mas o rapto de dois jornalistas franceses no Iraque, e a exigência de anulação da lei feita a Paris pelos seus captores, o grupo islamita radical «Exército Islâmico no Iraque», mudou completamente a situação.
A comunidade muçulmana, que se sentia particularmente visada pelo texto legislativo - mesmo que ele se aplique a todas as religiões -, mobilizou-se inteiramente a favor da libertação dos jornalistas e contra a reivindicação dos raptores. Nestas circunstâncias, nenhuma família desejou entrar numa prova de força com o Estado.
Há apenas 28 casos de bloqueio recenseados, actualmente, em toda a França. Em geral, todos os alunos podem usar os sinais religiosos que desejarem, devendo retirá-los apenas à entrada do estabelecimento escolar público. Um mês depois da entrada em vigor da lei, os jovens que mais sofrem são, afinal, os "sikhs", a quem a sua crença religiosa impõe nunca cortar o cabelo e de o cobrir obrigatoriamente com um turbante.
(in Público, 3 de Outubro de 2004)
Esta notícia merece-me dois comentários.
1. As consequências da segregação começam a fazer-se sentir. Para uma muçulmana, a única forma de compatibilizar a sua fé e a lei -- porque pretende, livre e voluntariamente e no cumprimento dos ditames da sua fé, usar o véu -- é rapar o cabelo. Essa é a única forma de entrar numa escola pública francesa. Ou seja, é perfeitamente razoável, em França, adoptar leis que geram, em nome de uma suposta secularidade, auto-mutilações físicas. O filme não é novo; mas em todo o caso, uma salva de palmas para o governo francês...
2. Destaque merece também o tratamento tendencioso da notícia (cujas partes mais gritantes não deixei, nos últimos três parágrafos, de sublinhar).
O caso é «algo triste». Causa alguma sensação -- mas não muita; não demais. Não é muito importante, é só uma rapadela numa selvagem apegada ao seu totem. Além disso, foi uma excepção, o que demonstra a perfeição e bondade da lei. Que até os deixa usar isso na rua, só não podem usar é onde estudam... É uma cabotina, é o que é. E só mais 28 pessoas é que deram problemas. Isto num país inteiro! E muita sorte têm, porque os irmãos deles andam a raptar pessoas lá no Iraque e à conta disso deviam era levar nas orelhas. Mas não provoquem o Estado Francês! Caladinhos é que é bonito!...
PS E isto, Blue, não é ser liberal. É ser Humanista, e de plenos direitos adquiridos.
After all, all rest the case, because's painfull! :eek: :eek: :D
PSS Já que falas da importância dos cargos, o outro não deve estar na CE, por ser maluquinho pela Igreja, mas já não deves ficar aborrecida que um pedófilo seja eurodeputado e um dos "farois da nova esquerda"...
Ou outro, que é professor, em Portugal, e já escreveu odes à pedofilia com meninas na idade da catequese. Pois é. O gajo é um dos activistas "pelas fracturas sociais progressistas"... E é considerado um intelectual de referência da esquerda lusitana.
A pedófilia não faz parte do léxico censor da novas igrejas pagãs. Confundir fundamentalismo ateu com a tolerância religiosa alheia. :eek: :eek: :confused:
Sem mais. Plenamente de acordo com o título.
Eles estão aí e em força, em nome da esquerda e do socialismo. Aliás, foi assim que começaram no séc. passado.
"Ontem o Durão Barroso teve que fazer marcha-atrás porque o italiano imposto por Berlusconi acredita que a homossexualidade é pecado e o papel da mulher devia ser em casa a tomar conta do tanque, do ferro e do fogão."
As ideias do sr. Buttiglione sobre a homossexualidade são lá com ele, assim como as tais baboseiras sobre o papel da mulher – contrair matrimónio para assegurar protecção (ricas perspectivas de casamento!), cumprir o seu papel de doméstica (supõe-se que como pagamento em espécie) e procriar para dar continuidade à genealogia do protector.
O que já não é apenas com ele, mas com todos nós, é que tal criatura se proponha ir para um cargo político pelo qual fica obrigado a combater activamente aquilo que ele defende enquanto católico – a discriminação sexual e de orientação sexual.
Das duas, uma:
- ou é um bom católico praticante e só lhe resta sabotar por dentro os tratados que são a razão da sua existência enquanto comissário;
- ou cumpre responsavelmente o papel para o qual é nomeado e fica em dívida para com as suas convicções religiosas, temporariamente condenadas à gaveta.
Convidar o lobo para guardar o rebanho, não lembraria ao diabo. E o lobo queixar-se de que o rebanho não o quer por perto, nem o diabo aceitaria.
http://www.frankandernest.com/sound/UM/vr/inv/caveman.gif
Patacôncio
28-10-2004, 23:57
Mystic, deixa-me perguntar. Acreditas que um Ministro das Finanças pode julgar que temos uma carga fiscal pesada, mas ao mesmo tempo perseguir a fuga ao fisco?
É que estás a ser fundamentalista. Um funcionário das finanças pode acreditar que paga demasiado impostos. Quer dizer que ele vai deixar de ser zeloso no cumprimento do seu dever?
O problema, se calhar, é que sois fundamentalistas e não leis as declarações do tipo. Ele reafirma que a homosexualidade é um pecado, de cariz religioso ou quando muito moral, mas no entanto, como servidor público promete defender mesmo aqueles que ele julga estarem errados.
E nesse aspecto ele toma uma das atitudes mais nobres e importantes em democracia, num regime regime liberal e tolerante: que é defender mesmo de quem discorda. E apoiar-se na Lei, para defender mesmos os que ele julga estarem profundamente errados.
É a ideia que existe uma hierarquização de príncipios a defender. Primeiro a Lei, a Tolerância e por aí fora...
Pelo contrário, a atitude da esquerda é típica do sectarismo. Eu actuo políticamente como penso moralmente. Precisamente a fonte pior do fascismo político e ideológico. É não conseguir separar a Lei da Moral. Pena é que o estudo do Direito não seja obrigatório para quem confunde actividade política enquanto servidor público, com príncipios éticos e morais.
Ou também acreditas que todos os militares são uns assassinos sanguinários?
Esse é o problema da esquerda. É moralista e traz o moralismo para a esfera política. Parece que não aprendemos nada com o salazarismo bafiento.
Repara. Eu sou heteresexual. Até conto piadas sobre os maricas. Faz mim, enquanto cidadão, um discriminador sexual? Provavelmente não. E defendo a sua não discriminação, apesar de gostar antes de mulheres.
Mas o problema é o anti-clericalismo transformar-se num fanatismo ateísta. E não ser tolerante o sufciente com as ideias alheias. Porque, na vossa ideia de superioridade moral e intelectual, julgais-vos os Eleitos, que sabeis o que é melhor para os restantes cidadãos, quer nas ideias, actividades políticas e até privadas e nos valores morais e religiosos.
Mas em vez de criticares o que lestes nos jornais, devias ler o que ele disse na íntegra. Ele dá uma lição de tolerância política, apesar daquele conservadorismo beato e sacristão. Pelo contrário, a esquerda dita inteligente e aberta é a que se comporta como a Santa Inquisição.
O Torquemada não morreu. Mudou apenas de barricada... :confused: :confused: :confused:
PS Eu sou um anti-comunista primário. Mas nunca permitiria que um comunista fosse calado por defender as suas ideias e príncipios. Essa é a virtude maior: TOLERÂNCIA. Que é coisa que não abunda nos novos fanáticos ateístas e activistas políticos.
http://www.daemon.com.br/capas/cp_inquisicao.jpg
PSS E um advogado? É capaz de defender um cliente gay, apesar de ser um católico inverterado? Sim, ou não? Ou não sabes sequer dividir Lei da Moral?
Anda lá, que já estás a abusar um bocadito!!
De uma assentada eu, porque não penso como tu, sou fundamentalista, má leitora, ignorante, sectária, pró-fascista, moralista, fanática, Torquemada … e que mais?
Aaaaah, intolerante!
Não gastes já toda a artilharia, poupa munições para mais tarde …
Comparares convicções religiosas, que mexem com o fundo das pessoas – embora eu não tenha nenhumas, acredito que seja um programa de vida para quem as vive com sinceridade – com as opiniões fiscais de um qualquer funcionário …
E os militares acreditam que matar é um dever moral?
E tu achas que um fundamentalista católico – que se atreva a dizer o que ele diz, em pleno séc. XXI, só conheço o J. César das Neves – se vai empenhar activamente contra a discriminação sexual e de orientação sexual e terçar armas pela igualdade absoluta das mulheres no trabalho, pela igualdade absoluta de oportunidades em todas as áreas da vida social, pela distribuição equitativa de todas as tarefas dentro do casamento? Contra as suas convicções de vida mais profundas? Pondo em causa tudo aquilo em que acredita?
Só se for para sofrer. Servir por penitência.
Então tu, que és democrata, podes alguma vez jurar defender com lealdade os princípios de discriminação de um regime fascista? E servi-lo, ainda por cima, com empenho activo? Voluntariamente?
Há aqui alguma coisa que não bate.
Nada mais sei sobre ele - a não ser que ficou muito mal no retrato com as declarações acerca do confinamento dos imigrantes - mas a salvação pessoal estará primeiro. Parece-me. Ou então, a coerência de vida é uma batata.
Há muitos profissionais que se recusam a praticar actos legais, a que estariam obrigados, porque esses actos vão contra as suas convicções - os objectores de consciência. Este Homem das Cavernas faz o contrário: vai de encontro a tarefas que violentam os seus princípios morais. Para se castigar, acho eu ...
São os provocadores de consciência.
E acrescento, para te dar nova oportunidade de usares a artilharia: ainda resta saber porquê.
PS: tu és do norte (Minho, talvez) não és?
http://www.frankandernest.com/sound/UM/vr/inv/caveman.gif
Patacôncio
29-10-2004, 09:40
tu és do norte (Minho, talvez) não és?
:cool: :cool: :cool:
Mystic, desculpa lá, mas estás a ser fundamentalista. A raiar o fascismo.
Vais dizer: -Bolas. Isto é um insulto!
Mas queres maior insulto que condenar um político sem o ler? Sem o ouvir? Pior. Condenas o tipo, na fogueira do politicamente correcto, porque o tipo tem ideias diferentes das tuas. Chama-se a isso condenação por delito de opinião.
Eu pergunto-te sinceramente: leste ao menos as declarações dele? :confused: :confused: :confused:
Ou só te convém ler aquilo que te agrada aos olhos e ego?
Lê isto:
(...) The state has no right to stick its nose into these things and nobody can be discriminated against on the basis of sexual orientation... this stands in the Charter of Human Rights, this stands in the Constitution and I have pledged to defend this constitution.» (...)
Isto é o quê? Isto é tolerância. O tipo sabe que é a sua obrigação legal, antes da moral, de defender as minorias sexuais, mesmo que julgue que elas vivam em pecado.
Ora, o tipo separa Lei da Moral, Estado da Religião, e a abstenção (aqui a minha costela liberal apoia completamente o tipo) do Estado nas relações pessoais e individuais entre os cidadãos. Para além das legais que protejam cada um dos seres humanos.
É claro, fruto dos estéreotipos criados pelas declarações avulsas, se calhar tiradas do contexto, já condenas o tipo por ser uma "malvado fanático religioso". E chegas ao cúmulo de dizer isto:
a não ser que ficou muito mal no retrato com as declarações acerca do confinamento dos imigrantes
Desculpa. Mas procurei, procurei, e não encontei nada disto nas suas declarações. Se calhar eu é que sou ignorante e já devia ter compreendido que o gajo além de acreditar no paternalismo familiar machista, além de considerar a homossexualidade pecado, só lhe faltava compor o retrato, chamando-o xenófobo.
Desculpa, mas leste isso em algum lado e é mesmo a sério, ou mera argumentação retórica para não ficares mal no filme?
Pior que o fanatismo religioso é o fanatismo ateu: não admitir e ser intolerante com as tais convicções de vida mais profundas alheias.
Desculpa. Mas quem está a misturar religião com actividade política és tu. Quem não consegue separar o Estado da Religião ou Moral, és tu. Quem não admite as diferenças alheias és tu. E isto é o quê? Tolerância religiosa e moral? Ou fanatismo anti-catolico?
Queres o quê? Queres que te bata palmas, só porque te julgas no direito de condenar alguém politicameente pelas suas convicções morais e religiosas? Mas isso sim, é que é a tónica dominante do fascismo e do politicamente correcto. A intolerãncia está aí. E tanto existe intolerância do lado dos fanáticos religiosos como ateus. Mas o fascismo é o mesmo.
Então tu, que és democrata, podes alguma vez jurar defender com lealdade os princípios de descriminação de um regime fascista? E servi-lo, ainda por cima, com empenho activo? Voluntariamente?
Desculpa, mas estás a admitir que a UE é fascista? Ou não chegarias ao cúmulo de compreender que um advogado, sem escusa de objecção de consciência, que acredita piamente nos príncipios da igreja cristã, mas ao mesmo tempo, antes de cristão é um ser humano e defensor do Estado de Direito? Quem está a ser intolerante?
Aliás, bastava recorreres ao passado para compreenderes que as coisas são mais complexas do que aquilo que apregoa o teu politicamente correcto. Quantos não assinaram aquele papelinho estatal, nos tempos do botas, a defender o Estado e a luta anti-comunista e ao mesmo tempo militava na oposição comuista? Queres exemplos? Ou basta-me acreditar que tens bagagem política suficiente para o saberes?
Aliás, se andas tão bem informada, devias saber que estes católicos "retrógrados", muitas vezes estão mais bem adiantados na defesa das minorias que os ditos "progressistas". Basta ler algumas coisas publicadas pelo Vaticano.
É claro, que na sanha anti-clerical, é tudo queimado no politicamente correcto. Ou quando muito aproveitado conjunturalmente, por motivos oportunistas, como as posições do vaticano contra a guerra do Iraque. Bahh!
E por exemplo, em Portugal, a igreja, que seguindo orientações retrógradas, consegue, mesmo assim, ser a mais activa na defesa dos imigrantes, por exemplo, na busca da sua integração nas comunidades locais inseridas. Basta viajar por algumas igrejas do interior. Mas o politicamemente correcto sai de Lisboa? Ou fica-se por aí?
Mais. A igreja católica tem sido das mais activas, am algumas zonas do país, na defesa dos gays, que têm problemas sociais enormes, a começar na família, e são os padres, curiosamente, quem os defende e "abre os olhos" às famílias intolerantes e ignorantes na questão da homosexualidade. Não acreditas? Viaja pelo país. Informa-te. Conhece a realidade da vida. Mas vê-a para além dos jornais e tv. Tenta contactar com a realidade social.
Mas a sanha do politicamente correcto e anti-religiosa não consegue penetrar num mundo demasiado complexo para as suas ideias pré-concebidas. Não consegue compreender que religião é uma coisa, Lei e Estado são outras. E que não se devem misturar. Mas como o politicamente correcto é moralista nas suas activdades políticas, também julga que os seus adversários políticos o são. Conheces ao menos a prática religiosa da igreja portuguesa? Ou só a conheces pelos jornais e tv? Aposto que conheces muito mais do que aparentas.
Ou então, a coerência de vida é uma batata.
Não. Não é uma batata. Embora seja díficil ser coerente nos dias de hoje, a avaliar pelo que leio e vejo todos os dias. Mas o facto de seres ateia, por exemplo (e nem sei se o és, embora pouco relevante para esta discussão, excepto em parte do teu discurso) impediria casares com uma pessoa profudamente religiosa? Ou vais descontruir toda uma relação pessoal para te "sintonizares" com o teu parceiro? ehehhehehehhehhe
Este é o vosso equívoco. Não sabeis verdadeiramente o que é tolerância religiosa, fascismo, separar moral da lei, actuação política da religiosa e não sabeis sequer separar Religião do Estado. Pensais que o anti-fascismo é apenas a defesa das minorias (seja elas quais forem), quando a defesa dessas minorias, quando levadas ao extremo e com base em fundamentalismos, acabam por se tornarem no mesmo fascismo político e social que julgam combater.
Repara nisto: Este Homem das Cavernas faz o contrário: vai de encontro a tarefas que violentam os seus princípios morais. Para se castigar, acho eu ...
E já que defendes coerência, tu, na tua vida toda, discriminas todos aqueles que não se enquadram nos tais príncipios morais? Leva a supor que fruto do teu fundamentalismo, assente em profundas convicções morais, levas até às últimas consequências a coerência de vida, e discriminas aqueles que pensam diferente de ti. Isso é o quê? Tolerância? Liberalismo? Democraticidade? Deixa-te de balelas. Isso é fascismo, quando segues "religiosamente" os teus príncipios morais e extende-os para além das tuas relações pessoais, até á actividade política e quiçá, se fores funcionária pública, a discriminar nas tuas funções públicas e profissionais, todos aqueles que não se enquadrem nos teus parâmetros de vida.
Já viste se um professor o faria de igual modo? Um puto aparece com uma cruz num brinco da orelha, tem que ser posto de lado, por portar uma símbolo religioso e o Estado deve ser ateu e não aceitar símbolos religiosos. Voilá. O que está a acontecer em França. Excluindo sobretudo as jovens que acreditam que trazer a cabeça descoberta é um insulto à sua religião.
Concluo, que isto já vai longo. Quem actua políticamente assente nas suas convicções morais e religiosas não é fascismo. Não. É tolerância com as ideias alheias. É aceitar as diferenças, mesmo que discordemos delas. É viver a sua vida toda, inclusivé politicamente, com a santidade da coerência de príncipios morais e religiosos. Pois.
Não reformules toda a tua idelogogia, não. E não procures abrir horizontes, não. E podes um dia viver sob o jugo fascista político de um grupo que impõe os seus príncipios morais e religiosos, que coerentemente, transpõe para a actividade política as suas profundas convicções morais e religiosas. Como fazem os fanáticos ateus. Ou agnósticos.
Às vezes fazia bem, a cada um de vós, fazer uma espécie de auto-crítica. Ou melhor, saber verdadeiramente quais os príncipios primeiros que vos orientam nas actividades políticas.
Mas a tolerância, a Liberdade e o respeito pelas ideias alheias, mesmo que as combatas, é uma coisa díficil de se fazer. Mas ao menos tentai... ;) ;) ;)
E fica aqui isto, que é das coisas mais importantes que o gajo defendeu e não deves ter lido. Por descuido, certamente.
(...) Many things may be considered immoral which should not be prohibited ... I may think that homosexuality is a sin, this has no effect on politics unless I say that homosexuality is a crime.
The state has no right to stick its nose into these things and nobody can be discriminated against on the basis of sexual orientation... this stands in the Charter of Human Rights, this stands in the Constitution and I have pledged to defend this constitution. (...)
PS Sabes o que me faz lembrar isto? O Bacelar Vasconcelos, que sa sua sanha fanática a favor de determinadas minorias, defendeu uma família cigana traficante de droga. Não percebendo que essa família era condenada, não por ser cigana, mas por ser criminosa. Mas o seu fundamentalismo nem o fez ver que era uma questão de Estado de Direito e não violação dos Direitos Fundamentais e das suas Liberdades e Garantias.
Ás vezes o fascismo parte de onde menos se espera. O fascismo fanático de levar até às últimas consequências a sua sanha política, misturando tudo e mais alguma coisa.
É a própria negação da Liberdade. O resto...
Patacôncio
29-10-2004, 10:46
Mais uma contribuição, para quem adere ao PC. Politicamente correcto, clarp está! :eek: :eek: :D
Pensamento único
Por Martim Avillez Figueiredo
A Europa devia estar de luto. Não pela possibilidade de empossar um comissário desbocado, mas pela intolerância que demonstrou a lidar com a diferença.
Rocco Buttiglione, o homem das notícias pode ter muitos defeitos (e tem), mas pouco deviam importar para o caso as suas posições pessoais – ou as de cada um de nós – sobre homossexualidade ou o papel da mulher no casamento. O que importa reter nesta triste história é que um processo europeu foi bloqueado pelas palavras de um homem. Durão Barroso que se prepare. Assim, não será fácil construir uma Europa esclarecida onde – ao contrário do que aconteceu durante tantos e tantos anos – a livre expressão não seja punida.
Quem já não recorda, avive a memória: esta Europa do pensamento único bebe directamente de um território liderado por reis absolutos, por Napoleão, Robespierre ou, aqui mesmo, inspira-se no Portugal amordaçado por Salazar. Todos eles eram homens que se julgavam acima dos outros, que exigiam para si poder de definição sobre comportamentos individuais. Queriam regimentos a marchar em linha, não homens livres a caminhar em conjunto. Quando o Parlamento Europeu pressiona Barroso a alterar a sua Comissão, é esse modelo de ditadura do pensamento único que replica, dizendo assim: aqui, na Europa, não aceitamos quem pense de modo diferente da maioria. E o que pensa a maioria?
Olhe-se este exercício: se Buttiglione, no seu disparate, tem dito que considerava a homossexualidade uma virtude e a adopção de crianças por casais de um único sexo uma bênção, Durão Barroso teria ontem empossado a sua Comissão sem problemas. É justo? Não, mesmo considerando que esta posição é mais arejada do que a de Buttiglione. Impondo-a, o Parlamento Europeu (Bruxelas) indica que não aceita a diferença, a menos que esteja de acordo com a percepção que faz de diferença. Parece complicado, mas não se fala aqui de mais além dos pressupostos básicos da democracia e, claro, de uma ideia razoável de liberdade.
Porque ser livre, e democrático, é acreditar que uns quantos Buttigliones não chegam para abalar o sistema. Pelo contrário, ser livre e democrático consiste em saber que o sistema está feito para absorver opiniões individuais, dar-lhes espaço e, de seguida, fazer prevalecer a força da lei – essa sim sujeita a vários níveis de “fiscalização”.
Defenda-se, assim, uma Europa onde sendo possível afirmar a discriminação sexual, existem mecanismos para que ela não possa ser exercida.
No diarioeconomico online... (http://www.diarioeconomico.com/edicion/noticia/0,2458,552989,00.html)
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/galileu/images/inquis1.jpg
Eu acho muita graça ao modo como constróis as tuas argumentações (sinceramente. Não ponho bonequinho a piscar olho porque os smilies estão desactivados e não sei porquê): fazes perguntas essencialmente retóricas, respondes pelos teus interlocutores conforme os esquemas mentais que lhes atribuis, tiras conclusões sobre o que tu disseste mas eles não, e concluis de imediato com os juízos morais correspondentes.
Não há serviço mais completo. [smiley-a-aplaudir]
Desculpa, mas leste isso em algum lado e é mesmo a sério, ou mera argumentação retórica para não ficares mal no filme?
The controversial idea that the European Union should finance transit camps outside its borders for would-be refugees and migrants to Europe will be discussed at an informal meeting of justice and home affairs ministers on Thursday 30th September.
Supporters of the idea include justice & home affairs European Commissioner-designate, Rocco Buttiglione, as well as Austrian, Italian and German interior ministers.
London MEP and European justice spokeswoman for the Liberal Democrats Baroness Sarah Ludford strongly opposes their creation, arguing:
"Such proposals for migrant camps outside the EU, now mentioning countries like Tunisia or Libya, just recycle those made by Tony Blair in 2003 for camps in Albania or the Ukraine. Those ideas were comprehensively rejected not only by the European Commission but also by EU prime Ministers at their June 2003 Thessaloniki summit.
…/...
Baroness Ludford will put a question on the migrant camp issue to Mr Buttiglione at next week's approval hearing in the European Parliament's civil liberties, justice and home affairs committee. Questions not answered include: would migrants who reach Europe be deported to the camps, which law would apply, who picks up the bills and how would these undeveloped countries cope with processing the claims?
www.sarahludfordmep.org.uk
Calling the situation a "humanitarian crisis", he defended his country's much-criticised decision to deport many of the thousands of would-be immigrants who arrive on its shores each year.
news.bbc.co.uk
Desculpa, mas estás a admitir que a UE é fascista?
Não. Pus-te apenas perante um dilema semelhante. E tu respondeste por mim, exactamente com aquilo que eu não quis dizer mas que insinuei no final do meu post:
"Quantos não assinaram aquele papelinho estatal, nos tempos do botas, a defender o Estado e a luta anti-comunista e ao mesmo tempo militava na oposição comunista?"
Está tudo dito. É precisamente aqui que radicam as minhas objecções.
Porque afinal é o mesmo senhor que revela fortes ambições políticas e de projecção pessoal:
I may be a nobody in Italy, but in Europe I will be someone.
Rocco Buttiglione
Quem não consegue separar o Estado da Religião ou Moral, és tu.
"A única coisa que eu não posso fazer é mudar os meus princípios contra a minha consciência por conveniência política” diz Rocco Buttiglione na última linha de uma carta a Mr. Barroso.
Se e a coerência de vida sempre existe, sr. Butglione, o senhor não serve mesmo para a pasta para a qual foi indigitado.
Mas queres maior insulto que condenar um político sem o ler?
?????????????????????????????????????????
PS:"tu és do norte (Minho, talvez) não és?"
Olha que era mera curiosidade linguística, para confirmar que o “vós” da 2ª pessoa do plural tem origem aí. Também pode ser em Trás-os-Montes. Ou nos púlpitos. Mas aqui ... não me parece.
http://www.frankandernest.com/sound/UM/vr/inv/caveman.gif
Patacôncio
29-10-2004, 12:11
Mystic, peço-te o favor de me dares a página onde se possa ler as declarações do gajo a defender os campos de deportação.
Procuro e não encontro nada.
Ou será que o gajo está a ser condenado por apoiar um governo que aperentemente apoia os campos de deportação (concentração, verdade seja dita. E até nisto a ONU...)?
Desculpa, mas não li nada até hoje que confirme o que tu dizes. Ou melhor, o que esta liberal diz.
O que encontrei foi isto: Página contra o tipo. (http://www.sarahludfordmep.org.uk/news/399.html)
Mas prova-me que o gajo defende esses campos de portação.
Se acreditas que existe esse dilema, entre os príncipios morais e os políticos, estás a defender precisamente o fascismo. Repara. Um gupo político vence as eleições, é democrata-cristão e diz que vai levar até às últimas consequências os seus príncipios morais que ultrapassam os legais e políticos. Voilá. Tem a força da maioria. Chega isto?
Isto não é retórica. É a verdade dos factos em política. Condenar quem pensa de molde dierente, levando para a Lei os tais príncipios morais que defendem. Que foi o que os eurodeputados fizeram.
Porque, o facto de me dizerem que o tipo pretende criar campos de concentração vale tanto como eu dizer que defendes a exclusão do Estado de todos os católicos, não vão os malvados levarem para o exercício das suas funcções a suas ideias religiosas e morais.
E depois aparecer outra pessoa a acusar-te de seres discriminadora dos católicos porque leste uma acusação minha à tua pessoa.
Desculpa, mas é o que estás a fazer com a propaganda dessa política feminista.
O que li e ninguém o nega é isto:
(...) The state has no right to stick its nose into these things and nobody can be discriminated against on the basis of sexual orientation... this stands in the Charter of Human Rights, this stands in the Constitution and I have pledged to defend this constitution. (...)
Maa tu baseiaste no que uma feminista afirma. Pois. O diz-se que disse, não é?
E quando o gajo diz isto (...) "A única coisa que eu não posso fazer é mudar os meus princípios contra a minha consciência por conveniência política” (...), quer dizer o quê? Que vai discriminar os gays por causa das suas crenças religiosas?
Nop. Porque as suas crenças religiosas são compatíveis com as suas crenças políticas. "-Estás a pecar, mas defendo-te com a Lei!"
O resto é não admitires que estás com o fósforo sobre a pilha de madeira...
:eek: :eek: :D ;) ;)
Karl Marx
29-10-2004, 14:23
Eu decidi ontem não entrar nesta conversa, por motivos... óbvios.
No entanto, não posso deixar de colocar aqui esta informação, que ouvi há minutos na rádio: Durão Barroso retirou a equipa da votação porque a extrema direita (7 deputados) ofereceu-se para fazer a chaneira, coisa que Durão (e Chirac) acharam inadmissível: não queriam uma Comissão eleita à custa da extrema direita.
Curioso, não?
Karl Marx
29-10-2004, 14:24
A fonte é um jornaleco qualquer chamado "Le Monde", que fez uma investigação sobre o caso.
Bom, agora o prego virou o bico para o feminismo …
Não sei se estarei a ler a página de uma feminista. Estou a ler a página de uma deputada europeia, independentemente das ideias que professa em relação a determinados temas colaterais. O feminismo talvez não tenha aí um papel muito visível quando se trata de legislar sobre opções muito concretas - imigração.
Sugeres que ela possa estar a “colorir” por ser uma temível não-sei-quê.
É que ela não insinua, não acusa, limita-se a dizer que vai pedir explicações às afirmações do Homem das Cavernas, que pelos vistos são do conhecimento geral.
Uma deputada, por mero militantismo, poder desacreditar-se com um desmentido à cabeça por falta de caso? Ou um não-caso, que instituições e jornais respeitáveis teriam apoiado levianamente para fazer o jeito à feminista?
Maa tu baseiaste no que uma feminista afirma. Pois. O diz-se que disse, não é?
Não. O que dizem esses e o próprio.
We have to ask transit countries to establish the camps that would take in immigrants who, for example, arrive from sub-Saharan Africa, to offer them humanitarian aid and information about job possibilities in Europe," Buttiglione said.
http://www.signonsandiego.com/uniontrib/20040823/news_1n23immig.html
On the subject of immigration, Mr Buttiglione also managed to get people hot under the collar.
Calling the situation a "humanitarian crisis", he defended his country's much-criticised decision to deport many of the thousands of would-be immigrants who arrive on its shores each year.
"This is not an expulsion. It is a refusal for entry at the border, which is in accordance with international law," he told his audience.
He has been a vocal supporter of Germany's and Italy's plans to set up processing centres in North Africa for people seeking asylum in the EU, although he stressed that the centres would provide humanitarian relief.
He also suggested that EU representatives could be sent out to the centres to advise those seeking asylum on the rights and to weed out fake applicants.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/3718210.stm
Buttiglione has voiced support for a more aggressive plan, under which the camps would be funded by the European Union, but controlled by the countries hosting them. His plan avoids sovereignty questions raised by Schily's solution, but raises significant moral concerns on the part of some human rights experts as well as international legal concerns.
http://washingtontimes.com/upi-breaking/20040917-050254-7210r.htm
Instead, Buttiglione offered his support for a German proposal that resurrects the discredited idea of establishing centres to process asylum-seekers off-shore, this time in North African countries. The reason? "To prevent the mass exodus from swamping the EU," he said.
http://www.columban.com/closed_door_policy.htm
Se acreditas que existe esse dilema, entre os príncipios morais e os políticos, estás a defender precisamente o fascismo.
Vou repetir-me.
Não sou eu que defendo a existência do dilema. É aquele senhor.
A única coisa que eu não posso fazer é mudar os meus princípios contra a minha consciência por conveniência política.
Os princípios em consciência deste senhor discriminam metade da humanidade, relegada para os afazeres domésticos e a procriação. E ainda as mães sozinhas, já que quanto aos homossexuais resolveu explicar-se.
Isto é uma filosofia de vida, que implica crenças fundamentais.
E para ser justa, não tenho visto a Igreja Católica defender exactamente o que este senhor defende. Será mais um franco-atirador em algumas matérias de doutrina. Logo, misturar-se as águas e clamar por intolerância religiosa só mesmo para baralhar.
Não é. São mesmo as ideias políticas e filosóficas que o tornam desadequado para o cargo.
Só me falta descobrir realmente porque se condena a si próprio com uma pena tão pesada, ao sujeitar-se empenhadamente à “conveniência política” de contrariar tão profundamente os seus princípios.
http://www.cartoonstock.com/lowres/ibn0035l.jpg
eu li tudo, e a primeira conclusão é que se iniciou a discutir um tema e acabou-se em coisa completamente diversas.
se falamos na questão de fundo:
a defesa da exclusão de alguém por não fazer a fotografia perfeita que alguém idealizou
esta questão não é questão sequer, é totalitarismo e conservadorismo puro e duro.
Errados estão os que acham que o conservadorismo existe apenas num dos lados da balança politica, tal como o totalitarismo. Ser conservador é não aceitar mudanças aos Status Quo... e para isso podemos usar como exemplo do Grande Guiador de Gente da Coreia do Norte. Para que isto aconteça (a não mudança) se usam métodos totalitários (visiveis ou entrevistos apenas) aí temos muitos exemplos de todos os lados...
Esta questão base que coloco antes é inaceitavel. É não liberdade.
E liberdade é algo que nos é dado com o nascimento. E liberdade é aceitar o outro e compreender o outro e defender os nossos principios de uma maneira livre. O direito a ser igual é igual ao direito a ser diferente. Mas nenhum é compaginável com a assunção de que um está correcto e outro errado. Para isso existe a Lei que devemos cumprir ou alterar se errada.
Liberdade e Lei. Ambas são o mesmo. Se ambas estiverem ao serviço da comunidade.
Se não então temos um ditadura.
Não a vejo nos vossos textos, embora ela exista em tantos outros sítiozinhos nosso dia a dia ...
o resto que li? quase sempre 'espuma leve de uma onda de intolerancia...'
desculpem lá o mau geito, mas fui isso que li...
Patacôncio
29-10-2004, 15:03
Ideias peregrinas do tipo sobre a imigração.
Peço-te desculpa por isso.
No tocante ao caso da feminista, é simples. Ela disse que o gajo fez as tais declarações. (Que pelos vistos disse!) Como não tinha lido em lado nenhum essas declarações e o que li transcrito lá fora não apareciam essas tais declarações, deduzi que, como feminista, usasse isso como arma de arremesso. E não digas que não é legítimo, porque é. A prova disso é que no sitio dela, nunca foram reproduzidas tais declarações sobre a imigração.
E quando dizes que são do conhecimento geral, quer a imprensa portuguesa, quer a espanhola e parte da inglesa não referiram esse aspecto das suas desbocadas declarações. Mas era do conhecimento geral, no caso particular inglês, que não segui pela BBC (só a sigo para os negócios! :D :D ;) )
Quanto aos dilemas morais, ele também não os tem. Repara nisto:
(...) The state has no right to stick its nose into these things and nobody can be discriminated against on the basis of sexual orientation... this stands in the Charter of Human Rights, this stands in the Constitution and I have pledged to defend this constitution. (...)
Ou seja, ele segue a Lei, apesar das suas inclinações morais e religiosas. E é isso que conta em política. Ou não?
E concordo em parte com isto:
Não é. São mesmo as ideias políticas e filosóficas que o tornam desadequado para o cargo.
Mas o voto contra o tipo por razões morais é inconbível e contraproducente. Falta saber é se ele na CE não conseguiria cumprir o cargo, já que ele defende o primado da Lei e que o Estado deve estar ausente das questões morais e particulares, à excepção das previstas na Lei.
Continuo a julgar que isto é fascismo puro duro. E se de um lado podes ter um tipo canhestro das suas posições morais e filosóficas, não deixa de ser verdade que do outro lado, estão precisamente essas mesmas questões morais e filosóficas, mas fanáticas de cariz contrário.
E isto demonstra que estamos a criar uma europa fascista, cujas orientações políticas são dominadas por questões morais e filosóficas. E não pelas da Lei e políticas.
Quanto a isto, continuo a pensar que é precisamente a raiz do fascismo:
Só me falta descobrir realmente porque se condena a si próprio com uma pena tão pesada, ao sujeitar-se empenhadamente à “conveniência política” de contrariar tão profundamente os seus princípios.
É trazer para a esfera política e legal questões de natureza moral e filosófica. Sendo assim muito teríamos que discutir, a começar pelas bases filosóficas dos próprios partidos políticos em que assenta a actual politico-partidocrata.
A analisar nesse contexto devemos então proibir os partidos comunistas e marxistas, não é? Que sofrem uma pena pesada por acreditarem nas ditaduras totalitárias e apesar disso "movem-se" num contexto democrático. E se formos mais longe na análise filosófica e moral... :confused: :confused: ;)
Só para finalizar, porque tenho que sair rapidamente e já disse tudo.
Mas o voto contra o tipo por razões morais é inconbível e contraproducente.
Mas é que não é moral. Aí é que te enganas.
Vamos simplificar: se precisares de um bom motorista para te conduzir um camião por caminhos complicados, em que a capacidade de condução e destreza são vitais, tu aceitas um que te apareça a dizer que não guia lá muito bem, até acha que nunca pôs os pés num camião mas que vai seguir escrupulosamente o código da estrada para levar a tua carga a bom termo?
É que eu acho que ele não tem condições para exercer o cargo em consciência, devido a decisões que precisará de tomar e soluções que terá que encontrar para cumprir os códigos europeus, sem verdadeiramente acreditar neles.
Assim como eu não tinha condições para guiar o camião.
Conclusão.
Se o homem tivesse ocultado a sua opinião, hoje estaria tudo bem.
Então os próximos homens e mulheres a ir para a politica deverão ser hipocritas e mentirosos pois só a dizer o que todos querem ouvir, e a ser o modelito perfeito é que podem ser aceites.
Caso seja do contra, pimba, leva. O pior é que este "leva" tem muitas vertentes e variaveis.
Parece, mas só parece, que ou és "chapa 5" ou pobre de ti.
Cheira-me a controlo mental coletivo.
Méééé, méééé, mééééé (olhó rebanho)
Profit, como queres que os políticos ocultem as suas opiniões, se são elas que os levam à política, os "distribuem" por partidos e é na base delas que os elegemos?
Provavelmente outros colegas de partido deste senhor não pensarão o mesmo que ele. Nem sequer a direita tout court ratifica estas ideias.
A deputada inglesa de quem transcrevi as palavras é Liberal. E a posição dos Liberais em relação à escolha deste comissário foi a que é pública.
Parece-me que a linha divisória não passa por aí, mas por outras posturas.
E olha, ainda ontem ouvi o Freitas do Amaral ser bastante mais radical. Mas esse insiste que está no centro, e provavelmente estará.
Concordo contigo, há ali um controlo mental colectivo. http://www.bolsatotal.com/forum/images/smilies/wink.gif
Bom fim de semana também para ti.
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