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View Full Version : Sobreviverá o Mundo a Mais Quatro Anos de Bush?


Óscar
15-10-2004, 13:42
Por MIGUEL SOUSA TAVARES

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004

Numa fotografia divulgada há semanas pela Associated Press, vê-se o Presidente Bush cumprimentando Santana Lopes durante uma cerimónia de recepção aos dirigentes mundiais presentes na abertura da 50ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. À direita da fotografia está Santana Lopes apertando a mão ao homem mais poderoso do mundo; ao centro, abraçado a Bush, em atitude de rasteira subserviência, está o Presidente da Guatemala; e à esquerda, está Bush, apertando a mão de Santana e com uma expressão que parece dizer: "Quem é este tipo?" E a legenda reza assim: "O Presidente Bush, com o Presidente da Guatemala, Oscar Berger ao centro, e uma pessoa não identificada à direita, ontem em Nova Iorque..."

Embora Santana Lopes não saia bem da fotografia e, particularmente, da legenda, a verdade é que, desta vez, não tem culpa alguma. A expressão na cara de Bush e a legenda da AP são ambas eloquentes demonstrações daquilo que mais assusta a Europa relativamente aos Estados Unidos e a esta Administração: a sua suma ignorância, a sua arrogante e displicente ignorância, sobre o mundo que os rodeia e o qual pretendem comandar e disciplinar de acordo com a sua doutrina universal.

Segundo uma curiosa sondagem divulgada há tempos, se o mundo inteiro pudesse votar nestas eleições americanas, Kerry ganharia a Bush com uma esmagadora margem de 80 contra 20 por cento - coisa jamais vista em alguma eleição americana. Os números da sondagem são particularmente impressionantes entre o eleitorado dos países tradicionalmente aliados dos Estados Unidos, como a Inglaterra, a Alemanha, a Itália e até Portugal. A sondagem deveria fazer meditar os americanos nas razões que ocasionam este geral desprezo do mundo pelo seu Presidente. Mas é certo que, se sequer se detiverem a pensar nela, a conclusão será exactamente a oposta: o reforço da popularidade interna de Bush, como desafio ao mundo que o despreza.

As razões profundas da popularidade de Bush são, de facto, um fenómeno de difícil explicação, mesmo que parte dela se justifique por um efeito de arrasto de uma vaga actual de conservadorismo na América. Mesmo assim, as razões que muito provavelmente levarão George W. Bush à reeleição em Novembro são de difícil entendimento para um europeu.

Bush sucedeu àquele que terá sido, em termos de política doméstica, pelo menos, o melhor Presidente que os americanos tiveram desde o pós-guerra. E desmantelou por completo a herança económica e social de Clinton: transformou o superávit das contas públicas em novo défice galopante, como o haviam feito o seu pai e Reagan, com isso desmentindo a tradicional acusação dos republicanos aos democratas de estes apenas saberem subir impostos e endividar a União. Bush baixou, de facto, os impostos, mas apenas para os ricos e para as grandes empresas, sob o argumento de que isso relançaria o investimento e o emprego - mas em quatro anos perdeu milhões de empregos que os anos Clinton haviam criado. Prosseguindo numa agenda política ditada pelos ícones do neoconservadorismo religioso que o inspiram, Bush desfez o sistema social de saúde montado por Clinton, cortou os subsídios de alimentação às crianças pobres das escolas desfavorecidas, tirou dinheiro à protecção ambiental para o gastar em armamento e, no seu círculo de politólogos iluminados, já se discute até a possibilidade de terminar com o princípio da progressividade fiscal, para o substituir pelo princípio da proporcionalidade (ou seja, a mesma taxa de IRS para quem ganhe mil dólares e para quem ganhe um milhão) - um retrocesso civilizacional de um século.

Segundo as explicações mais comuns, a popularidade de Bush sustenta-se, apesar da desastrosa governação, no trauma pós-11 de Setembro e na ideia que o americano comum criou de que Bush é quem está melhor colocado para evitar novo ataque terrorista em território americano. Mas o que é curioso é que essa convicção é alicerçada em puro preconceito ideológico, que os factos não suportam: sabe-se hoje que o Governo de Bush subestimou e negligenciou as informações de segurança que apontavam para a iminência do 11 de Setembro; conhece-se a reacção patética de Bush quando teve conhecimento do ataque a Nova Iorque, documentada no filme de Michael Moore; e permanecem por explicar as cinco horas subsequentes, em que Bush esteve desaparecido, presumindo-se que andou às voltas no céu, a bordo do "Air Force One", até ter a certeza de que o ataque tinha terminado. Perante este panorama, é difícil de entender que garantias pode dar este Presidente de conseguir prevenir novo ataque terrorista ou de saber reagir a ele.

Nestes quatro anos de mandato, Bush tem uma única e recente vitória na sua política externa, que foi a realização de eleições no Afeganistão. A passagem da Líbia do campo terrorista para o campo "civilizado", apontado por Rumsfeld como outra vitória desta Administração, deve-se, de facto, aos esforços diplomáticos dos ingleses, e não dos americanos. Quanto ao resto, foi um desastre.

A aventura iraquiana foi um total descalabro, cujas consequências vale a pena lembrar:

- Dividiu o campo europeu entre os seguidores acríticos dos Estados Unidos e os outros, quebrando a unidade europeia, a dos Aliados e a da NATO;

- Desautorizou e descredibilizou as Nações Unidas, com consequências que já são visíveis na questão de Darfur, onde a organização revela a impotência a que ficou reduzida, depois de os Estados Unidos a terem remetido a um papel de avalista das decisões de política externa do Departamento de Estado;

- Em nome do desarmamento, invadiu-se um país desarmado - o Iraque - e deixou-se de lado os que verdadeiramente se estavam e estão a armar - a Coreia do Norte e o Irão;

- E, tendo invadido o país errado sob falsos pretextos e falsas provas, perdeu-se o crédito junto da opinião pública para futuras e necessárias missões de segurança internacionais (depois da mentira do Iraque, quem vai acreditar na verdade?);

- Sob o pretexto de combater o terrorismo da Al-Qaeda, que não existia no Iraque, transformou-se o país, mesmo sob a ocupação dos "marines", num campo de recrutamento e actividade florescente de todo o terrorismo, não apenas da Al-Qaeda, mas de várias outras organizações, que entretanto ali nasceram e prosperam, com a justificação da ocupação;

- Não se democratizou o Iraque, porque não havia com quem e porque os iraquianos não aceitaram nova ordem constitucional ditada pelo ocupante;

- Não se trouxe, como prometido, a paz e o progresso ao Iraque, mas sim o terror diário, o caos, o colapso da economia e das instituições civis e a inviabilidade económica e adiministrativa do país;

- Sacrificaram-se mais de mil vidas de soldados americanos, não na conquista do Iraque, mas na sua ocupação, e deitaram-se fora biliões de dólares dos contribuintes americanos e seus aliados, numa solução político-militar de que ninguém adivinha o fim;

- Desviadas as atenções para o Iraque, deixou-se Israel em roda livre, para impor a sua solução para a Palestina, como, quando e até onde quiser;

- E, enfim, dos 28 dólares por barril de petróleo que o mercado pagava antes da invasão do Iraque, saltou-se agora para os 50 dólares por barril - um preço que compromete toda a retoma económica mundial, que estava a iniciar-se quando Bush tomou posse. Pior era impossível.

Bem podem Bush e Rumsfeld gabar-se de que, em contrapartida, Saddam Hussein foi derrubado e está agora numa prisão. Será que essa única boa notícia vale todo o preço já pago e a pagar? Quem pode garantir que não haverá um novo ataque terrorista nos Estados Unidos, ou em Espanha, ou na Inglaterra? Quantos países árabes se sentem tentados a seguir o exemplo do Iraque, democratizado e pacificado, como Bush prometeu? n Jornalista

http://jornal.publico.pt/2004/10/15/EspacoPublico/O01.html

Mystic
15-10-2004, 13:58
http://www.rockcitynews.com/photos3d/antibushwar2/images/loveletters.jpg


:D :p :D :p :D :p :D :p :D :p :D :p :D :p :D :p :D :p
:mad:

Helena
15-10-2004, 15:14
um reporter canadiano foi aos Estados Unidos e constatou que muita gente, efectivamente vai votar pelo Bush........quando as pessoas eram confrontadas com perguntas como esta "Entao como e possivel ir votar pelo Bush sabendo todos estes problemas com o Iraque?"......resposta".....mas eles atacaram-nos e o mal vem de la........." notem que isto nao foi so uma pessoa que respondeu em termos semelhantes, foram varias.....deu-me vontade de saltar do sofa....pois e ----o Bush e o man das small towns.....das gentes que nao leem nem se interessam por politicas do mundo, nem sabem onde a Europa fica situada.....que comem gato por lebre e assim vai a vida.......nao quero chamar "estupidos" aos americanos pois isso seria uma grande injustica e era generalizar.......mas que sao um pouco "thick" la isso sao........ :o :o :o


.......entretanto e quanto ao facto de "ele" nao conhecer as pessoas com que se da a alto nivel, ja vem de longe....ele nem sabe quem e o nosso Prime Minister......e somos vizinhos entendem? Nao fazem ideia das "gaffes" cometidas pelo George ao falar dos canadianos.....pensa que vivemos todos em igloos e que comemos banha das focas....... :eek: :eek: :eek:


.......so que se um canadiano viajar na Europa com a nossa bandeira no backpack somos cumprimentados e olhados com simpatia......nao aconselho o mesmo a turistas americanos........ :tdown:

.......interessante que uma sondagem em Franca feita ha dias, na rua, mostrou que 9 out of 10 votavam pelo Kerry e nao Bush......uns ate disseram, com certa razao que se as accoes do Bush tinham tido implicacaoes mundiais, que o mundo deveria votar nestas eleicoes....not a bad idea, hum? :confused: :confused:

eu.......eusinha digo que o Kerry vai ganhar.....sera? keep my fingers crossed............ :D :D :D

sanchobeti
15-10-2004, 17:21
Parece que o erro do home foi depor o ditador Sadam,ou não?Será que o Tony Blair e os ingleses tb.erraram?
Cá por Portugal quando nos convem,tb.chamamos estúpido ao Povo,julgando-nos "iluminados,"será?
Como independente e não Americano acho Kerry e Bush dois razoáveis actores,nada comparaveis a Reagan ou Cliton.que eram excelentes;não se esqueçam que o poder não está no Presidente,embora ele seja o seu representante...penso eu de que!!!!!!!!!!!
Que ganhe o que nos proporcionar um Mundo melhor,e mesmo parecendo que seriam os Democratas,não deixo de pensar que tb.podem ser os Republicanos.
Como Monárquico não posso deixar de elogiar a Inglaterra e os sistemas Monárquicos democráticos;O Monarca representa o papel supremo,mas não o exerce!!!!EhEhEhEhEhEh. E esta hein!!!!!!!!!

Ventor
15-10-2004, 21:03
Eh! Eh! Eh! ... Helena estás mesmo zangada! Até parece que o homem atacou o Canadá e não conhece o Prime!

Acreditas que é mesmo assim? Ou ao tal repórter canadiano convinha que fosse assim?

Sabes porque eu não recordo o nome do primeiro ministro do Canadá? Apenas porque nunca ouço falar nele! E sabes porque nunca ouço falar nele? Porque o Canadá não é um país chamado estados Estadio Unidos!

... «pensa que vivemos todos em igloos e que comemos banha das focas» ...

Achas que os portugueses também são todos "thick"? Lá por aparecerem uns quantos por aqui, ...

«.......so que se um canadiano viajar na Europa com a nossa bandeira no backpack somos cumprimentados e olhados com simpatia......nao aconselho o mesmo a turistas americanos........ »

Como te deixas enganar assim!

Sabes onde passei quase todo o dia hoje? Ao lado de uma americana que foi operada num Hospital de Lisboa, que sei que é anti Bush, pró Kerry e sabes porquê? Porque a mulher do kerry é portuguesa! ... Apenas isso! Julgas que é das small Towns? Nah!!!

Estou-me marimbando para quem vai ganhar as eleições na América ... Bush, Kerry .. ou o Outro! O Bush fez-me a vontde. Tirou o Saddam do poleiro!! Agora que se aguentem.

Valham-nos as politiquices!!! Para mim são um show! ... E não tenho pena dos voluntários da morte, mas dos inocentes que são apanhados no meio!


«As razões profundas da popularidade de Bush são, de facto, um fenómeno de difícil explicação, mesmo que parte dela se justifique por um efeito de arrasto de uma vaga actual de conservadorismo na América. Mesmo assim, as razões que muito provavelmente levarão George W. Bush à reeleição em Novembro são de difícil entendimento para um europeu». Do Sousa Tavares.

Cá por mim diria para alguns europeus, como ele! A sua opinião valerá o que valerá, tudo para uns e nada para outros! Nada para mim por exemplo! Vale o que valia o pai dele e muitos outros! Apenas isso! E sabem porquê? Porque homens assim só veêm em linha recta, ou em linha diagonal e em conformidade com os seus interesses de pensamento. São esses os homens com potencialidades de se tornarem poderosos ditadores. No mínimo têm visão enviesada!

É preciso ver a roda do carro girar e saber sempre que o eixo roda também, mas nunca sai do sítio!

Chegou o Tomás e esse é que me interessa.

Boa noite a todos.

Mondimore
15-10-2004, 23:00
os maus da fita são sempre os mesmos, os tais que dão o coiro, para nós podermos viver em democracia...morrem 45, na terrinha, é uma lamúria total, a depressão generalizada...morrem 4000 : um simples acontecimento, uma banalidade histórica, um fait-divers, peanuts...

Helena
15-10-2004, 23:10
Ventor........porque havia de estar zangada?......nao ........nao.....sao simplesmente pensamentos ao decorrer da pena (ou devo dizer do teclado :) :) ) O reporter estar errado? Nah..... :rolleyes:

......quanto ao resto.....terei generalizado demasiado? Por aqui me fico..... :o


"........Sabes porque eu não recordo o nome do primeiro ministro do Canadá? Apenas porque nunca ouço falar nele! E sabes porque nunca ouço falar nele? Porque o Canadá não é um país chamado estados Estadio Unidos!"

....quanto a esta tua "sentence"....well, o nosso Premier e Paul Martin....e quanto a mim, pessoalmente, estou contente por ter escolhido este Pais para viver.......muito contente! :D :D :tup: :tup:

E ja agora uma beijoca para os teus "mininos" :) :) :)

Óscar
16-10-2004, 16:30
Mundo Gosta dos Americanos e Quer Bush Fora da Casa Branca

Sábado, 16 de Outubro de 2004

Uma mega-sondagem em dez países, encomendada por dez dos seus mais influentes jornais, mostra no geral uma antipatia visceral por George W. Bush, simpatia pela América e o desejo claro de que John Kerry, mesmo sem ser alguém capaz de despertar grandes entusiasmos, vença as presidenciais. Por João Carlos Silva

A opinião dos inquiridos numa grande sondagem realizada em dez países do mundo mostra que, excepção feita a Israel e à Rússia, a imagem dos Estados Unidos se deteriorou significativamente nos últimos anos, mas que continua a ser muito positiva a impressão sobre os norte-americanos. O número crescente de opiniões negativas sobre os EUA está directamente associado ao seu Presidente, George W. Bush: a sua imagem é largamente negativa e uma maioria significativa (54 contra 27 por cento) gostaria de ver John Kerry derrotá-lo e entrar na Casa Branca.

Nos seus resultados gerais, o estudo corrobora sondagens anteriores, mas é muito mais pormenorizado a explicar qual é neste momento a visão global sobre os Estados Unidos.

Os números mostram que na Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, França, Grã-Bretanha e Japão, por exemplo, uma maioria partilha as convicções de que invadir o Iraque foi uma opção errada da Administração Bush e de que a guerra não foi um bom contributo para o combate ao terrorismo. Se são evidentes uma rejeição do Presidente e uma crescente hostilidade face a Washington, também é visível um apoio, mas não entusiástico, a John Kerry. Não é abusivo concluir que o sentimento anti-Bush é mais forte do que a atracção por Kerry.

Do mesmo modo, é evidente uma separação clara entre os sentimentos pelo actual inquilino da Casa Branca e a opinião sobre o povo dos Estados Unidos. Em valores médios, 63 por cento tem uma opinião desfavorável de Bush e a de 31 por cento é favorável; mas 68 por cento tem uma boa opinião dos americanos e só a de 23 por cento é desfavorável. As únicas excepções, repete-se, são os israelitas - se votassem em 2 de Novembro elegeriam Bush por 50-24 por cento - e os russos - o seu sentido de voto seria o mesmo, por 52-48.

O anti-americanismo

espanhol

Em França, o sentimento anti-Bush é o mais acentuado, com 75 por cento a manifestarem uma opinião desfavorável do Presidente; se votassem, os franceses elegeriam Kerry por estrondosos 72-16 por cento. Mais surpreendente será o facto de a rejeição de Bush ser ainda maior em Espanha, onde Bush colhe 77 por cento de opiniões desfavoráveis (embora Kerry esteja muito longe de ser popular entre os espanhóis). Aliás, juntamente com o Japão, a Espanha é o país onde a imagem dos EUA mais dano sofreu nos últimos anos (60 por cento dizem que piorou).

Noutro prato da balança, existe a convicção generalizada de que os EUA continuarão a ser a maior potência económica mundial nos próximos tempos, de que é importante que continuem a ter no mundo um papel de liderança (embora a sua influência actual seja julgada "excessiva") e da necessidade de haver boas relações com Washington. Até há mais opiniões afirmativas do que negativas às perguntas sobre se os EUA contribuem para a paz mundial e se a democracia americana continua a ser um modelo para outras nações. E uma maioria não acredita que sejam uma superpotência em declínio.

Por outro lado, sem excepção, a maioria dos interrogados no Canadá, Coreia do Sul, Grã-Bretanha e México considera que a cultura "made in USA" é uma ameaça à sua cultura nacional.

http://jornal.publico.pt/2004/10/16/Mundo/I02.html

Óscar
16-10-2004, 18:23
http://bmais.no.sapo.pt/%D3scar3/Santana.JPG

O jornal "reza" assim:
"O Presidente Bush, com o Presidente da Guatemala, Oscar Berger ao centro, e uma pessoa não identificada à direita, ontem em Nova Iorque..."

Mystic
16-10-2004, 18:50
Mundo Gosta dos Americanos e Quer Bush Fora da Casa Branca

Mas isso parece-me óbvio. Confundir os dois tem muito que se lhe diga, é admitir que os americanos que não vão à bola com o Bush são ... antiamericanos, a começar por Kerry ou Clinton. :D

Os interesses de um país podem coincidir ou não com a cabecinha de um administrador temporário, que já sabe que terá que contar sempre com milhões que pensam o oposto. Cabe-lhe equilibrar-se e tentar mostrar que quem o critica não tem razão, até outro o substituir com ideias diferentes igualmente sujeitas a melhor prova. :confused:

"L’état c’est moi” ... era dantes. :eek:

Agora o mundo tem uma postura muito mais agressiva porque há a plena consciência de que todos ficam comprometidos, para o bem e para o mal, com os actos e decisões da administração americana e sentem-se no direito de intervir como se fossem "domestic affairs". E no fundo, são mesmo. :rolleyes: :rolleyes:

Helena
17-10-2004, 16:12
...................Os números mostram que na Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, França, Grã-Bretanha e Japão, por exemplo, uma maioria partilha as convicções de que invadir o Iraque foi uma opção errada da Administração Bush e de que a guerra não foi um bom contributo para o combate ao terrorismo. Se são evidentes uma rejeição do Presidente e uma crescente hostilidade face a Washington, também é visível um apoio, mas não entusiástico, a John Kerry. Não é abusivo concluir que o sentimento anti-Bush é mais forte do que a atracção por Kerry.....................


mas isto nao e mais ou menos o sentimento mundial? :)


Sunday, October 17, 2004 at 12:00PM noon EDT

Median expected outcome*: Kerry 260 EV, Bush 278 EV (Map) (Trends to 10/12)

95% confidence band: Kerry 225-302 EV (Kerry >=270EV: 34%, not statistically significant)

Popular Meta-Margin (explanation): Bush leads Kerry by 0.5%
*If Colorado ballot initiative passes, transfer 4 EV from Bush to Kerry.

Joker1
21-10-2004, 19:29
De um modo muito sintético apenas digo que o mundo, as pessoas que gostariam de ver mudanças na administração Americana, não se empenham o suficiente para que tal possa acontecer. E isso acontece tambem porque se pretende considerar tudo o que o Bush fez em termos de política externa como tendo causas negativas e consequências ainda mais negativas. Está errado. Nem tudo foi negativo, mas é o saldo final que é negativo e a meu ver tráz consequências muito negativas para o futuro da humanidade. Bem que o Kerry numa ou noutra circunstância que pode ser importante para os americanos indecisos deveria ter mais cuidado nalguns comentários, que são trunfos para os adversários.

Inté

Óscar
27-10-2004, 13:23
É Mais a Cultura do Que a Economia Que Divide a América

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2004

A imprevisível eleição de 2 de Novembro nos Estados Unidos parece preparar-se para confirmar um padrão recente: as presidenciais são decididas mais pela opção por valores culturais do que por interesses económicos ou de classe. O que explicaria por que é mais visível do que nunca a divisão do país e por que está mais acesa do que nunca a batalha ideológica entre aquilo a que também se chama a "América metro" e a "América retro". Por João Carlos Silva

Uma sondagem publicada ontem no "Los Angeles Times" mostra que George W. Bush e John Kerry estão absolutamente empatados quanto às intenções de voto nas presidenciais de 2 de Novembro - e isto não é novidade nenhuma. Mais novo é o facto de os resultados apontarem claramente para o facto de serem os valores culturais, mais do que os seus interesses económicos, que dividem os americanos.

Para cientistas políticos que analisaram as respostas dos quase 1700 inquiridos, há um facto que é ainda mais gritante do que há quatro anos: o elemento fundamental, no momento de fazer uma escolha, é a opção entre um conservador e um liberal. Alguns divisam mesmo uma tendência mais ampla, um padrão com duas décadas e meia em que "as posições sobre questões não-económicas, do aborto à política externa, têm eclipsado cada vez mais as divisões de classe como eixo da política" nos EUA.

Indicadores culturais seriam assim ferramentas mais poderosas para prever o apoio a cada candidato do que o estatuto económico dos eleitores. É o caso, por exemplo, daquilo a que os analistas do estudo chamam o "marriage gap"; ou seja, entre os eleitores casados, tradicionalmente mais conservadores em questões sociais, Bush tem uma vantagem de 12 pontos; entre os solteiros, habitualmente mais liberais em termos sociais e económicos, é Kerry quem lidera com 20 pontos de avanço.

Do mesmo modo, quase dois terços dos que dizem ir à igreja todas as semanas afirmam que votarão no Presidente (entre os eleitores brancos desta categoria o apoio é quase de três quartos). Mas entre os que vão à igreja com menos frequência Kerry recolhe 60 por cento das preferências.

Bush tem consigo mais de 60 por cento dos que possuem armas, ao passo que do lado do democrata estão mais de dois terços do eleitorado urbano, ficando o Presidente com cerca de 60 por cento dos residentes em áreas rurais e pequenas localidades. Os subúrbios estão divididos a meio.

Estes indicadores constituem, notam os autores do estudo, uma réplica muito próxima dos resultados das eleições de há quatro anos, sendo que o elemento mais flagrante é que não existe uma divisão previsível segundo linhas de classe económica.

Trata-se, no fundo, da confirmação pelos números da realidade das duas Américas, uma conservadora e outra moderada, algo que em 2004 é possível definir como um "Bush country" e um "No-Bush country", tal a polarização que o Presidente introduziu na sociedade nos últimos quatro anos.

A Grande Divisão

O país conservador é essencialmente branco, ferozmente individualista e anti-governo federal, profundamente religioso e intolerante face a questões como casamentos gay ou a liberalização do aborto. Geograficamente, em traços largos, é possível situá-lo no enorme espaço entre as duas costas, reinando no Sul.

Nas duas costas e na região dos Grandes Lagos, no Norte, fica a outra América, a que em 2004 é de John Kerry, mais urbana e moderna, mais moderada em termos religiosos, mais progressista em termos sociais, mais desenvolvida na frente económica.

"The Great Divide", que foi um dos livros do Verão nos Estados Unidos, sistematiza bem esta divisão profunda. Ele fala de uma "América metro", progressista, e de uma "América retro", de retrógrada - algo que, obviamente, desagrada aos republicanos.

John Sperling, o democrata que pagou quase dois milhões de dólares a uma equipa de demógrafos, economistas e analistas para trabalharem durante um ano e meio na investigação de que resultou o livro, acredita que, se não for já este ano, a "América metro" acabará por se impor à outra (ver entrevista em www.msnbc.msn.com/id/5781627/newsweek/).

O milionário ousou mesmo dar um conselho (aparentemente seguido) à campanha de Kerry: para chegar à Casa Branca devia desistir da "América retro", para já inconquistável, e concentrar-se em obter o triunfo na "América metro" (onde vive 65 por cento da população).

A verdade é que, como as sondagens confirmam, a polarização dos EUA cresce e as fronteiras eleitorais do choque de 2000 parecem cada vez mais bem definidas, quase a cristalizar. E, perante isto, parece incontornável uma avaliação feita pelo colunista E. J. Dionne, do "Washington Post": "Os estados vermelhos são cada vez mais vermelhos e os azuis mais azuis. O mapa político dos EUA está a tomar as cores da Guerra Civil".

http://jornal.publico.pt/2004/10/27/Mundo/I03.html