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Óscar
05-10-2004, 15:32
Governo quer intervenção da Alta Autoridade contra Marcelo Rebelo de Sousa

[ 2004/10/05 | 10:15 ] EditorialLusa/PGM

O ministro dos Assuntos Parlamentares estranha o silêncio da Alta Autoridade para a Comunicação Social face aos comentários de «ódio» do ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa na TVI.

Em declarações à agência Lusa, momentos antes de participar na cerimónia de posse da concelhia do PSD/Viseu, Rui Gomes da Silva disse sentir-se «revoltado com as mentiras» e com as «falsidades» que são proferidas todos os domingos «por um comentador que tem um problema com o primeiro-ministro», Pedro Santana Lopes.

«Em toda a Europa, trata-se de um caso único. Não há em país algum uma pessoa a perorar 45 minutos sobre política sem ser sujeita ao contraditório e apenas a defender os seus interesses pessoais», justificou o membro do Governo.

No seu último comentário na TVI, no domingo, Marcelo Rebelo de Sousa criticou a tolerância de ponto de hoje concedida pelo Governo de Pedro Santana Lopes, dizendo que essa decisão «é pior do que o pior» do ex-primeiro-ministro António Guterres.

Rui Gomes da Silva referiu que, em 2002, a Alta Autoridade para a Comunicação Social emitiu pareceres críticos sobre os debates semanais de domingo na RTP, entre os actuais primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, e secretário-geral do PS, José Sócrates, alegando a não participação de outras forças políticas na discussão.

«Agora, que não há rigorosamente qualquer contraditório (com Marcelo Rebelo de Sousa na TVI), estranho que a Alta Autoridade para a Comunicação Social esteja em silêncio», declarou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

Segundo o membro do Governo, «nem o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda juntos conseguem destilar tanto ódio ao primeiro-ministro e ao Governo como esse comentador (Marcelo Rebelo de Sousa), que, sob a capa de comentário político, transmite sistematicamente um conjunto de mentiras com desfaçatez e sem qualquer vergonha».

«Nesses comentários, não temos uma análise independente à realidade política nacional, mas apenas espírito de ódio e de ataque pessoal», características próprias de quem se revela «inadaptado» pelo facto de ver Pedro Santana Lopes no cargo de primeiro-ministro, acusou ainda o membro do Governo.

A agência Lusa tentou obter uma reacção de Marcelo Rebelo de Sousa, mas uma sua colaboradora disse que o ex-presidente do PSD encontra-se ausente e que só a partir de terça-feira estará contactável.

Já a 20 de Setembro, a distrital do Porto do PSD lamentara, em comunicado, «as críticas injustas e desproporcionadas» que Marcelo Rebelo de Sousa «tem sucessivamente emitido acerca da personalidade e desempenho dos vários membros do Governo, particularmente no que diz respeito ao primeiro-ministro e presidente do PSD».

Rui Gomes da Silva defendeu ainda que o executivo liderado por Pedro Santana Lopes «é um Governo de coragem», dando como exemplos «a mudança na lei das rendas, que estava intocável há mais de 40 anos, e a diferenciação de taxas moderadoras na saúde».

«Este Governo acabou ainda com a irresponsabilidade de medidas de executivos socialistas, introduzindo agora portagens nas auto-estradas», disse.

De acordo com o titular da pasta dos Assuntos Parlamentares, as auto-estradas sem portagem (SCUT) vão custar este ano 500 milhões de euros e custariam 860 milhões em 2005, «despesa que se prolongaria pelos próximos 15 anos», referiu.

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=451817&div_id=1731

Ventor
05-10-2004, 18:09
Coitadinho do hominho!
Quer se intocável? Quer que sejam intocáveis?
Que ná façam m****!
É tão simples!
E está cheio de sorte eu não dizer mais nada! Seria muito pior que o Marcelo. E apetece-me tanto chamar nomes!

Vou indo.

Témis
05-10-2004, 20:09
Também gostava de saber o que pretendem!
Aliás, sei, mas não digo!

O que eles queriam era o ...., cala-te boca!

Sansão
05-10-2004, 21:43
Este pseudo-ministro é mesmo muito fraquito!!! coitado...apesar de não ter procuração do prof.mas estes dixotes nem devem merecer qualquer reacção...é taõ baixo intelectualmente falando...que balha-nos Todos Os Santos!!!! :D :D :D :eek: :eek: :eek: :mad: :mad: :mad: :mad: :rolleyes: :rolleyes: :rolleyes: :rolleyes: :rolleyes: :rolleyes:

Óscar
06-10-2004, 15:14
Marcelo «abandona» TVI
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Jornal de Negócios Online
negocios@mediafin.pt



Os habituais comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI acabaram. Hoje, depois de um almoço com Miguel Paes do Amaral, presidente da Media Capital, o antigo líder do PSD, em declarações à agência Lusa, disse que decidiu «cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio».

O almoço realizou-se a pedido de Miguel Paes do Amaral e surge na sequência das fortes críticas que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, fez às intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa naquele canal.

As acções da Media Capital, detentora da estação de televisão, seguiam inalteradas, nos 4,90 euros

http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=249269

Óscar
06-10-2004, 15:30
Central de Intoxicação

Por EDUARDO DÂMASO

Quarta-feira, 06 de Outubro de 2004

A inteligência fulgurante do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, brindou-nos anteontem com um grandioso contributo para o anedotário político da "rentrée". Furibundo, espumando de raiva e vermelho de indignação, atirou-se à suposta parcialidade dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, que, por razões de "ódio" ao actual primeiro-ministro passa os seus 45 minutos dominicais de opinião política a atacar o Governo. Chega ao ponto de criticar o silêncio da Alta-Autoridade para a Comunicação Social por não exigir o contraditório aos comentários de Marcelo.

As palavras apatetadas deste ministro dariam para rir noutras circunstâncias, e muito. Mas, nos dias que correm, devem ser levadas muito a sério. Este senhor, talvez mais incauto ou tão-só mais arrogante que outros, exemplifica o espírito de intolerância reinante na actual maioria, em particular no PSD, e a noção que os seus actuais dirigentes têm da liberdade de opinião. Nem os próprios militantes do PSD que não sejam suficientemente alinhados com a liderança do partido escapam já à sua fúria censória.

As críticas do tal Gomes da Silva a Marcelo não são isoladas. Há já algum tempo que o Governo desencadeou uma operação de controlo de uma parte do espaço mediático, território decisivo para as batalhas eleitorais que se avizinham, procurando concretizar uma velha estratégia de alguns dos "jovens turcos" que mandam no partido e que vem dos tempos da ascensão de Durão Barroso. Essa estratégia passa por controlar editorialmente um diário nacional de grande expansão, a televisão pública e os restantes órgãos de comunicação estatizados ou que se encontram debaixo do chapéu de chuva da PT Multimédia, para gerir em vantagem o ciclo político que vai até 2006 e em que o PSD quer ter condições para chegar sozinho à maioria absoluta. Como as medidas de Governo podem não chegar, venha a propaganda.

Mais do que a central de comunicação criada ao nível de uma direcção-geral, o que o Governo quer é uma central de intoxicação e está a trabalhar para isso.

Esta operação de controlo editorial da comunicação social estatizada ou sob influência privilegiada do Estado teve uma espécie de tiro de partida com o saneamento político de Henrique Granadeiro, ex-administrador da PT Multimédia e militante do PSD há muitos anos. Bom gestor e conhecedor do negócio específico da comunicação social, Granadeiro nunca foi conhecido em lado nenhum por interferir nos conteúdos editoriais, o que, nas actuais circunstâncias, é um pecado. Por isso foi literalmente "despachado" ante o silêncio geral de todos quantos, partidos de oposição incluídos, parecem não ter entendido o alcance da mudança.

Mas as novidades podem não ficar por aqui. Resta saber até que ponto vão resistir ao vendaval as estruturas de chefia de alguns títulos manifestamente não alinhados politicamente (e de outros já alinhados mas não o suficiente...) ou se alguns operadores privados, em particular televisões, não serão empurrados para um comportamento dócil, se quiserem fazer negócios, na televisão por cabo ou na rede de televisão digital terrestre. Fica ainda por saber se esta "berlusconização estatal" vai concretizar-se sem escrutínio público, em particular, da Assembleia da República, e se não entra no cardápio das preocupações do Presidente da República. É que, se nada se passar, então é porque chegámos mesmo à Madeira!

http://jornal.publico.pt/2004/10/06/EspacoPublico/OEDIT.html

Mystic
06-10-2004, 23:17
Já li para aí umas coisas ... que nem às paredes confesso. :D

1ª - que o professor Martelo deu uma martelada certeira na rampa de lançamento
2ª - que a TVI está a tentar martelar o professor porque outros valores mais altos assim ordenam
3ª - que em qualquer dos casos, o idiota do ministro estendeu a passadeira vermelha às estrelas

Isto em política o que parece nunca é. :rolleyes:

Blue
07-10-2004, 15:05
4º Alguém tem o rabo muito preso ... e não é o professor.

E neste entretanto houve para aí muita movimentação de capitais no Grupo Media Capital ... Mas, como diria o Conde Paes do Amaral, são apenas coincidências.

dudu
07-10-2004, 17:05
In Capital

Governo despede Marcelo

COMENTADOR DEIXA TVI DEPOIS DE RECUSAR CEDER A PRESSÕES PARA MODERAR CRÍTICAS AO EXECUTIVO

Governo cala Marcelo

A decisão de Paes do Amaral em condicionar os comentários do ex-líder do PSD estará relacionada com as negociações entre Media Capital e Portugal Telecom

O ex-líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, abandonou a estação de televisão de TVI, depois de ter sido confrontado, pelo presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, com «fortes pressões para deixar de criticar o Governo». O antigo líder social-democrata decidiu, de imediato, que não tinha condições para exercer livremente os seus comentários e abandonou a TVI. Esta conversa foi relatada a A CAPITAL por uma fonte próxima de Marcelo Rebelo de Sousa.

O comentador político foi ontem chamado pelo presidente da Media Capital para uma conversa sobre os seus comentários de domingo, mas rejeitou ceder a qualquer tipo de pressão. A saída inesperada de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, na qual foi comentador durante mais de quatro anos, surgiu numa altura em que estava envolvido em polémica com o Governo de Santana Lopes, devido às duras criticas feitas ao Executivo. Durante esta semana, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Gomes da Silva, criticou duramente o ex-líder do PSD, argumentando sentir-se «revoltado com as mentiras de um comentador», que «destila ódio ao primeiro-ministro» e «age com desfaçatez e sem qualquer vergonha».

PT. O Governo apressou-se a desmentir qualquer intervenção na saída de Marcelo da TVI, mas A CAPI- TAL apurou que a decisão de Paes do Amaral em condicionar os comentários do ex-lider do PSD estará relacionada com as negociações entre a Media Capital e a Portugal Telecom, que tem demonstrado interesse em adquirir esta estação de televisão (ver página ao lado). A saída de Marcelo da TVI foi interpretada por vários sectores, inclusive no PSD, como uma forma de «calar» as criticas ao Governo, já que o professor, nos últimos comentários, endureceu as críticas a Santana Lopes, comparado-o «ao pior» dos governos de António Guterres.

Marcelo Rebelo de Sousa limitouse, durante o dia de ontem, a fazer uma curta declaração à agência Lusa, na qual comunica que decidiu cessar â colaboração com a TVI. Marcelo esclarece que esta decisão foi tomada após uma conversa com o presidente da Media Capital. «Na sequência de conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, decidi cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio». Uma declaração em que Marcelo sugere que deixou de ter condições para exercer livremente os seus comentários.

PSD. A saída de Marcelo Rebelo de Sousa foi mal recebida em vários sectores do PSD. Marques Mendes, ex-ministro e actual deputado social-democrata, fez críticas violentas ao Governo. O ex-ministro de Durão Barroso classificou esta situação como «um precedente grave»,já que «nada disto tem a ver com a história do PSD«. E acrescentou: «Uma coisa é discordar, outra coisa é tentar silenciar». Marques Mendes considerou que esta situação não seria nunca possível no PSD de Sá Carneiro, Francisco Balsemão, Cavaco Silva ou de Durão Barroso. «Não é seguir pelo bom caminho», acrescentou o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares.

GOVERNO. O Governo multiplicou- -se em explicações sobre a saída do professor da TVI, desmentindo ter exorado qualquer pressão. «Em momento algum este governo condicionou ou interferiu em qualquer política editorial dos órgãos de comunicação social», garantiu Nuno Morais Sarmento, ministro da Presidência.

Morais Sarmento disse que «é uma certeza» que não há relação entre as fortes criticas do Governo aos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa e a sua saída da TVI. «O professor Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador que teve ao longo do tempo uma capacidade de comunicação, granjeando uma posição relevante. Tudo tem um tempo e não vale a pena encontrar razões conspirativas», afirmou.

Umas horas mais tarde foi a vez do primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, rejeitar ter feito pressões ao Governo: «Eu gosto da liberdade, sempre defendi a liberdade, gosto que as pessoas digam o que têm para dizer e já muitas vezes defendi pontos de vista diferentes da posição oficial do meu partido. O que sempre assisti foi a que a direcção do meu partido tivesse tempo para exprimir os seus pontos de vista. O que não pode acontecer é que alguém esteja impedido de o fazer».

E acrescentou: «Qualquer um pode dizer coisas da boca para fora. A oposição diz que o PPD/PSD provavelmente fez pressão, mas também podia ter dito que afinal choveu muito, quando afinal não choveu».

SIC RECUSA HIPÓTESE DE CONTRATAR ANTIGO LÍDER DO PSD

Jorge Sampaio incrédulo telefonou a Rebelo de Sousa

A saída do comentador, que influenciava as audiências da TVI nos últimos anos, pode vir a precipitar uma crise política no Executivo

Depois do incómodo que provocava nas hostes governamentais todos os domingos, Marcelo Rebelo de Sousa pode vir a tornar-se um verdadeiro calcanhar de Aquiles para o Governo de Santana Lopes. A saída do professor da TVI pode, segundo alguns militantes do próprio PSD, causar um terramoto político que poderá mesmo conduzir a convocação de eleições antecipadas.

A CAPTIAL soube que o próprio Jorge Sampaio telefonou a Marcelo Rebelo de Sousa, incrédulo com o sucedido. Aliás, esta relação próxima do Presidente com o ex-líder do PSD ficou evidenciada quando Durão Barroso saiu para Bruxelas e Sampaio chegou a pensar numa viabilização que passaria pelo professor.

As portas das restantes televisões poderão também fechar-se para o comentador, uma vez que o director de informação da SIC, Alcides Vieira, confirmou que «não foi nem será política da SIC contratar Marcelo», por não concordar com o modelo onde não se contemplava o contraditório. E não é previsível que Marcelo engrosse as fileiras da RTP estatal.

Os próximos dias vão ser decisivos para a continuidade de Santana à frente dos destinos do País, até porque a vida não corre facilitada para o elenco governativo. Os rumores de uma remodelação podem agora ganhar outra força se, como refere um militante social-democrata, Santana se antecipar, demitir Rui Gomes da Silva e aproveitar para mexer na pasta da Educação.

São os próprios militantes do PSD que alertam para problemas que já vêm do anterior Governo de Durão Barroso: ao que parece, as decisões em matéria de governação careciam de coordenação entre os diversos ministérios e foram, muitas as vezes, pontos de discórdia entre as diversas pastas. Recorde-se as declarações do ex-ministro do Ambiente, Amilcar Theias, quando chegou a ameaçar demitir-se se o Instituto da Conservação da Natureza passasse para a tutela do colega da Agricultura, na altura, Sevinate Pinto. Outro exemplo da descoordenação, que grassava nas hostes social-democratas, passava pelo anúncio de promessas, sem prévio conhecimento dos intervenientes, nos discursos do próprio Durão Barroso.

A coordenação inter-ministrial seria da responsabilidade do ministro Morais Sarmento, mas era sobretudo o ministro dos Assuntos Parlamentares, Marques Mendes, que geria os conflitos.

O que aconteceu com o Governo santanista, segundo fontes contactadas, é que essa descoordenação, para além de continuar, tornou-se agora mais evidente e visível. Por outro lado, alguns social-democratas consideram que os ministros populares estão sem "rédea", o que contribui para este clima, apesar de tudo, desmentido pelas fontes oficiais.

São as mesmas fontes oficiais que não subscrevem a análise e realçam o rol de decisões difíceis tomadas pelo Governo como foram os casos da TAP, rendas, portagens nas SCUT e taxas moderadoras na Saúde, entre outros exemplos. E garantem que a ideia inicial que algumas pessoas idealizaram sobre Santana Lopes, mesmo que não esteja certa, continua, erradamente, a servir de modelo. Fonte do gabinete do primeíro-ministro destaca a pose de estado revelada por Santana em alguns encontros internacionais, como foi a Assembleia Geral da ONU, para refutar a ideia pré-concebida de alguns críticos quando referiam que Santana não era um estadista. Resta aos santanistas e outros, do PSD e oposição, esperar pelos desenvolvimentos dos próximos dias.

Portugal Telecom negoceia entrada na TVI

A Media Capital poderá estar prestes a mudar de mãos. A CAPITAL, sabe que a Portugal Telecom está interessada no grupo liderado por Miguel Paes do Amaral, que integra a TVI, tendo as duas empresas mantido nas últimas semanas várias reuniões nesse sentido. A entrada na Media Capital possibilitaria assim à PT o acesso ao único meio de que ainda não dispõe: um canal de televisão nacional.

O interesse da Portugal Telecom numa estação comercial não é novo, depois de uma tentativa falhada de entrada na SIC, onde ficou por uma participação na SIC Notícias, limitada ao universo do cabo. Assim como não é nova a hipótese de entrada da PT no grupo Media Capital. Há quatro anos, tal possibilidade chegou a ser noticiada, mas foi desmentida, através de um comunicado, pela própria PT.

Papel importante no negócio pertencerá ao Banco Espírito Santo (BES), detentor de uma participação de 8% na PT e que, na segunda-feira, reduziu a sua presença na Media Capital, vendendo 242% (cerca de metade do que detinha) à Vertix de Miguel Paes do Amaral. Sendo credor da Media Capital, o BES ficará com uma posição mais vantajosa com a integração da Media Capital no universo Portugal Telecom.

As relações entre a Portugal Telecom e Media Capital já existem, contudo, noutras áreas. Em Julho deste ano, a Media Capital cancelou a oferta do serviço IOL Express, atribuindo a culpa à actuação monopolista da PT e à falta de intervenção da Anacom, o organismo regulador das telecomunicações em Portugal. Um mês depois, acabou por vender o seu serviço de banda larga - com uma base de 2000 clientes - à PT, preterindo a oferta da Onitelecom. Na altura, a Media Capital explicou, em comunicado, que depois de ter contactado vários operadores no mercado, concluiu que a Telepac (pertencente ao grupo PT) seria o que melhor asseguraria a continuidade dos serviços aos seus clientes.

Outra ligação falada entre os dois grupos, confirmada aliás por Paes do Amaral, seria a partilha da licença para Televisão Digital Terrestre (TDT), projecto cujo lançamento, previsto no último ano precisamente para Outubro de 2004, está atrasado.

A compra de 12% da Media Capital por parte da RTL não constitui também um óbice à entrada da Portugal Telecom, já que esta mantém relações empresariais com o grupo Bertelsmann, accionista maioritário do canal alemão. Assim, em Portugal, PT e Bertelsmann dividem a propriedade da Distado, empresa de logística áudio e vídeo. As relações, entretanto fortalecidas, entre a PT e a espanhola Telefónica também ajudam, já que esta última é parceira do grupo alemão no lucrativo portal Terra Lycos.

dudu
07-10-2004, 17:06
Governo sob fogo da oposição

O BE acredita que Jorge Sampaio já não consegue travar «assalto ao poder» do Executivo e o PS considera cenário de eleições antecipadas.

Quase três meses depois de Jorge Sampaio ter indigitado Pedro Santana Lopes para primeiro-ministro de Portugal, vários são os sectores da sociedade portuguesa que se têm insurgido contra as políticas seguidas pela coligação PSD/CDS-PP.

A falta de comunicação e a descoordenação política entre o primeiroministro, Pedro Santana Lopes e alguns dos seus ministros, como Nuno Morais Sarmento e Luís Nobre Guedes, o anúncio da alteração das taxas moderadoras na Saúde em função dos rendimentos, o problema da colocação dos professores, as alterações à Lei do Arrendamento, o pagamento anunciado pelo Executivo nas SCUT e, mais recentemente, o aviso do Presidente da República para a necessária execução de políticas estruturais, recebido com agrado por Santana Lopes, constituem os motivos da insurreição que tem assolado este Governo. Desde os partidos da Oposição aos sindicatos, as vozes criticas têm, cada vez mais, subido de tom.

Capoulas Santos, do PS, diz que este «é um Governo que vem de uma opção política que os portugueses tomaram» nas eleições legislativas de 2002. O socialista considera que o actual Executivo, apesar de recente, «está velho e muito desgastado».

«A instabilidade deste Governo resulta das políticas que já vêm do Governo do Dr. Durão Barroso» e que «o actual fez questão de ainda agudizar mais». Capoulas Santos sublinha a importância do aviso dado, na terçafeira, por Jorge Sampaio ao Governo.

«O Presidente da República hesitou muito antes de indigitar este Governo ou optar por eleições antecipadas e avisou que ia ficar atento», disse, sustentando que acha «natural» que Jorge Sampaio tenha chamado, ainda que indirectamente, a atenção do Governo para a concretização das reformas estruturais. Porém, o socialista considera que «se a situação política se agravar não restará outra alternativa» a Jorge Sampaio a não ser a convocação de eleições antecipadas.

Sobre a saída de Marcelo Rebelo de Sousa dos seus comentários semanários na TVI, Capoulas Santos afirmou que, à primeira vista, «parece haver pressão por parte do Governo e, se assim for, isso é muito preocupante». «É muito estranho, sobretudo por ter sucedido depois de um ministro ter criticado os comentários do professor Marcelo Rebelo de Sousa», afirmou, sustentando que «parece ser mais um sinal que só mostra intranquilidade e fraqueza na acção governativa».

«Assalto ao poder». É desta forma que João Teixeira Lopes, do BE, define a actuação do Governo liderado por Pedro Santana Lopes. «Desde a tomada de posse, que várias têm sido as asneiras», acusa. E dá ênfase essencialmente às «constantes nomeações de assessores com salários chorudos» que o primeiro-ministro tem vindo a fazer.

Porém, o dirigente bloquista frisa que «este é um Governo que não pode ser descolado do anterior». E que apenas difere num aspecto: «É um Governo com mais trapalhadas e mais descoordenação». A instabilidade da coligação, diz, resulta da «inexistência de soluções efectivas por parte da coligação em resolver os problemas reais do país». Sobre o recado dado pelo Presidente da República ao Governo, no seu discurso das comemorações do 5 de Outubro, Teixeira Lopes foi claro: «Só a força da oposição pode combater a coligação». De Jorge Sampaio não espera muito: «Não acredito em eleições antecipadas porque não acredito no Presidente da República».

Sobre a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, Teixeira Lopes não tem quaisquer dúvidas: «Tudo indica que houve pressão do Governo para esta situação». E conclui: «Isto é um delírio político com uma clara obsessão conspirativa».

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, acusa o Executivo de estar a desenvolver políticas que «têm provocado um agravamento das injustiças e desigualdades sociais» e que a única preocupação deste Governo passa, sobretudo, pelo «aumento de situações imorais que oferecem tachos e que permitem a colocação de amigos de governantes nas cadeiras do poder».

E vai mais longe: «nalguns casos, esses sinais de imoralidade, cheiram a vigarice». O sindicalista afirma ainda a sucessão destes «erros» está a provocar «uma doença de valores na sociedade portuguesa, com pouca transparência, multas impunidades e imoralidades».

Por tudo isto, o líder da CGTP, afirma que «é urgente a mudança», «É necessário uma mudança de rumo e de políticas e não apenas de pessoas». Considera fundamentais «reformas estruturais que evitem o saque à Administração Pública», e para isso, sustenta, «são precisos outros executores que não os que existem». Todavia, sublinha que esta imperatividade de reformas estruturais «não podem ser confundidas com reformas neo-liberais que cada vez mais se verificam na Europa».

Acerca das divisões que têm assolado a coligação PSD/CDS-PP, Carvalho da Silva sustenta que «é muito grave» a disputa que se verifica, hoje, na governação em Portugal. «É um desastre para o país, pois é evidente que a condução da vida dos portugueses está a ser disputada entre a direita e a extrema direita», conclui.

Saída de Marcelo cria fado político

A saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI provocou um terramoto político.

As explicações da ministra da Educação sobre o arranque do ano escolar ficaram para segundo plano. O assunto do dia, na Assembleia da República, foi um só: o afastamento do professor mais conhecido dos portugueses.

Nos corredores do Parlamento, as teorias desabrocharam como cogumelos. Enquanto o Governo tentava descartar-se de responsabilidades, a oposição lançava achas para a fogueira.

«Acredita que uma televisão como a TVI possa ser pressionada?», questionou o social-democrata Miguel Relvas, recusando-se a admitir que o Executivo tenha exercido qualquer pressão sobre a estação privada.

Os argumentos do secretário-geral do PSD não convencem os partidos da oposição. Sem nunca pronunciar o nome de Marcelo Rebelo de Sousa, António José Seguro, acusou o Governo de abafar as críticas: «O PS dá-se muito bem com a critica, não silencia a voz de ninguém por mais incómoda que possa ser».

Como já é habitual, o Bloco de Esquerda usou o sarcasmo. «O Governo está em delírio antropofagista, a maioria já se come a si própria. Na ânsia de controlo da comunicação social está disposto a tudo, até a atropelar Marcelo Rebelo de Sousa», censurou o deputado bloquista Francisco Louçã.

Do outro lado, o ministro Rui Gomes da Silva - que acusou recentemente Marcelo Rebelo de Sousa de «mentiroso» (ver texto da página 2) -, assegura: «Nem o Governo nem eu próprio quisemos alguma vez calar qualquer tipo de comentário". «Aquilo que disse e repito é que defendo, em qualquer debate político, o contraditório e o pluralismo, para dar voz aos diferentes pontos de vista», justificou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

Apesar de deixar claro que não queria comentar, o líder parlamentar dos populares, não resistiu a criticar o professor universitário: «No CDS não estamos destituídos de bom-senso, admitimos que haja comentadores em Portugal que queiram ser políticos, mas não nos podem pedir, enquanto políticos, que comentemos saídas de comentadores televisivos».

Jornalistas da TVI temem fim da liberdade

«O fim da liberdade» é a forma como jornalistas da TVI encaram a saída extemporânea do professor, que causou espanto e indignação na redacção.

A CAPITAL sabe que um comunicado foi distribuído, no final do dia, entre os profissionais da televisão, alertando para a possibilidade de existirem graves restrições à liberdade de informação. Sem Conselho de Redacção e com o director, José Eduardo Moniz, ausente em Carmes, jornalistas da TVI consideram que o Jornal Nacional de domingo se transformou numa referenda com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Comentários esses que ultrapassam, no entender dos redactores, a área política e partidária.

Temem hoje os profissionais da Televisão Independente que o «despedimento» de Marcelo venha a pôr em causa as garantias de liberdade de expressão e de opinião. E insistem, no texto, que esta saída acontece exactamente depois de um violento ataque de um dos ministros de Santana Lopes, Rui Gomes da Silva, seu amigo íntimo há muitos anos. Concluem os jornalistas da TVI que Marcelo faz muita falta à redacção e à própria estação.

Durante a tarde, a empresa Media Capital garantiu, por seu lado, que «esta decisão foi da exclusiva responsabilidade do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, tendo sido recebida com surpresa por parte da TVI e do próprio Miguel Pais do Amaral».

Quem também reagiu foi o Sindicato dos Jornalistas (SJ) e encarou com «profunda preocupação» as afirmações de Rui Gomes da Silva e «o que parece constituir o desfecho desta forma de pressão sobre a estação de televisão».

O documento do SJ exige ainda o esclarecimento dos motivos que levaram à saída de Marcelo.