View Full Version : Um aviso à navegação !
Patacôncio
05-05-2003, 13:24
Para os que gostam de números deitem os olhos para o Índice do Custo do Trabalho, divulgado pelo INE.
in http://www.ine.pt/index.htm
Desde 1995, em Portugal os Custos de Trabalho aumentaram 32,6 %. E quanto subiu a produtividade ?
É este desfasamento enorme entre os aumentos dos custos do trabalho e os aumentos da produtividade que geram desemprego estrutural a médio/longo prazo.
Apesar do aumento da Formação dos nossos trabalhadores, do investimento no Capital Humano, Portugal tem perdido a batalha da competitividade e da produtividade. E como a produtividade gera empregos a médio/longo prazo ... E Portugal não tem elevado a produtividade como o deveria. Resultado : crise estrutural com choque doloroso para as famílias.
O problema de Portugal não é só falta de investimentos em obras públicas. Ou melhor, o mais forte handicap não é a falta de obras públicas. O problema é a falta de investimentos que gerem produtividade.
Como podemos melhorar a produtividade ? Ela pode ser melhorada alternado regras de funcionamento da economia, investimento na formação/informação, investimento em determinadas actividades económicas e investimento público.
Mas portugal, com o guterrismo, investiu fortemente em obras públicas. Resultados ? Estão à vista. Dependência externa das nossas fontes de financiamento; excessivo endividamento, quer do Estado quer das Famílias; desequílibrio entre a oferta e a procura, gerando pressão sobre os preços, elevando o nível de importações para satisfazer a procura interna.
Portugal, com o guterrismo, acelerou ainda mais o investimento em Capital Humano. Desde o pré-escolar até à Investigação & Desenvolvimento, o guterrismo apostou forte e feio no Capital Humano.
Mas esta forte aposta foi mal feita. Não que a não devesse ter feito. Mas deveria a ter feito, apostando na Qualidade e na procura de resultados práticos, pragmáticos e tangíveis.
Não basta despejar milhões. É necessário saber gerir esse dinheiro. E o guterrismo faz lembrar aqueles "desajustados" que ganham o totoloto mas, por má gestão e até novo-riquismo, ao fim de uns meses, continuam pobres como estavam, e normalmente em pior situação, face ao futuro. Porque se ganham vícios, impossíveis de se poderem manter no futuro.
Há cada vez mais vozes a clamarem por despesa pública. Isso seria idiota. A produtividade não aumenta por o Estado gastar mais. Mas aumenta por mais competição, por uma pressão da baixa no consumo sobre a oferta e por novas regras reguladoras.
Comparem um almoço em Madrid com um outro em Lisboa. Em Madrid, onde os salários são melhores, podemos comer por 8 €uros, com dois pratos, pão, vinho e, ainda, sobremesa incluídos. E em Lisboa ?
Este é um exemplo dos problemas da nossa economia. Os nossos preços, devido a uma inadequada oferta, face à excessiva procura dos últimos anos, são mais altos que em Espanha, e não só ! E no entanto os nossos salários são mais baixos e até os lucros são menores. Resultado prático : Ineficiência Económica.
A ver vamos como os portugueses se portam na busca da produtividade e da competividade. Estou convencido que, face ás dificuldades, saberão vencer esta batalha enorme para o sucesso do nosso futuro. É absolutamente importante o Estado não gastar mais do que recebe. É importante que não compita com o sector privado na busca de capitais, essenciais para o sector privado conseguir vencer a batalha da produtividade.
E quem quiser viver no regabofe guterrista ... que se cuide : Portugal não pode perder oportunidades em todos os ciclos. Sobretudo agora com o Alargamento.
Um xoxo da minha Patroa !
jleandro
05-05-2003, 13:36
mereces uma resposta
mais logo, se tiver tempo.
um abraço
Tambem penso escrever qualquer coisa, mais logo.
Entretanto, um abraço e lembro que já lá tenho uma garrafa de ginginha para oferecer.
Inté
jleandro
05-05-2003, 13:46
a quem, a quem?
ao Gueterres?, eheheh
ou à melhor resposta?
Se olhar para a lista (conhecida) de participantes no próximo banquete BT, ainda não tenho a certeza de quem vai provar a deliciosa ginginha feita pelo meu sogro.
Mas ainda falta muito tempo.
Inté
jleandro
05-05-2003, 13:55
eu, famoso criador da melhor ginja alguma vez bebida nos eventos gastronómicos da pandilha...
tenho que dar a minha opinião, tenho que aprovar o produto.
pois não se oferece qualquer coisa a esta gente.eheheh
Relativamente a este teu comentário o qual subscrevo, penso que tocas na ferida, e faz-me lembrar uma noticia que ouvi ontem sobre o a média do endividamento dos Português ser neste momento superior à media de ordenados, o que é grave, mas é só uma cópia do que acontece no estado, o que ainda é mais grave ou seja faz o que eu digo mas não faças o que eu faço...
Relativamente à produtividade das empresas, penso que apesar de não ser a causa principal, continua a haver um grave problema dos tachos, grandes ordenados, grandes carros, grandes cartões de credito para as directorias e amigos, e depois quando se chega ao final do ano e se faz as avaliações de desempenho dos funcionários dentro de cada departamento, as amizades vão mais longe do que o desempenho, e as pessoas que realmente de esforçaram levam uma palmadinha nas costas, (quando levam) e vêm os outros amigos dos amigos dos chefes a levarem prémios e aumentos, ganhando a empresa a partir desse momento mais uma pessoa para piorar a media de produtividade das empresas.
É giro ver, que apesar da crise, o grupo a qual a mercedes pertence aumentou as vendas perto de 30% este ano, em fim
terá que mudar muita coisas as coisas em Portugal melhorarem...:)
Patacôncio
05-05-2003, 17:26
Enquanto discutimos o problema da queda do consumo ...
Que se passa com a inflação ?
Em Abril, segundo estimativas da Direcção Geral de Concorrência e Preços, a inflação subiu 0,6 %. Pondo a inflação homóloga em 3,6 %, que desceu de 3,9 %.
Podem perguntar se esta subida de preços não se deveu ao preço dos combustíveis ?
A resposta é negativa. A subida deveu-se essencialmente ás subidas do calçado e vestuário.
Ora, sabendo das dificuldades económicas que atravessa, quer o sector do calçado, quer o sector do vestuário, porque continuam a subir os preços ? Terá sido o fim dos saldos ? Não creio.
O problema é que o consumo continua forte, podendo os comerciantes elevar os preços devido à forte procura.
A menos que a concorrência tenha baixado, só uma subida do consumo pode explicar este aumento de preços.
Se houver cartel nos preços, como existe no açúcar, no cimento, na construção cívil de obras públicas, na banca, nos seguros e, agora recentemente, nas telecomunicações, é um grave problema que todos nós nos vamos ter com que debater brevemente.
É importante que o governo promova uma maior concorrência nos diversos sectores de actividade, sob pena de irremediavelmente perdermos a luta pela competitividade e pela produtividade. E a DGCP pode ser uma importante arma contra a cartelização do nosso sector dos serviços.
É por isso que uma contenção de despesas públicas também pode contribuir para uma mais saudável actividade económica.
Muitos podem pensar que as quedas nas margens podem servir de pretexo para a baixa dos salários, agora com mais desemprego. Pode acontecer. Mas isso será muito pouco improvável.
A queda nas margens pode e deve ser atacada pelo aumento da produtividade e pelo aumento da eficiência económica por parte das empresas. E esta produtividade pode e deve ser elevada se houver uma forte competição económica. Mesmo que esta venha do exterior, sobretudo de Espanha.
Há dois sentimentos que dominam nalguns sectores intelectuais da nossa sociedade. Um é que se deve aumentar o investimento público e ainda a despesa pública. Mas desta forma estamos continuamente a incentivar a fraca eficiência económica por parte das nossas empresas. O que a longo prazo é um suicidio. Pois mais tarde ou mais cedo, estas empresas se debaterão com uma forte concorrência externa e pela baixa da procura.
O outro sentimento é o proteccionismo. Uns querem se "defender" de Espanha e do exterior. Seja através de "concursos públicos" viciados ou de fortes apoios estatais. Sempre à custa do erário público e dos mais desfavorecidos. E o Estado que deveria ser um promotor do investimento e protecção aos mais fracos, acaba por apoiar corporativismos que vivem e beneficiam à custa do Estado e dos dinheiros públicos.
Quem procurar a saída desta nossa crise com paliativos do estado está a contribuir para desfavorecer os mais fracos em detrimento dos mais fortes. Por outro lado, são os mais fracos, sobretudo os pensionistas, que mais sofrem com o nível de preços elevados, pois ao contrário de muitos outros sectores, não conseguem acompanhar o aumento de preços nos seus rendimentos. É por isso que a inflação tem sido sempre um dos mais ferozes adversários dos políticos alemães, desde a Républica de Weimar, até aparcer um Schroeder incompetente.
Mas noutras latitudes, como Portugal, os "esquerdistas", que julgam defender os pobres e os mais necessitados, estrangulam o nível de vida dos mais fracos e desfavorecidos ao apoiaram a despesa pública desregrada, tentando incentivar o consumo e puxando pela economia pelo lado da procura.
Ora, aumentando a despesa pública sem procurar adequar a oferta, uma bocado à neo-keysianismo provoca, mais tarde ou mais cedo, uma forte inflação, cujas princiapais vítimas são os elementos mais pobres e fracos da sociedade : os detentores de rendimentos rígidos. Temos a década de 70 e 80 para provar as asneiras da despesa pública exagerada.
Durante vinte anos a tivemos inflação com enorme desemprego. Destoando um bocado a célebre curva de Philips. Para combater estes desvairios despesistas, os alemães quando aceitaram perder o marco e aderirem a uma moeda única "exigiram" um Pacto de Estabilidade, que serviria também para afastar o Club Med. Todavia, hoje há muita e boa gente que clama para acabar com o "pacto estúpido". E porquê ? Porque é mais fácil gastar o dinheiro do estado que promover reformas estruturais e incentivar a produtividade.
E se Portugal, conjuntamente com a europa, voltar a cair nesse enorme erro, os americanos acabarão por dominar o mercado mundial, deixando a europa de rastos e "desejosa" de competir com armas em vez de competir com empresas.
Na Nova Ordem Mundial, o peso político advirá mais das capacidades económicas e menos militares. Porque o mundo acabará por se tornar todo democrático e livre. E o uso das armas será menos necessário e até imprescendível. Mas como o costume, há os "esquerdistas" que analisam o futuro com olhos do passado. Pedem até mais armamento e federalismo na europa, como o Mário Soares e o Guterres, para contrapor ao "imperialismo americano" com um imperialismo "europeu" ! Mas como o costume, esta "nova esquerda" está enganada e atrasada na História. A História repete-se mas é dinámica : os acontecimentos podem se repetir mas as condições poderão ser bem diferentes. As crises económicas sucedem-se mas sempre com "novos problemas" e não repetições do mesmo.
Esperemos que saibamos discernir que mundo estamos a construir. Haverá um forte boom económico, um novo Ciclo de Kondratiev. Quanto mais bem preparados estivermos e mais aptos a "surfar" essa nova onda, melhor partido tiraremos do novo boom. Saibamos evitar os facilitismo e enveredmos pelo mais díficil. A caminhada será dura no ínicio, mas após um bom exercício, a nossa capacidade muscular aguentará a pedalada e nem sentirá os demais esforços. Como qualquer corrida, o que custa é o ínicio, porque depois ...
Um xoxo da minha Patroa !
Patacôncio
05-05-2003, 18:02
Esta é uma empresa que nos deve fazer pensar, admirar e se possível imitar.
É com atitudes destas que é possível ganhar dimensão, experiência e capacidade para tornar as nossas empresas mais rentáveis, produtivas, competitivas e que gerem empregos sustentáveis e bem renumerados.
Quer a Delta, como a Renova, a CIN e outras mais, são os nossos pontas-de-lança que nos permitirão ultrapassar a crise. E é com este tipo de pensamento que nos devemos abalançar para o futuro que se aproxima.
Já agora, o Delta instantâneo é melhor qe o da Nestlé e ... mais barato !
In http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=29381&idselect=11&idCanal=11&p=94
CAFÉS PROCURAM CONQUISTAR EUROPA
A Delta Cafés, uma das empresas mais emblemáticas do sector agro-alimentar português, pretende conquistar, até ao final de 2005, seis por cento da quota de café em Espanha, um dos mercados com maiores potencialidades em termos de crescimento do consumo deste produto.
Manuel Rui Nabeiro está a apostar forte na internacionalização dos cafés
Com uma presença assinalável nos mercados urbanos de Madrid, Valência e Barcelona, centros de consumo de café expresso, a Delta espera “atingir, em 2005, os cinco a seis por cento de quota em Espanha, que é um mercado bem importante”, segundo o presidente da empresa, Rui Nabeiro. Mas este não é o único mercado com interesse para a expansão internacional da Delta Cafés. Como “o café expresso começou a ser uma aposta na Europa nos últimos anos, estamos atentos ao comportamento dos mercados europeus”, frisa o empresário.
Para já, a empresa exporta café para as comunidades portuguesas presentes em países como a Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Inglaterra, Luxemburgo, mas “a pretenção é ir mais em profundidade ao mercado local”, explica Rui Nabeiro.
A França é um exemplo da estratégia baseada em “passos dados com segurança”, como diz o presidente da Delta Cafés. Ainda que a quota de mercado no sul de França seja pequena, “temos uma posição curiosa e já vendemos umas largas dezenas de milhares de quilos de café”, afirma o empresário.
A Holanda poderá ser também um mercado a explorar em breve, dado que existe interesse de um representante holandês em trabalhar com a empresa portuguesa. A expansão do café Delta a outros mercados “é uma aposta que se vai desenvolvendo”, até porque “é um investimento que exige um esforço financeiro grande”, sublinha.
Além daqueles mercados europeus, a que acrescem a Irlanda, Andorra e Mónaco, a Delta Cafés exporta ainda para a África do Sul, Angola, Canadá e Moçambique. A empresa importa matéria-prima, principalmente, de Angola, onde tem uma fábrica, Timor Lorosae, São Tomé e Princípe, Brasil e Colombia. Com um volume de negócios superior a 206 milhões de euros em 2002 e 1803 trabalhadores, a Delta Cafés é líder do mercado português de café, onde possui uma quota de cerca de 30 por cento. E tenciona manter a liderança, até porque, como diz Rui Nabeiro, “não receamos a concorrência, seja espanhola ou não”. A Delta Cafés foi a primeira empresa da Península Ibérica a ser certificada com o estatuto de responsabilidade social.
SEGUEM-SE O VINHO E O AZEITE
Rui Nabeiro tem praticamente tudo preparado para entrar nos mercados dos vinhos e dos azeites. Com cerca de 50 hectares de vinha na região de Campo Maior, uma área abrangida pela zona de Denominação de Origem Portalegre, a Delta Cafés vai lançar, já no próximo ano, os vinhos Quinta das Argamassas e Quinta da Godinha. Prevista está também a instalação de um lagar para a produção de azeite, cuja data de lançamento não está ainda defenida. Para Rui Nabeiro, esta diversificação de produtos não coloca em causa a estratégia da empresa para o café, que “continua a ser prioritário porque é onde somos fortes”. Perante a crescente concorrência no mercado agro-alimentar, o presidente da Delta Cafés considera que “as empresas portuguesas têm que ser mais agressivas”. É que “o problema da indústria portuguesa é a dimensão do nosso mercado, que é muito pequeno”, afirma.
António Sérgio Azenha
Um xoxo da minha Patroa !
PS E a cerveja portuguesa ? Não poderá conquistar fortes quotas de mercado ? Sigamos o que prepara a Unicer ... e depois reflictamos nos seus resultados. Os Mellos já dão cartas em Espanha ... Haja paciência e esforço !
jleandro
05-05-2003, 20:53
o que se gastou em Portugal na formaçao profissional, foi na maior partes das vezes INEFICAZ.
Inventaram-se cursos, inventaram-se alunos para "sacar" a massa dos fundos da CEE.
tão mal gerida foi a coisa, com tanta gente a ganhar dinheiro com a aldrabice, que dos poucos casos vindos a público estão quase todos a prescrever, tal é o medo de mexer na porcaria.
desde sindicatos até confederações patronais, a empresas públicas e privadas, todos sacaram dinheiro com pouco ou nenhum proveito para os trabalhores.
como em tudo, haverá excepções, mas são isso mesmo... excepções
estou de acordo q
jleandro
05-05-2003, 21:17
continuando:
estou de acordo com o despesismo do governo do Guterres, mas não foi ele a iniciar o ciclo das grandes obras públicas:
esse erro, vício, vem de trás e quase todas as grandes obras já estavam lançadas pelos governos anteriores: Expo; Ponte Vasco da Gama; ampliação do Metro; continuação da Auto Estrada para Sul.
a única obra grande em que ele se lançou foi no Europeu de futebol, e aí sim com evidente excesso de estádios.
o ciclo do betão, ou seja das obras públicas pode ser usado pelo Estado para dar uma ajuda ao desenvolvimento, mas não pode servir de base, tornando-se o único factor de desenvolvimento.
até porque as obras requerem muita mão de obra que por cá não há, com o inevitável ficar por cá de muitos dos trabalhores depois de acabadas as obras.
enquanto por cá estão a trabalhar, servem para refrear os aumentos da mão de obra, mas quando não há trabalho ´tornam-se num acréscimo da despesa pública.
quando à inflação e ao aumento registado: é para mim uma surpresa, porque o que se nota é o comércio estar de lojas vazias, com pouco movimento de clientes a comprar.
esta é uma queixa que se ouve frequentemente em diversos ramos de actividade, e especialmente junto das empresas de distribuição e logística.
os vendedores de bens de equipamento estão quase completamente parados, sem perspectiva de melhoras a curto prazo.
eu penso que este aumento da inflação só tem uma justificação: o fim da época de promoções/saldos e o efeito que a Páscoa ainda exerce no consumo.
quanto ao proteccionismo que o Estado deve ou não garantir: atenção há sectores vitais em qualquer país que deverão permanecer com o control dentro do país, e se nas mãos de privados, eles terão que ser eficazmente controlados pelo Estado.
para já, só mais um comentário:
a Delta foi sempre uma empresa única em Portugal, não só pelo que referis-te mas também pelo clima social que sempre lá se viveu, graças a esse grande homem que é o Nabeiro (pai),
porque o que se diz, é que se o filho mandasse já a tetia vendido aos estrangeiros da Nestlé.
e quanto a começar a produção de vinhos com uma propriedade de 50 hectares - é mais uma pequena produção, que é o maior problema dos bons vinhos Portugueses.
inté.
A esta hora já não tenho muita vontade de escrever sobre este assunto, mas como prometi dizer qualquer coisa vou apenas deixar dois reparos, que exigem alguma reflexão:
1) Relativamente ao indicador custo global do factor trabalho, não considero correcto tirar-se conclusões tão "objectivas" de um indicador que de certeza esconde dados relevantes que seriam perceptíveis através de uma análise sectorial. Lembra-me a velha história de 1 frango para duas pessoas, que em média dá metade a cada um , mas só um é que o come.
2) Começa a cansar a desculpa/cassete do guterrismo, das suas políticas e seus efeitos na economia portuguesa. É um facto indesmentível que a economia mundial, nas décadas mais recentes, nunca teve taxas de crescimento económico tão elevadas como nos anos do governo "esquerdista" do Clinton e de outros governos "da mesma laia" em grande parte dos países da Europa Ocidental. Nos últimos anos temos o exemplo do Reino Unido que com políticas de esquerda apresenta taxas de crescimento, níveis de inflacção, taxas de emprego, etc, das mais positivas da Europa. Isso leva-ma a pensar que tambem na economia, como em outras áreas existem formas alternativas de atingir o que deveria ser o objectivo final das políticas - a melhoria das condições de vida no presente e no futuro dos cidadãos de um determinado país ou zona económica.
E hoje fico por aqui.
Inté
Patacôncio
06-05-2003, 03:02
É verdade, JL, que as grandes obras públicas não começaram com o guterrismo. Mas ele deu demasiado impulso ás despesas públicas de resultados duvidosos.
Vejamos o seguinte :
Quantas auto-estradas não fez o guterrismo com custos totalmente suportados pelo erário público ?
Quantas "obras de fachada" não fez o guterrismo, sobretudo com o Programa Polis ?
Quem permitiu que as Autarquias triplicassem o seu endividamento, interpretando a Lei das Finanças Locais de um modo laxivo, para dar de mamar ás autarquias socialistas ?
Quanto não aumentou as despesas públicas, o guterrismo, para "comprar" o funcionalismo público ?
Quanto não gastou o guterrismo em "educação" com resultados desastrosos ?
Quanto não gastou o guterrismo com o sector da saúde, com resultados medianos ?
Outro dado que nos deve fazer pensar. Porquê que o nosso produto pér cápita, em paridade de poder de compra, estagnou a partir de 1997, em relação à média comunitária ? Mesmo com um aumento brutal das despesas públicas ?
A explicação é simples : o guterrismo acreditou ( como acreditam muitos socialistas ) que é através das despesas públicas que se induz o crescimento económico. Ora, até determinado ponto é verdade. Mas como em tudo, quando há um excessivo aumento de custos públicos, o sector privado começa a se engasgar porque não consegue suportar pesados encargos fiscais e não consegue competir com a construção cívil e com o estatismo do mercado de trabalho.
Mas e os investimentos produtivos ?
Lembram-se de Porter ?
Ao contrário do cavaquismo, que tentou criar clusters produtivos para além da fileira textil, com os apoios à auto-europa, o guterrismo acreditou na criação de grandes grupos económicos com a liderança estatal. Desde a Portugal Global, da comunicação social, até à EDP, na área da electricidade, passando pelo"monstro" IPE, que geria uma participação valiosa no sector das águas. E que mesmo no sector das águas, o guterrismo manteve na esfera do estado mas não aproveitando para modernizar e melhor gerir este importante sector. Mais. Cortou sempre as pernas à EDP neste sector, "obrigando" a EDP aderir ao "sonho/pesadelo" das telecomunicações, que tão graves custos provcou aos accionistas da EDP.
Enquanto que com a auto-europa nasceu um cluster indústrial, que hoje exporta e produz mais que o textil, o guterrismo descurou um novo modelo indústrial. Sonhou com a Sociedade da Informação, pensando que bastava dar mais dinheiro para as TIs para nascer uma nova "sociedade digital".
Actualmente este governo, com erros é certo, está a conduzir uma política de austeridade absolutamente essencial. Poucos entendem o que os tipos estão a fazer. Pior. Estes gajos até nem sequer sabem "vender" aquilo que estão muito bem a fazer.
Esta política de austeridade, que é feita agora, pode conduzir o país para uma situação invejável dentro de dois/três anos.
Por um lado está a conter a despesa pública. E desta forma está a criar hábitos de corte de despesa, tão necessária ao sector ineficaz do estado. Com este corte de despesa e controlo da mesma, dentro de dois, três anos, quando o ciclo estiver na fase da ascensão, este governo pode baixar os impostos, o tal célebre choque fiscal. Em vez de aumentar as despesas públicas, o governo poderá aliviar a fiscalidade e os impostos.
Com este alivio dos impostos, pode o governo atrair os previsiveis investimentos empresariais estrangeiros que se seguirão à fase da retoma. Actualmente o investimento está em queda ou à tona de água. Mas com a retoma e a ascensão do ciclo, os investimentos dar-se-ão naturalmente. E esse será um importante trunfo.
Será um trunfo porquê ? Porque pode atrair investimento para os tais oito clusters que o governo decidiu como prioritários. Desde as biotecnologias, sedeadas em Vila Real até à aeronáutica nas Beiras.
O outro facto importante do controlo da despesa pública é "obrigar" a nossa economia a depender mais de factores críticos de sucesso, como o marketing, Qualidade, produtividade e mercados internacionais, buscando a dimensão necessária para fazer crescer as nossas empresas.
Ora, se artificialmente continuarmos a alimentar o consumo, público e privado, através dos gastos do estado, mais tarde ou mais cedo sofreremos novamente um choque estrutural do endividamento, público e privado, estando ainda mais dependentes do estrangeiro. Repare-se nos indicadores de 2001. Olhe-se para os níveis críticos e gravíssimos do endividamento bancário, pondo o nosso sector financeiro em risco de uma grave crise bancária e a natural absorção pelos seus concorrentes externos.
Na verdade é imprescendível actuar do lado da oferta e não da procura. O nosso aparelho produtivo é incipiente, ineficaz, com falta de massa crítica e dimensão, e ainda é demasiado "protegido" pelo estado. E é sobre a mudança de mentalidade que o nosso governo necessita de actuar :
Exportem, internacionalizem-se, ganhem massa crítica, comecem pela Espanha para adquirir experiência, apostem em marcas, na Qualidade, na Gestão, na Inovação e na I&D.
Estas são as palavras de ordem correctas que devem ser dadas ao mercado. Não contem com dinheiro do estado, com paternalismos e proteccionismo. Mostrem que têm bons produtos e serviços. Conquistem, em primeiro lugar, o mercado ibérico. E como o mercado espanhol é dos mais díficeis do mundo, quem o conquistar tem meio caminho andado para conquistar muitos outros mercados.
Para muitos, habituados ao voluntarismo estatal, e como a economia está em recessão, ou quando muito em situação de marasmo, "sonham" sair da crise com mais despesa pública. Mas isso é um grave erro. O problema é estrutural e não conjuntural. E é sobre a estrutura que é necessário actuar.
Lembram-se do Catroga ? Que esperou pela retoma "natural" ? Pois é. Conseguiu dessa forma criar condições fundamentais e boas para Portugal aderir à moeda única. E muitos ficaram "deslumbrados" pela forma fácil como conseguimos passar pelos "exames" do ECOfin. Mas os socialistas nunca sequer analisaram o porquê que Portugal conseguiu respeitar os tais famosos critérios de Maastricht. Foi porque o Catroga actuou do lado da oferta, não puxando artificialmente pelo mercado, com o gasto de dinheiros públicos.
Da mesma forma é assim que se consegue gerar "folgas" orçamentais e que o sector privado consiga melhores condições de acesso ao financiamento, tão necessário para o investimento.
Muitos, como nosso camarada Joker, dizem que está farto de ouvir falar no guterrismo e no passado. Pois é natural. Estamos a pagar os erros e excessos cometidos no passado. E pagamos numa altura muito má da economia europeia. Estamos a pagar as dívidas na pior altura : na crise económica.
Mas se Portugal tivesse tido uma boa gestão económica, hoje Portugal poderia utilizar os chamados "estabilizadores automáticos". Mas como "estouramos" em 2001, agora temos que utilizar as políticas chamadas de "stop-and-go". Infelizmente é a realidade das coisas.
Repare-se no seguinte. Quais as medidas preconizadas pela oposição ? Mais despesa pública, endividamento público e privado e mais do mesmo. Mas eles conseguem delinear uma política alternativa e válida ? Não ! Porque implicaria violar o Pacto de Estabilidade, livremente assinado.
Ora, eles próprios têm dificuldades em fazer-nos compreender como tanto clamaram pelo respeito do Direito Internacional, no caso da guerra no Iraque. e agora exigissem que Portugal, um pequeno país, se desse ao luxo de ser ele a violar o Direito Internacional. É que Portugal nunca poderia se dar ao luxo de servir como "exemplo" para os não cumpridores.
Imaginem se Portugal, em 2002, voltava a violar o Pacto de Estabilidade. O que aconteceria ? Era Portugal quem serviria de exemplo, para mostrar ao mundo que na UE as regras são para serem cumpridas. Mas felizmente o governo compreendeu do que aqui se tratava e tudo fez para que Portugal não sofresse as pesadas consequências de um castigo humilhante sobre o nosso povo.
Que poderia ter consequências totalmente desastrosas para o nosso futuro imediato. Que credibilidade teria Portugal para manter o nosso risco-país a níveis baixos ? Quais as consequências para as taxas de juro que a nossa banca teria que pagar ? E como seria se as taxas levassem um estouro ? O que aconteceria aos portugueses endividados ? Teríamos uma crise económica sem precedentes ?
Podem os socialistas explicar isto aos portugueses ? Terá o próprio governo ideia dos riscos para o nosso país de um "castigo" por parte da CE ? E das suas graves implicações para os portugueses ?
Se em 1983 os socialistas tinham a desculpa dos excessos revolucionários pós-74, hoje os socialistas não têm desculpa. Desbaratarm oportunidades únicas. Que tão cedo não serão vividas pelos portugueses.
E é esse o castigo que os socialistas viverão por mais uns bons anos : destruiram oportunidades únicas dos portugueses. E para cúmulo, tivemos um tipo que cobardemente fugiu. Por dois principais motivos : ambições presidenciais e fraqueza íntrinseca à sua pernonalidade. E isto não se perdoa. A ninguém ! Quem enterrou e levou Portugal para o abismo terá que por isso pagar. Seja agora, seja daqui a uns anos. Ele não caiu : fugiu cobardemente.
É por isto que o Joker deve pensar bem sobre o presente. É que em economia, por muitos malabarismos que se façam ... não há milagres. E os nossos actos terão consequências para daqui a uns bons pares de meses e até anos. Pior. Pouco a pouco até se vai descobrindo a gestão ruinosa guterrista, como se vê agora com o monstruoso buraco no SNS. E alguém terá que pagar todas estas mentiras, aldrabices e ilegalidades.
Por hoje chega. Mas a Memória não esquece.
Um xoxo da minha Patroa !
Karl Marx
06-05-2003, 12:07
Talvez mais tarde.
Mas uma coisa me chamou a atenção e tenho a resposta na ponta dos dedos: o Polis, pelo menos em Angra do Heroísmo, serviu já para termos um estruturante centro cultural e de congressos (a valência de congressos era uma pecha tremenda no nosso turismo).
Está a servir, também, para requalificar toda a zona da baía histórica que deu o nome à cidade, potenciando investimentos privados na ordem estimada de 60 milhões de euros.
Ah, esquecia-me de dizer que Angra recebeu do Polis... 5 milhões de euros. Serviram para alavancar comparticipações comunitárias e camarárias que permitiram investir... 30 milhões!
Pois.
jleandro
06-05-2003, 22:57
Patacôncio
duma maneira geral, estou de acordo com o teu etzto, mas não e pode acusar o Gueterres de tudo,
se te lembras, um dos "grandes" que convenceu o gajo na c riação de grandes grupos económicos com centros de decisão em Portugal... foi o Jardim e outros "religiosos"
também não podes esquecer que grande parte das Auto Estradas foram finaciadas pela CEE
o programa POLIS, como o Karl já respondeu obrigava a criar interessados para poder receber as conta-partidas... e em muitos casos isso aconteceu.
quanto ao resto, é verdade que é preciso uma polìtica de absoluta austeridade, é fundamental cortar com as despesas das autarquias (mal habituadas), mas também é verdade que
grande partedos empresários Portugueses não sabe fazer mais nada que não pedir subsídios para tudo e para nada, sempre com queixas e apedirem protecção contra o enimigo estrangeiro.
é um problema de mentalidade, que não se resolve tão depressa como gostaríamos
quanto aos "clusters" - acho que ninguém gostou das soluções apontadas, porque não iam direitas aos interesses do grande capitak, antyes apontavam, e bem, para a modernização e para criar apostas fortes naquilo que sabía-mos fazer.
talvez o Cavaco já esteja arrependido de não lhe ter dado a força necessária,
quanto ás qualidades deste Governo - acho que ainda é cedo - até aqui só os ouvi falar das culpas dos governos anteriores...
especialmente a Nelinha, que anda completamente perdida, com o crescimento do PIB e o défict para esta ano (aliás começou com a "aldrabice" do défict de 2002.
PS: os governos têem a mesma natureza de classe, não vale a pena "embandeirar" muito por este ou por aquele - a diferença é quase sempre muito ténua.
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