dudu
20-08-2004, 10:57
In Independente
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O mundo a seus pés
O mundo a seus pés
Ronaldo, Rooney, Costinha, Maradona. Nasceram na pobreza mas tinham talento para jogar futebol. Hoje passeiam-se em carros de alta cilindrada e penduram diamantes nas orelhas.
Retrato dos milionários da bola
Já todos notaram que Cristiano Ronaldo gosta de exibir o corpo que os preparadores físicos do Manchester United lhe deram em pouco mais de um ano de estadia por terras de Sua Majestade. Os músculos não são a única coisa que Ronaldo gosta de mostrar ao mundo nos dias que correm. Os dois diamantes que o jogador carrega com orgulho nas orelhas são mais visíveis que os bícepes trabalhados. E são ainda mais reveladores: quem olha para as gemas sabe que Ronaldo é um homem rico. Uma lista dos "putos" mais ricos de Inglaterra, publicada este ano no jornal inglês Dailly Mirror, deu a Ronaldo o sexto lugar da tabela.
Não tem razão para ficar envergonhado: entre os que ficaram à sua frente estão o filho do dono da companhia Virgin, Sam Branson, o príncipe Harry, terceiro na lista de sucessores ao trono da velha Albion, ou Dan Radcliff, o actor-adolescente que já por diversas vezes deu o corpo ao personagem livresco Harry Potter. O mesmo jornal estima em dez milhões de euros a fortuna pessoal do jovem madeirense, recorda que ganha 30 mil libras por semana e que comprou uma casa no valor de 700 mil libras.
Outros dados publicados indicam ainda que o jogador de 19 anos gosta de usar fatos Armani, que conduz um BMW, tem um apartamento luxuoso no Parque das Nações e uma vivenda no Funchal. Muito recentemente renovou com o Banco Espírito Santo um contrato publicitário que já lhe rendeu já mais de 150 mil euros. Nasceu num dos bairros mais pobres do Funchal e viveu numa casa de telhado de zinco até sair para as escolas do Sporting com dez anos de idade. A sua transferência custou ao colosso Manchester United a módica quantia de 17 milhões de euros. O dinheiro que ganha e os diamantes que exibe orgulhosamente devem-se unicamente a um talento incomum para dar pontapés na bola.
Cristiano Ronaldo não é excepção no mundo da bola. É a regra.
Pélé nasceu em Três Corações, bairro humilde de S.Paulo. Antes de se tornar rei, foi engraxador, estafeta de uma padaria e ajudante de sapateiro. Jogou no Santos e na selecção brasileira, foi para os EUA acabar a carreira e ganhar dinheiro no Cosmos. Hoje, além de ser a cara mundial da VISA Mastercard, é um dos homens de negócios de maior sucesso do Brasil.
Maradona deu os primeiros toques numa bola de trapos no bairro de lata de Brotas, na cidade de Buenos Aires. Ganhou tanto dinheiro a jogar futebol que nem sequer os muitos anos de consumo de drogas conseguiram acabar com a fortuna.
Romário de Souza Faria é outro caso emblemático. Nasceu na favela do Jacarezinho no Rio de Janeiro e deu os primeros chutos em Vila da Penha, outras das favelas emblemáticas da cidade maravilhosa. Jogou no PSV- -Eidhoven, Barcelona, Flamego e Vasco da Gama. A sua conta bancária é incalculável. No Brasil, jogador pobre que vira milionário de um dia para o outro também não é excepção. E regra.
Ronaldo Nazário Lima deu os primeiros toques numa bola no bairro de Bento Ribeiro, um dos mais pobres do Brasil. Aos 17 anos mudou-se para a Holanda e daí seguiu para Espanha, Itália e Espanha outra vez. Namora com uma das top-models mais badaladas do Brasil, Daniela Cicarelli, e recentemente revelou uma das suas maiores ambições: quer trocar o seu pequeno avião particular por um outro "bem grande". Ganha mais de um milhão de contos por ano só pelo seu contrato com o Real Madrid. Nas incursões faustosas que faz na noite madrilena aparece sempre acompanhado por Roberto Carlos, outro multimilionário que saiu da favela.
Adriano, o novo ponta-de-lança da selecção brasileira, é o mais recente exemplo do jogador que lutou contra a pobreza antes de singrar nos relvados. Nasceu em 1982 na Vila Cruzeiro, uma favela do complexo do Alemão que é só um dos locais mais violentos do Brasil. Aos dez anos o seu talento valeu-lhe a entrada nas escolas do Flamengo. Por essa mesma altura, o sonho quase virou pesadelo. Numa rixa de vizinhos, o pai de Adriano foi atingido por uma bala perdida que se alojou na cabeça. O jogador chegou a precisar da ajuda da família para pagar as passagens de autocarros para os treinos. Os magros salários do pai, estafeta, da mãe, empregada fabril, e da avó, vendedora de rua, dão uma oportunidade a Adriano.
Joga duas épocas na equipa do Flamengo sem singrar, mas no Verão de 2001 muda-se surpreendentemente para o Inter de Milão por troca com Vampeta. A sua conta engorda automaticamente. O Inter empresta-o à Fiorentina e depois vende-o ao Parma por oito milhões de euros. Ironicamente, o mesmo Inter compra-o de novo ao Parma, passado um ano e meio, por 19 milhões. O jogador prosperou: foi o melhor marcador do Brasil da última Copa América e sabe-se que comprou pelo menos 5 casas para a família no Brasil. Tal como Cristiano Ronaldo é mais um que exibe a sua joalheria: duas argolas de ouro branco cravejadas a diamantes. O passado de pobreza apresentoulhe no entanto a última das facturas: o pai morreu há pouco menos de um mês enquanto dormia. Suspeita-se que a morte poderá ter a ver com a bala que tanto tempo ficou alojada no cérebro.
Milhões aos molhos.
Os mais jovens craques do futebol mundial da actualidade repetem a história de Adriano.
Wayne Rooney, a coqueluche da selecção inglesa, é multimilionário aos 18 anos. Nasceu num bairro social problemático de Liverpool. Vivia uma casa de três divisões e a sua dieta de hambúrgueres, salsichas e batatas fritas ainda hoje se mantém. Casou com a namorada da adolescência e mudou-se para uma casa de 600 mil euros. Continua no entanto a preferir regressar a Croxteth, o bairro de trabalhadores onde viveu a sua vida. O pai era um afamado boxeur local e fanático do Everton, clube onde joga o filho. Rooney tem um contrato de 3 milhões de libras com a Nike e outro de 2,2 milhões com a Ford. O carro que guia é aliás frequente motivo de chacota enquanto os companheiros de equipa preferem Porches e Ferraris ele conduz um Ford Sportska. Em vésperas do Euro 2004, o Everton fez-lhe uma proposta para triplicar o ordenado semanal de 20 mil euros. Rooney recusou e depois de brilhar no nosso país diz-se que o jogador pode vir a bater todos os recordes de transferências. O valor do seu passe varia entre os 50 e os 70 milhões de euros.
Outro dos talentos emergentes do gueto é António Cassano, o novo menino bonito da squadra azzura. Nasceu em Bari, uma cidade pobre do Sul de Itália, poucas horas antes da Itália conquistar o Mundial de 1982.0 predestinado teve uma vida difícil: o pai abandonou a casa pouco depois do seu nascimento e a mãe teve grandes dificuldades financeiras. Desses tempos de pobreza restam apenas a memória e um temperamento que muitos dizem ter origem nas ruas do violento porto de Bari: já insultou o treinador Fábio Capello, fez gestos obscenos com os dedos apontados para a multidão e arranjou sucessivos problemas com o treinador da selecção de sub-21 italiana Cláudio Gentile. No último euro, onde brilhou, reclamou com Trapattoni por este não lhe dar a titularidade. É podre de rico e custou 30 milhões de euros à Roma.
Zlatan Ibrahimovich é outro dos que se pode gabar de ter fugido à pobreza devido ao seu talento. O avançado da selecção sueca e jogador do Ajax de Amsterdão é filho de refugiados bósnio-croatas que passaram grandes dificuldades na Suécia. O próprio jogador tem um reconhecido mau feitio e tendências violentas: tem ficha criminal na Suécia, depois de ter sido preso por se fazer passar por um políca. Está na lista de transferências do Ajax e diz-se que já assinou um pré-acordo coma Juventus. É só mais um milionário do futebol.
Nós por cá.
Portugal também é um viveiro de futebolistas que saltam das dificuldades para o estrelato.
O pai de Costinha vive em Chelas e até há pouco tempo passeava alegremente a fotografia do filho no seu táxi. O filho cresceu num dos bairros mais difíceis de Lisboa mas rapidamente se habituou aos holofotes: no Porto tratam-no por "ministro" devido aos fatos de marca e às gravatas que não dispensa. De preferência Hermes. Passeia-se num Porche Carrera e a sua conta bancária tem muitos dígitos.
Miguel é outro dos filhos de Cheias. Após uma carreira de infantil no Sporting acabou por vingar no Benfica. Num perfil feito pela revista Visão diz-se que não gosta particularmente de carros: tem "apenas" um Mercedes e um Mini Cooper. O Benfica pede l5 milhões de euros pelo seu passe e pode estar a caminho de Itália.
Nuno Valente, o defesa esquerdo da selecção, é outro que subiu á força na visa. A Visão diz que a sua alcunha entre os amigos é "o cambodja", devido à infância passada num dos antigos supermercados de droga de Lisboa. A fama do bairro era tão má que nos anos 80 constava em Lisboa que nem a polícia de choque se atrevia a entrar nas suas ruas estreitas. E o único milionário de uma família de nove irmãos.
O seu companheiro de equipa Maniche é outro caso de ascenção social fulgurante. Nasceu e viveu até adulto no bairro da Boavista, outra vizinhança complicada de Lisboa. Hoje dá entrevista à televisão na sua luxuosa moradia algarvia, junto a uma piscina de 25 metros. Gosta de aparecer na revista Caras a montar uma moto-quatro de alta cilidranda e o preço do seu passse é de tal ordem que até agora os grandes clubes europeus ainda não se atreveram a tentar negociá-lo com Pinto da Costa.
Ricardo Carvalho é talvez o mais exemplar caso de ascenção social do futebol português. Filho de um carpinteiro de Amarante e de uma doméstica, assinou recentemente um contrato com o Chelsea. Diz-se que vai ganhar para Londres quase o mesmo que Luís Figo ganha em Madrid: uma verba à volta dos S milhões de euros anuais. Não gosta de exibir a fortuna mas nunca mais viverá nas humildes condições de Amarante.
Num documentário recente do realizador brasileiro Fernando Mozart, onde se comparava a escravidão de ontem com a de hoje no Brasil, perguntou-se a uma série de crianças miseráveis o que é que queriam ser na vida. A resposta não surpreende: jogador de futebol.
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O mundo a seus pés
O mundo a seus pés
Ronaldo, Rooney, Costinha, Maradona. Nasceram na pobreza mas tinham talento para jogar futebol. Hoje passeiam-se em carros de alta cilindrada e penduram diamantes nas orelhas.
Retrato dos milionários da bola
Já todos notaram que Cristiano Ronaldo gosta de exibir o corpo que os preparadores físicos do Manchester United lhe deram em pouco mais de um ano de estadia por terras de Sua Majestade. Os músculos não são a única coisa que Ronaldo gosta de mostrar ao mundo nos dias que correm. Os dois diamantes que o jogador carrega com orgulho nas orelhas são mais visíveis que os bícepes trabalhados. E são ainda mais reveladores: quem olha para as gemas sabe que Ronaldo é um homem rico. Uma lista dos "putos" mais ricos de Inglaterra, publicada este ano no jornal inglês Dailly Mirror, deu a Ronaldo o sexto lugar da tabela.
Não tem razão para ficar envergonhado: entre os que ficaram à sua frente estão o filho do dono da companhia Virgin, Sam Branson, o príncipe Harry, terceiro na lista de sucessores ao trono da velha Albion, ou Dan Radcliff, o actor-adolescente que já por diversas vezes deu o corpo ao personagem livresco Harry Potter. O mesmo jornal estima em dez milhões de euros a fortuna pessoal do jovem madeirense, recorda que ganha 30 mil libras por semana e que comprou uma casa no valor de 700 mil libras.
Outros dados publicados indicam ainda que o jogador de 19 anos gosta de usar fatos Armani, que conduz um BMW, tem um apartamento luxuoso no Parque das Nações e uma vivenda no Funchal. Muito recentemente renovou com o Banco Espírito Santo um contrato publicitário que já lhe rendeu já mais de 150 mil euros. Nasceu num dos bairros mais pobres do Funchal e viveu numa casa de telhado de zinco até sair para as escolas do Sporting com dez anos de idade. A sua transferência custou ao colosso Manchester United a módica quantia de 17 milhões de euros. O dinheiro que ganha e os diamantes que exibe orgulhosamente devem-se unicamente a um talento incomum para dar pontapés na bola.
Cristiano Ronaldo não é excepção no mundo da bola. É a regra.
Pélé nasceu em Três Corações, bairro humilde de S.Paulo. Antes de se tornar rei, foi engraxador, estafeta de uma padaria e ajudante de sapateiro. Jogou no Santos e na selecção brasileira, foi para os EUA acabar a carreira e ganhar dinheiro no Cosmos. Hoje, além de ser a cara mundial da VISA Mastercard, é um dos homens de negócios de maior sucesso do Brasil.
Maradona deu os primeiros toques numa bola de trapos no bairro de lata de Brotas, na cidade de Buenos Aires. Ganhou tanto dinheiro a jogar futebol que nem sequer os muitos anos de consumo de drogas conseguiram acabar com a fortuna.
Romário de Souza Faria é outro caso emblemático. Nasceu na favela do Jacarezinho no Rio de Janeiro e deu os primeros chutos em Vila da Penha, outras das favelas emblemáticas da cidade maravilhosa. Jogou no PSV- -Eidhoven, Barcelona, Flamego e Vasco da Gama. A sua conta bancária é incalculável. No Brasil, jogador pobre que vira milionário de um dia para o outro também não é excepção. E regra.
Ronaldo Nazário Lima deu os primeiros toques numa bola no bairro de Bento Ribeiro, um dos mais pobres do Brasil. Aos 17 anos mudou-se para a Holanda e daí seguiu para Espanha, Itália e Espanha outra vez. Namora com uma das top-models mais badaladas do Brasil, Daniela Cicarelli, e recentemente revelou uma das suas maiores ambições: quer trocar o seu pequeno avião particular por um outro "bem grande". Ganha mais de um milhão de contos por ano só pelo seu contrato com o Real Madrid. Nas incursões faustosas que faz na noite madrilena aparece sempre acompanhado por Roberto Carlos, outro multimilionário que saiu da favela.
Adriano, o novo ponta-de-lança da selecção brasileira, é o mais recente exemplo do jogador que lutou contra a pobreza antes de singrar nos relvados. Nasceu em 1982 na Vila Cruzeiro, uma favela do complexo do Alemão que é só um dos locais mais violentos do Brasil. Aos dez anos o seu talento valeu-lhe a entrada nas escolas do Flamengo. Por essa mesma altura, o sonho quase virou pesadelo. Numa rixa de vizinhos, o pai de Adriano foi atingido por uma bala perdida que se alojou na cabeça. O jogador chegou a precisar da ajuda da família para pagar as passagens de autocarros para os treinos. Os magros salários do pai, estafeta, da mãe, empregada fabril, e da avó, vendedora de rua, dão uma oportunidade a Adriano.
Joga duas épocas na equipa do Flamengo sem singrar, mas no Verão de 2001 muda-se surpreendentemente para o Inter de Milão por troca com Vampeta. A sua conta engorda automaticamente. O Inter empresta-o à Fiorentina e depois vende-o ao Parma por oito milhões de euros. Ironicamente, o mesmo Inter compra-o de novo ao Parma, passado um ano e meio, por 19 milhões. O jogador prosperou: foi o melhor marcador do Brasil da última Copa América e sabe-se que comprou pelo menos 5 casas para a família no Brasil. Tal como Cristiano Ronaldo é mais um que exibe a sua joalheria: duas argolas de ouro branco cravejadas a diamantes. O passado de pobreza apresentoulhe no entanto a última das facturas: o pai morreu há pouco menos de um mês enquanto dormia. Suspeita-se que a morte poderá ter a ver com a bala que tanto tempo ficou alojada no cérebro.
Milhões aos molhos.
Os mais jovens craques do futebol mundial da actualidade repetem a história de Adriano.
Wayne Rooney, a coqueluche da selecção inglesa, é multimilionário aos 18 anos. Nasceu num bairro social problemático de Liverpool. Vivia uma casa de três divisões e a sua dieta de hambúrgueres, salsichas e batatas fritas ainda hoje se mantém. Casou com a namorada da adolescência e mudou-se para uma casa de 600 mil euros. Continua no entanto a preferir regressar a Croxteth, o bairro de trabalhadores onde viveu a sua vida. O pai era um afamado boxeur local e fanático do Everton, clube onde joga o filho. Rooney tem um contrato de 3 milhões de libras com a Nike e outro de 2,2 milhões com a Ford. O carro que guia é aliás frequente motivo de chacota enquanto os companheiros de equipa preferem Porches e Ferraris ele conduz um Ford Sportska. Em vésperas do Euro 2004, o Everton fez-lhe uma proposta para triplicar o ordenado semanal de 20 mil euros. Rooney recusou e depois de brilhar no nosso país diz-se que o jogador pode vir a bater todos os recordes de transferências. O valor do seu passe varia entre os 50 e os 70 milhões de euros.
Outro dos talentos emergentes do gueto é António Cassano, o novo menino bonito da squadra azzura. Nasceu em Bari, uma cidade pobre do Sul de Itália, poucas horas antes da Itália conquistar o Mundial de 1982.0 predestinado teve uma vida difícil: o pai abandonou a casa pouco depois do seu nascimento e a mãe teve grandes dificuldades financeiras. Desses tempos de pobreza restam apenas a memória e um temperamento que muitos dizem ter origem nas ruas do violento porto de Bari: já insultou o treinador Fábio Capello, fez gestos obscenos com os dedos apontados para a multidão e arranjou sucessivos problemas com o treinador da selecção de sub-21 italiana Cláudio Gentile. No último euro, onde brilhou, reclamou com Trapattoni por este não lhe dar a titularidade. É podre de rico e custou 30 milhões de euros à Roma.
Zlatan Ibrahimovich é outro dos que se pode gabar de ter fugido à pobreza devido ao seu talento. O avançado da selecção sueca e jogador do Ajax de Amsterdão é filho de refugiados bósnio-croatas que passaram grandes dificuldades na Suécia. O próprio jogador tem um reconhecido mau feitio e tendências violentas: tem ficha criminal na Suécia, depois de ter sido preso por se fazer passar por um políca. Está na lista de transferências do Ajax e diz-se que já assinou um pré-acordo coma Juventus. É só mais um milionário do futebol.
Nós por cá.
Portugal também é um viveiro de futebolistas que saltam das dificuldades para o estrelato.
O pai de Costinha vive em Chelas e até há pouco tempo passeava alegremente a fotografia do filho no seu táxi. O filho cresceu num dos bairros mais difíceis de Lisboa mas rapidamente se habituou aos holofotes: no Porto tratam-no por "ministro" devido aos fatos de marca e às gravatas que não dispensa. De preferência Hermes. Passeia-se num Porche Carrera e a sua conta bancária tem muitos dígitos.
Miguel é outro dos filhos de Cheias. Após uma carreira de infantil no Sporting acabou por vingar no Benfica. Num perfil feito pela revista Visão diz-se que não gosta particularmente de carros: tem "apenas" um Mercedes e um Mini Cooper. O Benfica pede l5 milhões de euros pelo seu passe e pode estar a caminho de Itália.
Nuno Valente, o defesa esquerdo da selecção, é outro que subiu á força na visa. A Visão diz que a sua alcunha entre os amigos é "o cambodja", devido à infância passada num dos antigos supermercados de droga de Lisboa. A fama do bairro era tão má que nos anos 80 constava em Lisboa que nem a polícia de choque se atrevia a entrar nas suas ruas estreitas. E o único milionário de uma família de nove irmãos.
O seu companheiro de equipa Maniche é outro caso de ascenção social fulgurante. Nasceu e viveu até adulto no bairro da Boavista, outra vizinhança complicada de Lisboa. Hoje dá entrevista à televisão na sua luxuosa moradia algarvia, junto a uma piscina de 25 metros. Gosta de aparecer na revista Caras a montar uma moto-quatro de alta cilidranda e o preço do seu passse é de tal ordem que até agora os grandes clubes europeus ainda não se atreveram a tentar negociá-lo com Pinto da Costa.
Ricardo Carvalho é talvez o mais exemplar caso de ascenção social do futebol português. Filho de um carpinteiro de Amarante e de uma doméstica, assinou recentemente um contrato com o Chelsea. Diz-se que vai ganhar para Londres quase o mesmo que Luís Figo ganha em Madrid: uma verba à volta dos S milhões de euros anuais. Não gosta de exibir a fortuna mas nunca mais viverá nas humildes condições de Amarante.
Num documentário recente do realizador brasileiro Fernando Mozart, onde se comparava a escravidão de ontem com a de hoje no Brasil, perguntou-se a uma série de crianças miseráveis o que é que queriam ser na vida. A resposta não surpreende: jogador de futebol.
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