View Full Version : Contra os mentirosos neoliberais (ou os neoliberais mentirosos)...
Mohandas
03-08-2004, 16:31
http://www.bloco.org/pdf/manifestoeuropeias.pdf
Mohandas
03-08-2004, 16:33
http://www.bloco.org/pdf/MANIFESTO2002.PDF
Nunca tinha lido tantas coisa boas juntas.
Quando a esmola é demais o pobre desconfia.
Muito romantico até; pouco practico; mas muito romantico.
Prefiro, pessoalmente menos romantico e mais real.
Mas respeito o conceito ideologico.
Massarico
04-08-2004, 16:22
Eh!Eh!Eh!
Eu tanho pena de estar com tanto trabalho agora, que este documento merecia um comentário mais cuidado. Sendo assim, as barbaridades são tantas, que não posso ir além da página quatro.
Então que lndas coisas quer o Bloco?
1) O Bloco, no parlamento europeu, vai exigir a retirada imediata das tropas do Iraque. Além da crueldade e desumanidade que tal seria, o que eu pergunto é: vai exigir a quem, se o Parlamento Europeu não controla nenhuma das forças que estão no terreno? O que é que o PE tem a ver com as tropas dos países que lá estão?
Então pensei: já sei, o Bloco quer o Exército Único Europeu! E depois, o PE já poderá ter uma palavra a dizer sobre as tropas que estão no Iraque. Mas não. o Bloco é contra o Exército Europeu. Isto a mim, que vivo num bairro histórico, faz-me lembrar a minha vizinha do rés-do-chão, que acha que eu gasto muita luz, que tenho sempre as luzes todas ligadas: mas o que é que ela tema a ver com as minhas luzes?
É o espírito de liberdade subjacente ao bloco, por o Estado a meter-se em tudo, a regular tudo, mesmo aquilo que não lhe diz respeito.
2) Finalmente. O Bloco quer a dissolução da Nato. E tendo em conta a alternativa dada pelo Bloco, também eu defendo. Aliás, se a realidade como o Bloco a quer, desconfio que os próprios funcionários da Nato dariam o seu emprego de boa vontade. Era bonito.
Mas o mundo não é assim. Se houver um sistema global de defesa, com base na legalidade internacional (seja lá o que isso for). Só que se isso fosse possível, o Sistema tornava-se imediatamente inútil, já que sendo todos bonzinhos e muito maigos, não haveia contra quem nos defendermos. E se alguém fosse contra o sistema? quem actuava? como actuava? E o que é ir contra o sistema? Imaginando um sistema, actualmente quem estaria a ir conra ele? os EUA? Cuba? a Coreia do Norte? Era obrigatório haver democracias, ou seria permitido a um país aplicar, por exemplo, as teorias de trotsky?
enfim, muitas perguntas para poucas respostas. Como é habitual.
3) E que mais? Pois se não seria aquela peregrina ideia do fim da PAC. Ora bem, o bloco acabava com a PAC, e o que é que fazia aos agricultores europeus? Dava-lhes comida em supermercados do Estado, com base num sistema de senhas? E aos empregados das indústrias agro-alimentares? Também era com senhas de alimentação?
E depois, ainda teriam que proibir a importação de géneros alimentícios dos EUA ou do Brasil, do presidente Lula. Porque senão, estariam a tirar dinheiro aos europeus para dar a estes ricos agricultores subsidiados. E quando acabasse a PAc, o que faria aos produtores de cana dos países ACP, a quem essa PAC compra cana a 3 ou 4 vezes a cotação de mercado? Também lhes dava senhas de racionamento.
4) Um clássico - a Taxa Tobin. É bom lembrar que ir ao multibanco ou pagar com Visa é uma transacção financeira. Eu bem que gostava de ver a reacção dos Portugueses quando lhes cobrarem uma taxa para levantar dinheiro.
Por um lado, berram contra o aumento do IVA. Por outro, impõem mais impostos. Além de fomentarem os paraísos fiscais, que tanto odeiam.
5) Outro clássico das facilidades - acabar com a política criminosa das mutinacionais farmacêuticas no terceiro mundo. Depois, quando estas forem à falência, como é que o Bloco propõe que se paque a investigação? com subsídios estatais? Com mais impostos?
6) O que é que podia faltar? Adivinharam - o perdão de dívidas do terceiro mundo. Premiar a corrupção dos líderes e o desperdício. O problema dos países pobres não é nem nunca foi a dívida. O problema, como está relativamente bem demonstrado é a corrupção e a falta de liberdade económica, além das habitualmente complicadas questões geográficas, demográficas e climatéricas desses países.
Enfim, e só li até à página quatro. Imagino o chorrilho de disparates que não virá daí para a frente.
Amanhã, se tiver tempo, volto ao comentário, que tenho que continuar a ser explorado pelo Grande Capital.
Mohandas
04-08-2004, 17:59
Se soubesses ler, compreender e analisar ainda te dava o crédito de saberes pensar, mas assim... :rolleyes:
Massarico
05-08-2004, 10:13
Pois é. Também já estou habituado a estas respostas do Bloco. Quem não concorda, é porque não sabe pensar. Explicações para o que dizem, soluções para as propostas absurdas, nada.
Massarico
05-08-2004, 17:55
Mal posso esperar pelo final do texto. Hoje, infelizmente, a aceleração do disparate e da boca fácil só mer permitiu ir da página 4 à página 6. Cá vai.
Primeiro queixam-se de que o PEC impede o crescimento porque impede o investimento público, e que este deve ser libertado das suas amarras. Mas o défice Português, sem receitas extraordinárias não está em 6%? E 6% de défice é contraccionista? Quanto é que querem? 50%?
Prioridade no combate à pobreza (momento alto do texto)
O Bloco tem soluções deveras interessantes neste capítulo. Primeiro cria um RMG Europeu, de acordo com o que se percebe, com base na paridade do poder de compra em cada país. Depois, abre as fronteiras livremente a todos os emigrantes que desejem entrar na Europa. Assim, chegará o dia em que o volume do RMG superará o volume de salários de quem trabalha, e nessa altura, quem paga? O Bloco tem a resposta na ponta da língua.
Mais abaixo, o Bloco sugere que se aumente fortemente o orçamento anual da UE. Com mais contribuições dos países? Não. Com Dívida Pública. E depois como se pagam os juros dessa dívida pública? Coma mais dívida pública, visto que o Bloco não quer que os países contribuam com o seu próprio orçamento. Ou seja, a próxima geração herda um nível de dívida que tende para infinito, visto que todos os anos se aumenta a dívida para financiar o orçamento. Ou seja, os nossos filhos vão ter que pagar uma dívida astronómica de dinheiro que nós andámos a gastar.
Eu depois desta pergunto-me é quantos votantes do Bloco leram isto antes de votar.
Mas há mais. O Bloco pretende então simultaneamente que a Europa se endivide para financiar o seu próprio orçamento e que os países se libertem das amarras do PEC e gastem à tripa forra, financiando os seus défices com quê? O Bloco não diz, mas só há duas maneiras: ou mais impostos ou mais dívida. Ou seja, com mais impostos, ou agora, ou no futuro.
O Bloco sugere ainda uma curiosidade económica: alterar a PAC para promover a pequena propriedade. Evidentemente, que não têm a mais pequena noção do que é a agricultura, que é uma das actividades com maior intensidade de capital e onde os ganhos de escala são mais importantes. Mas isto, comparado com o resto, são peanuts.
Finalmente, esse momento tão aguardado, a cereja sobre o bolo, para utilizar uma expressão tão na moda - as NACIONALIZAÇÕES.
Para não dizerem que sou eu que minto, vou citar:
"A lógica privatizadora, criando mercados onde antes existiam serviços de natureza pública - do conheciento à saúde e dos recursos naturais às comunicações - está a destruir as capacidades de escolha democrática [não rir, que isto é mesmo a sério] sobre os modelos de desenvolvimento. A regulação pública dos sistemas financeiros, os fundos de pensões, o serviço nacional de saúde, o fornecimento de energia ou de água, ou os correios, passam a estar submetidos, não às necessidades das pessoas, mas à economia de casino. Ao invés, defendemos o desenvolvimento qualitativo dos serviços públicos de saúde, educação e protecção social em escala de cooperação europeia. A viabilidade de uma política social contra a crise e de uma refundação democrática da União dependem deste combate pelos direitos."
Eu bem dizia que vinha lá tudo.
(continua amanhã)
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