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View Full Version : Fahrenheit 9/11 - Uma bofetada na cara do Bush


costarios
01-08-2004, 19:28
Acabei de assistir ao filme do Michael Moore. Literalmente uma bofetada na cara do George "Quero-Ser-Igual-Ao-Meu-Pai" W. Bush.

Todas estas questões que nos chegam acerca da "i"-legalidade da Guerra do Iraque foram compiladas num documentário bastante bem feito.

Algumas cenas fortes desaconselham o filme àqueles mais frágeis mas, no geral, fica aqui a minha recomendação.

Mais alguém já assistiu ao filme e quer comentar alguma passagem em especial?

Óscar
01-08-2004, 19:40
Ainda não vi... mas, penso ir vê-lo... talvez vá ainda hoje...:)

Houdini
02-08-2004, 08:55
28-7-2004
Por: Vasco Câmara (PÚBLICO)

O caçador de imagens

O que fazia George W. Bush às 9h00 da manhã do dia 11 de Setembro de 2001? Lia um livro para crianças - que devia chamar-se qualquer coisa como "O Meu Cordeirinho" - numa escola da Florida.

O que é que pensou George W. Bush quando lhe segredaram que a segunda Torre Gémea tinha sido atingida em Nova Iorque? As mãos continuaram a agarrar "O Meu Cordeirinho", mas já sem convicção, os olhos refugiaram-se no vazio e George W. Bush pensou... o que a voz "off" do realizador, Michael Moore, nos diz que ele pensou.

E pronto, George W. Bush foi "apanhado". E é assim, em "Fahrenheit 9/11", que o espectador do filme se descobre prisioneiro de um programa de "Apanhados" (o que significa que Michael Moore consegue aprisionar muito mais gente do que George W. Bush - "aquele Bush que não foi eleito", como Moore diz).

É uma descoberta forçada a do espectador, e a consciência fica razoavelmente angustiada, porque não há nada em "Fahrenheit 9/11" que tenha a ver com escolha ou com a possibilidade de um contra-campo. A lógica é determinista: tal como num programa de "Apanhados" em que sabemos que o desastre, o infortúnio ou o logro vão bater à porta de um qualquer infeliz e só resta esperar pelo momento da gargalhada, também aqui não se escapa à claustrofobia do "show". A via das imagens é de sentido único - ou então quando elas não são suficientemente eloquentes a falar, uma voz "off" indica o caminho.

Não se trata de descobrir o que é verdadeiro e o que é falso - ou qualquer coisa, algures, no meio. Não é de jornalismo ou de trabalho de investigação (no sentido de percurso) que se trata, mas, assumidamente, de "tempo de antena" - "Fahrenheit 9/11" nem faz questão de mascarar a rigor de documentário - com um propósito firme: contribuir para retirar George W. Bush da Casa Branca. O gesto é tão determinado que o júri de um festival de cinema como o de Cannes desistiu de procurar, para o seu palmarés de 2004, obras-primas cinematográficas - essa coisa nobre, mas afinal vã quando valores mais altos se agigantam - e preferiu ir atrás dessa urgência, dando a "Fahrenheit 9/11" a Palma de Ouro. O que quer que se pense do filme, esse gesto do júri, por seu lado, revelou uma determinação, igualmente assinalável, de querer estar em sintonia e a vibrar com o momento (e, já agora: o mesmo propósito de querer Bush fora da Casa Branca). Não deixa de ser, por isso, legítimo pensar que qualquer que seja o resultado das eleições presidenciais de Novembro nos EUA "Fahrenheit 9/11" corre o risco de, a seguir, se auto-destruir - porque se tornou inútil?

Oscila, assim, entre a vibração mais feroz e a irrelevância; entre o "show" de variedades, televisivo, e o ensaio político. E Michael Moore tem nele tanto a postura de "clown" proletário como de inquietante Big Brother.

o chato. Apareceu nas imagens, diz ele, por acaso. O "chato" obeso de boné e camisa aos quadrados entrou no enquadramento em 1989, em "Roger and Me", como expediente para fazer sentir aos espectadores - aqueles a quem ele dirige os seus filmes: o público da América profunda e dos multiplexes - que havia ali no ecrã um Zé Ninguém como eles, em luta contra a "Corporate America". É claro que entrou no enquadramento também para sossegar os entrevistados, explicou, que assim não se viam sozinhos com a câmara; mas fê-lo sobretudo para permitir um efeito de catarse, de reconhecimento, aos espectadores.

É curioso rever hoje "Roger and Me": estava já lá tudo o que é Moore hoje, mas estava também um percurso emocional de aprendizagem de um homem que percorria a sua cidade natal, Flint, Michigan, que se tornou cenário pós-apocalíptico quando 30 mil dos seus habitantes foram abandonados ao desemprego e à penúria devido ao encerramento das fábricas da General Motors (GM). O Roger do título era Roger Smith, presidente da GM, que Moore queria entrevistar para o confrontar e que nunca conseguiu "apanhar", mas esse encontro passava para segundo plano (esquecemo-nos dele, na verdade...) para se destacar a viagem de uma memória pessoal em sobressalto, de utopias operárias desfeitas, de sonhos cinematográficos que Hollywood inventou - Moore já aqui manipulava materiais diversos da cornucópia pop, da TV ao cinema. Era um misto de obra de militância social de um paladino dos pobres e diário íntimo, e é o mais puro que o cinema de Moore conseguiu ser; é essa pureza que o põe na proximidade do "documentário".

O Moore que vimos em "Bowling for Columbine" (2003), apesar do brilhantismo da manipulação do "show", já não era o Moore que (nas suas palavras) entrou em campo para "sossegar" os entrevistados, era o Moore de que toda a gente fugia, que entrava em campo para cercar os seus "apanhados" (que o diga Charlton Heston, presidente da National Rifle Association...) com métodos ambíguos que até têm o efeito perverso de transformar o ser mais vil em vítima desamparada.

Agora repare-se na evolução: pouco vemos Michael Moore em "Fahrenheit 9/11". O método regrediu? Não, até se exponenciou: Moore não é um intermediário, já que essa postura suporia realidades, mundos e argumentos diferentes, ou a proposta de uma viagem; não, Moore agora está em todo o lado, invisível mas omnipresente, como lógica dominante, como única realidade, a de uma "assemblage" de imagens da televisão, como um "zapping" pirata, ou encomendadas a "freelancers" (as imagens das tropas americanas no terreno, no Iraque).

Não há outra realidade para além destas imagens e do seu propósito - excepção, talvez, ao segmento em que Moore se desloca a Flint, mas talvez por ser um regresso haja alguma ressonância vital.

Não há personagens que se encontram; há personagens que se fabricam. A mulher que se define, no início, como militarista e "democrata conservadora", e que no fim, depois de saber que o filho morreu no Iraque, faz a sua tomada de consciência, serve o propósito de um drama com a espessura de um "reality show". Compare-se, por exemplo, com a humanidade descarnada, frágil e cruel (porque a crueldade é uma técnica de sobrevivência), de uma esfoladora de coelhos na Flint de "Roger and Me".

Michael Moore não importou as técnicas do espectáculo televisivo. Michael Moore transformou-se na caixa da televisão. A Palma de Ouro de Cannes vibra com o seu tempo.

http://cinecartaz.publico.pt/criticas.asp?id=105052&Crid=3&c=2771

jleandro
02-08-2004, 09:14
ainda não vi este fliilme do Moore.

comprei há dias (com o Público) o anterior "Bowling for Columbine" que também ainda não vi.

vi o 1º "Roger and me" e isso não chega para poder comentar esta personagem e este nome tão na moda.

começo por duvidar que o nome dele seja mesmo "Michael Moore", este nome é de muito fácil memorização e mujito comercial.

alguém se é o verdadeiro nome dele ou não?

Houdini
02-08-2004, 09:24
Biography for
Michael Moore

Height
6' 1½" (1.87 m)
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Spouse
Kathleen Glynn (? - present) 1 child

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Trade mark
Famous for his provocative populist documentaries that are unapologetic attacks on callous business corporations, opportunistic right wing politicians and other social wrongs. Usually wears a baseball cap and glasses.

Often mentions or shows his hometown of Flint, Michigan in his films.


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Trivia
Elected to Davison board of education at age 18.

Was arrested during filming of the video "Sleep Now In The Fire" by Rage Against The Machine, protesting Wall Street and the investment of American money overseas (ie hostile and Communist countries). The filming also shut down the New York Stock Exchange early that day when band members tried to enter the floor univited.

Admitted on the Fox News Channel show Hannity and Colmes that he lives in a $1.9 million dollar home in New York City.

His favourite films are Smultronstället (1957) and Taxi Driver (1976).

Announced on March 13, 2002 his book Stupid White Men...and Other Sorry Excuses for the State of the Nation, is now #1 on the New York Times non-fiction list.

Briefly served as both editor and columnist for Mother Jones magazine.

Raised money for the production of his first film, Roger & Me (1989), by running neighborhood bingo games in his house.

Irish-American

Is a card-carrying member of the National Rifle Association. Moore told Tim Russert that he joined so as to be elected its president and force it to support gun-control.

On the day after his infamous "Oscar Backlash", where he attacked both President George W. Bush and the Iraq war, attendance for his documentary "Bowling For Columbine" went up 110%. The following weekend, the box office for the film was up 73%.

Throughout his film, "Bowling for Columbine" Michael Moore proudly sports a Michigan State University baseball hat.

Has a daughter, Natalie.

Lives in New York City.

Elected to Davison board of education at age 18, this is described and elaborated upon in chapter 5 "Idiot Nation" in his book "Stupid White Men."

His movie, "Fahrenheit 9/11", was shown at the Cannes Film festival, making it the most sought-after movie there. [May 2004]

Attended the University of Michigan-Flint in the 1970s.

Supported Ralph Nader in the 2000 presidential elections.

Although he owns a VW Beetle, he is now said to travel about by chauffered limo.

Early in "Farenheit 9/11" a celebrity-filled rally for Al Gore is shown and Moore (in his narration) refers to Ben Affleck, "Little Stevie" Wonder, and "the guy from 'Taxi Driver,'" that "guy" being Robert De Niro. This was perhaps a bit of joke because "Taxi Driver" is Moore's favorite film and De Niro is one of the actors Moore respects the most.

Massarico
02-08-2004, 10:53
Ainda não vi o Farenheit 9/11, mas vi na sexta-feira o Bowling for Columbine. E que noite meu Deus. Aquilo é uma síntese entre a profundidade intelectual de uma Manuela Moura Guedes, a capacidade argumentativa de um Francisco Louçã e a honestidade intelectual de um Pedro Santana Lopes.

Aconselha-se vivamente a não ver depois das refeições, e sempre com um saquinho de plástico ao lado, para o que der e vier.

Janado
15-08-2004, 00:22
Só esta semana é que vi o 911, como já tinha lido comentários de diferentes opiniões, fui "alerta" para as várias visões do filme.

Acho que nada é perfeito, mas preocupam-me menos as eventuais falhas da "ética" do Moore do que aquilo que torna possivel o a sua existência. Ele não terá falta de alimento para futuros filmes, e nós pagaremos o preço disso de uma ou outra maneira.

De certa maneira fiquei surpreendido com a reacção das pessoas que estavam na sala (do cinema), na sua maioria viram o filme como um acto lúdico, não faltaram gargalhadas durante a projeção e aplausos no final.

Senti-me mal ali, estava revoltado com o que vira, não tinha razão para bater palmas pois o "filme" além de não ter terminado no final da projeção, não é uma coisa bonita.

Recomendo que vejam em casa, se acharem que não é um divertimento.

Óscar
16-08-2004, 01:07
Vi hoje o filme... tal como o Janado diz, não vi motivos para gargalhadas, apesar de algumas cenas patéticas do Bush... no final, também estava deveras indignado para poder bater palmas...

Aos que não viram, aconselho que o vejam, seja qual for a tendência política em que se inserem... é um documento único sobre a história recente dos EUA e sobre as perigosas ligações entre poder e interesses económicos privados... é um documentário que põe a nu as mentiras e expõe alguns dos verdadeiros motivos da invasão do Iraque... é um filme que nos demonstra como através da utilização estratégia do medo e do desejo de segurança se estão a pôr em causa, direitos cívicos e liberdades até então garantidas pela constituição americana...enfim... é um documentário sobre predadores e suas vítimas, sejam elas americanas, iraquianas ou outras...

Agora estou um pouco cansado... talvez, mais tarde, volte ao assunto...:rolleyes: