View Full Version : Curioso: Défice real: 4,2%
Karl Marx
29-04-2003, 15:05
As medidas extraordinárias decididas pelo Governo em 2002 para obter receita apenas contrariaram os efeitos negativos da desaceleração económica, uma vez que a despesa pública continuou a aumentar, defendeu hoje o Banco de Portugal.
Em artigo publicado no boletim económico de Março sobre a economia portuguesa em 2002, a instituição dirigida por Vítor Constâncio afirma que "abstraindo as medidas temporárias e especiais, o défice público em 2002 ter-se-á mantido num valor próximo do observado em 2001" [4,2%].
www.lusa.pt
jleandro
29-04-2003, 15:12
espero que isto ainda dê muita conversa.
não acredito em Ministros que só sabem CORTAR despesas às cegas e INVENTAR receitas que de verdade não o são.
GOLPES de secretaria - assim também eu posso ser Ministro, eheheh
entretanto lançaram o País numa recessão do pior que tenhop conhecido, acho que nem na altura do FMI isto esteve tão mau.
Caravela
29-04-2003, 17:37
Sempre foi assim...sempre assim será!!!!
A culpa é sempre dos outros.....!!!
Passam-se as culpas de geração em geração e a Sociedade sempre em regressão...!!
Não temos uma elite politica,preparada e descomprometida!!!
Está tudo dependente das clientelas,e nem se trata de diferenças de ideários!!! porque o problema é transversal,
Enfim procura-se sempre o imediato,a imagem,mesmo que apregoem com todos os dentes o contrário.
Já dizia o velho Eça ,é um povo que não tem emenda...
Com os politicos que sempre lhe calharam em sorte!!!!!
Eu não gosto muito de me meter em política, mas se decidiram não aumentar a maior parte dos funcionários públicos (estou lá incluido) parece-me que a medida é tudo menos boa, porque as pessoas retraiem-se em despesas, logo entram nos cofres do estado menos dinheiro resultante da já dolorosa carga fiscal, ora se temos uma retracção ao consumo, há muitos sectores que se vão abaixo, e aí pode-se criar uma bola de neve desagradável.
Por exemplo, nos states, o consumo não diminui, mas cá com estas medidas a tendência é inversa, custa-me a crer que tais medidas sejam pois uma lufada de ar fresco neste estado tão poluído.
Por falar em medidas de austeridae, ouvi na Antena 1 alguém dizer que foi comprado para o primeiro-ministro uma viatura para o dito se deslocar no valor de 32 mil contos (fica em dinheiro antigo, dá mais jeito) será que comprou um Rolles-Royce em segunda-mão ? Então um simples Passat a gasóleo não servia ? Ficava por menos 25 mil e gastava seguramente menos combustível, logo menos despesa.
Bem aqui levanto uma questão, a taxa de alfabetismo diminui significativamente, senhores governantes, já não somos tão burros como antigamente, mas continuam a ver-nos com umas orelhas de morcego em tamanho XXL.
No Ministério da Justiça também se fizeram cortes, mas apenas para correr com os antigos. Agora é só vê-los chegar, Consultor para o Auditor para o Conselheiro e respectivas secretárias e motoristas. Que a "trupe" vem sempre bem acompanhada.
Não vejo como vão cortar na despesa pública ... só por artes de magia.
Eu, por via das dúvidas, comprei uns óculos escuros novos. Assim não vejo tanta m.... à minha volta.
Patacôncio
29-04-2003, 21:37
Alguém me explica como fazer diferente ???
Alguém pode explicar como evitar o afundar do barco ???
Pois é ...
Isto de falar é fácil.
Os tipos não têm o meu apoio a 100 % ... mas que a Manel' Azedó Leite está a fazer um grande trabalho ...
Algumas questões que ninguém consegue responder :
Como manter o déficit abaixo dos 3 %, sem sangria dos salários dos funcionários públicos ?
Qual a dependência das receitas fiscais do ciclo económico ?
Qual o endividamento da nossa economia ?
Qual o déficit das balanças comerciais e de capitais ?
Enfim ... é a vida !
PS Qual é o país onde os funcionários públicos são mais bem pagos e sem os resultados esperados ?
PS II Lembram-se do atentado contra o Aznar, que quase lhe custou a vida ? E sabem quanto custa um carro contra terroristas ? 32 mil contos ? 5 000 contos ?
Isto de olhar para estas despesas como "esbanjamento" ... e se o nosso Presidente ou o Primeiro-Ministro fosse alvo de um atentado ? O que díriamos ? Que somos terceiro-mundistas, que nem carros blindados temos ! :confused:
Pronto Patacôncio, agora o primeiro está com medo que o matem, parece que cá, temos mais a fama de mandar aviões ao charco, mas para parcermos 3º mundistas já só faltava esta.
Eu sei que os rapazes apanharam uma herança pesada, conheço essa história toda, agora continuo a afirmar sem conhecer a solução, que essa medida está longe de ser a mais bem reflectida, e digo-te não é pelo mísero aumento que iria receber, é por saber o sufoco em que a maior parte das famílias vive, o consumo está a baixar drasticamente e não é por meia dúzia de pindéricos comprarem malas de 8.500€ que podemos pensar que está tudo bem, eu falo com as pessoas, tenho familiares que apesar de terem os seus empregos, serem pessoas honestas com os seus impostos em dia estão em situação desesperado para alimentar os seus filhos e por enquanto garantir os seus tectos, isso é que me preocupa, não são os pseudo-atentados para alimentar um capricho do nosso primeiro que deveria de ser ele a dar o exemplo.
jleandro
29-04-2003, 22:02
vamos lá a sério, que doutra maneira não sei:
a única maneira de reduzir o déficit em Portugal é atacar a despesa - é cada vez mais óbvio, até porque as receitas mesmo com aumentos de impostos não sobem.
as razões disso, podem ficar para depois, mas isto é um facto.
se as receitas não sobem.... cortar as despesas é a única solução, já toda a gente o sabe há muito tempo.
cortar? onde? - aqui começe o problema porque a grande despesa do Estado, a maior de todas é a MASSA SALARIAL, que só pode ser reduzida em duas fases:
entrar em guerra com os sindicatos e reduzir substancialmente o número de funcionários e aumentar a produtividade do funcionalismo, dando-lhe instrumentos de trabalho eficazes e actuais - ou seja de uma vez por todas informatizar os vários Ministérios com programas capazes e inter-actuantes,
só que para isso são precisos "outros" funcionários, mais interessados e actuantes sobre o sistema de trabalho, com prémios de produção, de inovação, etc.
quem é o governo limitado a 4 anos que tem coragem de entrar numa guerra destas???
é mais fácil ir "esquecendo" algumas despesas e "aumentando" as receitas.
lembro que a contabilidade pública é diferente da contabilidade que cada um de nós conhece: na contabilidade pública a despesa só AFECTA os custos quando é PAGA, - DÁ PARA RIR, mas é mesmo assim.
assim sendo, vão-se protelando os pagamentos aos fornecedores o máximo possível, e por isto muita empresa está nesta altura completamente "estrangulada" porque o Estado não está a pagar a ninguèm.
se assim se faz um bom ministro: tretas, isto em bom Português tem outro nome: ESTADO CALOTEIRO.
quanto às razões porque as receitas não sobem: perguntem ao Medina Carreira e ao Saldanha Sanches, visto que ambos já escreveram sobre isso.
A minha contabilidade é mais simples:
2 e 2 ? Depende ..
Para pagar são 4, para receber são 22. ;)
Karl Marx
30-04-2003, 00:54
O Pataco não leu o título deste post: "manter" o défice abaixo de 3%"???
Mas, independentemente disso, o que é o défice? Para que serve ( ele ou a sua ausência) numa economia do mundo capitalista?
Onde se geram mais-valias numa economia de mercado? No desinvestimento e na política (cada vez mais exclusiva de Portugal, na Europa) de baixar os salários, e só isso, cada vez que se fala em crise? Há quantos anos estamos em crise? Desde quando os salários reais estão abaixo da inflação real?
Se bem me lembro, desde 1978. Só durante quatro anos houve ganhos reais.
Aonde vamos parar? Quando é que o limiar da pobreza, com este tipo de políticas - agravadas agora, mas que nem são exclusivo deste Governo ou deste partido - vai abranger a maioria da população? Brevemente, creio.
Apertar o cinto assim para quê? Para recuperar o crescimento económico? Crescimento de quem? Para quê? Para, depois, ficarmos todos ricos? Ou para, simplesmente, assistirmos a uma redução do nível de vida um pouco menos gravosa do que actualmente?
Mas sempre gravosa.
Deixem-se de tretas. Descubram empresários e Governos a sério. Estimulem a modernização, a formação, a qualificação, enfim... a produtividade verdadeira!
E não se esqueçam de distribuir a riqueza gerada.
ass: Karl Marx
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